{"id":195543,"date":"2021-01-10T09:31:33","date_gmt":"2021-01-10T09:31:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=195543"},"modified":"2021-01-08T14:41:53","modified_gmt":"2021-01-08T14:41:53","slug":"ue-presidencia-aquilo-a-que-portugal-se-propoe-e-de-facto-ambicioso-mas-isso-e-importante-d-nuno-bras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ue-presidencia-aquilo-a-que-portugal-se-propoe-e-de-facto-ambicioso-mas-isso-e-importante-d-nuno-bras\/","title":{"rendered":"UE\/Presid\u00eancia: \u00abAquilo a que Portugal se prop\u00f5e \u00e9 de facto ambicioso, mas isso \u00e9 importante\u00bb \u2013 D. Nuno Br\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p><em>Bispo do Funchal \u00e9 o delegado da Confer\u00eancia Episcopal na comiss\u00e3o dos bispos cat\u00f3licos da Uni\u00e3o Europeia. Em entrevista \u00e0 Ecclesia e Renascen\u00e7a, a respeito da presid\u00eancia rotativa da UE, D. Nuno Br\u00e1s fala dos desafios sociais, das quest\u00f5es levantadas pela pandemia e dos valores que est\u00e3o na base do projeto comunit\u00e1rio<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_186175\" aria-describedby=\"caption-attachment-186175\" style=\"width: 1068px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/D.NUNO-APRESENTACAO-PROGRAMA-ANO-PASTORAL8.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-186175 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/D.NUNO-APRESENTACAO-PROGRAMA-ANO-PASTORAL8.jpg\" alt=\"\" width=\"1068\" height=\"752\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/D.NUNO-APRESENTACAO-PROGRAMA-ANO-PASTORAL8.jpg 1068w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/D.NUNO-APRESENTACAO-PROGRAMA-ANO-PASTORAL8-369x260.jpg 369w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/D.NUNO-APRESENTACAO-PROGRAMA-ANO-PASTORAL8-1024x721.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/D.NUNO-APRESENTACAO-PROGRAMA-ANO-PASTORAL8-768x541.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/D.NUNO-APRESENTACAO-PROGRAMA-ANO-PASTORAL8-980x690.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/D.NUNO-APRESENTACAO-PROGRAMA-ANO-PASTORAL8-480x338.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1068px) 100vw, 1068px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-186175\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Jornal da Madeira\/Duarte Gomes<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entre as prioridades da presid\u00eancia portuguesa est\u00e3o a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, a concretiza\u00e7\u00e3o do pilar europeu dos direitos sociais e o refor\u00e7o da autonomia de uma Europa aberta ao mundo.<\/em><\/p>\n<p><em>Com que expectativas parte para os pr\u00f3ximos seis meses de presid\u00eancia portuguesa?<\/em><\/p>\n<p>Aquilo a que Portugal se prop\u00f5e \u00e9 de facto ambicioso, mas isso \u00e9 importante. \u00c9 importante apontar para o mais alto. Obviamente que nem todas as quest\u00f5es ficar\u00e3o resolvidas, mas se n\u00f3s dermos v\u00e1rios passos para a resolu\u00e7\u00e3o destes problemas ser\u00e1 um contributo muito importante e eu espero que Portugal na sequ\u00eancia das outras presid\u00eancias seja capaz de dar esse contributo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Sendo Portugal um pa\u00eds perif\u00e9rico, com uma divida p\u00fablica muito acentuada; \u00e9 de crer que possa dar particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es sociais. Podemos estar perante uma boa oportunidade para que as institui\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica possam ser ouvidas, tendo em conta por exemplo que para maio est\u00e1 marcada a Cimeira Social?<\/em><\/p>\n<p>Eu espero que sim. A Igreja Cat\u00f3lica tem desde h\u00e1 40 anos esta institui\u00e7\u00e3o &#8211; \u00a0a COMECE &#8211; que \u00e9 precisamente uma institui\u00e7\u00e3o que tem este objetivo de ir acompanhando os processos legislativos em Bruxelas e de ir acompanhando as v\u00e1rias iniciativas da Uni\u00e3o Europeia. Creio que a quest\u00e3o social \u00e9 obviamente uma das quest\u00f5es importantes. N\u00e3o \u00e9 a \u00fanica, mas creio que a partir da presid\u00eancia portuguesa e a partir de todo este trabalho que \u00e9 feito junto das inst\u00e2ncias de decis\u00e3o ser\u00e1 obviamente uma boa oportunidade para que aquilo que s\u00e3o as propostas do Papa Francisco possam ser tomadas a s\u00e9rio. Eu espero por isso mesmo que a presid\u00eancia portuguesa seja esta oportunidade e que na presid\u00eancia portuguesa se possa construir ou dar passos para construirmos algo cada vez mais parecidos com as propostas do Papa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A quest\u00e3o social est\u00e1, por esta altura, muito ligada \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com a pandemia. Faltou articula\u00e7\u00e3o na Europa no combate \u00e0 Covid-19?<\/em><\/p>\n<p>Penso que sim. Creio que isso foi claro. No in\u00edcio houve mesmo uma certa desorienta\u00e7\u00e3o e houve ali uns momentos em que se correu o risco de os pr\u00f3prios cidad\u00e3os europeus dizerem e se interrogarem: afinal de contas para que serve uma Uni\u00e3o Europeia que n\u00e3o ajuda e que n\u00e3o \u00e9 esta plataforma solid\u00e1ria em que todos possam ajudar a todos. Foi um momento inicial, mas creio que logo depois houve esta presen\u00e7a unificadora e uma presen\u00e7a de apoio aos Estados, como vemos &#8211; seja na compra e distribui\u00e7\u00e3o da vacina &#8211; seja depois tamb\u00e9m nestes instrumentos econ\u00f3micos e financeiros que ir\u00e3o ajudar a uma recupera\u00e7\u00e3o que esperemos seja o mais breve poss\u00edvel porque quanto mais demorar a recupera\u00e7\u00e3o, obviamente mais dificuldades as pessoas ir\u00e3o passar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falamos da quest\u00e3o social. E os problemas associados \u00e0 pandemia s\u00e3o vis\u00edveis em todos os quadrantes. Tivemos uma Uni\u00e3o Europeia a dar sinais perturbadores quando demorou na concretiza\u00e7\u00e3o de um entendimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 denominada bazuca (pacote financeiro para fazer face \u00e0 crise)?<\/em><\/p>\n<p>Eu creio que n\u00f3s temos de perceber que a pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o \u00e9 um Estado como \u00e9 o Estado portugu\u00eas, o espanhol ou o alem\u00e3o. Existe esta necessidade de acordo entre 27 pa\u00edses e isso traz sempre consigo alguma demora. Eu sei que o ritmo das decis\u00f5es no mundo contempor\u00e2neo \u00e9 um ritmo quase avassalador e exige-se uma resposta imediata. Mas eu recordo por exemplo que tamb\u00e9m na crise econ\u00f3mica\u00a0anterior, quando as dividas dos Estados estavam em dificuldades, houve alguma demora por parte da Uni\u00e3o Europeia, mas que depois a resposta foi eficaz. Creio que aconteceu o mesmo neste caso. Houve alguma demora, mas espero que a resposta seja verdadeiramente eficaz e que possa chegar a todos\u2026 verdadeiramente a todos. Ou seja, que n\u00e3o haja meia d\u00fazia de institui\u00e7\u00f5es, meia d\u00fazia de pessoas que fiquem com todas estas ajudas e que depois todos os outros tenham de se desenrascar porque n\u00e3o lhes chegou rigorosamente nada. Eu creio que n\u00e3o, espero que n\u00e3o, fazemos votos para que isso n\u00e3o aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas \u00e9 um receio?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 sempre um receio, obviamente. Quando h\u00e1 todo este montante de dinheiros que est\u00e3o envolvidos h\u00e1 sempre obviamente este receio que \u00e9 justificado at\u00e9 por algumas outras situa\u00e7\u00f5es do passado, Mas obviamente queremos acreditar que desta vez n\u00e3o ir\u00e1 acontecer e que verdadeiramente este apoio ir\u00e1 chegar a todos de uma forma particular aqueles que de facto mais necessitam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A gest\u00e3o do processo de vacina\u00e7\u00e3o, com todos os Estados Membros a terem acesso \u00e0 Vacina ao mesmo tempo em n\u00famero proporcional \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o, est\u00e1, desse ponto de vista, a ser diferente?<\/em><\/p>\n<p>Por muito que nos custe, pois obviamente j\u00e1 todos quer\u00edamos estar vacinados e quando nos dizem que s\u00f3 seremos vacinados l\u00e1 para junho, fins de maio, n\u00e3o deixa de nos causar uma certa tristeza, porque isso nos ir\u00e1 limitar os movimentos. De qualquer forma temos que reconhecer que aquilo que est\u00e1 a acontecer com as vacinas, queremos acreditar que ser\u00e1 tamb\u00e9m o que ir\u00e1 acontecer com a ajuda econ\u00f3mica. E portanto, n\u00e3o temos neste momento nenhum motivo para n\u00e3o ter esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Este sim \u00e9 um bom exemplo do refor\u00e7o do papel da Uni\u00e3o Europeia?<\/em><\/p>\n<p>Penso que sim, mas n\u00e3o apenas este. De facto, neste momento, \u00e9 muito dif\u00edcil n\u00f3s olharmos mesmo para n\u00f3s portugueses e pensarmos o que seriamos sem a Uni\u00e3o Europeia. Com todos os defeitos que tem, com todas as demoras que existem; creio que este processo da integra\u00e7\u00e3o europeia \u00e9 neste momento um processo irrevers\u00edvel, apesar enfim daquilo que aconteceu com o Reino Unido. Mas creio que neste momento, os europeus n\u00e3o se v\u00eam sem a Uni\u00e3o Europeia, seria muito dif\u00edcil. Trata-se de facto de um passo; de um passo com os seus defeitos, com as suas dificuldades, com muito daquilo que \u00e9 o politicamente correto, mas de qualquer forma tem tantos aspetos positivos que neste momento seria muito dif\u00edcil percebermos a Europa sem a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A pandemia colocou v\u00e1rios assuntos em segundo plano e a quest\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es n\u00e3o foi exce\u00e7\u00e3o. A Obra Cat\u00f3lica Portuguesa das Migra\u00e7\u00f5es diz esperar que a presid\u00eancia portuguesa seja uma influ\u00eancia positiva para implementar <\/em><em>uma abordagem europeia conjunta da migra\u00e7\u00e3o. <\/em><em>Que expectativas tem sobre esta negocia\u00e7\u00e3o, sabendo n\u00f3s das resist\u00eancias de alguns estados?<\/em><\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Europeia tem em m\u00e3os uma nova proposta, mais favor\u00e1vel, para o acordo encontrado em Dublin. Esse foi o sentido da reuni\u00e3o que tivemos, h\u00e1 meses, via zoom, dos bispos que s\u00e3o delegados das Confer\u00eancias Episcopais na COMECE. A opini\u00e3o \u00e9 que esta nova proposta da Comiss\u00e3o era mais favor\u00e1vel ao pr\u00f3prio acolhimento dos migrantes e, portanto, iria no bom caminho.<\/p>\n<p>Penso que a presid\u00eancia portuguesa, pelo facto de Portugal ter manifestado maior sensibilidade ao tema dos migrantes, vai fazer com que todo este processo de revis\u00e3o do Acordo de Dublin possa acontecer de uma forma mais r\u00e1pida e se possa chegar a um novo acordo. Um acordo que respeite a pessoa, enquanto tal, em primeiro lugar.<\/p>\n<p>Os migrantes causam dificuldades, problemas, n\u00e3o podemos deixar de ter isso em conta, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos deixar de reconhecer que, antes de tudo isso, antes de qualquer problema, s\u00e3o pessoas. E s\u00e3o pessoas que pedem a nossa ajuda, n\u00f3s n\u00e3o podemos deixar de a oferecer, de os acolher como pessoas que s\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>De onde poder\u00e3o surgir maiores dificuldades a estes acordos? Dos pa\u00edses onde, nesta altura, governam partidos de car\u00e1ter mais nacionalista?<\/em><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma quest\u00e3o europeia, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o da It\u00e1lia, da Gr\u00e9cia\u2026 \u00c9 uma quest\u00e3o verdadeiramente europeia. Por muito que seja dif\u00edcil, por muito que seja se demore a chegar a um entendimento real \u2013 que olhe para as pessoas como pessoas -, creio que havemos de chegar l\u00e1. Vejo todo este processo com muita esperan\u00e7a e mesmo algum pa\u00eds que ponha mais entraves \u2013 e \u00e9 natural que algum o fa\u00e7a -, n\u00e3o deixar\u00e1 de ir cedendo a esta evid\u00eancia: cada migrante \u00e9, antes de mais nada, uma pessoa, e \u00e9 como pessoa que o havemos de tratar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em outubro \u00faltimo, para assinalar o\u00a0<\/em><em>50.\u00ba anivers\u00e1rio das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre a Santa S\u00e9 e a Uni\u00e3o Europeia,\u00a0<\/em><em>o<\/em><em>\u00a0Papa publicou uma mensagem dedicada \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, apelando a uma resposta comum perante a pandemia e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o dos valores fundamentais do projeto comunit\u00e1rio. <\/em><em>Continua a ser poss\u00edvel sonhar a Europa a partir da tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 que se espelha no patrim\u00f3nio de f\u00e9, arte e cultura?<\/em><\/p>\n<p>A Europa de hoje \u2013 com muita tristeza o digo, tive esta intui\u00e7\u00e3o quando visitei a B\u00e9lgica, h\u00e1 um tempo -, em termos culturais, de arte, de constru\u00e7\u00e3o, de pintura, de m\u00fasica, orgulha-se daquilo que s\u00e3o as marcas crist\u00e3s. Mas depois o povo que vive na Europa j\u00e1 tem muito pouco a ver com aqueles que constru\u00edram todos esses monumentos. Creio que esta raiz crist\u00e3, que est\u00e1 na raiz da pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o, da integra\u00e7\u00e3o europeia, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 qualquer coisa a ser recuperada, mas tamb\u00e9m est\u00e1 de facto ainda presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como classificaria o di\u00e1logo institucional que a Comiss\u00e3o dos Episcopados da Uni\u00e3o Europeia (COMECE) vem promovendo h\u00e1 muito tempo com as institui\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias?<\/em><\/p>\n<p>O di\u00e1logo \u00e9 muito bom. No encontro que tivemos em outubro, o vice-presidente da Comiss\u00e3o teria estado presente, se a reuni\u00e3o tivesse acontecido presencialmente. Estava tamb\u00e9m o cardeal Parolin, secret\u00e1rio de Estado do Vaticano. H\u00e1 uma cordialidade, a palavra que marca as rela\u00e7\u00f5es da COMECE com a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Depois, obviamente, existem algumas quest\u00f5es em termos de \u00e9tica ou de relacionamento \u2013 por exemplo, a rela\u00e7\u00e3o com \u00c1frica, um dos temas que a COMECE tem muito no cora\u00e7\u00e3o \u2013 em que a Igreja est\u00e1 claramente contra as posi\u00e7\u00f5es oficiais da Uni\u00e3o Europeia e n\u00e3o pode deixar de dizer aquilo que pensa. A COMECE e o pr\u00f3prio n\u00fancio apost\u00f3lico junto da Uni\u00e3o Europeia, representante da Santa S\u00e9, dizem o que pensam e fazem press\u00e3o para que as op\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es comunit\u00e1rias v\u00e3o noutro sentido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se Portugal \u00e9 um pa\u00eds perif\u00e9rico, a Madeira \u00e9 uma das regi\u00f5es ultraperif\u00e9ricas. Qual a import\u00e2ncia do projeto europeu para este tipo de regi\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>A Madeira vive do turismo, sejamos claros, e vive do turismo europeu. Agora, obviamente, uma boa fatia vem da Inglaterra e nisso a sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia causa alguns problemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa \u00e9 uma das m\u00e1s not\u00edcias, a outra \u00e9 o aumento dos casos de Covid na Regi\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 da Inglaterra, a Madeira tem muito turismo alem\u00e3o, polaco, italiano e franc\u00eas. Portanto, podemos dizer que estar na Uni\u00e3o Europeia facilita muito que todo este conjunto de pessoas visite habitualmente a Madeira, constituindo a grande fonte de riqueza da popula\u00e7\u00e3o da ilha.<\/p>\n<p>A falta de turistas e as dificuldades na circula\u00e7\u00e3o de pessoas fazem as pessoas passar um mau bocado. Por isso, tamb\u00e9m, h\u00e1 necessidade de ultrapassar toda esta situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e regressar o mais depressa poss\u00edvel a um fluxo poss\u00edvel que fa\u00e7a entrar receitas econ\u00f3micas na ilha, porque efetivamente, de uma forma direta ou indireta, 80% da popula\u00e7\u00e3o vive do turismo europeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se na 1\u00aa vaga, a Regi\u00e3o passou pela pandemia por entre os pingos da chuva, nesta altura \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o acrescida\u2026<\/em><\/p>\n<p>Claro. Creio que na primeira parte da pandemia, as autoridades sanit\u00e1rias conseguiram, e muito bem, fazer com que a Madeira fosse um destino tur\u00edstico com quase zero casos de Covid. Agora, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais alarmante, o Governo Regional tomou algumas iniciativas no sentido de minorar esses problemas, fez um confinamento de fim de semana. Isso causa problemas aos crist\u00e3os das ilha, mas s\u00e3o medidas, de qualquer forma, que visam a sa\u00fade de todos e, obviamente, n\u00e3o podemos tamb\u00e9m n\u00f3s de contribuir.<\/p>\n<p>Precisamos de tomar medidas dr\u00e1stica para que, uma vez mais, a Madeira possa ser considerada como um lugar onde toda a gente pode vir sem o medo de infe\u00e7\u00f5es. Vai ser mais dif\u00edcil, mas estou esperan\u00e7ado de que conseguiremos debelar estes v\u00e1rios surtos que est\u00e3o a surgir, depois do Natal e fim de ano, que s\u00e3o as festa da ilha. \u00c9 o pre\u00e7o de fazer essa festa, nem todos foram capazes de respeitar as regras m\u00ednimas e j\u00e1 sab\u00edamos que isso ia acontecer. N\u00e3o \u00e9 nada de que n\u00e3o estiv\u00e9ssemos \u00e0 espera, mas havemos de ultrapassar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo do Funchal \u00e9 o delegado da Confer\u00eancia Episcopal na comiss\u00e3o dos bispos cat\u00f3licos da Uni\u00e3o Europeia. Em entrevista \u00e0 Ecclesia e Renascen\u00e7a, a respeito da presid\u00eancia rotativa da UE, D. Nuno Br\u00e1s fala dos desafios sociais, das quest\u00f5es levantadas pela pandemia e dos valores que est\u00e3o na base do projeto comunit\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":186175,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-195543","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195543","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195543"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195543\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/186175"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}