{"id":196980,"date":"2021-01-24T09:30:59","date_gmt":"2021-01-24T09:30:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=196980"},"modified":"2021-01-23T18:43:02","modified_gmt":"2021-01-23T18:43:02","slug":"sociedade-o-nosso-estado-nao-funciona-padre-jose-maia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sociedade-o-nosso-estado-nao-funciona-padre-jose-maia\/","title":{"rendered":"Sociedade: \u00abO nosso Estado n\u00e3o funciona\u00bb &#8211; padre Jos\u00e9 Maia"},"content":{"rendered":"<p><em>Fundador da CNIS &#8211; Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/jose-maia-DSC_0306g.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-196981\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/jose-maia-DSC_0306g-391x260.jpg\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/jose-maia-DSC_0306g-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/jose-maia-DSC_0306g-480x319.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/jose-maia-DSC_0306g.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 391px) 100vw, 391px\" \/><\/a><em>Estamos no m\u00eas em que h\u00e1 40 anos, a Uni\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social elegeu os seus primeiros corpos sociais; e estamos num tempo particular da nossa hist\u00f3ria, neste contexto atual de pandemia. Qu\u00e3o importante \u00e9 o setor social para a sociedade, neste momento?<\/em><\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do setor \u00e9\u00a0indiscut\u00edvel. \u00c9 agora, como foi sempre. Ali\u00e1s, a doutrina social da Igreja, toda ela, \u00e9 um\u00a0monumento\u00a0\u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es sociais da Igreja. N\u00f3s temos tantas, tantas reflex\u00f5es, e escritos de Papas e de muita outra gente.<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 agora, uma pequena precis\u00e3o:\u00a0Objetivamente\u00a0eu n\u00e3o fui o fundador da CNIS. Eu era presidente da\u00a0dire\u00e7\u00e3o\u00a0na altura em que se constituiu a CNIS porque n\u00f3s somos\u00a0\u00f3rg\u00e3os\u00a0colegiais. E objetivamente h\u00e1 dois momentos na vida das institui\u00e7\u00f5es de solidariedade. Um h\u00e1 40 anos, quando um conjunto de institui\u00e7\u00f5es aqui do Norte, sobretudo, se reuniram e entenderam que deviam organizar-se para melhor poder atuar. E ent\u00e3o a\u00ed nessa reuni\u00e3o esteve o Padre Marinho, Redentorista, muito acompanhado pelo Padre Orlando, o p\u00e1roco de Cedofeita; que estiveram na origem da Uni\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade Social. Depois a vida foi continuando, eu acabei por entrar tamb\u00e9m para presidente de uma das dire\u00e7\u00f5es que foi eleita e por l\u00e1 andei uns anos. E a certa altura vimos que a dimens\u00e3o dos problemas era muito grande, o n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es era muito grande e muito diversificado e entendemos que havia interesse em fazer-se uma confedera\u00e7\u00e3o, e ent\u00e3o nasceu a CNIS.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Por parte das autoridades foi-se registando uma evolu\u00e7\u00e3o relativamente \u00e0 import\u00e2ncia das IPPSS em Portugal. Hoje esse reconhecimento \u00e9 cabal?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9. Eu diria que imagina come\u00e7amos a\u00ed com 30 ou 40 e chegamos a 4 mil. Houve de facto um movimento muito grande. Na altura eu lembro-me que falei com o Ministro Silva Peneda &#8211; que foi um Ministro que esteve sempre atento a esta realidade &#8211; e pedi-lhe que tamb\u00e9m\u00a0quer\u00edamos\u00a0um assento no conselho econ\u00f3mico e social. E temos l\u00e1 assento. Portanto, a Uni\u00e3o e depois a Confedera\u00e7\u00e3o t\u00eam assento onde se fazem as pol\u00edticas sociais no pa\u00eds. Foi um momento realmente importante, em que as institui\u00e7\u00f5es se viram cada mais representativas. Eram tempos dif\u00edceis. A maior dos trabalhadores e respons\u00e1veis da seguran\u00e7a julgavam-se os donos da massa. Dava a impress\u00e3o que nos faziam um grande favor, quando nos pagavam parte do muito que nos deviam. E houve muita necessidade de bater o p\u00e9, e bat\u00ea-lo forte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A constitui\u00e7\u00e3o da CNIS foi o passo necess\u00e1rio para que as institui\u00e7\u00f5es tivessem dimens\u00e3o mais ampla e ganhassem maior influ\u00eancia pol\u00edtica?<\/em><\/p>\n<p><em>F<\/em>oi necess\u00e1rio, at\u00e9 porque a uni\u00e3o faz a for\u00e7a.<\/p>\n<p>J\u00e1 na altura, o pacote financeiro para apoiar parte dos apoios financeiros que o Estado nunca pagou, nem antes nem agora a totalidade do servi\u00e7o que era feito, e era necess\u00e1rio termos aquela consci\u00eancia de institui\u00e7\u00e3o representativa. Depois, foi tamb\u00e9m importante, por um lado, para fortalecer a\u00a0representa\u00e7\u00e3o\u00a0nacional. E por outro, para dar tamb\u00e9m ao n\u00edvel de cada distrito uma organiza\u00e7\u00e3o das uni\u00f5es distritais para que houvesse um crescimento. A for\u00e7a das bases \u00e9 que depois d\u00e1 for\u00e7a tamb\u00e9m a quem as representa e eu gosto que as coisas cres\u00e7am para baixo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A CNIS levou ao pacto de Solidariedade h\u00e1 cerca de 25 anos. Passado este tempo, o sector continua a reclamar por mais apoio e continua a pedir a revis\u00e3o dos acordos de coopera\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito das respostas sociais. \u00c9 um passo decisivo \u00e1 sobreviv\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>O pacto foi decisivo, ali\u00e1s ele foi negociado e falado e autorizado pelo engenheiro Guterres. Foi com ele que n\u00f3s tivemos longas reuni\u00f5es. Ele chegou a ir a F\u00e1tima, para uma das nossas reuni\u00f5es, e a\u00ed n\u00f3s entendemos que era necess\u00e1rio &#8211; dada a dimens\u00e3o e a forma de agir de todas as institui\u00e7\u00f5es &#8211; um instrumento\u00a0jur\u00eddico\u00a0com muito mais for\u00e7a. O pacto de coopera\u00e7\u00e3o veio concretizar uma realidade. Ou seja, em Portugal o Estado n\u00e3o podia mesmo fazer aquilo que era feito e ele (Ant\u00f3nio Guterres) entendeu isso. E, portanto, fez-se esse pacto que n\u00e3o \u00e9 nenhum favor. Concertaram-se pol\u00edticas, fizeram-se estudos, em que ficou declarado que o Estado pagaria uma percentagem daquilo que era devido e depois as institui\u00e7\u00f5es, as fam\u00edlias e as comunidades suportariam o resto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas essa percentagem fica aqu\u00e9m das necessidades das institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Na altura, as respostas n\u00e3o eram aquelas que existem hoje. Come\u00e7amos a fazer progressivamente as respostas em centros de dia, que \u00e9 uma resposta mais barata. Depois passou-se para lares que \u00e9 uma resposta com j\u00e1 muito mais custos. E depois passou-se cuidados continuados. Portanto, a natureza e a complexidade e a dimens\u00e3o das respostas\u00a0exigiam\u00a0de facto, para serem bem feitas, mais apoio financeiro. Diriam: as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o particulares, o Estado n\u00e3o tem nada que ajudar. Isso \u00e9 que era doce. O Estado tem de cumprir os compromissos que estabelece e de facto havia uma l\u00f3gica que era o pagamento at\u00e9 75 por cento, porque os grandes encargos das institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o os seus trabalhadores e n\u00f3s temos a no\u00e7\u00e3o de que muitos trabalhadores recebem sal\u00e1rios muito aqu\u00e9m daquilo que seria justo pagar-lhes. E essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos de ter. Defender quem faz o trabalho social, juntamente com o voluntariado.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Essa tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o manifestada neste espa\u00e7o de entrevistas v\u00e1rias vezes.\u00a0O padre Maia mant\u00e9m a sua liga\u00e7\u00e3o ao setor social. Quais s\u00e3o as suas maiores dificuldades?<\/em><\/p>\n<p>Eu vou at\u00e9 dizer-te uma coisa fora da caixa. N\u00f3s temos \u00e9 de encostar o Estado \u00e0 parede. Eu n\u00e3o gosto de pedir. Encostar o Estado \u00e0 parede. Por estes dias foi publicado: a Uni\u00e3o Europeia tem programas de ajuda social aos pa\u00edses como Portugal. Este ano concretamente, o Estado s\u00f3 foi capaz de utilizar 33 por cento das ajudas a que o pa\u00eds que tem direito. Os outros n\u00e3o foram requisitados. N\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p>Eu encosto o Estado \u00e0 parede\u2026 N\u00e3o encosto porque eu n\u00e3o tenho essa representa\u00e7\u00e3o agora. O Estado como Estado, essa gente toda que est\u00e1 em centros distritais\u2026 n\u00e3o faz sentido a andar a pedir por esmola, casa a casa; cobertores e coisas, quando o Estado n\u00e3o foi capaz de trazer para Portugal apoios que a Uni\u00e3o Europeia tem para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E porque \u00e9 que n\u00e3o se consegue isso, Padre Maia?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o se consegue porque o Estado \u00e9 calaceiro. Eu sou um homem livre. O nosso Estado n\u00e3o funciona, n\u00e3o funciona. Ele \u00e9 muito bom a mandar, a fazer regras, mas n\u00e3o h\u00e1 uma consci\u00eancia. Eu lamento dizer isso, mas como cidad\u00e3o livre e atento, digo: o nosso Estado devia empenhar-se muito mais na resposta \u00e0 ajuda aos mais necessitados. Eu n\u00e3o admito que se ande a pedir por esmolas, aquilo que \u00e9 devido por justi\u00e7a social. N\u00f3s temos uma lei de bases da seguran\u00e7a social com v\u00e1rios subsistemas e essa lei \u00e9 da responsabilidade do Estado e da Seguran\u00e7a Social. No meu entender, a Seguran\u00e7a Social \u00e9 decididamente uma das \u00e1reas mais mal servidas no nosso pa\u00eds. Lamento diz\u00ea-lo, mas n\u00f3s\u00a0poder\u00edamos\u00a0ter muito melhores servi\u00e7os sociais. Mas isto que acontece este ano, acontece todos os anos. Fica tanta, tanta coisa por trazer para o pa\u00eds que podia vir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No combate \u00e0 pandemia, o sector social e em particular as miseric\u00f3rdias sobretudo atrav\u00e9s das suas val\u00eancias na \u00e1rea da sa\u00fade podem ajudar a aliviar a press\u00e3o que o SNS est\u00e1 a viver. Na sua opini\u00e3o, ainda n\u00e3o se deram passos mais arrojados, porqu\u00ea? Por reserva ideol\u00f3gica<\/em>?<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma conversa que anda a\u00ed na sociedade portuguesa\u2026 \u00e9 evidente que eu sei o que se quer, mas custa-me muito, como cidad\u00e3o, que neste momento a parte da ideologia ande t\u00e3o alumiada. Eu sei que h\u00e1 ideologias, sempre as houve, mas vamos l\u00e1 a ver: a ideologia j\u00e1 acabou com a Educa\u00e7\u00e3o privada, praticamente, fizeram tudo o que queriam, para a matar; agora, \u00e9 a sa\u00fade\u2026<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tenho partido. Tenho amigos em todos os partidos pol\u00edticos, mas o meu partido \u00e9 o humanismo crist\u00e3o, que \u00e9 o Evangelho. Na verdade, nem n\u00f3s fazemos um favor ao Estado, quando ajudamos \u2013 \u00e9 o nosso dever \u00e9tico -, nem o Estado nos d\u00e1 nenhuma esmola quando nos faz chegar os pagamentos contratualizados. Esta \u00e9 a \u00fanica conversa.<\/p>\n<p>Quem tiver camas e respostas, neste momento, em consci\u00eancia \u00e9tica \u00e9 obrigado a p\u00f4-las ao servi\u00e7o da comunidade. Isto nem \u00e9 ideologia, faz parte, \u00e9 \u00e9tica. Ai de n\u00f3s se vemos algu\u00e9m morrer ao nosso lado e n\u00e3o ajudamos. Eu n\u00e3o vou \u00e0 ideologia, seja o setor privado, social, Igrejas\u2026<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 casos de igrejas que se ofereceram ao Estado, para que ele possa usar tudo o que for preciso. A trag\u00e9dia com que o pa\u00eds est\u00e1 confrontado n\u00e3o se compadece com essas coisas rid\u00edculas, tacanhas, ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que passo \u00e9 preciso dar?<\/em><\/p>\n<p>O passo a dar \u00e9 que todos n\u00f3s, cidad\u00e3os portugueses, estejamos devidamente motivados \u2013 \u00e9 preciso ver isso, porque quando se mete a ideologia, de permeio, est\u00e1-se logo a inquinar uma parte importante do problema -, todos n\u00f3s, quem tem possibilidade para dar. O Papa Francisco gritou ao mundo e ele foi entendido. O pr\u00f3prio presidente americano (Joe Biden), quando tomou posse, referenciou o Papa e a sua enc\u00edclica, somos todos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>O que precisamos \u00e9 de ter uma motiva\u00e7\u00e3o de natureza \u00e9tica. Eu j\u00e1 estou farto de ver politizar tudo, mas mesmo farto. Politizar tudo\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A a\u00e7\u00e3o social da Igreja Cat\u00f3lica \u00e9, muitas vezes, uma a\u00e7\u00e3o assistencial. Falta a consci\u00eancia c\u00edvica para uma maior interven\u00e7\u00e3o nas causas dos problemas socioecon\u00f3micos, questionando tamb\u00e9m o pr\u00f3prio poder pol\u00edtico<\/em>?<\/p>\n<p>Falta. N\u00f3s temos na Igreja a dimens\u00e3o prof\u00e9tica, lit\u00fargica e sociocaritativa. Cada comunidade \u00e9 obrigada, em nome da sua f\u00e9, a prestar ajuda \u00e0queles que fazem parte da comunidade, doentes, sobretudo, e outras situa\u00e7\u00f5es. Isso vai sendo feito, a esse n\u00edvel, mas depois quando vamos ao n\u00edvel em que \u00e9 necess\u00e1rio alargar o horizonte das respostas\u2026 Foi por isso que se fez colabora\u00e7\u00e3o com o Estado: disponibilizamos recursos, voluntariado, para, com meios do Estado, se poder alargar o \u00e2mbito da nossa atua\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 aquilo que eu digo e est\u00e1 muito claro no Evangelho: uma coisa \u00e9 o an\u00fancio, que n\u00f3s fazemos; outra coisa, \u00e9 a den\u00fancia.<\/p>\n<p>No meu entender, h\u00e1 muita coisa a denunciar em Portugal, porque atenta contra a justi\u00e7a social. E essa den\u00fancia tem de ser feita, por todos os crist\u00e3os. A Igreja somos todos, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 bispos, cardeais ou o Papa. H\u00e1 aqui uma dimens\u00e3o de den\u00fancia, que a Igreja ter\u00e1 de fazer, de muitas situa\u00e7\u00f5es, de certos h\u00e1bitos, certas pr\u00e1ticas, mesmo de quem nos governa. H\u00e1 aquela frase conhecida, \u201celes comem tudo e n\u00e3o deixam nada\u201d, isso hoje est\u00e1 a acontecer\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s a pandemia, a sociedade tem de repensar com mais seriedade a forma como tem tratado os mais velhos, em particular os institucionalizados? Que modelos \u00e9 poss\u00edvel encontrar<\/em>?<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o das pessoas idosas deve merecer-nos uma grande reflex\u00e3o. J\u00e1 h\u00e1 muito tempo que isso era necess\u00e1rio, agora \u00e9 mais. A pandemia tem esse m\u00e9rito, algu\u00e9m um dia h\u00e1 de escreve que a pandemia veio deixar algumas li\u00e7\u00f5es. Essa coisa de a gente dizer que vai preparar o novo normal\u2026 Sim senhor, n\u00f3s teremos de ir para o novo normal. Sabemos que \u00e9 gra\u00e7as \u00e0 ci\u00eancia que conseguimos dar mais anos \u00e0 vida e hoje viver at\u00e9 aos 100, 90, \u00e9 normal. Dar anos \u00e0 vida tem sido importante, o que n\u00f3s n\u00e3o estamos a ser capazes \u00e9 de dar vida aos anos, \u00e9 de fazer que pessoas mais idosas tenham oportunidades, tenham tamb\u00e9m uma sociedade organizada. A quest\u00e3o de a reforma ser obrigat\u00f3ria \u00e9 terr\u00edvel, a nossa sociedade ter\u00e1 de encontrar outras formas de que as pessoas com mais anos possam n\u00e3o apenas contar com mais anos na sua vida, mas de poder contar com mais vida nos seus anos. \u00c9 um debate que me parece ser necess\u00e1rio fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 a decorrer o processo de vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid. Nos lares a vacina\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, \u00e9 um sinal de esperan\u00e7a. Do que conhece, como classificaria todo o processo? H\u00e1 alguma coisa que poderia ser melhorada?<\/em><\/p>\n<p>O que est\u00e1 bem, est\u00e1 bem. Um preito a cientistas. Jesus, na altura, fazia milagres, como Filho de Deus, tinha esse poder de sarar. Ele hoje faz milagres, atrav\u00e9s da Ci\u00eancia. A humanidade est\u00e1 a ser aben\u00e7oada, porque Deus tem pessoas que s\u00e3o as suas mediadoras e a Ci\u00eancia tem feito essa grande milagre das vacinas.<\/p>\n<p>Agora, \u00e9 preciso que os homens fa\u00e7am tudo o que depende deles. Eu procuro ser justo e n\u00e3o queria ter a responsabilidade que os Governos t\u00eam, \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos no primeiro domingo em que voltam a estar suspensas as Eucaristias p\u00fablicas. Como olha para a decis\u00e3o dos bispos portugueses?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 uma coisa que se chama sentido comum. Esse sentido comum, como diz o povo, ou se tem ou n\u00e3o se tem\u2026 N\u00f3s, crentes, gra\u00e7as a Deus, temos sentido comum e alguma prepara\u00e7\u00e3o. \u00c9 natural que a Igreja queira dar um sinal, ela mesma, de que \u00e9 bom ter esta precau\u00e7\u00e3o e criar todas as condi\u00e7\u00f5es para que se evitem aglomera\u00e7\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Anda a\u00ed muita gente incomodada com as Missas, mas acho piada, porque eles nem sabem o que \u00e9 uma Missa. Tive um caso concreto, de algu\u00e9m, que n\u00e3o ia \u00e0 Missa, mas tem acompanhado a mulher em casa e perguntou-lhe: \u2018Mas a Missa \u00e9 isto? Afinal n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o mau\u2019.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o precisamos que nos digam aquilo que n\u00f3s entendemos como normal fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fundador da CNIS &#8211; Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social \u00e9 o convidado desta semana da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":196981,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[314],"class_list":["post-196980","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196980","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=196980"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196980\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/196981"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=196980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=196980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=196980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}