{"id":19530,"date":"2006-08-04T16:34:00","date_gmt":"2006-08-04T16:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/08\/04\/um-apelo-a-paz-no-medio-oriente\/"},"modified":"2006-08-04T16:34:00","modified_gmt":"2006-08-04T16:34:00","slug":"um-apelo-a-paz-no-medio-oriente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-apelo-a-paz-no-medio-oriente\/","title":{"rendered":"Um apelo \u00e0 paz no M\u00e9dio Oriente"},"content":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz <!--more--> As not\u00edcias e imagens que nos chegam todos os dias do L\u00edbano e de Israel despertam as nossas consci\u00eancias para a necessidade de p\u00f4r termo imediato \u00e0 viol\u00eancia que, nesses territ\u00f3rios, vai fazendo cada vez mais v\u00edtimas, centenas de mortos (em particular civis inocentes), milhares de feridos, centenas de milhar de refugiados sem perspectivas de futuro. \u00c9 esta realidade que leva a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz a formular este apelo \u00e0 Paz no M\u00e9dio Oriente.   A chave para a paz no M\u00e9dio Oriente reside no respeito das exig\u00eancias do Direito e da Justi\u00e7a. Estas traduzem-se, como salientou Bento XVI na sua alocu\u00e7\u00e3o de 23 de Julho, no reconhecimento efectivo do direito dos libaneses \u00e0 integridade e soberania do seu pa\u00eds, do direito dos israelitas a viver em paz e seguran\u00e7a no seu Estado e no direito dos palestinianos a uma p\u00e1tria livre e soberana. O reconhecimento do direito inquestion\u00e1vel \u00e0 exist\u00eancia soberana destes tr\u00eas povos \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o sine qua non e urgente para uma paz duradoura. A situa\u00e7\u00e3o a que estamos a assistir vem demonstrar, mais uma vez, que o recurso \u00e0 viol\u00eancia (que facilmente degenera em viol\u00eancia cega) n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o conduz por si \u00e0 Paz, como se torna verdadeiramente contraproducente na perspectiva dos leg\u00edtimos interesses de qualquer das partes envolvidas. Desencadear uma espiral incessante de viol\u00eancia, ou contribuir para ela, \u00e9 n\u00e3o apenas moralmente ileg\u00edtimo, como politicamente ineficaz. As exig\u00eancias de defesa por parte de Israel quanto ao desarmamento do Hezbollah n\u00e3o podem justificar tudo e \u00e9 question\u00e1vel que os combates a que vimos assistindo sejam o \u00fanico, ou o melhor, meio de atingir esse objectivo. A ofensiva em curso h\u00e1 mais de tr\u00eas semanas traduz-se numa puni\u00e7\u00e3o colectiva de um pa\u00eds cujos habitantes s\u00e3o, na sua esmagadora maioria, alheios ao conflito.  Por outro lado, a destrui\u00e7\u00e3o de infra-estruturas civis do L\u00edbano vem cortar, abruptamente, a reconstru\u00e7\u00e3o que se afigurava promissora de um pa\u00eds com tradi\u00e7\u00f5es de conv\u00edvio democr\u00e1tico multicultural e multi-religioso, superadas que estavam a guerra civil e a ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira, mas ainda numa situa\u00e7\u00e3o de fr\u00e1gil e complexo equil\u00edbrio entre distintas fac\u00e7\u00f5es.  <b>V\u00edtimas civis inocentes n\u00e3o podem ser moralmente justificadas<\/b> A ocorr\u00eancia de v\u00edtimas civis inocentes n\u00e3o pode nunca ser moralmente justificada. Merece todo o rep\u00fadio o recurso a actos de agress\u00e3o, quando s\u00e3o deliberadamente visados alvos civis e se atingem pessoas alheias ao conflito. E tamb\u00e9m merece todo o rep\u00fadio a coloca\u00e7\u00e3o deliberada de estruturas militares no meio de ambientes civis, para destes fazer aut\u00eanticos \u201cescudos humanos\u201d. T\u00e3o pouco s\u00e3o admiss\u00edveis repres\u00e1lias que, afirmando visar objectivos militares, aceitam com indiferen\u00e7a que, como sua consequ\u00eancia poss\u00edvel ou mesmo necess\u00e1ria, sejam atingidas v\u00edtimas inocentes, reduzidas \u00e0 categoria de simples \u201cdanos colaterais\u201d. E \u00e9 nessa categoria que, at\u00e9 agora, se inclui a esmagadora maioria das v\u00edtimas deste conflito. Para obter uma paz duradoura, importa alargar os horizontes a uma perspectiva de longo prazo e ter na devida conta outros pa\u00edses com interesses na Regi\u00e3o, designadamente a S\u00edria, o Ir\u00e3o, o Iraque. S\u00f3 haver\u00e1 verdadeira Paz no M\u00e9dio Oriente quando cada uma das partes envolvidas reconhecer os direitos dos outros e confiar que os outros tamb\u00e9m reconhecem os seus.  Nesta perspectiva, a guerra em nada favorece a confian\u00e7a rec\u00edproca, pois faz crescer o \u00f3dio e o ressentimento. Com a guerra, podem conquistar-se territ\u00f3rios, mas n\u00e3o se conquistam mentes e cora\u00e7\u00f5es. Importa lembrar que a ac\u00e7\u00e3o armada do Hezbollah encontra apoio em largos estratos da popula\u00e7\u00e3o, no L\u00edbano como nos pa\u00edses vizinhos e que esse apoio \u00e9 decisivo para essa ac\u00e7\u00e3o. A guerra e as suas sequelas poder\u00e3o fazer com que cres\u00e7a tal apoio, mesmo que os meios militares desse movimento venham a ser reduzidos. Paralelamente, o recurso \u00e0 viol\u00eancia que vitima a popula\u00e7\u00e3o de Israel s\u00f3 acentua o sentimento de desconfian\u00e7a para com os povos \u00e1rabes seus vizinhos, o que torna mais dif\u00edcil para essa popula\u00e7\u00e3o deixar de os considerar seus inimigos e constituir\u00e1 mais um entrave a que os seus leg\u00edtimos direitos sejam reconhecidos.    <b>EUA e UE podem e devem desempenhar papel importante<\/b> Em todo este contexto, a Comunidade Internacional, os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia podem e devem desempenhar um papel importante. \u00c9 fundamental que o fa\u00e7am com urg\u00eancia e promovam um imediato cessar-fogo, para que sejam evitadas mais mortes e destrui\u00e7\u00f5es. Que esse papel n\u00e3o seja apenas o de gerir uma complexa situa\u00e7\u00e3o de \u00f3dios acumulados e de feridas insan\u00e1veis, mas o de ajudar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma paz duradoura e assente no reconhecimento simult\u00e2neo dos direitos de todos os povos do M\u00e9dio Oriente a viverem em paz. A Paz e a Justi\u00e7a s\u00e3o aspira\u00e7\u00f5es onde crist\u00e3os, hebreus e mu\u00e7ulmanos se podem reconhecer \u00e0 luz dos seus livros sagrados. Essas aspira\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem morrer numa terra t\u00e3o rica de significado para qualquer destas tr\u00eas religi\u00f5es. A ora\u00e7\u00e3o e o empenho de todos s\u00e3o, para tal, imprescind\u00edveis. A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz dirige este apelo \u00e0 Paz no M\u00e9dio Oriente a todos os respons\u00e1veis pol\u00edticos, ao Governo e \u00e0 Comiss\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, de modo particular, e a todos os cidad\u00e3os e cidad\u00e3s, sabendo que o que est\u00e1 em jogo tamb\u00e9m diz respeito a todos n\u00f3s. \u00c0s comunidades crist\u00e3s fazemos apelo para que desenvolvam formas de solidariedade com as v\u00edtimas, promovam uma reflex\u00e3o aprofundada sobre a situa\u00e7\u00e3o e se empenhem, pelos meios ao seu alcance, na busca de caminhos de paz.  Lisboa, 4 de Agosto 2006   <i>A Comiss\u00e3o Nacional de Justi\u00e7a e Paz \u00e9 organismo laical, com a finalidade gen\u00e9rica de promover e defender os ideais da Justi\u00e7a e da Paz \u00e0 luz do Evangelho e da doutrina social da Igreja. A Comiss\u00e3o actua sob sua pr\u00f3pria responsabilidade, n\u00e3o vinculando necessariamente o Episcopado<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,291,314],"class_list":["post-19530","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-refugiados","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19530\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}