{"id":196234,"date":"2021-01-18T09:55:48","date_gmt":"2021-01-18T09:55:48","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=196234"},"modified":"2021-01-18T09:55:48","modified_gmt":"2021-01-18T09:55:48","slug":"existir-em-ambiente-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/existir-em-ambiente-covid\/","title":{"rendered":"Existir em ambiente COVID"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/covid-varanda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-196235 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/covid-varanda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/covid-varanda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/covid-varanda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/covid-varanda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/covid-varanda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/covid-varanda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/covid-varanda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/covid-varanda.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>H\u00e1 muitas coisas, aspetos da nossa vida, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais s\u00f3 devemos falar depois de passamos por elas. Eu penso que \u00e9 tudo assim. Mas digo quase tudo, para que os mais puritanos e picuinhas n\u00e3o comecem j\u00e1 a referir aspetos em que se pode falar sem ter de vivenci\u00e1-los.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o existir e o viver. No viver procuramos alegrias, consolos, partilhas am\u00e1veis, sorrisos, confortos, enfim vivemos e procuramos dar vida a quem nos rodeia. No existir damos para sobreviver, sem conforto, com medo, procurando ter for\u00e7as onde j\u00e1 s\u00f3 h\u00e1 cansa\u00e7o, procurando ter esperan\u00e7a onde habita o vazio da aus\u00eancia e da morte.<\/p>\n<p>Desde o dia 29 de dezembro que cerca de 90 pessoas s\u00f3 existem; n\u00e3o conseguem viver. No Lar de Santa Maria, em Tavira, desde que foi detetado um surto de COVID-19, j\u00e1 s\u00f3 h\u00e1 espa\u00e7o para existir, porque a vida ficou na pausa. Aqui, nesta realidade e neste momento, existir significa cuidar ao m\u00e1ximo de todos, para que ningu\u00e9m v\u00e1 para o hospital, com a incerteza do regresso. Aqui, existir significa deixar as f\u00e9rias interrompidas, adiadas ou esquecidas, no cansa\u00e7o dos dias, para cuidar dos \u201cseus\u201d, de \u201ctodos\u201d, mesmo sabendo que h\u00e1 grande probabilidade de ficar infetados, como os j\u00e1 est\u00e3o aqueles de quem cuidam e os seus colegas. Aqui, existir significa cuidar do outro, mesmo que ele n\u00e3o nos consiga ver, mesmo que j\u00e1 n\u00e3o saiba quem somos ou o que estamos a fazer, mas cuidar, somente cuidar, mesmo que seja noite dentro ou no pino do sol. Aqui, existir significa dar tudo &#8211; mentalmente, animicamente, fisicamente -, para que ningu\u00e9m saia para n\u00e3o mais voltar, porque cada um que parte sem regresso \u00e9 uma cicatriz de fracasso na nossa alma. Aqui, significa permanecer, ficar juntos desses \u201cseus\u201d, \u201cnossos\u201d que agora, nesta nova fronteira que nunca desejamos ou sonh\u00e1mos, nos faz correr riscos, mas nos faz descobrir energias que n\u00e3o sab\u00edamos ter, para cuidar, cuidar, cuidar, mesmo que possa ser a \u00faltima coisa que fa\u00e7amos nesta vida. Aqui, significa ser solid\u00e1rio, leal, ser o pr\u00f3ximo do pr\u00f3ximo, que \u00e9 um eu, um tu, um eles, um n\u00f3s\u2026<\/p>\n<p>Primeiro existimos e depois vivemos. Podemos existir sem viver, mas n\u00e3o podemos viver sem existir. Por isso, a todos aqueles que vivem, mas que nunca existiram num ambiente COVID, desejo felicidades, mesmo muitas e sinceras. Todavia, antes pe\u00e7o que n\u00e3o defendam todas as teorias e conspira\u00e7\u00f5es poss\u00edveis: das m\u00e1scaras, do \u00e1lcool gel, da manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, da supremacia chinesa, do controlo da popula\u00e7\u00e3o pelo medo, de que n\u00e3o vale a pena o confinamento, de que sob o signo da verdade a pandemia COVID-19 \u00e9 uma \u201cfantochada\u201d para nos dominar atrav\u00e9s do estado de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Fantochada e manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 criticamos o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, sem conhecer e reconhecer verdadeiramente os m\u00e9dicos e enfermeiras que est\u00e3o presentes constantemente junto dos que est\u00e3o doentes ou que necessitam de vacinas, tantas vezes semanas seguidas sem um \u00fanico dia de descanso. Eu conhe\u00e7o m\u00e9dicos e enfermeiros assim. Conhe\u00e7o, digo-o, porque vejo as suas a\u00e7\u00f5es, reflexo do que s\u00e3o no seu interior e de tudo o que s\u00e3o capazes, porque limito-me a falar com eles sem que lhes veja as fei\u00e7\u00f5es, escondidas pelos equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, que apenas nos deixam ver atr\u00e1s dos \u00f3culos, os olhos cansados. Eles j\u00e1 existem h\u00e1 muito tempo e v\u00e3o continuam a existir por longo tempo no ambiente COVID, para que n\u00f3s um dia possamos viver num ambiente normal. E por mais paradoxal que possa ser, eles vivem, porque se d\u00e3o aos outros e, nessa entrega, encontram a esperan\u00e7a dos sorrisos. Nas pequenas batalhas vencidas, est\u00e3o a procurar ganhar a guerra para todos n\u00f3s e isso \u00e9 viver, porque dando a vida ressuscitam a cada respira\u00e7\u00e3o mais serena, a cada gole de comida que conseguem fazer engolir, a cada alta que celebram.<\/p>\n<p>O que nos compete, enquanto seres humanos que abandonam o mais mesquinho interesse partid\u00e1rio e politiqueiro que possamos ter, desejando colocar \u00e0 frente de tudo a vida humana, \u00e9 ajud\u00e1-los fazendo a nossa parte. O crist\u00e3o \u00e9 aquele que procura a esperan\u00e7a, mesmo onde s\u00f3 espreita o vazio da morte e da aus\u00eancia. \u00c9 aquele que quer existir e viver e faz\u00ea-lo com e para os outros. \u00c9 aquele que escuta e v\u00ea com o cora\u00e7\u00e3o e que deseja que todos os filhos do seu Pai, possam encontrar alegrias, consolos, partilhas am\u00e1veis, sorrisos, confortos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Miguel Neto, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":167647,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-196234","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=196234"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196234\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/167647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=196234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=196234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=196234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}