{"id":19725,"date":"2006-08-18T11:45:33","date_gmt":"2006-08-18T11:45:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/08\/18\/altar-escondia-pinturas-seculares-em-valverde\/"},"modified":"2006-08-18T11:45:33","modified_gmt":"2006-08-18T11:45:33","slug":"altar-escondia-pinturas-seculares-em-valverde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/altar-escondia-pinturas-seculares-em-valverde\/","title":{"rendered":"Altar escondia pinturas seculares em Valverde"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/altarbraganca.jpg\" align=\"left\">A igreja de S\u00e3o Vicente, em Valverde, na freguesia de Pinela, datada do s\u00e9culo XV, \u201cescondia\u201d no altar, por detr\u00e1s de v\u00e1rias camadas de tinta, pinturas de ornamentos florais, que se cr\u00ea serem anteriores ao s\u00e9culo XVIII. A descoberta foi meramente ocasional. A mesma surgiu no \u00e2mbito de um restauro que est\u00e1 a ser levado a cabo pela t\u00e9cnica Suzete Almeida. Anos antes, esta t\u00e9cnica j\u00e1 tinha sido chamada a restaurar uma pe\u00e7a do mesmo altar. Os ornamentos foram ficando vis\u00edveis \u00e0 medida que as camadas de tinta foram sendo levantadas. Mas outros elementos antigos foram ficando \u201c\u00e0 mostra\u201d. \u201cCom o levantamento da pintura ficaram \u00e0 vista a marca da pintura de um arco, que era tipicamente usado nos altares antigos, e tamb\u00e9m de cortinas\u201d, contou Suzete Almeida. A retirada de purpurina deixou, tamb\u00e9m, antever o verdadeiro ouro e as tonalidades avermelhadas do altar. Mais curioso, segundo a t\u00e9cnica, \u00e9 que as tonalidades encontradas s\u00e3o id\u00eanticas \u00e0s da imagem que recuperou, h\u00e1 doze anos atr\u00e1s, naquele mesmo altar. \u201cJ\u00e1 quando fiz a restaura\u00e7\u00e3o da imagem, que est\u00e1 integrada no altar, verifiquei que tinha tonalidades avermelhadas. Outra curiosidade \u00e9 que a pr\u00f3pria imagem apresenta fei\u00e7\u00f5es muito r\u00fasticas e n\u00e3o tem grandes formas, pelo que poder\u00e1 ser tamb\u00e9m ela anterior ao s\u00e9culo XVIII\u201d, explicou a t\u00e9cnica.  S\u00e3o elementos que a mesma acredita fazerem parte de um todo, que, possivelmente, foi levado a cabo por um mesmo artista. A dificuldade em datar as imagens e a pintura prende-se n\u00e3o s\u00f3 com aspectos t\u00e9cnicos. \u201c\u00c9 preciso n\u00e3o esquecer que, naquela altura, as coisas chegavam \u00e0 regi\u00e3o muitos anos depois, o que pode levar a imprecis\u00f5es\u201d, referiu. Certo \u00e9 que, ao longo dos anos e das restaura\u00e7\u00f5es que tem feito por toda a regi\u00e3o, foi a primeira vez que se confrontou com uma pintura deste g\u00e9nero: \u201cnunca vi nada assim. \u00c9 um estilo completamente diferente, pouco estudado, que me leva a crer que possamos estar perante uma imagem anterior ao s\u00e9culo XVIII\u201d. Da mesma opini\u00e3o \u00e9 o p\u00e1roco da aldeia, Pe Estevinho. Embora saliente n\u00e3o ter conhecimentos que permitam datar uma imagem, confessa nunca ter visto nada igual. \u201cN\u00e3o s\u00e3o ornamentos vulgares. O mais curioso \u00e9 que os elementos da pintura se repetem depois na imagem\u201d, salientou. No entanto, a popula\u00e7\u00e3o local parece n\u00e3o ter reagido bem a todos estes trabalhos de restaura\u00e7\u00e3o. Suzete Almeida conta que, quando fez a restaura\u00e7\u00e3o da imagem, as pessoas n\u00e3o aceitaram o trabalho. \u201cVi-me obrigada a colocar uma camada de verniz em cima da imagem, para que as pessoas aceitassem melhor o restauro\u201d, explicou. O principal problema, segundo o p\u00e1roco, \u00e9 que \u201cas pessoas n\u00e3o est\u00e3o informadas nem sensibilizadas para valorizar o patrim\u00f3nio\u201d. Assim, \u201c\u00e9 dif\u00edcil encontrar um ponto de equil\u00edbrio\u201d. Acresce que, \u201cquando se faz um restauro numa Igreja, as pessoas pensam que a Igreja vai ficar como nova, quando restaurar significa preservar o original, mantendo a identidade da Igreja\u201d, apontou a t\u00e9cnica. De facto, durante v\u00e1rios anos, o que aconteceu foi mesmo isso. Quando se fazia um restauro numa Igreja, esta era deixada \u201ccomo nova\u201d, ao inv\u00e9s de ser deixada como era antigamente. O p\u00e1roco, Pe. Estevinho, pretende, por isso, logo que celebre, fazer uma reuni\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o, para lhes dar conta da riqueza de patrim\u00f3nio patente no local, sensibilizando-os a preservar o passado. Suzete Almeida alerta que, caso n\u00e3o se comece a fazer esse trabalho de sensibiliza\u00e7\u00e3o, \u201ccorre-se o risco de perder riquezas, ao n\u00edvel da Arte Sacra, e deixar as Igrejas todas iguais. \u00c9 patrim\u00f3nio dos antepassados e patrim\u00f3nio da regi\u00e3o que se perde\u201d. Para concluir o restauro de todo o altar, a t\u00e9cnica prev\u00ea, pelo menos, um prazo de meio ano. Segue-se um trabalho em que \u00e9 necess\u00e1rio tapar fissuras e fazer integra\u00e7\u00f5es, apenas onde \u00e9 necess\u00e1rio. \u201cRetoca-se e mexe-se apenas onde \u00e9 necess\u00e1rio, mantendo a originalidade do altar\u201d. No futuro, pode ainda ser realizado um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do recurso ao arquivo e a documenta\u00e7\u00e3o de obras, para, atrav\u00e9s do confronto de imagens, conseguir chegar a uma poss\u00edvel data da pintura descoberta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A igreja de S\u00e3o Vicente, em Valverde, na freguesia de Pinela, datada do s\u00e9culo XV, \u201cescondia\u201d no altar, por detr\u00e1s de v\u00e1rias camadas de tinta, pinturas de ornamentos florais, que se cr\u00ea serem anteriores ao s\u00e9culo XVIII. A descoberta foi meramente ocasional. 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