{"id":1951,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/migrantes-turistas-exigem-nova-nocao-de-paroquia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"migrantes-turistas-exigem-nova-nocao-de-paroquia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/migrantes-turistas-exigem-nova-nocao-de-paroquia\/","title":{"rendered":"Migrantes\/turistas exigem nova no\u00e7\u00e3o de par\u00f3quia"},"content":{"rendered":"<p>\u00abHoje em dia, a forma\u00e7\u00e3o &#8216;cosmopolita&#8217; do Povo de Deus \u00e9 vis\u00edvel praticamente em cada uma das Igrejas particulares, isto porque a migra\u00e7\u00e3o transformou mesmo as comunidades pequenas e antes isoladas em realidades pluralistas e interculturais. Lugares em que, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, era raro ver um forasteiro, hoje s\u00e3o a casa de pessoas oriundas de diferentes partes do mundo. Por exemplo, na Eucaristia dominical \u00e9 cada vez mais comum escutar a Boa Nova ser proclamada em l\u00ednguas que antes n\u00e3o se ouviam&#8230; Por conseguinte, estas comunidades t\u00eam novas oportunidades de viver a experi\u00eancia da catolicidade, uma marca da Igreja que expressa a sua abertura essencial para tudo aquilo que \u00e9 obra do Esp\u00edrito em cada um dos povos\u00bb &#8211; Jo\u00e3o Paulo II, Mensagem para 89.\u00ba Dia Mundial dos migrantes e refugiados.  Se nos detivermos &#8211; quem contacta com pessoas, quem estiver atento \u00e0 mobilidade, quem tentar acertar com as mudan\u00e7as cont\u00ednuas &#8211; por momentos a olhar as nossas assembleias eucar\u00edsticas (sobretudo dominicais) veremos &#8211; pelo menos em certas zonas do pa\u00eds! &#8211; que temos pessoas que n\u00e3o estiveram nesta Igreja a semana passada nem possivelmente estar\u00e3o na pr\u00f3xima. Ser\u00e3o cat\u00f3licos vagos? Ser\u00e3o cat\u00f3licos desenraizados? Ser\u00e3o cat\u00f3licos mesmo praticantes? Que resposta lhes damos, atendendo \u00e0s suas conting\u00eancias? Como est\u00e3o as nossas par\u00f3quias preparadas para receber\/acolher\/aceitar quem chega? Como t\u00eam os sacerdotes\/p\u00e1rocos presente essa possibilidade de revis\u00e3o (urgente) da no\u00e7\u00e3o de par\u00f3quia? Os migrantes criam, ao menos mentalmente, preocupa\u00e7\u00f5es pastorais para al\u00e9m do discurso da ca\u00e7a ao dinheiro dos emigrantes e de uma certa desconfian\u00e7a dos imigrantes?  De facto, a no\u00e7\u00e3o de &#8216;par\u00f3quia&#8217; est\u00e1 em absoluta e r\u00e1pida mudan\u00e7a. As pessoas j\u00e1 n\u00e3o nascem, crescem e morrem sempre no mesmo lugar. A celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o tem mais a marca redutiva do espa\u00e7o f\u00edsico, em que o mesmo padre (&#8216;abade\/reitor\/prior&#8217;) faz todos os sacramentos dos seus &#8216;fregueses&#8217;. Em muitos casos a mera raz\u00e3o de viver naquela par\u00f3quia n\u00e3o fideliza os paroquianos, nem mesmo os mais sedent\u00e1rios. J\u00e1 alguma vez algu\u00e9m foi a F\u00e1tima, ao Sameiro, ao S\u00e3o Bento ou a outro santu\u00e1rio qualquer (at\u00e9 no estrangeiro) e viu, comparou, imitou o que nessas paragens viveu, celebrou ou mesmo gostou&#8230;  Por outro lado, quantas vezes as pessoas &#8211; dizem que em Portugal o n\u00famero est\u00e1 a crescer muito depressa &#8211; t\u00eam j\u00e1 uma casa no litoral, perto da praia, uma segunda habita\u00e7\u00e3o (dita de fim-de-semana, onde o domingo se inclui ou dilui) e t\u00eam a tend\u00eancia (os que mant\u00e9m um certo ritmo de f\u00e9) a ir participar na missa de domingo, a\u00ed onde se encontram. Esta segunda hip\u00f3tese de habita\u00e7\u00e3o at\u00e9 pode ser considerada quasi-domic\u00edlio mesmo em mat\u00e9ria de organiza\u00e7\u00e3o de processo de casamento&#8230; E temos novas realidades eclesiais que criam desafios, provocam novidade e at\u00e9 confronto, sen\u00e3o mesmo comodidade aos praticantes. H\u00e1 casos, sobretudo vindos de pa\u00edses onde est\u00e1 estipulada uma taxa para a religi\u00e3o\/Igreja, em que as pessoas (pensando-se mais espertas do que outros) tentam fugir ao contributo a\u00ed estabelecido e nas suas par\u00f3quias de naturalidade celebram os sacramentos &#8211; sobretudo os ditos sociais &#8211; com pompa e circunst\u00e2ncia com o dinheiro que pretensamente pouparam na fuga \u00e0 percentagem religiosa. H\u00e1 casos ainda em que as dioceses desses pa\u00edses comunicam a &#8216;abjura\u00e7\u00e3o&#8217; oportunista da religi\u00e3o desses cat\u00f3licos de torna-viagem e isso poder\u00e1 e dever\u00e1 criar problemas e ser levado a s\u00e9rio em Portugal! J\u00e1 l\u00e1 vai o tempo em que os p\u00e1rocos eram &#8216;donos&#8217; da pr\u00e1tica religiosa dos seus fregueses. Importa cada vez mais ter abertura \u00e0 diversidade de propostas, usando uma orto-pr\u00e1xis inovadora \u00e0 linguagem do Esp\u00edrito de Deus. Cada vez mais os crentes t\u00eam sugest\u00f5es atractivas, sejam na televis\u00e3o sejam noutras &#8216;igrejas&#8217;. Importa criar condi\u00e7\u00f5es de caminhada pelo compromisso em Igreja com matriz Cat\u00f3lica. Est\u00e1 na hora de saber dar raz\u00f5es &#8211; tanto fi\u00e9is como pastores &#8211; da f\u00e9 pela esperan\u00e7a na caridade, lendo os sinais dos tempos actuais.  A. S\u00edlvio Couto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abHoje em dia, a forma\u00e7\u00e3o &#8216;cosmopolita&#8217; do Povo de Deus \u00e9 vis\u00edvel praticamente em cada uma das Igrejas particulares, isto porque a migra\u00e7\u00e3o transformou mesmo as comunidades pequenas e antes isoladas em realidades pluralistas e interculturais. 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