{"id":19653,"date":"2006-08-14T10:46:28","date_gmt":"2006-08-14T10:46:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/08\/14\/cristianismo-e-mais-do-que-um-conjunto-de-proibicoes\/"},"modified":"2006-08-14T10:46:28","modified_gmt":"2006-08-14T10:46:28","slug":"cristianismo-e-mais-do-que-um-conjunto-de-proibicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cristianismo-e-mais-do-que-um-conjunto-de-proibicoes\/","title":{"rendered":"Cristianismo \u00e9 mais do que um conjunto de proibi\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista do Papa Bento XVI, concedida \u00e0 Bayerischer Rundfunk (ARD), ZDF, Deutsche Welle e R\u00e1dio Vaticano <!--more--> <i>(A tradu\u00e7\u00e3o apresentada \u00e9 da responsabilidade da R\u00e1dio Vaticano)<\/i>  <i>Pergunta: Santo Padre, em Setembro o senhor visitar\u00e1 a Alemanha ou, mais precisamente, como \u00e9 natural, a Baviera. &#8220;O Papa sente saudade da sua P\u00e1tria&#8221; &#8211; disseram os seus colaboradores, durante a prepara\u00e7\u00e3o. Quais temas o senhor abordar\u00e1, em particular, durante a visita, e o conceito de &#8220;p\u00e1tria&#8221; faz parte dos valores que o senhor deseja propor, em particular? <\/i> Bento XVI: Certamente. O motivo da visita consiste exactamente no meu desejo de ver, uma vez mais, os lugares e as pessoas junto das quais eu cresci, que me marcaram e fazem parte da minha vida; pessoas \u00e0s quais desejo agradecer. E, naturalmente, tamb\u00e9m levar uma mensagem que v\u00e1 al\u00e9m da minha terra, como \u00e9 coerente com meu minist\u00e9rio. Os temas, eu deixei que me fossem simplesmente indicados pelas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. O tema fundamental \u00e9 que n\u00f3s devemos redescobrir Deus, e n\u00e3o um Deus qualquer, mas o Deus com fei\u00e7\u00f5es humanas, porque quando vemos Jesus Cristo, vemos Deus. E a partir disso, devemos buscar os caminhos para nos encontrar reciprocamente na fam\u00edlia, entre as gera\u00e7\u00f5es, e depois tamb\u00e9m, entre as culturas e os povos, e os caminhos para a reconcilia\u00e7\u00e3o e a conviv\u00eancia pac\u00edfica neste mundo. Os caminhos que conduzem ao futuro, n\u00f3s n\u00e3o os encontraremos, se n\u00e3o recebermos a luz do alto. N\u00e3o escolhi, portanto, temas muito espec\u00edficos, mas deixei-me guiar pela liturgia, para exprimir a mensagem fundamental da f\u00e9 que, naturalmente, se insere na actualidade de hoje, na qual desejamos, sobretudo, buscar a colabora\u00e7\u00e3o dos povos, e os caminhos poss\u00edveis para a reconcilia\u00e7\u00e3o e a paz.  <i>Pergunta: Como Papa, o senhor \u00e9 respons\u00e1vel pela Igreja no mundo inteiro. Naturalmente, por\u00e9m, a sua visita chamar\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos na Alemanha. Ora, todos os observadores concordam que a atmosfera \u00e9 boa, gra\u00e7as tamb\u00e9m \u00e0 sua elei\u00e7\u00e3o. Permanecem, no entanto, os problemas antigos como, por exemplo, o n\u00famero sempre menor de cat\u00f3licos praticantes, a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de baptismos e, de modo geral, a perda da influ\u00eancia dos cat\u00f3licos na vida social. Como o senhor v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o actual da Igreja Cat\u00f3lica na Alemanha? <\/i>  Bento XVI: Eu diria, antes de tudo, que a Alemanha faz parte do Ocidente, ainda que com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e, no mundo ocidental, vivemos hoje uma onda de novo e dr\u00e1stico iluminismo ou laicismo, como se queira chamar. Crer tornou-se mais dif\u00edcil, uma vez que o mundo em que nos encontramos, \u00e9 feito completamente por n\u00f3s mesmos, e neste mundo, Deus &#8211; se podemos assim dizer &#8211; j\u00e1 n\u00e3o comparece directamente. J\u00e1 n\u00e3o se bebe da fonte, mas sim do recipiente em que a \u00e1gua nos \u00e9 oferecida. Os homens reconstru\u00edram o mundo por si mesmos, e encontrar Deus por tr\u00e1s deste mundo, tornou-se dif\u00edcil. Isso n\u00e3o \u00e9 algo espec\u00edfico da Alemanha, mas sim um fen\u00f3meno que se verifica em todo o mundo, em particular no mundo ocidental. Por outro lado, o Ocidente hoje, \u00e9 tocado fortemente por outras culturas, nas quais o elemento religioso origin\u00e1rio \u00e9 muito forte, e que ficam horrorizadas pela frieza que encontram no Ocidente, no que se refere a Deus. E essa presen\u00e7a do sagrado noutras culturas, ainda que velada de muitas maneiras, toca novamente o mundo ocidental e toca a n\u00f3s, que nos encontramos na encruzilhada de tantas culturas. Das profundezas do homem, no Ocidente e na Alemanha, emerge sempre e novamente, o desejo de algo &#8220;maior&#8221;. N\u00f3s o constatamos entre a juventude, na sua cont\u00ednua busca de um &#8220;algo mais&#8221;. De certa forma, o fen\u00f3meno religi\u00e3o &#8211; como se diz &#8211; retorna, ainda que como movimento de busca bastante indeterminado. Com tudo isso, por\u00e9m, a Igreja est\u00e1 novamente presente, e a f\u00e9 oferece-se como resposta. Eu creio que exactamente esta visita, assim como aquela que fiz a Col\u00f3nia, seja uma oportunidade para que se veja que crer \u00e9 belo, que a alegria de uma grande comunidade universal significa um apoio, que atr\u00e1s dela, existe algo de importante e que, portanto, junto aos novos movimentos de busca, h\u00e1 tamb\u00e9m novas solu\u00e7\u00f5es para a f\u00e9, que nos conduzem uns para os outros, e que tamb\u00e9m s\u00e3o positivas para a sociedade em seu conjunto.   <i>Pergunta: Santo Padre, exactamente um ano atr\u00e1s, o senhor estava em Col\u00f3nia, com os jovens, e creio que o senhor tenha podido experimentar que a juventude est\u00e1 extraordinariamente pronta a acolher, e que o senhor, pessoalmente, foi muito bem acolhido. Nesta pr\u00f3xima viagem, o senhor levar\u00e1, porventura, tamb\u00e9m uma mensagem especial para os jovens? <\/i>  Bento XVI: Eu diria, antes de mais, que me sinto muito feliz em saber que h\u00e1 jovens que querem estar juntos, que querem reunir-se na f\u00e9, e que desejam fazer algo de bom. A disponibilidade para o bem \u00e9 muito forte na juventude, basta pensar nas muitas formas de voluntariado. O compromisso a oferecer, pessoalmente, uma contribui\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades deste mundo, \u00e9 uma coisa grande. Um primeiro impulso pode ser, portanto, o de encorajar a isso: Prossigam neste caminho! Busquem ocasi\u00f5es para fazer o bem! O mundo necessita dessa vontade, necessita desse empenho! E depois, talvez, uma palavra especial poderia ser esta: a coragem das decis\u00f5es definitivas! Na juventude, h\u00e1 muita generosidade, mas, diante do risco de comprometer-se por toda a vida, seja no matrim\u00f3nio seja no sacerd\u00f3cio, experimenta-se o medo. O mundo movimenta-se de modo dram\u00e1tico. Continuamente. Posso, desde agora, dispor de toda a minha vida, com todos os seus imprevis\u00edveis eventos futuros? Com uma decis\u00e3o definitiva, n\u00e3o estarei, eu mesmo, cerceando a minha liberdade e tirando algo de minha flexibilidade? Despertar a coragem de ousar decis\u00f5es definitivas, que, na realidade, s\u00e3o as \u00fanicas que tornam o crescimento poss\u00edvel, que permitem ir avante e alcan\u00e7ar algo de grande na vida; s\u00e3o as \u00fanicas que n\u00e3o destroem a liberdade, mas lhe oferecem a justa direc\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o; correr esse risco, dar esse salto &#8211; se assim podemos dizer &#8211; para o definitivo e, com isso, acolher plenamente a vida: isso \u00e9 algo que eu ficaria muito feliz de poder comunicar.  <i>Pergunta: Santo Padre, uma pergunta sobre a situa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa. A esperan\u00e7a da paz no Oriente M\u00e9dio diminuiu sensivelmente nas \u00faltimas semanas. Quais possibilidades o senhor v\u00ea, para a Santa S\u00e9, no que diz respeito \u00e0 situa\u00e7\u00e3o actual? Que influ\u00eancias positivas o senhor pode exercer sobre a situa\u00e7\u00e3o, sobre o desenvolvimento dos fatos no Oriente M\u00e9dio? <\/i>  Bento XVI: Naturalmente, n\u00e3o temos nenhuma possibilidade pol\u00edtica e n\u00e3o queremos nenhum poder pol\u00edtico. Mas queremos dirigir-nos aos crist\u00e3os e a todos aqueles que se sentem, de qualquer modo, unidos \u00e0 Santa S\u00e9 e por ela interpelados, para que sejam mobilizadas todas as for\u00e7as que reconhecem que a guerra \u00e9 a pior solu\u00e7\u00e3o para todos. N\u00e3o traz nada de bom para ningu\u00e9m, nem mesmo para os aparentes vencedores. N\u00f3s sabemos disso muito bem, na Europa, ao t\u00e9rmino das duas guerras mundiais. Aquilo de que todos necessitamos \u00e9 de paz. E existe uma forte comunidade crist\u00e3 no L\u00edbano, h\u00e1 crist\u00e3os entre os \u00e1rabes, h\u00e1 crist\u00e3os em Israel, e crist\u00e3os de todo o mundo est\u00e3o empenhados na ajuda a esses pa\u00edses, queridos a todos n\u00f3s. H\u00e1 for\u00e7as morais que est\u00e3o prontas a fazer compreender que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 aprender a viver juntos. S\u00e3o essas as for\u00e7as que queremos mobilizar. Cabe aos pol\u00edticos encontrar, depois, as vias para que isso possa concretizar-se, o mais rapidamente poss\u00edvel e, sobretudo, de modo duradouro.  <i>Pergunta: Como Bispo de Roma o senhor \u00e9 sucessor de S\u00e3o Pedro. Como pode ser apresentado, de modo apropriado, nos dias de hoje, o minist\u00e9rio de Pedro? E como o senhor v\u00ea a rela\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o e equil\u00edbrio entre o primado do Papa, de um lado, e a colegialidade dos bispos, de outro? <\/i>  Bento XVI: Uma rela\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o e equil\u00edbrio naturalmente existe, e deve ser assim. Multiplicidade e unidade devem sempre e novamente encontrar a sua rela\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, e essa rela\u00e7\u00e3o deve ser restabelecida, nas mut\u00e1veis situa\u00e7\u00f5es do mundo. Hoje, temos uma nova polifonia de culturas, na qual a Europa j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico determinante; as comunidades crist\u00e3s dos diversos continentes est\u00e3o adquirindo o seu pr\u00f3prio peso, as suas pr\u00f3prias c\u00f4res. Devemos aprender cada vez mais, essa sinergia. Para tanto, desenvolvemos diversos instrumentos: as chamadas &#8220;visitas ad Limina&#8221; dos bispos, que sempre existiram, agora s\u00e3o muito mais valorizadas, para que os bispos possam realmente falar com todas as inst\u00e2ncias da Santa S\u00e9 e tamb\u00e9m comigo. Eu falo pessoalmente com cada bispo. J\u00e1 tive a oportunidade de falar com quase todos os bispos da \u00c1frica e com muitos dos bispos da \u00c1sia. Agora, vir\u00e3o os bispos da Europa Central, da Alemanha, Su\u00ed\u00e7a e, nestes encontros, nos quais Centro e Periferia se encontram, num franco interc\u00e2mbio, cresce o correcto relacionamento rec\u00edproco, numa tens\u00e3o equilibrada. Temos ainda outros instrumentos, como o S\u00ednodo e o Consist\u00f3rio, que agora convocarei regularmente, e que gostaria de desenvolver, nos quais _ ainda que sem uma precisa ordem do dia _ podemos discutir juntos, sobre os problemas actuais, e buscar solu\u00e7\u00f5es. Sabemos, de um lado, que o Papa n\u00e3o \u00e9, de facto, um monarca absoluto, mas que deve personificar a totalidade, na escuta colectiva de Cristo. A consci\u00eancia da necessidade de uma inst\u00e2ncia unificadora, capaz de criar tamb\u00e9m a independ\u00eancia das for\u00e7as pol\u00edticas e garantir que as &#8220;cristandades&#8221; n\u00e3o se identifiquem por demais com as nacionalidades, essa consci\u00eancia, justamente, indica a necessidade de tal inst\u00e2ncia superior e mais ampla, que cria unidade na integra\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do todo e, por outro lado, acolhe, aceita e promove a multiplicidade; essa consci\u00eancia \u00e9 muito forte. Creio, por isso, que, nesse sentido, haja realmente uma ades\u00e3o \u00edntima ao minist\u00e9rio petrino, no desejo de desenvolv\u00ea-lo ulteriormente, de modo que responda tanto aos des\u00edgnios do Senhor quando \u00e0s necessidades dos tempos.  <i>Pergunta: A Alemanha, como terra da Reforma, \u00e9, naturalmente, marcada de modo particular, pelas rela\u00e7\u00f5es entre as diversas confiss\u00f5es. As rela\u00e7\u00f5es ecum\u00e9nicas s\u00e3o uma realidade sens\u00edvel que, de vez em quando, podem encontrar-se em dificuldade. Quais possibilidades o senhor v\u00ea, de melhorar as rela\u00e7\u00f5es com a Igreja Evang\u00e9lica, ou quais dificuldades v\u00ea, neste caminho? <\/i>  Bento XVI: Talvez seja importante dizer, sobretudo, que a Igreja Evang\u00e9lica apresenta uma not\u00e1vel variedade. Na Alemanha temos, se n\u00e3o me engano, tr\u00eas comunidades maiores: Luteranos, Reformados e Uni\u00e3o Prussiana. Al\u00e9m disso, hoje constituem-se tamb\u00e9m, numerosas Igrejas livres (Freikirchen) e, no \u00e2mbito das Igrejas cl\u00e1ssicas, movimentos como a &#8220;Igreja confessante&#8221;, e assim por diante. Trata-se, portanto, tamb\u00e9m de um conjunto de muitas vozes, com o qual, respeitando a multiplicidade dessas vozes, devemos, na busca da unidade, entrar em di\u00e1logo e estabelecer uma colabora\u00e7\u00e3o. A primeira coisa a fazer, nesta sociedade, \u00e9 preocuparmo-nos, todos juntos, a tornar claras as grandes orienta\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, encontr\u00e1-las n\u00f3s mesmos e traduzi-las, de modo a garantir a coes\u00e3o \u00e9tica da sociedade, sem a qual ela n\u00e3o pode realizar os fins da pol\u00edtica, que s\u00e3o a justi\u00e7a para todos, a boa conviv\u00eancia e a paz. Nesse sentido, muitas coisas j\u00e1 est\u00e3o a ser realizadas: diante dos grandes desafios morais, j\u00e1 nos encontramos, h\u00e1 tempos, verdadeiramente unidos, em virtude do nosso comum fundamento crist\u00e3o. Naturalmente, depois, trata-se de testemunhar Deus num mundo que tem dificuldades de encontr\u00e1-Lo, como j\u00e1 dissemos; trata-se de tornar vis\u00edvel o Deus com as fei\u00e7\u00f5es humanas de Jesus Cristo, oferecendo, assim, aos homens, o acesso \u00e0quelas fontes, sem as quais a moral se esteriliza e perde as suas refer\u00eancias. Trata-se tamb\u00e9m, de dar a alegria, porque n\u00e3o estamos isolados neste mundo. Somente assim, nasce a alegria diante da grandeza do homem, que n\u00e3o \u00e9 um produto mal acabado, da evolu\u00e7\u00e3o, mas a imagem de Deus. Devemos mover-nos nestes dois planos: o plano das grandes refer\u00eancias \u00e9ticas, e aquele que mostra &#8211; a partir do interior dessas refer\u00eancias e orientando-se em direc\u00e7\u00e3o \u00e0s mesmas &#8211; a presen\u00e7a de Deus, de um Deus concreto. Se fizermos isso e, se, sobretudo, os grupos singularmente considerados, buscarem n\u00e3o viver a f\u00e9 com particularismo, mas sempre a partir de seus fundamentos mais profundos, ent\u00e3o, ainda que talvez n\u00e3o cheguemos t\u00e3o rapidamente \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es externas de unidade, amadureceremos, todavia, rumo a uma unidade interior que, se Deus quiser, um dia levar\u00e1 tamb\u00e9m a formas externas de unidade.  <i>Pergunta: Tema: a fam\u00edlia. H\u00e1 cerca de um m\u00eas, o senhor estava em Valen\u00e7ia, para o V Encontro Mundial das Fam\u00edlias. Quem ouviu com aten\u00e7\u00e3o _ como n\u00f3s da R\u00e1dio Vaticano tentamos fazer &#8211; p\u00f4de notar que o senhor n\u00e3o usou, sequer uma vez, a express\u00e3o &#8220;matrim\u00f3nios homossexuais&#8221;, tampouco falou de aborto ou de contracep\u00e7\u00e3o. Observadores atentos disseram: &#8220;Interessante! Evidentemente, a sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 anunciar a f\u00e9, e n\u00e3o girar o mundo como &#8220;ap\u00f3stolo da moral&#8221;. O senhor pode nos dizer o que pensa de tal avalia\u00e7\u00e3o? <\/i>  Bento XVI: Naturalmente, sim. Antes de tudo, devo dizer que eu dispunha, ao todo, nas duas vezes em que me pronunciei, de apenas 20 minutos de tempo para falar. E se algu\u00e9m disp\u00f5e de t\u00e3o pouco tempo, n\u00e3o pode come\u00e7ar dizendo &#8220;N\u00e3o!&#8221;. \u00c9 preciso estabelecer, primeiramente, o que efectivamente queremos, n\u00e3o \u00e9 mesmo? O Cristianismo, o Catolicismo n\u00e3o \u00e9 um conjunto de proibi\u00e7\u00f5es, mas uma op\u00e7\u00e3o positiva. E \u00e9 muito importante que evidenciemos isso novamente, porque essa consci\u00eancia, hoje, desapareceu quase completamente. Tem-se ouvido falar tanto sobre o que n\u00e3o \u00e9 permitido, que agora \u00e9 preciso dizer: &#8220;Mas n\u00f3s temos uma ideia positiva a propor: o homem e a mulher foram feitos um para o outro e existe uma escala &#8211; sexualidade, eros e agape, que s\u00e3o as dimens\u00f5es do amor, e assim se forma, antes o matrim\u00f3nio como encontro repleto de felicidade, entre o homem e a mulher, e depois, a fam\u00edlia, que garante a continuidade entre as gera\u00e7\u00f5es, onde se realiza a reconcilia\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es, e onde as culturas tamb\u00e9m se podem encontrar. Antes de tudo, portanto, \u00e9 importante colocar em relevo aquilo que queremos. Em segundo lugar, pode-se ver tamb\u00e9m, porque certas coisas n\u00f3s n\u00e3o as queremos. Eu creio que seja preciso reconhecer que n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, o facto que o homem e a mulher sejam feitos um para o outro, a fim de que a humanidade continue a viver: todas as culturas, no fundo, sabem disso. No que se refere ao aborto, ele n\u00e3o entra no sexto, mas no quinto mandamento: &#8220;N\u00e3o matar!&#8221;. E isso n\u00f3s devemos pressupor como \u00f3bvio, reafirmando sempre que a pessoa humana tem in\u00edcio no seio materno e permanece pessoa humana, at\u00e9 ao seu \u00faltimo suspiro. Por isso, deve ser sempre respeitada como pessoa humana. Mas isso torna-se mais claro se, antes, for dito o que \u00e9 positivo.   <i>Pergunta: Santo Padre, a minha pergunta tem a ver, de certo modo, com a precedente. Em todo o mundo, os fi\u00e9is esperam da Igreja Cat\u00f3lica, respostas aos problemas globais mais urgentes, como a SIDA e a superpopula\u00e7\u00e3o. Por que \u00e9 que a Igreja Cat\u00f3lica insiste tanto sobre a moral, antepondo-a \u00e0s tentativas de solu\u00e7\u00e3o concreta para esses problemas cruciais da humanidade, por exemplo, no continente africano? <\/i>  Bento XVI: \u00c9 verdade! Este \u00e9 o problema: insistimos realmente tanto sobre a moral? Eu diria &#8211; e tenho me convencido disso sempre mais, tamb\u00e9m no di\u00e1logo com os bispos africanos \u2013 que a quest\u00e3o fundamental, se quisermos progredir nesse campo, se chama educa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o. O progresso somente pode ser verdadeiro, se servir \u00e0 pessoa humana; se a pr\u00f3pria pessoa humana crescer, assim como tamb\u00e9m a sua capacidade moral, e n\u00e3o apenas o seu poder t\u00e9cnico. Eu creio que o verdadeiro problema da nossa situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica seja o desequil\u00edbrio entre o crescimento incrivelmente r\u00e1pido do nosso poder t\u00e9cnico e a nossa capacidade moral, que n\u00e3o cresce proporcionalmente. Por isso, a forma\u00e7\u00e3o da pessoa humana \u00e9 a verdadeira receita, eu diria &#8220;a chave de tudo&#8221;, e esse \u00e9 tamb\u00e9m o nosso caminho. Essa forma\u00e7\u00e3o tem &#8211; em resumo &#8211; duas dimens\u00f5es. Antes de mais, naturalmente, devemos aprender: adquirir o saber, a capacidade, o know-how, come se diz habitualmente. Nesse sentido, a Europa e a Am\u00e9rica fizeram muito, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, e isso \u00e9 muito importante. Mas se se difunde apenas o know-how, se se ensina apenas como se constroem e se usam as m\u00e1quinas, e como se empregam os meios de contracep\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o devemos espantar-nos se, no final, nos encontramos com as guerras e as epidemias da SIDA. N\u00f3s necessitamos de duas dimens\u00f5es: \u00e9 preciso, ao mesmo tempo, a forma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o &#8211; se posso expressar-me assim &#8211; com o qual a pessoa humana adquire as refer\u00eancias e aprende, assim, a usar correctamente a t\u00e9cnica, que tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria. E \u00e9 isso que procuramos fazer. Em toda a \u00c1frica e tamb\u00e9m em muitos pa\u00edses da \u00c1sia, temos uma grande rede de escolas de todos os n\u00edveis, onde, antes de tudo, se pode aprender, adquirir verdadeiro conhecimento e capacidade profissional, e, com isso, obter autonomia e liberdade. Nessas escolas, procuramos n\u00e3o apenas ensinar o know-how, mas tamb\u00e9m formar pessoas humanas que queiram reconciliar-se, que saibam construir e n\u00e3o destruir, e que tenham as refer\u00eancias necess\u00e1rias \u00e0 conviv\u00eancia. Em grande parte da \u00c1frica, as rela\u00e7\u00f5es entre mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os s\u00e3o exemplares. Os bispos formaram comiss\u00f5es conjuntas, com os mu\u00e7ulmanos, para buscar estabelecer a paz nas situa\u00e7\u00f5es de conflito. E essa rede de escolas, de aprendizagem e de forma\u00e7\u00e3o humana, que \u00e9 muito importante, \u00e9 completada por uma rede de hospitais e de centros de assist\u00eancia, que alcan\u00e7a, de maneira capilar, at\u00e9 mesmo as aldeias mais remotas. E em muitos lugares, depois de todas as destrui\u00e7\u00f5es da guerra, a Igreja permanece como \u00fanico poder intacto &#8211; n\u00e3o poder, mas realidade! Uma realidade onde se tratam tamb\u00e9m os doentes de SIDA, e onde, por outro lado, se oferece uma educa\u00e7\u00e3o que ajuda a estabelecer as justas rela\u00e7\u00f5es com os demais. Por isso, creio que deveria ser corrigida a imagem segundo a qual semeamos, em torno a n\u00f3s, somente r\u00edgidos &#8220;N\u00e3o!&#8221;. Exactamente na \u00c1frica, actua-se muito, para que as diversas dimens\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o possam se integrar e, assim, se torne poss\u00edvel superar a viol\u00eancia e tamb\u00e9m as epidemias, entre as quais precisamos incluir tamb\u00e9m a mal\u00e1ria e a tuberculose.  <i>Pergunta: Santo Padre, o Cristianismo difundiu-se em todo mundo a partir da Europa. Agora, muitos que se ocupam desse tema, dizem que o futuro da Igreja se encontra nos outros continentes. \u00c9 verdade? Em outras palavras: que futuro tem o Cristianismo na Europa, onde parece estar-se reduzindo a uma esfera privada ou religi\u00e3o minorit\u00e1ria? <\/i>  Bento XVI: Antes de tudo, gostaria de delinear algumas nuances. Na verdade, como sabemos, o Cristianismo nasceu no Oriente M\u00e9dio. E por muito tempo, seu desenvolvimento principal permaneceu l\u00e1, e se difundiu na \u00c1sia, muito mais do que podemos pensar hoje, depois das mudan\u00e7as levadas pelo Islamismo. Por outro lado, exactamente por esse motivo, o seu eixo deslocou-se sensivelmente para o Ocidente e para a Europa, e a Europa &#8211; fato que nos enche de orgulho e de alegria &#8211; desenvolveu ulteriormente o Cristianismo, nas suas grandes dimens\u00f5es, tamb\u00e9m intelectuais e culturais. Creio, todavia, que seja importante recordar os crist\u00e3os do Oriente, uma vez que existe o perigo de que eles, que sempre foram uma minoria, possam agora emigrar. H\u00e1 o grande perigo de que, justamente esses lugares da origem do Cristianismo acabem vazios da presen\u00e7a dos crist\u00e3os. Creio que devemos ajudar muito, para que eles possam permanecer ali. E agora, ent\u00e3o, vejamos a resposta \u00e0 sua pergunta. A Europa tornou-se, certamente, o centro do Cristianismo e do seu movimento mission\u00e1rio. Hoje, os demais continentes e as outras culturas entram com igual peso no concerto da hist\u00f3ria mundial. Assim, cresce o n\u00famero das vozes da Igreja, e isso \u00e9 um bem. \u00c9 um bem que se possam exprimir os diversos temperamentos, os dons pr\u00f3prios da \u00c1frica, da \u00c1sia e da Am\u00e9rica, em particular tamb\u00e9m da Am\u00e9rica Latina. Todos, naturalmente, s\u00e3o tocados n\u00e3o apenas pela palavra do Cristianismo, mas tamb\u00e9m pela mensagem secularista deste mundo, que leva tamb\u00e9m aos outros continentes, a experi\u00eancia clamorosa que n\u00f3s sofremos em n\u00f3s mesmos. Todos os bispos das outras partes do mundo dizem: &#8220;N\u00f3s temos ainda necessidade da Europa, ainda que a Europa, agora, seja apenas uma parte de um todo que \u00e9 muito maior.&#8221; N\u00f3s ainda temos uma responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o a eles. As nossas experi\u00eancias, a ci\u00eancia teol\u00f3gica aqui desenvolvida, toda a nossa experi\u00eancia lit\u00fargica, as nossas tradi\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m as experi\u00eancias ecum\u00e9nicas que acumulamos: tudo isso \u00e9 muito importante, tamb\u00e9m para os outros continentes. Por isso, \u00e9 preciso que n\u00f3s, hoje, n\u00e3o capitulemos, dizendo: &#8220;Eis o que somos _ uma minoria; procuremos, ao menos, conservar este nosso pequeno n\u00famero!&#8221; Devemos, ao inv\u00e9s, manter vivo o nosso dinamismo, instaurar rela\u00e7\u00f5es de interc\u00e2mbio, de maneira que, de l\u00e1, cheguem novas for\u00e7as para n\u00f3s. Hoje, h\u00e1 sacerdotes indianos e africanos na Europa e tamb\u00e9m no Canad\u00e1, onde muitos sacerdotes africanos trabalham; \u00e9 interessante! H\u00e1 este dar e receber rec\u00edproco. E ainda que, no futuro, venhamos a ser aqueles que recebem, mais do que d\u00e3o, deveremos sempre continuar capazes de dar e de desenvolver, em tal senso, a coragem e o dinamismo necess\u00e1rios.  <i>Pergunta: O assunto j\u00e1 foi em parte abordado, Santo Padre. As sociedades modernas, nas decis\u00f5es importantes sobre pol\u00edtica e ci\u00eancia, n\u00e3o se orientam pelos valores crist\u00e3os e pela Igreja &#8211; como informam as pesquisas. A Igreja \u00e9 considerada apenas como uma voz de admoesta\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo de repress\u00e3o. A Igreja n\u00e3o deveria sair dessa posi\u00e7\u00e3o defensiva e assumir uma atitude mais positiva em rela\u00e7\u00e3o ao futuro e \u00e0 sua constru\u00e7\u00e3o? <\/i>  Bento XVI: Eu diria que, em todo o caso, temos a nossa tarefa de colocar em relevo aquilo que n\u00f3s queremos, de positivo. E isso devemos faz\u00ea-lo, antes de tudo no di\u00e1logo com as culturas e com as religi\u00f5es, uma vez que, o continente africano, a alma africana e tamb\u00e9m a alma asi\u00e1tica ficam desconcertados diante da frieza da nossa racionalidade. \u00c9 importante demonstrar que entre n\u00f3s n\u00e3o existe apenas isso. E da mesma forma, \u00e9 importante que o nosso mundo laicista se d\u00ea conta de que a f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 um impedimento, mas sim uma ponte para o di\u00e1logo com os outros mundos. N\u00e3o \u00e9 justo pensar que a cultura puramente racional, gra\u00e7as \u00e0 sua toler\u00e2ncia, tenha uma abordagem mais f\u00e1cil das outras religi\u00f5es. O que lhe falta, em grande parte, \u00e9 o &#8220;\u00f3rg\u00e3o religioso&#8221;, ou seja, o ponto de encontro a partir do qual e com o qual os outros desejam se relacionar. Por isso, devemos e podemos mostrar que, justamente pela nova interculturalidade em que vivemos, a pura racionalidade separada de Deus, n\u00e3o \u00e9 suficiente, mas \u00e9 necess\u00e1ria uma racionalidade mais ampla, que v\u00ea Deus em harmonia com a raz\u00e3o; devemos mostrar que a f\u00e9 crist\u00e3 que se desenvolveu na Europa \u00e9 tamb\u00e9m um meio para fazer confluir raz\u00e3o e cultura, e para mant\u00ea-las juntas, numa unidade que compreende tamb\u00e9m o agir. Nesse sentido, creio que temos uma grande tarefa, que \u00e9 a de mostrar que essa Palavra que possu\u00edmos, n\u00e3o pertence _ se podemos assim dizer _ aos entulhos in\u00fateis da hist\u00f3ria, mas \u00e9 necess\u00e1ria ainda hoje.  <i>Pergunta: Santo Padre, falemos das suas viagens. O senhor est\u00e1 no Vaticano, talvez lhe custe muito, estar um pouco distante das pessoas e separado do mundo, mesmo aqui, neste bel\u00edssimo ambiente de Castel Gandolfo. O senhor logo completar\u00e1 80 anos. O senhor pensa, com a ajuda de Deus, em fazer ainda muitas viagens? Tem uma ideia de quais viagens gostaria de fazer? \u00c0 Terra Santa, ao Brasil? O senhor j\u00e1 sabe? <\/i>  Bento XVI: Para dizer a verdade, n\u00e3o me sinto t\u00e3o sozinho. Naturalmente, existem os muros _ se podemos assim dizer _ muros que tornam dif\u00edcil o acesso, mas h\u00e1 uma &#8220;fam\u00edlia pontif\u00edcia&#8221;, a cada dia muitas visitas, em particular quando estou em Roma. V\u00eam os bispos, outras pessoas, h\u00e1 as visitas de Estado, de personalidades que querem falar comigo pessoalmente, e n\u00e3o apenas de quest\u00f5es pol\u00edticas. Nesse sentido, h\u00e1 uma multiplicidade de encontros que, gra\u00e7as a Deus, me s\u00e3o oferecidos continuamente. E \u00e9 tamb\u00e9m importante que a sede do Sucessor de Pedro seja um lugar de encontro, n\u00e3o \u00e9 verdade? Desde o tempo de Jo\u00e3o XXIII, depois, o p\u00eandulo se virou noutra direc\u00e7\u00e3o: foram os papas que come\u00e7aram a fazer visitas. Devo dizer que n\u00e3o me sinto em condi\u00e7\u00f5es de agendar muitas viagens longas, mas onde houver possibilidade de dirigir uma mensagem, onde tais viagens responderem a um verdadeiro desejo, ali quero ir, com a &#8220;dosagem&#8221; que me for poss\u00edvel. Algumas coisas j\u00e1 est\u00e3o previstas: no pr\u00f3ximo ano, no Brasil, haver\u00e1 o encontro do CELAM, o Conselho Episcopal Latino-americano, e creio que ali, a minha presen\u00e7a seja um factor importante, considerando, de um lado, os eventos dram\u00e1ticos que a Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 vivendo; e de outro lado, toda a for\u00e7a da esperan\u00e7a que, ao mesmo tempo, \u00e9 actuante naquela regi\u00e3o. Depois, gostaria de visitar a Terra Santa, e espero poder faz\u00ea-lo em tempo de paz. No que diz respeito ao resto, veremos o que me reserva a Provid\u00eancia.  <i>Pergunta: Desculpe se insisto. Os austr\u00edacos tamb\u00e9m falam alem\u00e3o e esperam o senhor em Mariazell. <\/i>  Bento XVI: Sim, j\u00e1 concordamos sobre isso. Eu o prometi simplesmente, de maneira um tanto imprudente. \u00c9 um lugar de que gostei, tanto que disse: &#8220;Sim, voltarei \u00e0 Magna Mater Austriae.&#8221; Naturalmente, minhas palavras se tornaram imediatamente uma promessa. Uma promessa que manterei, e de bom grado.  <i>Pergunta: Insisto ainda: eu o admiro, todas as quartas-feiras, quando realiza as Audi\u00eancias Gerais, \u00e0s quais est\u00e3o presentes quase sempre, cerca de 50 mil pessoas. Deve ser cansativo, muito cansativo. O senhor consegue resistir? <\/i>  Bento XVI: Sim, o Bom Deus me dar\u00e1 a for\u00e7a necess\u00e1ria. E quando vejo o acolhimento cordial que me reservam, naturalmente sinto-me mais encorajado.  <i>Pergunta: Santo Padre, o senhor acaba de dizer que fez uma promessa um tanto imprudente. Quer dizer que n\u00e3o obstante o seu minist\u00e9rio, e n\u00e3o obstante os seus numerosos v\u00ednculos protocolares, o senhor n\u00e3o renuncia \u00e0 sua espontaneidade? <\/i>  Bento XVI: De qualquer maneira, eu tento. Uma vez que, por quanto as coisas possam ser previstas, eu gostaria de conservar e de realizar tamb\u00e9m algumas coisas de cunho pessoal.  <i>Pergunta: Santo Padre, as mulheres s\u00e3o muito activas em diversas fun\u00e7\u00f5es na Igreja Cat\u00f3lica. A sua contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria se tornar mais claramente vis\u00edvel, tamb\u00e9m nos cargos de maior responsabilidade na Igreja? <\/i>  Bento XVI: Sobre essa quest\u00e3o, naturalmente reflecte-se muito. Como o senhor sabe, n\u00f3s consideramos que a nossa f\u00e9, a constitui\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio dos Ap\u00f3stolos nos obriguem e n\u00e3o nos permitem conferir a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal \u00e0s mulheres. Mas n\u00e3o se pode pensar que, na Igreja, a \u00fanica possibilidade de desempenhar um papel de relevo seja a de ser sacerdote. Na hist\u00f3ria da Igreja, h\u00e1 muitas tarefas e fun\u00e7\u00f5es. A come\u00e7ar pelas irm\u00e3s dos Padres da Igreja, para chegar \u00e0 Idade M\u00e9dia, quando grandes mulheres desempenharam um papel muito determinante, at\u00e9 chegar \u00e0 \u00e9poca moderna. Pensemos em Ildegard de Bingen, que protestava fortemente, contra os bispos e o Papa; em Catarina de Sena e em Br\u00edgida da Su\u00e9cia. Assim, tamb\u00e9m no tempo moderno, as mulheres devem &#8211; e n\u00f3s com elas &#8211; procurar, novamente, o seu justo lugar. Hoje, elas est\u00e3o bem presentes, at\u00e9 mesmo nos Organismos (dicast\u00e9rios) da Santa S\u00e9. Mas h\u00e1 um problema jur\u00eddico: o da jurisdi\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, o facto de que segundo o Direito Can\u00f3nico, o poder de tomar decis\u00f5es juridicamente vinculadoras, estar ligado \u00e0 Ordem sacra. Desse ponto de vista, h\u00e1, portanto, alguns limites. Mas eu creio que as pr\u00f3prias mulheres, com o seu dinamismo e a sua for\u00e7a, com a sua preponder\u00e2ncia e com a sua &#8220;for\u00e7a espiritual&#8221; saber\u00e3o conquistar o seu espa\u00e7o. E n\u00f3s devemos colocar-nos na escuta de Deus, para n\u00e3o sermos n\u00f3s a opormo-nos a Ele, mas pelo contr\u00e1rio, a alegrarmo-nos pelo facto de o elemento feminino alcan\u00e7ar, na Igreja, o lugar operativo que lhe cabe, a come\u00e7ar pela M\u00e3e de Deus e Maria Madalena.  <i>Pergunta: Santo Padre, nos tempos mais recentes, se fala de um novo fasc\u00ednio do Catolicismo. Qual \u00e9, portanto, a vitalidade e a capacidade de futuro dessa institui\u00e7\u00e3o, por outro lado antiqu\u00edssima? <\/i>  Bento XVI: Eu diria que todo o pontificado de Jo\u00e3o Paulo II chamou a aten\u00e7\u00e3o dos homens e os reuniu. Aquilo que aconteceu por ocasi\u00e3o da sua morte permanece como um facto historicamente muito especial: centenas de milhares de pessoas que acorriam, disciplinadamente, \u00e0 Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro, que permaneciam horas, em p\u00e9 e, ao inv\u00e9s de desfalecerem, resistiam, movidas por uma for\u00e7a interior. Depois, revivemos isso por ocasi\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o do meu pontificado, e ainda em Col\u00f3nia. \u00c9 muito bonito ver a experi\u00eancia da comunidade tornar-se, ao mesmo tempo, uma experi\u00eancia de f\u00e9; que se experimente a comunh\u00e3o, n\u00e3o apenas num lugar qualquer, mas que esta se torne mais viva, justamente nos lugares da f\u00e9, fazendo resplandecer, na sua for\u00e7a luminosa, tamb\u00e9m a catolicidade. Obviamente, isso deve durar tamb\u00e9m na vida quotidiana. As duas coisas devem caminhar juntas. De um lado, os grandes momentos, nos quais se experimenta que \u00e9 belo participar, que o Senhor est\u00e1 presente e que n\u00f3s formamos uma grande comunidade reconciliada, para al\u00e9m de todos os confins. Mas depois, naturalmente, \u00e9 preciso tirar da\u00ed, o impulso para resistir, durante as cansativas peregrina\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do quotidiano, afrontando-as a partir desses pontos luminosos e convidando, assim, tamb\u00e9m os demais, a inserir-se na comunidade em caminho. Gostaria de aproveitar esta ocasi\u00e3o para dizer: Eu sinto-me maravilhado com tudo aquilo que fazem, para preparar a minha visita, por tudo aquilo que o povo est\u00e1 fazendo. A minha casa foi pintada de novo, uma escola profissional reformou o lugar. O professor de religi\u00e3o, evang\u00e9lico, tamb\u00e9m colaborou. Esses s\u00e3o pequenos detalhes, mas s\u00e3o um sinal do muito que vem sendo feito. Tudo isso \u00e9 extraordin\u00e1rio, e n\u00e3o o relaciono a mim mesmo, mas considero-o como sinal de um desejo de pertencer a esta comunidade de f\u00e9, e de servirem todos, uns aos outros. Demonstrar essa solidariedade e deixar-se inspirar nisso, pelo Senhor: \u00e9 algo que me toca e, por isso, gostaria de agradecer, de todo o cora\u00e7\u00e3o.  <i>Pergunta: Santo Padre, o senhor falou da experi\u00eancia da comunidade. O senhor vai agora \u00e0 Alemanha j\u00e1 pela segunda vez, ap\u00f3s sua elei\u00e7\u00e3o. Com o Dia Mundial da Juventude, e talvez tamb\u00e9m por causa da recente Copa do Mundo, a atmosfera de certa forma mudou. Tem-se a impress\u00e3o de que os alem\u00e3es se tornaram mais abertos ao mundo, mais tolerantes e mais alegres? O que o senhor espera ainda de n\u00f3s, alem\u00e3es? <\/i>  Bento XVI: Eu diria que, naturalmente, j\u00e1 com o fim da II Guerra Mundial, come\u00e7ou uma transforma\u00e7\u00e3o interior da sociedade alem\u00e3, e tamb\u00e9m da mentalidade alem\u00e3. Uma transforma\u00e7\u00e3o que foi refor\u00e7ada ainda mais, pela reunifica\u00e7\u00e3o. N\u00f3s inserimo-nos profundamente na sociedade mundial e, obviamente, estamos, de certo modo, sob a influ\u00eancia da sua mentalidade. E assim, se mostram tamb\u00e9m alguns aspectos do car\u00e1cter alem\u00e3o, que antes n\u00e3o se esperava ver. Talvez tenhamos sido pintados de maneira exagerada, como sempre muito disciplinados e reservados, o que tem algum fundamento. Mas sinto-me feliz que agora esses aspectos se tornem vis\u00edveis, deixando ver que os alem\u00e3es n\u00e3o s\u00e3o apenas reservados, pontuais e disciplinados, mas s\u00e3o tamb\u00e9m espont\u00e2neos, alegres e hospitaleiros. Isso \u00e9 muito bonito. Os meus votos s\u00e3o de que essas virtudes cres\u00e7am ulteriormente, recebendo ainda o impulso e a durabilidade da f\u00e9 crist\u00e3.  <i>Pergunta: Santo Padre, seu Predecessor declarou bem-aventurados e santos um grande n\u00famero de crist\u00e3os. Alguns pensam que houve at\u00e9 um exagero. Esta \u00e9 a minha pergunta: as beatifica\u00e7\u00f5es e as canoniza\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma vantagem somente se essas pessoas podem ser consideradas como verdadeiros modelos. A Alemanha produz relativamente poucos santos e bem-aventurados, se comparada a outros pa\u00edses. Pode-se fazer alguma coisa para que essa dimens\u00e3o pastoral se desenvolva, e para que a necessidade de beatifica\u00e7\u00f5es e canoniza\u00e7\u00f5es d\u00ea um verdadeiro fruto pastoral? <\/i>  Bento XVI: No in\u00edcio, eu tamb\u00e9m tinha a ideia de que a grande quantidade de beatifica\u00e7\u00f5es quase nos esmagava, e que talvez houvesse necessidade de escolher um pouco mais: figuras que entrassem mais claramente na nossa consci\u00eancia. Nesse meio tempo, descentralizei as beatifica\u00e7\u00f5es, para tornar cada vez mais vis\u00edveis essas figuras, nos lugares espec\u00edficos aos quais pertencem. Talvez um santo da Guatemala interesse menos a n\u00f3s, na Alemanha, e vice-versa, um de Alt\u00f6tting n\u00e3o encontre tanto interesse em Los Angeles, e assim por diante. Nesse sentido, creio que essa descentraliza\u00e7\u00e3o, que corresponde tamb\u00e9m \u00e0 colegialidade do episcopado e \u00e0s suas estruturas colegiais, seja uma coisa oportuna, exactamente por isso. Os diversos pa\u00edses t\u00eam as suas pr\u00f3prias figuras, que ali podem desempenhar a sua efic\u00e1cia. Observei tamb\u00e9m, que essas beatifica\u00e7\u00f5es nos diversos lugares tocam numerosas pessoas e que o povo comenta: &#8220;Finalmente, este \u00e9 um de n\u00f3s!&#8221; e recorre a ele e nele se inspira. O bem-aventurado pertence a eles, e ficamos contentes que ali haja muitos. E se, gradualmente, com o desenvolvimento da sociedade mundial, tamb\u00e9m n\u00f3s os conhecermos melhor, ser\u00e1 bonito. Mas, antes de tudo, \u00e9 importante que tamb\u00e9m nesse campo, haja multiplicidade. Nesse sentido, \u00e9 importante que tamb\u00e9m n\u00f3s, na Alemanha, aprendamos a conhecer nossas pr\u00f3prias figuras e sejamos orgulhosos delas. Paralelamente, existem as canoniza\u00e7\u00f5es das figuras maiores, que s\u00e3o de relevo para toda a Igreja. Eu creio que as Confer\u00eancias Episcopais deveriam escolher, deveriam ver quem \u00e9 apropriado a n\u00f3s, quem nos diz realmente, alguma coisa; e depois, deveriam tornar mais vis\u00edveis essas figuras mais significativas, imprimindo-as na consci\u00eancia, por meio da catequese e da prega\u00e7\u00e3o; talvez se pudesse at\u00e9 mesmo apresent\u00e1-las com um filme. Imagino que seriam filmes muito bonitos. Naturalmente, conhe\u00e7o bem apenas os Padres da Igreja: fazer um filme sobre Agostinho, tamb\u00e9m um sobre Greg\u00f3rio Nazianzeno e sua figura muito particular (sua fuga cont\u00ednua das responsabilidades cada vez maiores que lhe eram impostas, e assim por diante) e demonstrar que n\u00e3o h\u00e1 sempre situa\u00e7\u00f5es feias em torno das quais fazem tantos filmes, mas que h\u00e1 figuras maravilhosas na hist\u00f3ria, que n\u00e3o s\u00e3o absolutamente mon\u00f3tonas, mas muito actuais. Em resumo, \u00e9 preciso buscar n\u00e3o carregar excessivamente as pessoas, mas tornar vis\u00edveis para muitos, as figuras que s\u00e3o actuais e que s\u00e3o capazes de nos inspirar.  <i>Pergunta: Hist\u00f3rias de humor tamb\u00e9m? Em 1989 o senhor recebeu a condecora\u00e7\u00e3o da Ordem de Karl Valentin. Que papel tem na vida de um Papa, o humor e a descontrac\u00e7\u00e3o? <\/i>  Bento XVI: (o Papa ri) Eu n\u00e3o sou um homem ao qual venham em mente, continuamente, piadas. Todavia, saber ver o aspecto divertido da vida e a sua dimens\u00e3o alegre, e n\u00e3o levar tudo tragicamente, isso eu considero muito importante, e diria que \u00e9 at\u00e9 necess\u00e1rio para o meu minist\u00e9rio. Um escritor j\u00e1 disse que os anjos podem voar, porque n\u00e3o levam as coisas t\u00e3o a s\u00e9rio. Talvez, tamb\u00e9m n\u00f3s pud\u00e9ssemos voar um pouco mais, se n\u00e3o d\u00e9ssemos tanta import\u00e2ncia.  <i>Pergunta: Quando se desempenha uma tarefa t\u00e3o importante como a sua, Santo Padre, naturalmente se \u00e9 muito observado. Os outros falam do senhor. Lendo aqui, fiquei impressionado com o que dizem: que o Papa Bento XVI \u00e9 uma personalidade diversa do Cardeal Ratzinger. Como v\u00ea a si mesmo, se posso me permitir fazer-lhe tal pergunta? <\/i>  Bento XVI: Eu j\u00e1 fui seccionado diversas vezes: o professor do primeiro per\u00edodo e o do per\u00edodo intermedi\u00e1rio, o primeiro Cardeal e o sucessivo. Agora, acrescenta-se outra disseca\u00e7\u00e3o. Naturalmente, as circunst\u00e2ncias e a situa\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m os homens influem, porque desempenham responsabilidades diversas. Mas &#8211; digamos &#8211; a minha personalidade fundamental e tamb\u00e9m a minha vis\u00e3o fundamental cresceram, mas em tudo o que \u00e9 essencial, permanecem id\u00eanticas. Fico feliz pelo facto de, agora, serem percebidos tamb\u00e9m aspectos que antes n\u00e3o eram t\u00e3o notados.  <i>Pergunta: Pode-se dizer que sua tarefa lhe agrada e que n\u00e3o \u00e9 um peso para o senhor? <\/i>  Bento XVI: Isso seria demais, porque, na realidade \u00e9 cansativo, mas, de qualquer forma, busco encontrar alegria tamb\u00e9m nisso.  <i>Conclus\u00e3o: Tamb\u00e9m em nome dos meus colegas, agrade\u00e7o ao senhor, muito sinceramente, por esse encontro, por esta &#8220;exclusiva mundial&#8221;. N\u00f3s nos sentimos muito felizes pela sua pr\u00f3xima visita \u00e0 Alemanha, \u00e0 Baviera. At\u00e9 l\u00e1! <\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista do Papa Bento XVI, concedida \u00e0 Bayerischer Rundfunk (ARD), ZDF, Deutsche Welle e R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[93,101,104,120,122,127,149,164,188,193,203,206,221,222,237,238,246,261,297,314,317,329],"class_list":["post-19653","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-aborto","tag-africa","tag-america","tag-bento-xvi","tag-brasil","tag-catequese","tag-consistorio","tag-dia-mundial-da-juventude","tag-direito-canonico","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-historia-da-igreja","tag-hospitalidade","tag-joao-paulo-ii","tag-joao-xxiii","tag-liturgia","tag-missoes","tag-santa-se","tag-solidariedade","tag-terra-santa","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19653"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19653\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}