{"id":19678,"date":"2006-08-16T10:54:26","date_gmt":"2006-08-16T10:54:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/08\/16\/bento-xvi-homenageia-frere-roger\/"},"modified":"2006-08-16T10:54:26","modified_gmt":"2006-08-16T10:54:26","slug":"bento-xvi-homenageia-frere-roger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bento-xvi-homenageia-frere-roger\/","title":{"rendered":"Bento XVI homenageia Fr\u00e8re Roger"},"content":{"rendered":"<p>Bento XVI lembrou hoje o Irm\u00e3o Roger de Taiz\u00e9, assassinado a 16 de Agosto de 2005 durante uma ora\u00e7\u00e3o na comunidade ecum\u00e9nica que fundou. \u201cO seu testemunho de f\u00e9 crist\u00e3 e di\u00e1logo ecum\u00e9nico foi um ensinamento precioso para gera\u00e7\u00f5es inteiras de jovens\u201d, disse o Papa a respeito de Fr\u00e8re Roger. A audi\u00eancia geral desta manh\u00e3, em Castel Gandolfo, concluiu-se com uma ora\u00e7\u00e3o \u201cpara que o sacrif\u00edcio da sua vida contribua para consolidar o compromisso da paz e da solidariedade de quantos levam a peito o futuro da humanidade\u201d.  <b>Irm\u00e3o Roger, de Taiz\u00e9 (12 de Maio de 1915 &#8211; 16 de Agosto de 2005)<\/b> Tudo come\u00e7ou numa grande solid\u00e3o. Em 1940, com 25 anos, o irm\u00e3o Roger deixou a sua terra natal, na Su\u00ed\u00e7a, para ir viver em Fran\u00e7a, o pa\u00eds de sua m\u00e3e. H\u00e1 j\u00e1 v\u00e1rios anos, trazia dentro de si o chamamento para criar uma comunidade onde se concretizasse todos os dias a reconcilia\u00e7\u00e3o entre crist\u00e3os, \u00abonde a bondade do cora\u00e7\u00e3o fosse vivida de forma muito concreta e onde o amor fosse o cora\u00e7\u00e3o de tudo\u00bb. Ele desejava que esta comunidade estivesse presente no meio do sofrimento daqueles tempos e foi assim que, em plena 2\u00aa guerra mundial, se estabeleceu na pequena aldeia de Taiz\u00e9, na Borgonha, a alguns quil\u00f3metros da linha de demarca\u00e7\u00e3o que dividia a Fran\u00e7a ao meio. Come\u00e7ou ent\u00e3o a esconder refugiados (principalmente judeus), que sabiam que, quando fugiam da zona ocupada, podiam encontrar ref\u00fagio em sua casa.  Mais tarde juntaram-se-lhe alguns irm\u00e3os. Foi no dia de P\u00e1scoa de 1949 que os primeiros irm\u00e3os se comprometerem para toda a vida no celibato, na vida comunit\u00e1ria e numa grande simplicidade de vida.  No sil\u00eancio de um longo retiro, durante o Inverno de 1952-1953, o fundador da comunidade escreveu a Regra de Taiz\u00e9, onde expressava para os seus irm\u00e3os \u00abo essencial que permitira uma vida comunit\u00e1ria\u00bb.  A partir dos anos 50, alguns irm\u00e3os foram viver para lugares desfavorecidos para ficarem mais perto daqueles que sofrem.  Desde os finais dos anos 50, o n\u00famero de jovens que vem a Taiz\u00e9 cresceu sensivelmente. A partir de 1962, irm\u00e3os e jovens enviados por Taiz\u00e9 n\u00e3o cessaram de ir e vir dos pa\u00edses da Europa de Leste, com a maior discri\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o comprometer as pessoas que estavam a ajudar.  Entre 1962 e 1969, o pr\u00f3prio irm\u00e3o Roger visitou a maior parte dos pa\u00edses da Europa de Leste, por vezes para encontros de jovens, autorizados mas muito vigiados, outras vezes para simples visitas, sem permiss\u00e3o para falar em p\u00fablico (\u00abCalar-me-ei convosco\u00bb, costumava dizer aos crist\u00e3os desses pa\u00edses).  Foi em 1966 que as irm\u00e3s de Santo Andr\u00e9, comunidade cat\u00f3lica internacional fundada h\u00e1 mais de 7 s\u00e9culos, vieram habitar para a aldeia vizinha e come\u00e7aram a assumir uma parte das tarefas do acolhimento. Mais recentemente, algumas irm\u00e3s ursulinas polacas vieram tamb\u00e9m dar a sua colabora\u00e7\u00e3o.  A comunidade de Taiz\u00e9 junta hoje uma centena de irm\u00e3os, cat\u00f3licos e de diversas origens evang\u00e9licas, vindos de mais de 25 pa\u00edses. Pela sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, ela \u00e9 um sinal concreto de reconcilia\u00e7\u00e3o entre crist\u00e3os divididos e povos separados.  Num dos seus \u00faltimos livros, intitulado \u00abDeus s\u00f3 pode amar\u00bb, o irm\u00e3o Roger descrevia deste modo a sua caminhada ecum\u00e9nica:  \u00abPoderei recordar aqui que a minha av\u00f3 materna descobriu intuitivamente uma esp\u00e9cie de chave para a voca\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica e que me abriu uma via para a concretizar? Marcado pelo testemunho da sua vida, e ainda muito jovem, encontrei a minha pr\u00f3pria identidade de crist\u00e3o ao reconciliar em mim mesmo a f\u00e9 das minhas origens com o mist\u00e9rio da f\u00e9 cat\u00f3lica, sem ruptura de comunh\u00e3o com ningu\u00e9m.\u00bb  Os irm\u00e3os n\u00e3o aceitam doa\u00e7\u00f5es nem ofertas. Nem sequer aceitam para si mesmos as suas pr\u00f3prias heran\u00e7as pessoais, mas oferecem-nas aos mais pobres. \u00c9 pelo seu trabalho que ganham a vida e partilham com os outros.  Existem agora pequenas fraternidades em bairros desfavorecidos da \u00c1sia, da \u00c1frica e da Am\u00e9rica do Sul e do Norte. Os irm\u00e3os tentam partilhar as condi\u00e7\u00f5es de vida daqueles que vivem \u00e0 sua volta, esfor\u00e7ando-se por serem uma presen\u00e7a de amor junto dos mais pobres, dos meninos de rua, dos prisioneiros, dos moribundos, dos que ficam feridos mesmo no mais profundo de si mesmos por rupturas de afei\u00e7\u00e3o, pelos abandonos humanos.  Hoje, vindos do mundo inteiro, muitos jovens encontram-se em Taiz\u00e9, durante todas as semanas do ano, para encontros que podem juntar de um domingo ao domingo seguinte at\u00e9 seis mil pessoas, representando mais de 70 pa\u00edses. Com os anos, centenas de milhares de jovens passaram por Taiz\u00e9, meditando sobre o tema \u00abvida interior e solidariedade humana\u00bb. Nas fontes da f\u00e9, procuram descobrir um sentido para a sua vida e preparam-se para assumir responsabilidades nos lugares onde vivem.  Tamb\u00e9m homens da Igreja se deslocam a Taiz\u00e9; assim, a comunidade acolheu o papa Jo\u00e3o Paulo II, tr\u00eas arcebispos de Cantu\u00e1ria, metropolitas ortodoxos, catorze bispos luteranos suecos e numerosos pastores do mundo inteiro.  Para apoiar as gera\u00e7\u00f5es mais jovens, a comunidade de Taiz\u00e9 anima uma \u00abperegrina\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a atrav\u00e9s da terra\u00bb. Esta peregrina\u00e7\u00e3o n\u00e3o organiza os jovens num movimento centrado na comunidade, mas estimula-os a serem portadores de paz, de reconcilia\u00e7\u00e3o e de confian\u00e7a, nas suas cidades, universidades, nos seus locais de trabalho, nas suas par\u00f3quias, e isto em comunh\u00e3o com todas as gera\u00e7\u00f5es. Como etapa desta \u00abperegrina\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a atrav\u00e9s da terra\u00bb, um encontro europeu de cinco dias re\u00fane no fim de cada ano v\u00e1rias dezenas de milhares de jovens numa metr\u00f3pole europeia, no Leste ou no Ocidente.  Por ocasi\u00e3o do encontro europeu, o irm\u00e3o Roger publicava todos os anos uma \u00abcarta\u00bb, traduzida em mais de cinquenta l\u00ednguas, retomada e meditada depois durante todo o ano pelos jovens, em suas casas ou nos encontros em Taiz\u00e9. O fundador de Taiz\u00e9 escreveu muitas vezes esta carta a partir de um lugar pobre onde ia viver durante algum tempo (Calcut\u00e1, Chile, Haiti, Eti\u00f3pia, Filipinas, \u00c1frica do Sul&#8230;)  Hoje, no mundo inteiro, o nome de Taiz\u00e9 evoca paz, reconcilia\u00e7\u00e3o, comunh\u00e3o e a espera de uma Primavera da Igreja: \u00abQuando a Igreja escuta, cura e reconcilia, ela torna-se naquilo que \u00e9 no mais luminoso de si mesma: l\u00edmpido reflexo de um amor\u00bb (irm\u00e3o Roger).  <i>O irm\u00e3o Roger recebeu os seguintes pr\u00e9mios:<\/i> 09 04 1974: Templeton Prize, London (Pr\u00e9mio Templeton, Londres) 13 10 1974: Friedenspreis des B\u00f6rsenverein des deutschen Buchhandels, Frankfurt (Pr\u00e9mio da Paz dos Livreiros alem\u00e3es, Frankfurt) 21 09 1988: Prix UNESCO de l\u2019Education pour la Paix, Paris (Pr\u00e9mio UNESCO da Educa\u00e7\u00e3o para a Paz, Paris) 04 05 1989: Karlspreis, Aachen (Pr\u00e9mio Carlos Magno, Aix-la-Chapelle) 20 11 1992: Pr\u00e9mio Robert Schuman, Estrasburgo 24 04 1997: Award for international humanitarian service, Universit\u00e9 de Notre Dame, Indiana, USA (Pr\u00e9mio pelo servi\u00e7o humanit\u00e1rio internacional, Universidade de Notre Dame, Ind, EUA) 22 10 2003: Dignitas Humana Award, Saint John\u2019s University, Collegeville, Minnesota, USA (Pr\u00e9mio pela defesa da Dignidade Humana, Universidade de Saint John, Collegeville, Minnesota, EUA)  <i>Livros do irm\u00e3o Roger, de Taiz\u00e9:<\/i> 1958, Vivre l\u2019Aujourd\u2019hui de Dieu 1965, Dynamique du provisoire 1968, Violence des pacifiques 1971, Ta f\u00eate soit sans fin 1973, Lutte et contemplation 1976, Vivre l\u2019inesp\u00e9r\u00e9 1979, Etonnement d\u2019un amour 1980, Les Sources de Taiz\u00e9 1982, Fleurissent tes d\u00e9serts 1985, Passion d\u2019une attente 1988, Son amour est un feu 1995, En tout la paix du c\u0153ur 2001, Dieu ne peut qu\u2019aimer 2005 \u00ab Pressens-tu un bonheur ? \u00bb(Presses de Taiz\u00e9\/Seuil)  1992, em conjunto com a Madre Teresa: La pri\u00e8re, fra\u00eecheur d\u2019une source <i>Fonte:www.taize.fr<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bento XVI lembrou hoje o Irm\u00e3o Roger de Taiz\u00e9, assassinado a 16 de Agosto de 2005 durante uma ora\u00e7\u00e3o na comunidade ecum\u00e9nica que fundou. \u201cO seu testemunho de f\u00e9 crist\u00e3 e di\u00e1logo ecum\u00e9nico foi um ensinamento precioso para gera\u00e7\u00f5es inteiras de jovens\u201d, disse o Papa a respeito de Fr\u00e8re Roger. 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