{"id":197335,"date":"2021-01-29T09:00:22","date_gmt":"2021-01-29T09:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=197335"},"modified":"2021-01-27T17:06:29","modified_gmt":"2021-01-27T17:06:29","slug":"lusofonias-coracao-africano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-coracao-africano\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Cora\u00e7\u00e3o africano\u2026"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-Mansarada-Libermann29-01-2021.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-197337\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-Mansarada-Libermann29-01-2021.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-Mansarada-Libermann29-01-2021.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-Mansarada-Libermann29-01-2021-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-Mansarada-Libermann29-01-2021-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-Mansarada-Libermann29-01-2021-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-Mansarada-Libermann29-01-2021-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-Mansarada-Libermann29-01-2021-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-Mansarada-Libermann29-01-2021-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Foi assim em Roma h\u00e1 180 anos. Num s\u00f3t\u00e3o, Francisco Libermann, um jovem franc\u00eas de 38 anos, foi ficando por aqui, entre ora\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00f5es junto da Santa S\u00e9, numa luta dif\u00edcil par atingir um \u00fanico objectivo: o apoio do Papa na funda\u00e7\u00e3o de uma obra mission\u00e1ria que permitisse a evangeliza\u00e7\u00e3o de \u00c1frica e a liberta\u00e7\u00e3o total de todos os escravos. S\u00f3 a \u2018Propaganda Fidei\u2019 podia dar luz verde a um projeto mission\u00e1rio (a \u2018Obra dos Negros\u2019) e Libermann, sem quaisquer recursos financeiros nem gente influente em que se apoiar, conta com a autoriza\u00e7\u00e3o para viver nesta mansarda, ali bem pertinho da Piazza Navona e das Igrejas de Santo Agostinho, Santo Ant\u00f3nio dos Portugueses e S\u00e3o Lu\u00eds dos Franceses.<\/p>\n<p>S\u00f3 deixaria Roma a 7 de janeiro de 1841, ap\u00f3s um ano de intensas lutas. Nestas instala\u00e7\u00f5es geladas de inverno e quent\u00edssimas de ver\u00e3o, escreveu textos decisivos para o futuro dos Espiritanos, incluindo boa parte do Coment\u00e1rio do Evangelho de S. Jo\u00e3o, que o Cardeal Tolentino Mendon\u00e7a utilizou no Retiro que pregou ao Papa e \u00e0 C\u00faria Romana em 2018. Por isso, quando Mussolini, nos meados do s\u00e9culo XX, decidiu alargar algumas ruas de Roma, esta casa foi demolida, os Espiritanos desmontaram o s\u00f3t\u00e3o (a \u2018mansarda\u2019) e colocaram-na no terra\u00e7o do edif\u00edcio do Semin\u00e1rio Franc\u00eas. Quando este foi entregue \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal de Fran\u00e7a, decidiu-se pegar na mansarda e \u2018reconstrui-la\u2019 no Jardim da Casa Geral dos Espiritanos, onde se encontra, como mem\u00f3ria deste segundo fundador e local de ora\u00e7\u00e3o e inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Olhemos para o perfil de Francisco Libermann, falecido a 2 de fevereiro de 1852, em Paris. Ele nasceu na Als\u00e1cia, em 1802, numa fam\u00edlia judaica. Com a contesta\u00e7\u00e3o religiosa habitual na adolesc\u00eancia e juventude, acabaria por iniciar um percurso espiritual que o levou \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica onde foi batizado. Da\u00ed a querer ser padre foi um passo que lhe traria muito sofrimento. Primeiro, porque o seu passado judaico lhe retirou o apoio da fam\u00edlia, t\u00e3o necess\u00e1rio para quem quer entrar num semin\u00e1rio; segundo, porque se lhe declarou uma doen\u00e7a que era impeditiva para a ordena\u00e7\u00e3o: a epilepsia. Libermann dava raz\u00e3o a Fernando Pessoa quando este escreveu que quando \u2018Deus quer e o homem sonha, a obra nasce!\u2019. Antes de ser padre, lan\u00e7ou-se na aventura de fundar uma obra virada para a miss\u00e3o integral em \u00c1frica, apoiado por dois jovens de origem africana. Teve que lutar muito contra a falta de sa\u00fade e por um projeto que parecia votado ao fracasso. Nunca deitou a toalha ao ch\u00e3o, conseguiu o \u2018milagre\u2019 da cura. Da\u00ed a sua estadia em Roma. Seria ordenado Padre a 18 de setembro de 1841 e a funda\u00e7\u00e3o da \u2018Sociedade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Maria\u2019 foi celebrada em Paris, no dia 27.<\/p>\n<p>Os seus primeiros mission\u00e1rios partiram para \u00c1frica a 13 de setembro de 1843, enviados para as Guin\u00e9s.\u00a0 Aqui come\u00e7a uma corajosa obra mission\u00e1ria que n\u00e3o mais parou. Muitos dos mission\u00e1rios morreram jovens, quer em naufr\u00e1gios quer por doen\u00e7as tropicais. Mas nada o fez recuar, apesar da dor de alguns fracassos. A fragilidade da sua sa\u00fade nunca lhe permitiu rumar a \u00c1frica, mas fica para a hist\u00f3ria a sua frase \u2018o meu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 dos Africanos!\u2019.<\/p>\n<p>A sua Obra fundiria em 1848 com a Congrega\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo e o P. Francisco Libermann \u00e9 o primeiro respons\u00e1vel m\u00e1ximo desta nova Congrega\u00e7\u00e3o, fundada por Cl\u00e1udio Poullart des Places em 1703. Os envios de mission\u00e1rios sucedem-se e, bem depressa, outras funda\u00e7\u00f5es nascem na Europa para formar novos Padres e Irm\u00e3os que foram respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o e fortalecimento de muitas Igrejas locais na \u00c1frica e nas Cara\u00edbas.<\/p>\n<p>Morreria a 2 de fevereiro de 1852, com apenas 50 anos, mas muito futuro rasgado. Hoje, os Espiritanos s\u00e3o quase 3 mil e trabalham em mais de 60 pa\u00edses nos cinco continentes. S\u00e3o todos \u2018filhos de Libermann e Cl\u00e1udio Poullart des Places\u2019. Sentem-se honrados quando figuras grandes como Leopold Senghor, pai do Senegal e da Negritude, diz que tudo o que \u00e9 o deve ao P. Libermann e aos Espiritanos. Esta grande figura da cultura e da pol\u00edtica africana gostava de citar um dos textos mais emblem\u00e1ticos de Libermann quando este dava orienta\u00e7\u00f5es aos mission\u00e1rios dizendo-lhes: \u2018fazei-vos negros com os negros!\u2019. Assim se abria o caminho para uma profunda incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho e para um enriquecedor, porque respeitador, encontro de povos, culturas e express\u00f5es de F\u00e9.<\/p>\n<p>Vivo na Casa Geral dos Espiritanos, em Roma e todos os dias entro nesta \u2018mansarda\u2019 para meditar e rezar. \u00c9 um local de sil\u00eancio e inspira\u00e7\u00e3o, apesar de estar junto \u00e0 estrada e de ouvir o barulho do tr\u00e2nsito misturado com o chilrear da muita passarada que mora nas \u00e1rvores. Nesta \u2018mansarda\u2019, que era um pombal, o P. Libermann se inspirou para uma das suas ora\u00e7\u00f5es mais emblem\u00e1ticas, em que pede a Deus que sejamos \u2018como leve pena\u2019 ao sopro do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 180 anos, Libermann chega a Roma apenas \u2018armado\u2019 com uma F\u00e9 enorme e uma confian\u00e7a na inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, hoje os seus filhos t\u00eam a responsabilidade de continuar a partir pelo mundo a anunciar o Evangelho, libertando os mais pobres de todas as escravid\u00f5es que os desumanizam. N\u00e3o \u00e9 por acaso que os compromissos de justi\u00e7a, paz e ecologia global s\u00e3o parte integrante da Miss\u00e3o Espiritana.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-197335-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-coracaoafricano29-01-2021.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-coracaoafricano29-01-2021.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-coracaoafricano29-01-2021.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em 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