{"id":196355,"date":"2021-01-20T09:00:06","date_gmt":"2021-01-20T09:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=196355"},"modified":"2021-01-19T15:55:06","modified_gmt":"2021-01-19T15:55:06","slug":"saber-aprender-a-encontrar-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-encontrar-deus\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A encontrar Deus."},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 dura a realidade do confinamento e a necessidade de vivermos apenas do essencial. Os m\u00e9dicos est\u00e3o exaustos e as pessoas reagem com uma normalidade perigoso e digna dos cen\u00e1rios mais dist\u00f3picos. Cen\u00e1rios onde tudo desmorona e \u2014 <em>\u201dt\u00e1-se bem\u2026\u201d<\/em> O apelo \u00e0 consci\u00eancia \u00e9 clara e a todos pede-se que tenham \u2014 na pr\u00e1tica \u2014 ju\u00edzo. Mas a perspectiva de um confinamento \u00e9 aterradora para muitas pessoas e fam\u00edlias. Sabem o pre\u00e7o que pagaram em mar\u00e7o de 2020 quando era novidade, mas agora, quase preferem arriscar a sua sa\u00fade e a dos outros, pensando que nada lhes atinge. N\u00e3o. \u00c9. Verdade. Ficar infectado \u00e9 uma possibilidade aberta a todos os outros e a n\u00f3s tamb\u00e9m. O que pensar ou questionar diante do sofrimento que muitos est\u00e3o a viver sen\u00e3o: onde est\u00e1 Deus?<\/p>\n<figure id=\"attachment_196356\" aria-describedby=\"caption-attachment-196356\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/toa-heftiba-ZoySqhrFoK4-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-196356\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/toa-heftiba-ZoySqhrFoK4-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/toa-heftiba-ZoySqhrFoK4-unsplash.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/toa-heftiba-ZoySqhrFoK4-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/toa-heftiba-ZoySqhrFoK4-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/toa-heftiba-ZoySqhrFoK4-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/toa-heftiba-ZoySqhrFoK4-unsplash-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/toa-heftiba-ZoySqhrFoK4-unsplash-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/toa-heftiba-ZoySqhrFoK4-unsplash-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-196356\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Toa Heftiba em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esta pergunta \u00e9 uma das que incessantemente se faz na vida dos crentes. Mas, o que vos posso confirmar do ponto de vista cient\u00edfico, \u00e9 que a falta de resposta est\u00e1, frequentemente, no modo como \u00e9 formulada a pergunta. Por isso, talvez a pergunta certa para o momento n\u00e3o seja \u201conde est\u00e1 Deus,\u201d mas \u2014 <em>\u201donde <strong>encontrar<\/strong> Deus?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Se Deus n\u00e3o negou a experi\u00eancia de sofrimento aquando das lacera\u00e7\u00f5es no seu corpo ao transportar uma cruz, derramando sangue e suor, e morrendo pregado a essa cruz, para mim, significa que a dor, o sofrimento e a morte n\u00e3o s\u00f3 fazem parte deste mundo, como podem ser um modo de encontrar Deus. Depois, o esfor\u00e7o que vemos naqueles que trabalham nos hospitais, ou nos estabelecimentos de com\u00e9rcio de bens essenciais, sujeitando-se a um poss\u00edvel cont\u00e1gio, s\u00f3 pode suscitar em n\u00f3s o desejo de gratid\u00e3o. E n\u00e3o podemos imaginar como expressar gratid\u00e3o ao outro pode revelar-se, tamb\u00e9m, um momento de lev\u00e1-lo a encontrar Deus. Por fim, n\u00e3o podendo estar em grupo com os amigos e colegas, significa que se abre uma janela de oportunidade para estar com uma outra fam\u00edlia, t\u00e3o esquecida quando vivemos uma vida demasiado artificializada. Isto \u00e9, estar com a natureza. N\u00e3o \u00e9 a natureza um modo, tamb\u00e9m, de encontrar Deus?<\/p>\n<p>Chiara \u201cLuce\u201d Badano foi uma jovem italiana que, no encontro com o Movimento dos Focolares aos 9 anos, resolveu <em>\u00abcolocar Deus em primeiro lugar.\u00bb<\/em> Mas aos 17 anos, uma dor aguda no ombro esquerdo revelou um osteossarcoma, um tumor \u00f3sseo maligno, que levou-a a percorrer um aut\u00eantico calv\u00e1rio durante dois anos. Ao escutar o diagn\u00f3stico, n\u00e3o chorou, ou mostrou-se revoltada, mas pediu um tempo de solitude. Ap\u00f3s 25 minutos diz \u2014 <em>\u00abse \u00e9 o que queres, Jesus, \u00e9 o que eu tamb\u00e9m quero.\u00bb<\/em> Ciente do aproximar da sua morte, diz para a m\u00e3e preocupada com ela \u2014 <em>\u00abquando eu tiver morrido, segue Deus e encontrar\u00e1s a for\u00e7a para ir em frente.\u00bb<\/em> Desde 2008 que Chiara Luce foi declarada <em>vener\u00e1vel<\/em> pelo Vaticano, sendo um exemplo de santidade de como o sofrimento pode ser um modo de encontrar Deus e convidar os outros a faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Quando sofremos valorizamos o sentido que tem a mais pequena coisa, o mais simples respiro (pensando na Covid-19), e encontramos Deus no sofrimento porque Ele nunca nos abandona. Mas isso implica ter o cora\u00e7\u00e3o aberto a uma experi\u00eancia de sentido e significado in\u00e9dita e pessoal.<\/p>\n<p>Desde h\u00e1 muito que S.Paulo nos convida a dar gra\u00e7as a Deus em todas as circunst\u00e2ncias por serem a Sua vontade que se manifesta no momento presente (1 Tes 5, 18). E o confinamento leva-nos, de novo, a experimentar a rotina de ficar em casa com as mesmas pessoas, a ter as mesmas conversas, e se isso levou \u00e0 ruptura de muitos relacionamentos, ou ao stress claustrof\u00f3bico da nossa casa, o que acontecer\u00e1 agora? Por outro lado, depois de quase um ano de pandemia, talvez neste per\u00edodo de confinamento possamos estar cientes de que n\u00e3o estamos s\u00f3s. H\u00e1 ainda algu\u00e9m em nossa casa que amamos, pois, em muitas casas de pessoas que faleceram por causa da Covid-19, a sua presen\u00e7a f\u00edsica n\u00e3o se sente mais.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o tempo para estar grato e praticar a gratid\u00e3o. Com essa prov\u00e9m uma experi\u00eancia de vida mais profunda. E de como os outros n\u00e3o s\u00e3o uma rotina para n\u00f3s, mas um dom. Por\u00e9m, e quem vive sozinho?<\/p>\n<p>O confinamento para as pessoas que vivem sozinhas pode ser um encontro com a tormenta e, dificilmente, conseguem pensar em Deus. De facto, para o crente, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre uma possibilidade de se dar conta de que nunca estar\u00e1 s\u00f3. Mas a presen\u00e7a de Deus n\u00e3o \u00e9 f\u00edsica, e todo o ser humano vive com os sentidos que tem, pelo que a experi\u00eancia de solid\u00e3o precisa de se transformar numa de solitude. \u00c9 aqui que entra o encontro com a natureza para podermos, no final, encontrar Deus.<\/p>\n<p>N\u00e3o me refiro a um inactivo passear por um jardim, ou espa\u00e7o natural que fica a km de dist\u00e2ncia, mas a uma <em>caminhada activa a notar em coisas novas<\/em>. Reparaste alguma vez que os ramos de algumas \u00e1rvores crescem num dos lados quase na horizontal, e no lado oposto na vertical? Isso indica a orienta\u00e7\u00e3o norte-sul porque os ramos a Sul mais facilmente captam a luz do Sol, enquanto os ramos a Norte precisam de se erguer \u2014 por assim dizer \u2014 para captar a luz. Ou reparaste alguma vez nas diferentes formas das folhas das \u00e1rvores, ou tipo de flores no mais escondido recanto entre dois pr\u00e9dios? Existe tanto para notar que por mais passeios que fa\u00e7amos, ou por mais que contemplemos a natureza a partir do interior das nossas casas, existem sempre detalhes que nos escapam. Como podem servir para encontrarmos Deus?<\/p>\n<p>Notar em coisas novas faz despertar a nossa curiosidade, mas, sobretudo, o nosso sorriso. Quando comecei a fazer esta experi\u00eancia de notar em coisas novas nas minhas caminhadas, comecei a reparar que n\u00e3o parava de sorrir e no meu pensamento brotava um espont\u00e2neo louvor a Deus pela Sua cria\u00e7\u00e3o. Melhor, percebi como me revelava a Sua presen\u00e7a na mais pequena novidade.<\/p>\n<p>O des\u00e2nimo diante do confinamento pode levar-nos a um desgaste interior que nos impede de explorar continuamente a vida profunda que nos \u00e9 dada. E o sofrimento que entra no horizonte de conhecimento pelos fluxos de informa\u00e7\u00e3o pode levar-nos, recorrentemente, \u00e0 \u201coutra\u201d quest\u00e3o da \u201clocaliza\u00e7\u00e3o\u201d de Deus. Mas a experi\u00eancia crist\u00e3 \u00e9 a de que se procuras Deus, encontrar\u00e1s. Mas aquele que se abre ao encontro com Deus acaba por se aperceber de que Ele j\u00e1 vinha, h\u00e1 muito, ao seu encontro.<\/p>\n<p>Vale a pena fazer esta invers\u00e3o de quest\u00e3o para sabermos aprender a encontrar Deus. E isto pela simples raz\u00e3o de ser uma aprendizagem que n\u00e3o s\u00f3 muda a nossa vida, mas que fica para toda a vida. Nunca \u00e9 tarde para (re)come\u00e7ar.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-196355","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196355","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=196355"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196355\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=196355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=196355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=196355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}