{"id":195047,"date":"2021-01-01T19:28:10","date_gmt":"2021-01-01T19:28:10","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=195047"},"modified":"2021-01-01T19:39:19","modified_gmt":"2021-01-01T19:39:19","slug":"homilia-de-d-rui-valerio-no-dia-mundial-da-paz-2021-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-rui-valerio-no-dia-mundial-da-paz-2021-na-solenidade-de-santa-maria-mae-de-deus\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Rui Val\u00e9rio no Dia Mundial da Paz 2021 &#8211; Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><strong>Da comunh\u00e3o com Deus nasce a conc\u00f3rdia entre os povos, as pessoas e a natureza<\/strong><\/p>\n<p>Caros irm\u00e3os,<\/p>\n<ol>\n<li>Na \u00faltima visita que efetuei \u00e0 Rep\u00fablica Centro Africana, pa\u00eds fustigado pela guerra entre grupos rivais e onde as For\u00e7as Armadas portuguesas t\u00eam desenvolvido com \u00eaxito um excelente trabalho na instaura\u00e7\u00e3o da paz, o Senhor Arcebispo de Bangui dizia algo que \u00e9 maravilhoso ouvir: \u201cagora, gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos Militares portugueses pela paz, aqui, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel levar novamente as nossas crian\u00e7as \u00e0 escola\u00bb. Uma simples palavra de reconhecimento, expressa de maneira t\u00e3o significativa, p\u00f5e em relevo o que a paz representa para a sociedade e para cada um de n\u00f3s. Numa assentada, mostra-se claramente como a paz \u00e9 o alicerce do mundo porque s\u00f3 ela salvaguarda o presente, projeta o futuro e faz perseverar o passado. Por essa raz\u00e3o, a Sagrada Escritura define-a n\u00e3o s\u00f3 como b\u00ean\u00e7\u00e3o, ao lado das b\u00ean\u00e7\u00e3os da vida, da sa\u00fade, da fam\u00edlia, do trabalho, da instru\u00e7\u00e3o, mas como a \u00abb\u00ean\u00e7\u00e3o das b\u00ean\u00e7\u00e3os\u00bb (cf Nm 7, 26). De facto, dela dependem todas as outras. E, como expressava o cardeal Nzapalainga Dieudonn\u00e9, gra\u00e7as \u00e0 paz \u00e9 poss\u00edvel organizar o presente e come\u00e7ar a construir o futuro.<\/li>\n<li>A paz, condi\u00e7\u00e3o existencial incomensur\u00e1vel, \u00e9 muito mais do que o mero fruto da boa vontade das pessoas. Acima de tudo, surge como dom de Deus que se materializa na hist\u00f3ria, gerando a vida, promovendo a dignidade de cada ser humano, reinstaurando a justi\u00e7a e aproximando mais estreitamente a humanidade. A coincid\u00eancia de celebrar o Dia Mundial da Paz no dia dedicado \u00e0 solenidade da M\u00e3e de Deus leva-nos a constatar que a paz como \u00e9 o alicerce de todas as b\u00ean\u00e7\u00e3os, assim tamb\u00e9m ela pr\u00f3pria est\u00e1 constru\u00edda sobre o alicerce da Encarna\u00e7\u00e3o de Deus, fundamento que sustenta todos os projetos de paz na humanidade. Como afirmou o conc\u00edlio de Calced\u00f3nia, em Maria, M\u00e3e de Deus, a Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus realizou a uni\u00e3o da natureza divina com a natureza humana, as quais s\u00e3o unidas, mas sem confus\u00e3o, e distintas, mas sem separa\u00e7\u00e3o. Em Cristo, a uni\u00e3o Deus-homem vivifica a harmonia da divindade com a humanidade, constr\u00f3i a conc\u00f3rdia entre o c\u00e9u e a terra e fundamenta a paz entre as na\u00e7\u00f5es e entre os homens.<\/li>\n<li>A hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o certifica-nos, ali\u00e1s, que Deus \u00e9 a Paz, que arquitetou o mundo para a celebrar, na harmonia da diversidade das criaturas, e que criou o homem e a mulher atribuindo-lhes a miss\u00e3o de serem seus guardi\u00f5es e obreiros. N\u00e3o \u00e9 de estranhar, pois, que o ser humano s\u00f3 na paz se sinta em casa e que a paz seja o seu lar. A guerra \u00e9 para ele uma terra estrangeira. Nela \u00e9 um ap\u00e1trida. Porque a sua voca\u00e7\u00e3o \u00e9 a paz e n\u00e3o a guerra.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Fruto do menino de Bel\u00e9m que trouxe \u00e0 terra a conc\u00f3rdia, a paz afunda as suas ra\u00edzes no pr\u00f3prio mist\u00e9rio pessoal do Verbo encarnado que no seio de Maria M\u00e3e de Deus, como deixa entender a segunda leitura (Gal 4, 4-7), estabelece de modo indissol\u00favel a uni\u00e3o de Deus com a humanidade. Em Cristo, Verbo encarnado no seio da Sant\u00edssima Virgem, reside a fonte de toda a paz: entre n\u00f3s e Deus, entre povos e na\u00e7\u00f5es, entre todos os homens de boa vontade e entre a humanidade e a natureza. Por isso, \u00e9 ainda na luz da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo, ou seja, no esplendor do Natal, que reside a possibilidade dos homens se unirem a Deus, uns aos outros e at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o. N\u00e3o contemplamos s\u00f3 o abatimento de muros e barreiras que dividiam o c\u00e9u e a terra, os homens entre si e at\u00e9 separavam o ser humano do mundo criado. Na verdade, Cristo, no Seu nascimento, instaurou uma ponte. Ligou c\u00e9u e terra. Desta uni\u00e3o abriu a humanidade para todas as possibilidades de conc\u00f3rdia e harmonia. \u00c9 a comunh\u00e3o com Deus que torna poss\u00edvel a uni\u00e3o com os irm\u00e3os e com o mundo.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>\u00c9 f\u00e1cil constatar como todos os projetos de paz que prescindam de Deus n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o meras utopias. Curiosamente, embora vivamos num tempo em que se finaram as utopias, uma s\u00f3 se conserva ainda: o mundo permanece convencido de que \u00e9 poss\u00edvel existir paz e conc\u00f3rdia prescindindo do fundamento \u00faltimo de todas as coisas, de Deus, Senhor do c\u00e9u e da terra.<\/li>\n<\/ol>\n<p>H\u00e1 um facto ocorrido no decurso da primeira guerra mundial \u2014 que at\u00e9 j\u00e1 foi retratado no cinema \u2014 que ilustra bem a liga\u00e7\u00e3o \u00edntima entre a paz e o seu fundamento crist\u00e3o: num dado per\u00edodo, os soldados cessaram os combates para confraternizarem e festejarem o nascimento de Jesus. Celebrar Cristo, adorar a Deus, \u00e9 a fonte da paz entre os homens e entre as na\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, na celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia, o rito da paz precede imediatamente a comunh\u00e3o do Corpo de Cristo: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma condi\u00e7\u00e3o derivada do momento seguinte, \u00e9 j\u00e1 o fruto antecipado da comunh\u00e3o com o Corpo de Cristo. E como vem antecipado, tamb\u00e9m se vai prolongando pela vida do quotidiano.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>O Papa Francisco, olhando para o ano de 2020 e centrando-se no que mais o marcou e nos marcou tamb\u00e9m a n\u00f3s, captou um dos tesouros que foi emergindo ao longo dos dolorosos meses que se viveram, de cuja validade perene para a humanidade n\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida, sintetizado no tema \u201cA cultura do cuidado como percurso de paz.\u201d Trata-se, antes de mais, de apresentar a paz como um caminho que se vai fazendo, uma estrada que vai sendo edificada com a\u00e7\u00f5es concretas e pr\u00e1ticas quotidianas. Quando o apelo a cuidar do outro ou do mundo se torna o contexto de vida e a marca dos dias do ser humano, ent\u00e3o estar-se-\u00e1 a caminhar no sentido da constru\u00e7\u00e3o da paz. N\u00e3o se quer dizer s\u00f3 que a paz \u00e9 um processo, p\u00f5e-se em evid\u00eancia sobretudo que a paz est\u00e1 associada ao cuidado com os outros, que ela s\u00f3 emergir\u00e1 l\u00e1 onde houver sentido do outro e dedica\u00e7\u00e3o a ele. A paz est\u00e1 em antagonismo aberto com o ego\u00edsmo, com a cultura do \u00abcada um por si\u00bb ou com mentalidades xen\u00f3fobas e discriminat\u00f3rias que pretendem ser indiferentes ao outro ou at\u00e9 elimin\u00e1-lo, como se o outro fosse um morbo amea\u00e7ador e n\u00e3o um irm\u00e3o com quem somos chamados a partilhar a exist\u00eancia. Cuidar dos outros e do mundo implica assumir uma din\u00e2mica que revela a pr\u00f3pria natureza de Deus, assumida tamb\u00e9m pelas grandes figuras da hist\u00f3ria. Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 o Pr\u00edncipe da paz, porque \u201cviver\u201d era para ele \u201cexistir em fun\u00e7\u00e3o dos outros\u201d. Inaugurou inclusivamente uma nova ontologia, assente na equival\u00eancia do ser com ser para os outros. Em boa verdade, \u00e9 uma din\u00e2mica que tem o seu prot\u00f3tipo na vida trinit\u00e1ria de amor onde a afirma\u00e7\u00e3o de cada Pessoa divina est\u00e1 na entrega e d\u00e1diva ao Outro.<\/li>\n<li>\u201cMaria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu cora\u00e7\u00e3o.\u201d (Lc 2, 19) Assim se expressa o evangelho, referindo-se \u00e0 mesma interioridade onde j\u00e1 o Filho de Deus se fizera homem e assumira a nossa condi\u00e7\u00e3o humana. Afirma, perent\u00f3ria, a Palavra de Deus que \u00abMaria conservava todas estas palavras\u00bb. Mas se h\u00e1 palavras que se conservam, tamb\u00e9m existem as que se perdem. E neste Dia Mundial da Paz somos convidados a recordar quais as palavras que cont\u00eam uma enorme carga de pacifica\u00e7\u00e3o e, por isso, dever\u00e3o ser conservadas por n\u00f3s em nossos cora\u00e7\u00f5es e que constituem um bom itiner\u00e1rio de paz sempre, mas concretamente para o novo ano que inicia:<\/li>\n<li>a) A primeira \u00e9 a palavra \u00abPerd\u00e3o\u00bb. Perdoa-me e perdoo. O pedido, \u201cperdoa-me\u201d, traduz a consci\u00eancia do nosso erro, o reconhecimento do que pratic\u00e1mos, exprime o nosso sentido de responsabilidade. A d\u00e1diva, \u201cperdoo\u201d, restitui a vida ou outro. Quando se perdoa est\u00e1-se a oferecer a possibilidade de um recome\u00e7o, de um novo rumo. Esta d\u00e1diva apazigua o rancor e o ressentimento. S\u00f3 onde houver perd\u00e3o haver\u00e1 paz.<\/li>\n<li>b) A segunda \u00e9 a palavra \u00abObrigado\u00bb. A gratid\u00e3o, segundo S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, tem tr\u00eas n\u00edveis. O mais elementar \u00e9 constitu\u00eddo pelo mero reconhecimento intelectual da atitude benevolente do outro. O n\u00edvel interm\u00e9dio \u00e9 o agradecimento propriamente dito, o louvor do outro pela a\u00e7\u00e3o realizada. Mas o mais profundo envolve um compromisso e estabelece um v\u00ednculo que prende os dois no \u00fanico e mesmo destino. Este significado prevalece na nossa l\u00edngua, expresso pela palavra \u00abobrigado\u00bb. Assim, l\u00e1 onde e quando se pronunciar a palavra \u00abobrigado\u00bb estamos a empenhar o nosso pr\u00f3prio ser num v\u00ednculo com o outro, partilhando o seu mesmo destino, a sua condi\u00e7\u00e3o e situa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 onde isto existir haver\u00e1 tamb\u00e9m a paz. Dizer obrigado equivale, portanto, a dizer \u201csempre contigo\u201d.<\/li>\n<li>c) A terceira \u00e9 a palavra \u00abJesus\u00bb, o nome que tudo pode e tudo consegue. \u201cE tudo o que pedirdes em meu nome, Ele vo-lo conceder\u00e1\u00bb. Onde o nome de Jesus for pronunciado, uma for\u00e7a de paz se erguer\u00e1, pois, o \u00fanico som que se escutar ser\u00e1 o do coro dos anjos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Confiemos os destinos do mundo, o percurso das nossas vidas a peregrina\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria \u00e0 Virgem Santa Maria, M\u00e3e de Deus. Amen!<\/p>\n<p>Igreja Paroquial da P\u00f3voa de Santo Adri\u00e3o, 1 de janeiro de 2021<\/p>\n<p><em>D. Rui Val\u00e9rio, bispo das For\u00e7as Armadas e For\u00e7as de Seguran\u00e7a<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":195048,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[267,271],"class_list":["post-195047","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-natal","tag-ordinariato-castrense"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195047"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195047\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/195048"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}