{"id":196544,"date":"2021-01-25T09:00:15","date_gmt":"2021-01-25T09:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=196544"},"modified":"2021-01-21T12:52:53","modified_gmt":"2021-01-21T12:52:53","slug":"lusofonias-coracoes-abracados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-coracoes-abracados\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Cora\u00e7\u00f5es abra\u00e7ados"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias.Coracoes-abracos-25-01-2021.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-196552 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias.Coracoes-abracos-25-01-2021-888x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"341\" height=\"393\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias.Coracoes-abracos-25-01-2021-888x1024.jpg 888w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias.Coracoes-abracos-25-01-2021-225x260.jpg 225w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias.Coracoes-abracos-25-01-2021-768x886.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias.Coracoes-abracos-25-01-2021-1080x1246.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias.Coracoes-abracos-25-01-2021-980x1130.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias.Coracoes-abracos-25-01-2021-480x554.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias.Coracoes-abracos-25-01-2021.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><\/a>O Papa Francisco \u00e9 claro e direto: \u2018em muitas partes do mundo, fazem falta percursos de paz que levem a cicatrizar as feridas, h\u00e1 necessidade de artes\u00e3os de paz prontos a gerar, com inventiva e ousadia, processos de cura e de um novo encontro\u2019 (FT 225).<\/p>\n<p>H\u00e1 que abrir \u2018percursos dum novo encontro\u2019, h\u00e1 que ousar \u2018recome\u00e7ar a partir da verdade\u2019, pois s\u00f3 desta \u2018poder\u00e1 nascer o esfor\u00e7o perseverante e duradouro para se compreenderem mutuamente e tentar uma nova s\u00edntese para o bem de todos\u2019 (FT 226), sem nunca esquecer que \u2018a verdade \u00e9 uma companheira insepar\u00e1vel da justi\u00e7a e da miseric\u00f3rdia\u2019 (FT 227).<\/p>\n<p>Francisco est\u00e1 convencido de que a reconcilia\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o da fraternidade exigem saber o que se passou: \u2018a verdade \u00e9 contar \u00e0s fam\u00edlias dilaceradas pela dor o que aconteceu aos seus parentes desaparecidos (\u2026), o que aconteceu aos menores recrutados pelos agentes de viol\u00eancia (\u2026), \u00e9 reconhecer o sofrimento das mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia e de abusos\u2019. A fraternidade s\u00f3 ter\u00e1 lugar quando se quebrarem as cadeias da viol\u00eancia, pois \u2018a viol\u00eancia gera mais viol\u00eancia, o \u00f3dio gera mais \u00f3dio e a morte mais morte\u2019 (FT 227). A vingan\u00e7a n\u00e3o resolve nada e \u2018o perd\u00e3o permite buscar a justi\u00e7a sem cair no c\u00edrculo vicioso da vingan\u00e7a nem na injusti\u00e7a do esquecimento\u2019 (FT 251).<\/p>\n<p>Os caminhos podem ser dif\u00edceis de percorrer, mas \u00e9 claro que \u2018a verdadeira paz s\u00f3 se pode alcan\u00e7ar quando lutamos pela justi\u00e7a atrav\u00e9s do di\u00e1logo, buscando a reconcilia\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento m\u00fatuo\u2019 (FT 229).<\/p>\n<p>As teorias podem ajudar na constru\u00e7\u00e3o social de um pa\u00eds, mas nada substituir\u00e1 o compromisso pr\u00e1tico: \u2018as grandes transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o constru\u00eddas \u00e0 escrivaninha ou no escrit\u00f3rio. (\u2026). Existe uma \u2018arquitetura\u2018 da paz, na qual interv\u00eam as v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es da sociedade, cada uma dentro da sua compet\u00eancia, mas h\u00e1 tamb\u00e9m um \u2018artesanato\u2019 da paz que nos envolve a todos\u2019 (FT 231).<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 paz sem justi\u00e7a e este \u00e9 um indicador importante: \u2018aqueles que pretendem pacificar uma sociedade n\u00e3o devem esquecer que a desigualdade e a falta de desenvolvimento humano integral impedem que se gere a paz\u2019 (FT 235). E n\u00e3o se podem nunca esquecer os \u00faltimos, os descartados, os mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>Outros temas grandes s\u00e3o o perd\u00e3o (que \u2018n\u00e3o implica esquecimento\u2019 (FT 250)) e a reconcilia\u00e7\u00e3o, valorizados pelo cristianismo e por muitas religi\u00f5es. O Papa deixa claro que \u2018Jesus Cristo nunca convidou a fomentar a viol\u00eancia ou a intoler\u00e2ncia\u2019, pois \u2018o Evangelho pede para perdoar setenta vezes sete\u2019 (FT 238). H\u00e1 lutas leg\u00edtimas pela defesa dos direitos e da dignidade, mas \u2018o importante \u00e9 n\u00e3o alimentar um \u00f3dio que faz mal \u00e0 alma da pessoa e \u00e0 alma do nosso povo\u2019 FT 242), mesmo sabendo que \u2018n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil superar a amarga heran\u00e7a de injusti\u00e7as, hostilidades e desconfian\u00e7a deixada pelo conflito\u2019 (FT 243).<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria mostra como s\u00e3o dif\u00edceis as cicatriza\u00e7\u00f5es da viol\u00eancia, mas \u2018a verdadeira reconcilia\u00e7\u00e3o n\u00e3o escapa do conflito, mas alcan\u00e7a-se dentro do conflito, superando-a atrav\u00e9s do di\u00e1logo e de negocia\u00e7\u00f5es transparentes, sinceras e pacientes (FT 244).<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve propor nunca o esquecimento. \u2018A Shoah n\u00e3o deve ser esquecida\u2019 (FT 247), nem \u2018os bombardeamentos de Hiroxima e Nagasaki\u2019 (FT 248), nem \u2018persegui\u00e7\u00f5es, com\u00e9rcio dos escravos, massacres \u00e9tnicos\u2019 (FT 248) para n\u00e3o se voltarem a cometer atrocidades dessa dimens\u00e3o. Mas tamb\u00e9m \u2018\u00e9 muito salutar fazer mem\u00f3ria do bem\u2019 (FT 249).<\/p>\n<p>Finalmente, o Papa Francisco agarra dois temas quentes: a guerra e a pena de morte. A guerra \u2018\u00e9 a nega\u00e7\u00e3o de todos os direitos e uma agress\u00e3o dram\u00e1tica ao meio ambiente\u2019 (FT 257). Ap\u00f3s descoberta das armas nucleares, qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas destruiu-se a l\u00f3gica de uma eventual guerra justa, dado o seu poder destrutivo: \u2018j\u00e1 n\u00e3o podemos pensar na guerra como solu\u00e7\u00e3o, porque os riscos sempre ser\u00e3o superiores \u00e0 hipot\u00e9tica utilidade que se lhe atribua. Nunca mais a guerra\u2019 (FT 258). O Papa n\u00e3o tem d\u00favidas de que \u2018toda a guerra deixa o mundo pior do que o encontrou. \u00c9 um fracasso da politica e da humanidade, uma rendi\u00e7\u00e3o vergonhosa, uma derrota perante as for\u00e7as do mal.(\u2026). Interroguemos as v\u00edtimas\u2019 (FT 261).<\/p>\n<p>E a\u00ed vem a grande proposta: \u2018com o dinheiro usado em armas e outras despesas militares, constituamos um fundo mundial para acabar de vez com a fome e para o desenvolvimento dos pa\u00edses mais pobres\u2019 (FT 262).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a pena de morte \u00e9 visada: \u2018hoje n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel e a Igreja compromete-se decididamente a propor que seja abolida em todo o mundo\u2019 (FT 263). H\u00e1 que lutar por condi\u00e7\u00f5es dignas nas pris\u00f5es e pela aboli\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o perp\u00e9tua, \u2018uma pena de morte escondida\u2019 (FT 268).<\/p>\n<p>\u00c9 preciso seguir Isa\u00edas que anunciou: \u2018transformar\u00e3o as suas espadas em relhas de arado\u2019 (FT 270). S\u00f3 de cora\u00e7\u00f5es abra\u00e7ados se constr\u00f3i a fraternidade.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-196544-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-coracoesabracados-25-01-2021.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-coracoesabracados-25-01-2021.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/lusofonias-coracoesabracados-25-01-2021.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-196544","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=196544"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196544\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=196544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=196544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=196544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}