{"id":195483,"date":"2021-01-07T17:53:06","date_gmt":"2021-01-07T17:53:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=195483"},"modified":"2021-01-07T19:16:09","modified_gmt":"2021-01-07T19:16:09","slug":"um-dedo-que-diz-quem-somos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-dedo-que-diz-quem-somos\/","title":{"rendered":"Um dedo que diz quem somos"},"content":{"rendered":"<p><em>Paulo Adriano, Diocese de Leiria-F\u00e1tima<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/paulo-adriano900.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-195488 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/paulo-adriano900-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/paulo-adriano900-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/paulo-adriano900-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/paulo-adriano900-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/paulo-adriano900.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Nos dias que percorreram a quadra natal\u00edcia as redes sociais tornaram viral um gesto mostrado numa reportagem televisiva num dos canais generalistas. Se a pe\u00e7a jornal\u00edstica tinha tudo a ver com tempo que se vivia \u2014 a celebra\u00e7\u00e3o da Missa do Galo na S\u00e9 de Lisboa \u2014, j\u00e1 a imagem que circulava deixava muito a desejar no que diz respeito ao esp\u00edrito que supostamente devia celebrar. Algu\u00e9m, estando na fila a aguardar a sua vez de entrar no templo por causa das limita\u00e7\u00f5es impostas pela pandemia, \u00e0 passagem da c\u00e2mara de televis\u00e3o teve a infeliz lembran\u00e7a de mostrar ostensivamente o dedo m\u00e9dio da sua m\u00e3o direita.<\/p>\n<p>Certo e sabido \u00e9 que tanta gente fez quest\u00e3o de n\u00e3o deixar passar em branco o meneio da senhora, a que se juntou a indiferen\u00e7a do transeunte que parece que a acompanhava, e deu asas \u00e0 sua indigna\u00e7\u00e3o onde hoje \u00e9 mais costume faz\u00ea-lo: na internet. Desta maneira, um dedo apontado, que n\u00e3o se sabe por qu\u00ea nem para qu\u00ea, deu lugar a uma turba de dedos apontados: uns, ao gesto, outros, mais, \u00e0 senhora, e outros, em bem maior n\u00famero, \u00e0 pr\u00f3pria Igreja.<\/p>\n<p>Sobre a surreal cena, h\u00e1 respostas que n\u00e3o s\u00e3o dadas. Sobretudo, desconhecem-se as raz\u00f5es e as motiva\u00e7\u00f5es que levaram a propriet\u00e1ria do dedo a fazer tal gesto. Mas nem isso fez baixar o tom e a quantidade das acusa\u00e7\u00f5es que se levantaram. Indiscriminadamente, fazem-se ju\u00edzos de valor a prop\u00f3sito e a desprop\u00f3sito. No meio destes, s\u00e3o poucos os que levantam o dedo para pedir a palavra e chamar a aten\u00e7\u00e3o para o risco da avalia\u00e7\u00e3o errada. Entre eles, algu\u00e9m sugeria a possibilidade de haver ali uma manifesta\u00e7\u00e3o da sintomatologia de um s\u00edndrome de tourette que, como sabemos, se manifesta em palavras e tiques que fogem a qualquer normativo de aceit\u00e1vel conviv\u00eancia social. Embora a hip\u00f3tese seja remota, fazia sentido para a chamada da aten\u00e7\u00e3o para a assinal\u00e1vel ignor\u00e2ncia em que se situa a opini\u00e3o p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o a todo este assunto.<\/p>\n<p>Como crist\u00e3os, somos convidados a agir como o pr\u00f3prio Jesus Cristo nos ensina no Evangelho: acolher o pecador, rejeitar o pecado. Sim, a atitude \u00e9 feia, censur\u00e1vel e repreens\u00edvel. Quantos s\u00e3o os epis\u00f3dios no Evangelho em que o Mestre se depara com vidas de gestos feios e repreens\u00edveis? Muitos. Todavia, em nenhum deles, daqueles que O quiseram conhecer apesar das suas pr\u00f3prias faltas, Jesus levantou qualquer dedo que fosse em dire\u00e7\u00e3o ao faltoso, rejeitando a sua aproxima\u00e7\u00e3o. Apontou, isso sim, a falta, e anotou a necessidade e a urg\u00eancia de convers\u00e3o.<\/p>\n<p>A Igreja de que fazemos parte \u00e9 de gente assim: que levanta os dedos errados e que aponta os alvos errados, como bem traduzem as palavras do evangelho &#8220;por que v\u00eas o argueiro no olho de teu irm\u00e3o, por\u00e9m n\u00e3o reparas na trave que tens no teu?&#8221; (Mt 7, 1-5).<br \/>\nUm dos pormenores da cena \u00e9 a pose do companheiro de fila. Mesmo em segundo plano, n\u00e3o passa despercebida a sua atitude imp\u00e1vida e serena. Talvez o pensar na sua pr\u00f3pria trave, n\u00e3o o levasse a recriminar a senhora. Talvez momentos mais tarde, de forma recatada, a chamasse a aten\u00e7\u00e3o para a sua falha, \u00e0 boa maneira da corre\u00e7\u00e3o fraterna crist\u00e3. N\u00e3o sabemos, mas temos a certeza de que a Igreja \u00e9 rica em bons exemplos que s\u00e3o dados nas sombras do respeito que cada um merece.<\/p>\n<p>A n\u00f3s, cabe-nos fazer o exame de consci\u00eancia sobre como usamos os dedos das nossas m\u00e3os: a apontar caminhos de mudan\u00e7a ou a acusar quem, como n\u00f3s faz parte da Igreja que se afirma pecadora. No final de contas, a cena que nos traz aqui, mais do que revelar a sua protagonista, revelar\u00e1 ainda mais a Igreja que somos, a Igreja que cada um \u00e9, na forma e no conte\u00fado da rea\u00e7\u00e3o de cada um. Como modelo, temos o Cristo que acolhe e diz &#8220;n\u00e3o tornes a pecar&#8221;, que conta a hist\u00f3ria do filho pr\u00f3digo que o Pai abra\u00e7a de felicidade pelo seu regresso, que diz ao criminoso crucificado ao lado d&#8217;Ele &#8220;ainda hoje estar\u00e1s comigo no para\u00edso&#8221;.<\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito, h\u00e1 perguntas a que os Evangelhos n\u00e3o d\u00e3o resposta: o que aconteceu \u00e0queles a quem Jesus disse &#8220;vai e n\u00e3o tornes a pecar&#8221;? Provavelmente, reincidiram; faz parte da natureza humana. O pr\u00f3prio Pedro f\u00ea-lo por tr\u00eas vezes. Mas, nem por isso, deixou de ter virado para si o olhar misericordioso e compassivo de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Adriano, Diocese de Leiria-F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":195488,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-195483","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195483"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195483\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/195488"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}