{"id":19564,"date":"2006-08-07T16:32:55","date_gmt":"2006-08-07T16:32:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/08\/07\/a-imigracao-ucraniana-em-portugal\/"},"modified":"2006-08-07T16:32:55","modified_gmt":"2006-08-07T16:32:55","slug":"a-imigracao-ucraniana-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-imigracao-ucraniana-em-portugal\/","title":{"rendered":"A imigra\u00e7\u00e3o ucraniana em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>D. Dion\u00edsio Lachovicz, respons\u00e1vel pela Pastoral dos Ucranianos no Exterior <!--more--> H\u00e1 poucos anos atr\u00e1s o fluxo de imigrantes ucranianos a Portugal n\u00e3o merecia muita aten\u00e7\u00e3o. O n\u00famero come\u00e7ou a crescer a partir do ano 2000. Hoje, segundo as estimativas oficiais, o n\u00famero de ucranianos legais deveria ultrapassar a cifra de 70 mil pessoas, constituindo-se como o segundo maior grupo de imigrantes, depois dos brasileiros. No entanto, \u00e9 dif\u00edcil dizer a soma exacta de ucranianos presentes em Portugal. Para alguns, o n\u00famero poderia ultrapassar os 300 mil. Est\u00e3o espalhados por todo o territ\u00f3rio portugu\u00eas. Aos ucranianos somam-se tamb\u00e9m outros grupos do Leste europeu: moldavos, russos, romenos, b\u00falgaros. Os imigrantes do Leste europeu foram atra\u00eddos a Portugal para a constru\u00e7\u00e3o civil, aliciados por ag\u00eancias de viagens e redes transportadoras para fins de trabalho ilegal e informal. Como regra geral, os imigrantes ucranianos caracterizam-se pelo alto grau de escolaridade e qualifica\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica. Trouxeram consigo um rico patrim\u00f3nio cultural e religioso.  Os ucranianos fazem parte da tradi\u00e7\u00e3o da Igrejas do Oriente, com ritos pr\u00f3prios nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. Vem a ser o &#8220;segundo pulm\u00e3o&#8221; pela qual respira a Igreja de Cristo \u2014 no dizer do Papa Jo\u00e3o Paulo II. A Portugal chegou um grande contingente de Greco-Cat\u00f3licos, provenientes sobretudo da Ucr\u00e2nia Ocidental, mas tamb\u00e9m est\u00e1 presente um n\u00famero significativo de crist\u00e3os ortodoxos dos tr\u00eas grandes ramos existentes na Ucr\u00e2nia: Patriarcado de Moscovo, Patriarcado de Kiev e Autoc\u00e9falos, todos eles herdeiros do patrim\u00f3nio comum \u00e0s Igrejas orientais. \u00c9 consider\u00e1vel tamb\u00e9m o n\u00famero de imigrantes descristianizados, devido ao regime ateu militante do antigo sistema sovi\u00e9tico, que, mesmo assim, n\u00e3o conseguiu apagar a subconsci\u00eancia religiosa (significativa \u00e9 a express\u00e3o: &#8220;sou um ateu de religi\u00e3o ortodoxa&#8221; &#8211; Lukashenko). Muitos emigrantes v\u00eam a descobrir a f\u00e9 fora do pais de origem. A Igreja Cat\u00f3lica de Portugal respondeu com meios adequados a esse novo sinal dos tempos. A solidariedade crist\u00e3, o apoio humanit\u00e1rio aos imigrantes, a ajuda na integra\u00e7\u00e3o na nova sociedade \u00e9 uma constante. O Patriarca de Lisboa, D. Jos\u00e9 da Cruz Policarpo, dirige uma carta ao Cardeal Lubomyr Husar pedindo assist\u00eancia religiosa aos ucranianos. No dia 7 de Janeiro de 2001 (Natal segundo o calend\u00e1rio juliano), Pe. Dion\u00edsio Lachovicz, ent\u00e3o superior geral dos Padres Basilianos, celebra a primeira missa aos imigrantes ucranianos na cidade de Alcanena, e providencia a chegada dos padres basilianos para a pastoral dos imigrantes cat\u00f3licos orientais na diocese de Lisboa. Em Fevereiro de 2001 chega o primeiro mission\u00e1rio basiliano. A mesma acolhida prestam tamb\u00e9m as dioceses de Leiria-F\u00e1tima, Algarve, \u00c9vora e Beja. Hoje 7 sacerdotes greco-cat\u00f3licos prestam assist\u00eancia pastoral aos ucranianos.  A imigra\u00e7\u00e3o do Leste europeu trouxe uma experi\u00eancia eclesial e can\u00f3nica pr\u00f3pria dos Ritos das Igrejas orientais. Os novos imigrantes caracterizam-se n\u00e3o somente por uma l\u00edngua diferente, como tamb\u00e9m por uma cultura espec\u00edfica, indissoluvelmente ligada \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o das Igrejas orientais. Trata-se de uma efectiva identidade cultural e lit\u00fargica, que os diferencia de outros imigrantes que pertencem ao Rito Latino. Essa identidade peculiar exige uma adequada cura pastoral, que, segundo directrizes do Magist\u00e9rio da Igreja Cat\u00f3lica, os preserva da absor\u00e7\u00e3o pura e simples no Rito Romano e nas suas relativas estruturas. E por outro lado, os imigrantes Greco-Cat\u00f3licos ucranianos n\u00e3o podem ser confundidos simplesmente com os irm\u00e3os Ortodoxos. Outra caracter\u00edstica da Tradi\u00e7\u00e3o das Igrejas Orientais. Ela admite o sacerd\u00f3cio casado. A grande maioria dos sacerdotes nas Igrejas orientais contraem matrim\u00f3nio antes de serem ordenados. Tamb\u00e9m essa diferen\u00e7a poder\u00e1 constituir um problema, como tamb\u00e9m poder\u00e1 ser uma riqueza comum dada pela provid\u00eancia divina.  Essas diferen\u00e7as n\u00e3o impedem a inser\u00e7\u00e3o positiva e fecunda dos ucranianos nas comunidades locais, seja eclesiais ou civis, tendo em vista sobretudo a perspectiva de uma longa perman\u00eancia ou mesmo uma estabilidade definitiva. Tudo na \u00f3ptica da integra\u00e7\u00e3o do diferente, mas sem a absor\u00e7\u00e3o ou assimila\u00e7\u00e3o dos ritos orientais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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