{"id":19577,"date":"2006-08-08T15:32:11","date_gmt":"2006-08-08T15:32:11","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/08\/08\/os-momentos-luminosos\/"},"modified":"2006-08-08T15:32:11","modified_gmt":"2006-08-08T15:32:11","slug":"os-momentos-luminosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-momentos-luminosos\/","title":{"rendered":"Os momentos luminosos"},"content":{"rendered":"<p>O mundo rola com os seus dramas e progressos, na hist\u00f3ria que prossegue em cada minuto, indiferente aos trope\u00e7os de fundo ou de circunst\u00e2ncia que cada tempo propicia. O tempo de Ver\u00e3o, entre n\u00f3s mais institucionalizado como de f\u00e9rias, origina situa\u00e7\u00f5es pessoais e sociais de grande complexidade. Teoricamente \u00e9 um tempo de encontro tamb\u00e9m para as fam\u00edlias que passam grande parte do ano distantes dos idosos com a patri\u00f3tica desculpa que o trabalho est\u00e1 acima de tudo. Essa frase deve ser particularmente irritante para aqueles que levaram uma longa vida de trabalho e, agora, mesmo na circunst\u00e2ncia (excepcional) duma reforma desafogada, sentem o acumular da solid\u00e3o, da aparente inutilidade e da falta de resposta para uma pergunta estimulante em cada dia: o que tenho hoje para fazer? A esperan\u00e7a de vida como que se voltou contra a pr\u00f3pria vida ao oferecer tempo de sobra para nada fazer. E se os governos se inquietam a fazer contas com pouca gente jovem a trabalhar para muitos idosos, mais complexa \u00e9 a teia de sofrimentos oriundos duma vida que parece ter perdido  o sentido. E n\u00e3o \u00e9 fatal que assim seja. As contas da natalidade s\u00e3o, por vezes, mal feitas no mundo com maiores recursos. A perspectiva do que \u00e9 \u00fatil ou in\u00fatil padece frequentemente de desfoques imediatistas, esvaziados de perspectiva. E os afectos familiares dissipam-se, quantas vezes, por redund\u00e2ncia de objectos que se tornam substitutos de pessoas. N\u00e3o \u00e9 fatal que o prolongamento de vida gere a maldi\u00e7\u00e3o da tristeza e do isolamento. Os momentos luminosos de cada exist\u00eancia projectam-se nos tempos onde parecem imperar as sombras. N\u00e3o \u00e9 uma teoria de circunst\u00e2ncia dizer que a velhice se prepara com o mesmo empenho e carinho com que se prepara o apogeu  da vida. A cena da Transfigura\u00e7\u00e3o descrita nos Evangelhos transporta-nos a essa luminosidade transcendente de Jesus que no seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o e no dos disc\u00edpulos encontrou sentido para as etapas da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m entende a sua vida sem a refer\u00eancia aos grandes tempos luminosos da sua exist\u00eancia. E em boa verdade ningu\u00e9m pode dizer que os n\u00e3o viveu. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo rola com os seus dramas e progressos, na hist\u00f3ria que prossegue em cada minuto, indiferente aos trope\u00e7os de fundo ou de circunst\u00e2ncia que cada tempo propicia. O tempo de Ver\u00e3o, entre n\u00f3s mais institucionalizado como de f\u00e9rias, origina situa\u00e7\u00f5es pessoais e sociais de grande complexidade. 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