{"id":19506,"date":"2006-08-03T16:18:58","date_gmt":"2006-08-03T16:18:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/08\/03\/migracoes-sinal-de-tempos-novos\/"},"modified":"2006-08-03T16:18:58","modified_gmt":"2006-08-03T16:18:58","slug":"migracoes-sinal-de-tempos-novos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/migracoes-sinal-de-tempos-novos\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es: Sinal de tempos novos"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista ao assistente diocesano do Secretariado Diocesano das Migra\u00e7\u00f5es e Turismo da Arquidiocese de \u00c9vora <!--more--> A aproxima\u00e7\u00e3o da 34.\u00aa Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, que decorrer\u00e1 de 6 a 13 de Agosto e que tem como tema de fundo \u201cMigra\u00e7\u00f5es: Sinal de Tempos Novos\u201d, especialmente dedicada aos imigrantes dos pa\u00edses de Leste, levou \u00e0 conversa com o Pe. Adriano Chor\u00e3o Lavajo Sim\u00f5es, assistente diocesano do Secretariado Diocesano das Migra\u00e7\u00f5es e Turismo da Arquidiocese de \u00c9vora  <i>A Defesa &#8211; Como caracteriza a Arquidiocese de \u00c9vora em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s migra\u00e7\u00f5es? Pe. Adriano Lavajo Sim\u00f5es &#8211;<\/i> Como acontece nas restantes dioceses, em \u00c9vora, existe um Secretariado Diocesano das Migra\u00e7\u00f5es e Turismo que est\u00e1 atento a esta realidade da imigra\u00e7\u00e3o que \u00e9 relativamente nova para o povo portugu\u00eas. Nos anos 90, e j\u00e1 antes, com o fim das col\u00f3nias ultramarinas, come\u00e7\u00e1mos a ser confrontados com a vinda de estrangeiros para Portugal. Na \u00faltima d\u00e9cada, come\u00e7\u00e1mos a receber habitantes dos pa\u00edses de Leste, principalmente da Ucr\u00e2nia. Actualmente podemos dizer, que na nossa diocese, temos um mosaico, constitu\u00eddo por representantes de muitos pa\u00edses, n\u00e3o apenas de l\u00edngua portuguesa.   <i>AD- Quantos imigrantes existem na Arquidiocese de \u00c9vora? ALS &#8211;<\/i> N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil contabilizar em n\u00fameros exactos a presen\u00e7a de imigrantes na nossa diocese. Mas, em rela\u00e7\u00e3o ao distrito de \u00c9vora, que \u00e9 mais f\u00e1cil contabilizar, segundo os \u00faltimos dados divulgados, existem cerca de 4 mil pessoas com autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia. Mas entre as autoriza\u00e7\u00f5es e os t\u00edtulos de resid\u00eancia emitidos pelo SEF temos uma popula\u00e7\u00e3o de imigrantes que vai al\u00e9m dos 5 mil, provavelmente aproximando-se dos 10 mil imigrantes na Arquidiocese de \u00c9vora.  <i>AD &#8211; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 origem, qual \u00e9 o grupo maiorit\u00e1rio na Arquidiocese? ALS &#8211;<\/i> Quanto \u00e0 dis- tribui\u00e7\u00e3o por l\u00ednguas, s\u00e3o maioritariamente ucranianos, segui- dos dos brasileiros, moldavos e romenos. Depois h\u00e1 pessoas de todas as origens, n\u00e3o apenas de pa\u00edses lus\u00f3fonos de \u00c1frica mas tamb\u00e9m do continente americano e at\u00e9 asi\u00e1tico, verificando-se uma presen\u00e7a de habitantes do Paquist\u00e3o e da China, vis\u00edveis pelas lojas que j\u00e1 existem na cidade. <i>AD &#8211; O que \u00e9 que estes imigrantes pedem ao Secretariado Diocesano? ALS &#8211;<\/i> Neste momento posso dizer que n\u00e3o t\u00eam pedido grande coisa. Houve uma fase, h\u00e1 tr\u00eas ou quatro anos, que tivemos uma equipa t\u00e9cnica para acolhimento de estrangeiros que funcionou aqui no Centro da Sagrada Fam\u00edlia. Nesse tempo,os estrangeiros faziam fila, principalmente oriundos de Leste, que procuravam esclarecer-se sobre a forma de legaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 procura de trabalho. Nessa altura t\u00ednhamos aqui uma bolsa de ofertas que facilitava de alguma maneira a sua procura de trabalho. Com a cria\u00e7\u00e3o de um CLAI \u2013 Centro Local de Apoio ao Imigrante, dependente do ACIME \u2013 Alto Comissariado para a Imigra\u00e7\u00e3o e Minorias \u00c9tnicas, o servi\u00e7o do centro foi-se reduzindo porque o CLAI tinha outras condi\u00e7\u00f5es de informa\u00e7\u00e3o e de apoio. Neste momento o secretariado tem uma equipa de leigos, que al\u00e9m de algumas ajudas pontuais, tem preparado a Festa do Povos, que, este ano, realiz\u00e1mos, em Vila Vi\u00e7osa, no passado dia 28 de Maio, e que congregou cerca de 200 imigrantes, num momento inter-cultural muito interessante. Come\u00e7ou com uma prociss\u00e3o para o Santu\u00e1rio de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, de seguida foi celebrada uma Eucaristia presidida pelo Senhor D. Manuel Madureira Dias, bispo em\u00e9rito do Algarve. Pela tarde, decorreu um almo\u00e7o de confraterniza\u00e7\u00e3o e um espect\u00e1culo em que actuaram representantes dos diversos pa\u00edses presentes. Foi de facto um momento alto e que queremos continuar a celebrar anualmente, sendo uma exterioriza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a miss\u00e3o da Igreja: acolher e ajudar a integrar os imigrantes.  <i>AD &#8211; A Festa dos Povos e a equipa do Secretariado s\u00e3o alguns apoios que a Arquidiocese de \u00c9vora oferece aos imigrantes que c\u00e1 vivem? ALS &#8211;<\/i> Sim. S\u00e3o estes os apoios que estamos a oferecer aos imigrantes na Arquidiocese. Al\u00e9m disso, vamos sensibilizando os P\u00e1rocos para que nas suas par\u00f3quias fa\u00e7am esse trabalho de acolhimento fraterno. Quero ainda sublinhar a import\u00e2ncia da capelania dos dois padres ucranianos que est\u00e3o a residir no Torr\u00e3o e que prestam apoio \u00e0 comunidade ucraniana dispersa pelo pa\u00eds, sobretudo em \u00c9vora, onde celebram na capela de Nossa Senhora da Sa\u00fade e em S. Jo\u00e3ozinho. Pela diocese, celebram ainda em Viana do Alentejo, Estremoz e Montemor-o-Novo. Tamb\u00e9m se deslocam \u00e0 diocese de Beja onde n\u00e3o existem padres ucranianos. <i>AD &#8211; Os imigrantes t\u00eam-se integrado na Arquidiocese? ALS &#8211;<\/i> Sim. T\u00eam-se integrado bastante bem. Certamente ter\u00e3o tido os seus problemas de integra\u00e7\u00e3o, mas problemas, que provoquem mal estar na sociedade, podemos dizer, que em \u00c9vora, n\u00e3o t\u00eam acontecido.   <i>AD &#8211; O que pensa do ante-projecto da nova Lei da Imigra\u00e7\u00e3o? ALS<\/i> &#8211; Na medida que nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas assistimos ao crescimento e \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o qualitativa da realidade da imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio e uma oportunidade para a nossa socie- dade este ante-projecto. Penso que esta nova lei pretende simplificar o processo de legaliza\u00e7\u00e3o e o processo de integra\u00e7\u00e3o como a desburocratiza\u00e7\u00e3o do sistema de vistos e concess\u00e3o de autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia, apostando tamb\u00e9m no favorecimento do reagrupamento familiar, o que facilita a integra\u00e7\u00e3o. Penso que esta lei da imigra\u00e7\u00e3o, tal como est\u00e1 no ante-projecto, deve ser  revista nos aspectos negativos e ser  valorizada  nesses aspectos positivos.  <i>AD &#8211; Qual o papel da Igreja perante a Imigra\u00e7\u00e3o? ALS &#8211;<\/i> Penso que a Igreja n\u00e3o pode ter apenas uma preocupa\u00e7\u00e3o por estes aspectos que s\u00e3o importantes como o acolhimento e legaliza\u00e7\u00e3o, mas deve essencialmente preocupar-se com o apoio espiritual que passa pela aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas com os imigrantes cat\u00f3licos mas por todos.  O Encontro Nacional que se realizou de 10 a 15 de Julho, em Viana, teve em aten\u00e7\u00e3o a diver sidade religiosa dos imigrantes em Portugal.  <i>AD &#8211; De 6 a 13 de Agosto celebra-se mais uma Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es. Quer deixar alguma mensagem para o evento? ALS &#8211;<\/i> Sim. Vai celebra-se a 34.\u00aa Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, dedicada ao lema \u201cSinal dos tempos\u201d, que quer chamar a aten\u00e7\u00e3o para o fen\u00f3meno migrat\u00f3rio. Portanto, seria bom que nas comunidades paroquiais, sobretudo no Domingo dia 13, coincidindo com a  peregrina\u00e7\u00e3o a F\u00e1tima, acontecessem algumas celebra\u00e7\u00f5es especiais. As Par\u00f3quias foram contempladas com material, que o Secretariado j\u00e1 entregou, onde s\u00e3o feitas suges- t\u00f5es para celebrar esse dia. Se na Par\u00f3quia h\u00e1 imigrantes seria interessante dar-lhes uma participa\u00e7\u00e3o activa na celebra\u00e7\u00e3o, como por exemplo, fazer uma leitura, ou participar na ora\u00e7\u00e3o dos fieis, procurando assim sensibilizar a assembleia para esta realidade da imigra\u00e7\u00e3o no meio de n\u00f3s. \u00c9 uma sugest\u00e3o que deixo aos colegas P\u00e1rocos que trabalham pela Diocese fora.   <i>Entrevista de Pedro Miguel Concei\u00e7\u00e3o<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista ao assistente diocesano do Secretariado Diocesano das Migra\u00e7\u00f5es e Turismo da Arquidiocese de 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