{"id":196144,"date":"2021-01-17T09:31:12","date_gmt":"2021-01-17T09:31:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=196144"},"modified":"2021-01-16T10:24:05","modified_gmt":"2021-01-16T10:24:05","slug":"covida-19-confinamento-evidencia-desgaste-psicologico-de-utentes-e-profissionais-tiago-abalroado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/covida-19-confinamento-evidencia-desgaste-psicologico-de-utentes-e-profissionais-tiago-abalroado\/","title":{"rendered":"Covid-19: Confinamento evidencia \u00abdesgaste\u00bb psicol\u00f3gico de utentes e profissionais &#8211; Tiago Abalroado"},"content":{"rendered":"<p><em>Presidente da Uni\u00e3o Distrital das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social de \u00c9vora (UDIPSS-\u00c9vora) \u00e9 o convidado desta semana da entrevista Renascen\u00e7a-Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_196110\" aria-describedby=\"caption-attachment-196110\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/DSC_0087.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-196110 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/DSC_0087.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/DSC_0087.jpeg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/DSC_0087-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/DSC_0087-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/DSC_0087-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/DSC_0087-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/DSC_0087-1080x720.jpeg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/DSC_0087-1280x853.jpeg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/DSC_0087-980x653.jpeg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/DSC_0087-480x320.jpeg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-196110\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Tiago Abalroado<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>No in\u00edcio da pandemia ouviram-se muitas queixas \u00e0 falta de articula\u00e7\u00e3o entre os minist\u00e9rios da sa\u00fade e da solidariedade, com reflexos negativos na gest\u00e3o da crise nos lares de idosos.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa dificuldade est\u00e1 ultrapassada, ou subsistem ainda problemas?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que temos vindo todos a aprender com aquilo que tem sido a evolu\u00e7\u00e3o da pandemia e tamb\u00e9m daquilo que \u00e9 a forma de proceder de forma eficiente na ado\u00e7\u00e3o\u00a0das v\u00e1rias medidas. Agora, n\u00f3s compreendemos que quando n\u00f3s somos surpreendidos por uma pandemia desta natureza haja aqui uma preocupa\u00e7\u00e3o generalizada em desenhar medidas que sejam gen\u00e9ricas\u00a0e de alguma forma abranjam todos os sectores da economia. E depois quando vamos olhar para a realidade do sector social h\u00e1 determinadas dimens\u00f5es que carecem de uma aten\u00e7\u00e3o especifica na medida em que as respostas sociais funcionam\u00a0em perman\u00eancia\u00a0e n\u00e3o podem deixar de funcionar. E portanto, houve de facto, num primeiro momento alguma n\u00e3o articula\u00e7\u00e3o entre as v\u00e1rias instancias. E tamb\u00e9m percebermos que existe por parte do minist\u00e9rio da sa\u00fade\u00a0alguma preocupa\u00e7\u00e3o em monitorizar\u00a0tudo. Depois naquilo que \u00e9 a a\u00e7\u00e3o\u00a0do minist\u00e9rio da seguran\u00e7a social sabemos que houve de facto uma preocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 em garantir a manuten\u00e7\u00e3o dos empregos, e depois tamb\u00e9m em garantir o funcionamento normal das respostas sociais e das institui\u00e7\u00f5es em geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0A este n\u00edvel, a grande dificuldade das institui\u00e7\u00f5es \u00e9 o recrutamento de volunt\u00e1rios e de profissionais?<\/em><\/p>\n<p>Sim, esse tem sido agora um problema que depois se tornou evidente numa altura em que, quer por for\u00e7a do aparecimento de casos em estruturas residenciais para pessoas idosos e nas outras respostas sociais, quer por for\u00e7a do agudizar da situa\u00e7\u00e3o e da obriga\u00e7\u00e3o de confinamento dos profissionais houve aqui a necessidade das institui\u00e7\u00f5es recrutarem mais pessoas. Seja por via de voluntariado, seja por via de contratos o que \u00e9 certo \u00e9 que essa dificuldade \u00e9 uma dificuldade que se sente. \u00c9 uma dificuldade que se tem vindo a agudizar, como digo, por for\u00e7a do aumento dos casos, da necessidade dos profissionais ao servi\u00e7o das institui\u00e7\u00f5es por uma raz\u00e3o ou por outra terem de se ausentar e depois tamb\u00e9m da presta\u00e7\u00e3o de cuidados aos utentes que testaram positivo, e a necessidade de segmentar as respostas e o funcionamento das respostas entre a aten\u00e7\u00e3o e a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o aos utentes com covid e a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o aos utentes sem covid. E isso tem sido de facto um problema que as nossas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam atravessado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0Significa que n\u00e3o tem sido eficaz o recurso \u00e0s brigadas de interven\u00e7\u00e3o r\u00e1pida que o Governo anunciou em setembro do ano passado?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que n\u00e3o t\u00eam sido. Para j\u00e1 estas brigadas s\u00e3o multidisciplinares e exige-se o recrutamento de profissionais de diferentes \u00e1reas e logo a\u00ed, sobretudo na \u00e1rea da sa\u00fade foi dif\u00edcil montar equipas com m\u00e9dicos, com enfermeiros, como era inicialmente preconizado pelo minist\u00e9rio e pela pr\u00f3pria Cruz Vermelha que foi a entidade que celebrou o protocolo para se responsabilizar pelas brigadas. E depois, ao n\u00edvel do pessoal auxiliar tamb\u00e9m se verificou esta dificuldade, n\u00e3o s\u00f3 pela escassez, mas tamb\u00e9m pelas fragilidades formativas que as pessoas tinham, como \u00e9 normal e compreens\u00edvel n\u00e3o conseguimos formar profissionais de um momento para o outro e isso tem sido um desafio. Portanto, n\u00e3o s\u00f3 a dimens\u00e3o da escassez, mas tamb\u00e9m a dimens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o ou da falta de forma\u00e7\u00e3o e da dificuldade depois em promover esta forma\u00e7\u00e3o ao ritmo necess\u00e1rio para depois integra as pessoas.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E como tem sido o papel das autarquias, como \u00e9 que t\u00eam colaborado, como \u00e9 que t\u00eam sido distribu\u00eddas sinergias?<\/em><\/p>\n<p>As autarquias t\u00eam procurado ser um agente muito ativo como \u00e9 sua tradi\u00e7\u00e3o no campo da seguran\u00e7a e da prote\u00e7\u00e3o civil. No entanto, depois existe todo um conjunto de mat\u00e9rias mais especificas e concretamente ao n\u00edvel da presta\u00e7\u00e3o efetiva dos servi\u00e7os que as autarquias n\u00e3o conseguem tamb\u00e9m elas responder. As autarquias, neste momento, t\u00eam a responsabilidade ao n\u00edvel da educa\u00e7\u00e3o de prover os profissionais para as escolas, os assistentes operacionais. Houve aqui um esfor\u00e7o inicial na altura em que as escolas estavam encerradas que estes profissionais pudessem dar algum apoio \u00e0s institui\u00e7\u00f5es. No entanto, salva de novo \u00e0 vista a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o, ou seja, estes profissionais n\u00e3o est\u00e3o vocacionados para promover servi\u00e7os nas IPSS. Contudo, tem havido um esfor\u00e7o generalizado, e julgo que qualquer autarca e os v\u00e1rios munic\u00edpios t\u00eam feito o melhor poss\u00edvel tendo em conta os seus recursos, mas todos tem procurado de alguma forma colaborar. Agora, quando n\u00e3o conseguem ser eficazes nessa colabora\u00e7\u00e3o, isso resulta na minha perspetiva essencialmente da falta de forma\u00e7\u00e3o e da incapacidade de fazer mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E dos profissionais que est\u00e3o efetivamente nas institui\u00e7\u00f5es o grande problema \u00e9 a exaust\u00e3o e tamb\u00e9m os surtos?<\/em><\/p>\n<p>Sim, temos problemas a v\u00e1rios n\u00edveis. Temos um primeiro problema que tem a ver com a organiza\u00e7\u00e3o das equipas, dos tempos de trabalho, do cumprimento da lei. Porque a conting\u00eancia vem-nos exigir uma capacidade\u00a0de gerir a rota\u00e7\u00e3o dos profissionais. E para gerir essa rota\u00e7\u00e3o temos de ter em aten\u00e7\u00e3o aquilo que a lei prescreve em mat\u00e9ria de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, dos tempos de trabalho&#8230;. O Governo procurou facilitar cortando com a imposi\u00e7\u00e3o do limite sobre o trabalho suplementar di\u00e1rio. No entanto, isso n\u00e3o resolve porque depois se as pessoas trabalham horas tamb\u00e9m ficam mais desgastadas. Depois todo o stress que vem a seguir por for\u00e7a da situa\u00e7\u00e3o que se vive. Os utentes n\u00e3o podem ver familiares, est\u00e3o isolados, est\u00e3o confinados, por isso tamb\u00e9m eles evidenciam um maior desgaste e portanto, exigem mais aten\u00e7\u00e3o dos profissionais, mais cuidados dos profissionais. Portanto, h\u00e1 aqui todo um somar de situa\u00e7\u00f5es que vem exigir mais dos profissionais, exigir mais das organiza\u00e7\u00f5es e depois entrasse em situa\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00e3o, de burnout, de algumas dificuldades em gerir, conflitos internos&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>S\u00e3o muitas essas situa\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Sim, temos nota que sim. Foram feitos estudos que evidenciam esse desgaste dos profissionais, quer dos profissionais t\u00e9cnicos, quer dos operacionais que de facto atingiram algumas situa\u00e7\u00f5es complicadas a esse n\u00edvel.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Significa que est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o limite a assist\u00eancia aos lares?<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que est\u00e1. Eu diria que est\u00e1 porque temos vindo desde mar\u00e7o a fazer um esfor\u00e7o e a contar com a colabora\u00e7\u00e3o das pessoas; as pessoas n\u00e3o desistem e tem sido muito importante ver a voca\u00e7\u00e3o, a disponibilidade, a dedica\u00e7\u00e3o dos profissionais e aqui destaco de forma muito s\u00e9ria o papel dos ajudantes e das ajudantes de a\u00e7\u00e3o direta porque t\u00eam sido incans\u00e1veis na sua grande maioria no trabalho direto e de apoio aos idosos e tamb\u00e9m \u00e0s pessoas com defici\u00eancia e respostas residenciais. Mas ningu\u00e9m \u00e9 de ferro e come\u00e7amos a verificar que existe aqui um grande desgaste ao n\u00edvel sobretudo an\u00edmico dos profissionais e tamb\u00e9m muito por for\u00e7a daquilo que \u00e9 o desgaste do lado dos utentes que \u00e9 muito dif\u00edcil. \u00c9 preciso ter em aten\u00e7\u00e3o que os centros de dias que funcionam com lares de idosos em simult\u00e2neo est\u00e3o encerrados, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter no mesmo espa\u00e7o utentes de centro de dia e utentes residentes, logo a\u00ed h\u00e1 um n\u00famero mais acentuado de pessoas em casa. As institui\u00e7\u00f5es t\u00eam que se desdobrar entre o trabalho aos utentes residenciais, aqueles que est\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o e aos utentes que est\u00e3o em casa, quer os do centro de dia, quer aqueles que j\u00e1 est\u00e3o nos servi\u00e7os de apoio domicili\u00e1rio ao longo do tempo h\u00e1 aqui logo todo um esfor\u00e7o organizativo. E depois, o estar confinado faz naturalmente que estas pessoas estejam do ponto de vista psicol\u00f3gico mais fr\u00e1geis, evidenciam maior desgaste.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E a capacidade de testagem \u00e9 agora um problema ultrapassado?<\/em><\/p>\n<p>A capacidade de testagem tem sido tamb\u00e9m um problema que nos tem preocupado sobretudo agora quando se agudizaram os casos em estruturas residenciais. Numa primeira fase a articula\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade era muito c\u00e9lere. Se era detetado um caso ou uma suspeita, e a partir do momento em que o surto era identificado, conseguia-se em 24 ou 48 horas providenciar a testagem e o apoio a esse n\u00edvel. Neste momento com o agudizar da situa\u00e7\u00e3o e com a generaliza\u00e7\u00e3o dos casos tamb\u00e9m \u00e0s comunidades; esta articula\u00e7\u00e3o ainda que existindo processa-se a um ritmo mais lento. E temos por exemplo casos de institui\u00e7\u00f5es que chegaram a esperar uma semana pela testagem dos restantes casos, ou restantes utentes e profissionais ap\u00f3s ter sido diagnosticado um primeiro caso e isto levou a que algumas institui\u00e7\u00f5es vissem a sua situa\u00e7\u00e3o mais agudizada na perspetiva da expans\u00e3o e da extens\u00e3o dos efeitos da pandemia, porque se n\u00e3o temos a no\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 positivo e de quem n\u00e3o est\u00e1, n\u00e3o conseguimos tomar medidas imediatas para essas pessoas. E depois temos de atender a que ainda que as institui\u00e7\u00f5es tenham de ter um quarto, dois quartos o que seja de isolamento; n\u00f3s n\u00e3o conseguimos todos os utentes de uma resposta social em isolamento, isso \u00e9 imposs\u00edvel. Por isso, isso foi algo que nos preocupou e ainda preocupada. Obviamente que agora com a vacina\u00e7\u00e3o que me parece esse sim, que est\u00e1 a ser um processo j\u00e1 mais c\u00e9lere, sobretudo porque houve uma preocupa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade em atingir rapidamente os lares com o processo de vacina\u00e7\u00e3o. Mas, nesta quest\u00e3o da testagem de facto houve aqui algumas entropias no processo que levaram, na minha perspetiva, a que a situa\u00e7\u00e3o se agudizasse um pouco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Vacina\u00e7\u00e3o nos Lares teve in\u00edcio na primeira semana de janeiro. J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel fazer-se uma avalia\u00e7\u00e3o do processo?<\/em><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 evidente que houve um investimento da sa\u00fade na vacina\u00e7\u00e3o dos lares e houve uma preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, nesse campo. Temos de entender que as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o se resumem aos lares, preocupam-nos tamb\u00e9m, de forma muito s\u00e9ria, o apoio domicili\u00e1rio, por exemplo, porque os utentes est\u00e3o em casa, mas os profissionais andam de um lado para outro\u2026<\/p>\n<p>Posso dizer que, no que diz respeito \u00e0s Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas, a sa\u00fade, os servi\u00e7os de sa\u00fade, foram e est\u00e3o a ser incans\u00e1veis na identifica\u00e7\u00e3o e na efetiva\u00e7\u00e3o dos processos de vacina\u00e7\u00e3o. Neste momento, diria que 70% dos lares do Alentejo foram vacinados, na 1\u00aa dosagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Aproxima-se o dia das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. E depois de uma indica\u00e7\u00e3o inicial da CNE de que os idosos que fossem votar n\u00e3o estariam sujeitos a quarentena no regresso aos lares, surge agora a possibilidade de eles votarem nas estruturas residenciais. H\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para que assim seja?<\/em><\/p>\n<p>Eu julgo que teremos de fazer uma avalia\u00e7\u00e3o casu\u00edstica, a este n\u00edvel. Temos de pensar que, em primeiro lugar, devem ser as institui\u00e7\u00f5es a perceber quem s\u00e3o os idosos, os residentes, que querem exercer o direito de voto. A partir da\u00ed, perceber se h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para que o possam exercer.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: \u00e9 muito dif\u00edcil, na fase em que nos encontramos, assegurar com todas as condi\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o que os idosos poder\u00e3o votar, que os utentes institucionalizados poder\u00e3o votar. Preocupa-nos seriamente esta situa\u00e7\u00e3o, julgo que n\u00e3o se tinha perdido nada em adiar o processo eleitoral, no entanto os nossos governantes entendem que n\u00e3o est\u00e3o reunidas as condi\u00e7\u00f5es para isso\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas \u00e9 prefer\u00edvel votar na estrutura residencial ou, como a CNE inicialmente avan\u00e7ou, poderem ir \u00e0 mesa de voto e depois regressar, sem estarem sujeitos a quarentena?<\/em><\/p>\n<p>Julgo, ainda assim, que \u00e9 prefer\u00edvel votar na estrutura residencial, porque estamos a falar de uma menor exposi\u00e7\u00e3o do utente. Agora, n\u00e3o deixa de haver uma intera\u00e7\u00e3o com agentes exteriores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com base na experi\u00eancia dos \u00faltimos meses e do primeiro confinamento, considera adequado este novo recolhimento geral?<\/em><\/p>\n<p>Relativamente a este novo confinamento, preocupam-me as exce\u00e7\u00f5es. N\u00f3s &#8211; sobretudo na regi\u00e3o do Alentejo e olhando para o territ\u00f3rio mais do Interior, que conhe\u00e7o melhor &#8211; temos de entender que o facto de as escolas se manterem abertas faz com que a prote\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias n\u00e3o seja t\u00e3o acautelada como no primeiro confinamento. Se come\u00e7armos a olhar bem para esta situa\u00e7\u00e3o vemos que os pais, os familiares das crian\u00e7as e dos jovens, que continuam a ir \u00e0s escolas, trabalham nas C\u00e2maras Municipais e nas Institui\u00e7\u00f5es, os principais empregadores destes meios.<\/p>\n<p>Ao manter escolas abertas, vamos continuar a expor as fam\u00edlias ao risco e, consequentemente, as suas entidades empregadoras. Sendo as Institui\u00e7\u00f5es, por tradi\u00e7\u00e3o, dos maiores empregadores destes concelhos do Interior, em especial as Santas Casas da Miseric\u00f3rdia, as IPSS, o que vemos \u00e9 que o confinamento dito total \u2013 e que n\u00e3o \u00e9, afinal, total \u2013 poder\u00e1 continuar a expor a riscos. N\u00e3o h\u00e1 aqui uma efetiva diminui\u00e7\u00e3o do risco: os pais continuam a relacionar-se com os filhos; os pais, trabalhadores de IPSS, continuar a ir \u00e0s Institui\u00e7\u00f5es, porque estas t\u00eam de continuar a sua presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os; os filhos t\u00eam de continuar a ir \u00e0 escola.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, ainda que havendo uma abstin\u00eancia ao n\u00edvel da vida mais social, o que s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es nucleares, do dia a dia \u2013 a ida para o trabalho, para a escola \u2013 mant\u00eam-se, e o risco subsiste, naturalmente. Julgo que aqui, se vai haver um esfor\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o em geral para mais um confinamento, com sacrif\u00edcios graves para todos os setores da economia, julgo que se deveria ter acautelado esta situa\u00e7\u00e3o, tendo em conta, acima de tudo, esta carateriza\u00e7\u00e3o do Interior do pa\u00eds. \u00c9 algo que \u00e9 transversal, de norte a sul, aqui no Alentejo sentimo-lo de forma mais s\u00e9ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O novo confinamento prev\u00ea, entre as suas exce\u00e7\u00f5es, a participa\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00f5es de voluntariado social e a visita a utentes de lares de idosos e para pessoas com defici\u00eancia. \u00c9 uma decis\u00e3o importante, para quem trabalha nas institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>As visitas s\u00e3o algo que cada institui\u00e7\u00e3o poder\u00e1 avaliar, logo aqui cabe a cada uma poder verificar em que medida faz sentido manter essas visitas. A grande generalidade das estruturas residenciais, neste momento, tem as visitas suspensas de umas semanas a esta parte.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 quest\u00e3o do voluntariado social, obviamente que, sendo importante e, nalguns casos, necess\u00e1rio \u2013 porque existem diferentes quest\u00f5es relacionadas com o desgaste dos profissionais e tamb\u00e9m a falta de colabora\u00e7\u00e3o, em determinas tarefas -, tamb\u00e9m aqui as Institui\u00e7\u00f5es dever\u00e3o ter um papel de grande avalia\u00e7\u00e3o. Eu diria que nunca devemos dispensar a realiza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de teste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 preciso que as autoridades reforcem a necessidade de uma maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental dos residentes em lares?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. H\u00e1 quest\u00f5es que s\u00f3 agora se levantam, com a pandemia, mas que a pr\u00f3pria CNIS, a Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias e outras estruturas j\u00e1 v\u00eam alertado h\u00e1 algum tempo e que t\u00eam a ver com o perfil dos utentes. Sabemos que, hoje em dia, os utentes que residem em Lar de Idosos t\u00eam um perfil demencial j\u00e1 acentuado, normalmente, com um grau de depend\u00eancia acentuado. Esta pandemia deve chamar todos para uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os nos lares e nas estruturas residenciais para utentes, sejam eles quais forem, mas sobretudo no caso dos idosos.<\/p>\n<p>A este n\u00edvel temos de pensar no lar que queremos, na estrutura residencial para idosos que queremos, e que interven\u00e7\u00e3o preconizamos para estas estruturas. Eventualmente, chegaremos \u00e0 conclus\u00e3o de que precisamos de um maior apoio dos atores da sa\u00fade, uma maior liga\u00e7\u00e3o dos lares \u00e0 componente terap\u00eautica, de acompanhamento \u00e0s dem\u00eancias, diria quase que uma especializa\u00e7\u00e3o dos lares de idosos, para que estas estruturas n\u00e3o sejam dep\u00f3sitos de utentes, n\u00e3o \u00e9? Ningu\u00e9m quer isso.<\/p>\n<p>Julgo que toda esta situa\u00e7\u00e3o que se vive atualmente constitui um motor, uma alavanca, para pensarmos no m\u00e9dio e longo prazo a interven\u00e7\u00e3o que se desenvolve ao n\u00edvel das estruturas residenciais e no pr\u00f3prio conceito de lar que queremos, concretamente na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. \u00c9 este o desafio que os atores sociais, os membros do Governo, as estruturas representativas do setor, as v\u00e1rias inst\u00e2ncias que est\u00e3o ligadas a esta tem\u00e1tica da gerontologia, devem assumir, fazendo todos um trabalho muito concertado para perceber como \u00e9 que podemos adequar a interven\u00e7\u00e3o das IPSS com estrutura residencial \u00e0 realidade que atravessamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da Uni\u00e3o Distrital das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social de \u00c9vora (UDIPSS-\u00c9vora) \u00e9 o convidado desta semana da 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