{"id":197321,"date":"2021-01-27T15:46:12","date_gmt":"2021-01-27T15:46:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=197321"},"modified":"2021-01-27T15:46:12","modified_gmt":"2021-01-27T15:46:12","slug":"saber-aprender-a-equilibrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-equilibrar\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A equilibrar"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Os \u00faltimos momentos que estamos a viver vieram trazer algum desequil\u00edbrio \u00e0s nossas vidas. Ou, talvez essas assentassem os equil\u00edbrios em aspectos demasiado transit\u00f3rios, como tem sido o caso das novas tecnologias. Estes aspectos evidenciaram-se em algumas quest\u00f5es que me fizeram num webinar organizado pelo Movimento para um Lar Crist\u00e3o (MLC), dedicado \u00e0 <em>\u201d<a href=\"https:\/\/iscf.pt\/noticias\/ler\/1040-educacao-e-ecologia-em-encontro-mlc\">Fam\u00edlia, Educa\u00e7\u00e3o e Convers\u00e3o Ecol\u00f3gica<\/a>\u201d.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WebinarMLC.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-197322\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WebinarMLC.jpg\" alt=\"\" width=\"1537\" height=\"552\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WebinarMLC.jpg 1537w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WebinarMLC-400x144.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WebinarMLC-1024x368.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WebinarMLC-768x276.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WebinarMLC-1080x388.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WebinarMLC-1280x460.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WebinarMLC-980x352.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WebinarMLC-480x172.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1537px) 100vw, 1537px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O tema que desenvolvi intitulado <em>\u201dDespertar para uma nova comunh\u00e3o entre n\u00f3s e o ambiente\u201d<\/em> reflectia sobre a no\u00e7\u00e3o de Antropoceno que expressa o modo como nos torn\u00e1mos uma for\u00e7a geol\u00f3gica da natureza, a comunh\u00e3o como uma palavra transformativa, o movimento da aten\u00e7\u00e3o plena \u00e0 consci\u00eancia plena (<em><a href=\"https:\/\/www.combonianos.pt\/alem-mar\/opiniao\/4\/204\/despertar\/\">noofulness<\/a><\/em>) e alguns elementos da sua pr\u00e1tica. Nomeadamente, a natureza relacional da solitude, dois dos v\u00e1rios h\u00e1bitos universais transformativos (caminhar e notar em coisas novas), a influ\u00eancia que tem a percep\u00e7\u00e3o do tempo e, por fim, o futuro do communiocentrismo, uma no\u00e7\u00e3o que <a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/artigos\/\">introduzi<\/a> em 2008 na revista Brot\u00e9ria. Mas, na pr\u00e1tica, pelas palavras procurava novos pontos de vista para podermos despertar da dorm\u00eancia interior em que nos encontramos.<\/p>\n<p>Essa dorm\u00eancia interior est\u00e1 muito relacionada com as novas tecnologias, incluindo os <em>smartphones<\/em> que colocam fluxos elevad\u00edssimos de informa\u00e7\u00e3o nas nossas m\u00e3os, e as redes sociais que muitos consideram como ve\u00edculos primordiais de conectividade e parte integrante de uma Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, parece-me que esses modos novos de nos relacionarmos fragmentam e desequilibram mais do que pensamos.<\/p>\n<p>O facto de nos vermos, e aos outros, com a aten\u00e7\u00e3o demasiado presa pelas novas tecnologias corre o risco de nos fechar sobre n\u00f3s mesmos, em vez de nos abrirmos aos outros. Por outro lado, se nos abrirmos somente aos outros em detrimento da nossa vida interior, ou se nos preocuparmos exageradamente com o que passamos para fora sobre n\u00f3s pr\u00f3prios atrav\u00e9s das novas tecnologias, isto \u00e9, uma imagem editada e aprimorada nas cores, geram-se desequil\u00edbrios. A culpa n\u00e3o \u00e9 nossa, mas do desconhecimento daquilo que se est\u00e1 a passar.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o de qualquer tecnologia \u00e9 a de ampliar as nossas capacidades. E a conectividade \u00e9 uma capacidade importante no desenvolvimento humano. Por exemplo, as redes sociais surgiram e cresceram com a inten\u00e7\u00e3o original de ampliar essa conectividade. Por\u00e9m, as grandes empresas deram-se conta que de poderiam fazer muito, mas muito dinheiro, com a simples captura da nossa aten\u00e7\u00e3o, vendendo essa aten\u00e7\u00e3o aos <em>advertisers<\/em> (anunciantes) que pagam a essas empresas pelos an\u00fancios que se apresentam nos nossos murais. Essas empresas perceberam, ainda, que o modo de capturar a nossa aten\u00e7\u00e3o seria estimular a produ\u00e7\u00e3o de dopamina no nosso c\u00e9rebro, um neurotransmissor natural associado ao sentimento de realiza\u00e7\u00e3o. E fizeram isso com bot\u00f5es de resposta imediata (como os \u201cgostos\u201d, e os cora\u00e7\u00f5es, palmas, etc.), gerando em n\u00f3s uma gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea, transformando-se num sistema de valida\u00e7\u00e3o pessoal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e pensamentos que partilhamos. O resultado inesperado foi o gradual isolamento das pessoas do mundo \u00e0 sua volta. Ou seja, conectados \u00e0 <em>app<\/em> e desconetados do mundo. Mas \u00e9 no mundo que a narrativa da nossa vida se desenrola.<\/p>\n<p>Um segundo desequil\u00edbrio associa-se \u00e0 velocidade cada vez maior da informa\u00e7\u00e3o a que estamos sujeitos, e que alguns consideram como necess\u00e1ria na sociedade actual. Ora, essa acelera\u00e7\u00e3o gera um impacto sobre o relacionamento com os outros e, sobretudo, com o meio ambiente. No testemunho apresentado por Margarida Alvim, coordenadora do projecto ecol\u00f3gico <em><a href=\"https:\/\/casavelha.org\">Casa Velha<\/a><\/em>, no webinar do MLC, dizia que <em>\u00aba transforma\u00e7\u00e3o do mundo precisa dos passos pessoais.\u00bb<\/em> Todo o ser humano possui dois grandes desejos associados a esses passos. O desejo de saber e o de viver. Os fluxos de informa\u00e7\u00e3o que pretendemos acompanhar a toda a hora e momento, s\u00e3o o espelho de uma humanidade em <em>Grande Acelera\u00e7\u00e3o<\/em> desde os anos 1950, e parecem saciar a nossa sede de saber. Mas, estar informado n\u00e3o \u00e9 o mesmo que <em>compreender<\/em> essa informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, as novas tecnologias criaram filtros-bolha da informa\u00e7\u00e3o que nos chega. Isto \u00e9, quando as pessoas fazem do Facebook a sua fonte principal de informa\u00e7\u00e3o, a captura da aten\u00e7\u00e3o depende do quanto nos identificamos com a informa\u00e7\u00e3o a que estamos sujeitos. Logo, os algoritmos inteligentes foram educados pelos programadores a saciar a nossa sede com a \u201cbebida\u201d que gostamos, n\u00e3o o \u201crem\u00e9dio\u201d que precisamos. Assim, em vez de o nosso pensamento e convic\u00e7\u00f5es serem desafiados, s\u00e3o antes confirmados e a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera compreens\u00e3o, mas valida\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis cren\u00e7as sem fundamento, fazendo de cada um de n\u00f3s ve\u00edculo de desinforma\u00e7\u00e3o. Estudos mostraram que os filtros-bolha levam a que a probabilidade das pessoas partilharem um not\u00edcia falsa seja 70% superior \u00e0 partilha de uma not\u00edcia verdadeira, mas que sai da bolha das nossas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o que desconforta e nos impele a um caminho de compreens\u00e3o do seu conte\u00fado, leva-nos a percorrer um caminho de <em>sabedoria.<\/em> O desequil\u00edbrio gerado pela velocidade excessivo de consumo de informa\u00e7\u00e3o representa um s\u00e9rio perigo ao desenvolvimento da sabedoria. Por\u00e9m, os <em>passos pessoais<\/em> que podemos dar para transformar o mundo n\u00e3o passam pela rejei\u00e7\u00e3o das novas tecnologias, mas antes pela aceita\u00e7\u00e3o de que essas n\u00e3o definem a nossa realidade.<\/p>\n<p>De cada vez que escrevo sobre as redes sociais, desaconselhando o seu uso pelos desequil\u00edbrios que d\u00e3o \u00e0 nossa vida, fico sempre a pensar que as pessoas me ligam cada vez menos, ou que omito quais as alternativas. O que recomendo \u00e9 dif\u00edcil por implicar um desapego f\u00edsico da depend\u00eancia da dopamina que as redes sociais, e as novas tecnologias, produzem em n\u00f3s. E creio que existe uma alternativa digital a essas que pode levar mais tempo a produzir efeito, mas que nos ajuda, pouco a pouco, a saber aprender a equilibrar a vida real com a digital: <em>sites institucionais<\/em>. Estranho, mas explico-me.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es que se dedicam \u00e0s quest\u00f5es da fam\u00edlia como o Movimento para um Lar Crist\u00e3o, ou a novos estilos de vida que ligam a espiritualidade ao contacto com a natureza como a Casa Velha, s\u00e3o fontes de refer\u00eancia para cada um de n\u00f3s. Confiamos nas institui\u00e7\u00f5es credenciadas porque os seus ideais sobrevivem, em todas as circunst\u00e2ncias, da verdade e das pessoas que a buscam. Da\u00ed que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, ou org\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o, como a Ag\u00eancia Ecclesia, nos ajudem a distinguir o facto da fic\u00e7\u00e3o. Por isso, quando encontramos alguma informa\u00e7\u00e3o nos seus sites institucionais, sabemos que nos dizem a verdade e confiamos.<\/p>\n<p>Depois, a partilha daquilo que nos informam acontece via os relacionamentos com os outros. Lentos, p\u00e9 ante p\u00e9, mas duradoiros. Pois, tudo o que \u00e9 s\u00e1bio e verdadeiro demora tempo a construir. Pensemos naqueles casais com mais idade e d\u00e9cadas de matrim\u00f3nio que nos testemunham como podemos construir juntos uma vida feliz para sempre. Quantas l\u00e1grimas, risos, dores e sucessos. Tudo o que vale a pena na vida que nos \u00e9 dada, leva tempo a chegar ao equil\u00edbrio, mas constr\u00f3i um amanh\u00e3 mais sustent\u00e1vel da nossa espiritualidade.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-197321","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=197321"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197321\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=197321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=197321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=197321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}