{"id":194927,"date":"2021-01-03T09:30:33","date_gmt":"2021-01-03T09:30:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=194927"},"modified":"2020-12-31T02:27:55","modified_gmt":"2020-12-31T02:27:55","slug":"a-bussola-para-implementar-uma-cultura-do-cuidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-bussola-para-implementar-uma-cultura-do-cuidado\/","title":{"rendered":"A b\u00fassola para implementar uma cultura do cuidado"},"content":{"rendered":"<p>Pedro Vaz Patto, presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, comenta a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz, refere-se \u00e0s etapas finais da legisla\u00e7\u00e3o sobre a eutan\u00e1sia, a correntes populistas em Portugal, \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o em curso e ao drama em Cabo Delgado<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_194923\" aria-describedby=\"caption-attachment-194923\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-194923 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-194923\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia Ecclesia\/PR, Pedro Vaz Patto, presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\">Entrevista de Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ag\u00eancia Ecclesia)<\/p>\n<p><em>O Papa Francisco tem insistido na defesa da vacina\u00e7\u00e3o universal.\u00a0 Escreveu Francisco: \u201cRenovo o apelo aos respons\u00e1veis pol\u00edticos e ao setor privado para que tomem as medidas adequadas a garantir o acesso \u00e0s vacinas contra a Covid-19 e \u00e0s tecnologias essenciais necess\u00e1rias para dar assist\u00eancia aos doentes e a todos aqueles que s\u00e3o mais pobres e mais fr\u00e1geis\u201d. A Vacina para todos: um novo direito humano?<\/em><\/p>\n<p>De facto, o Papa tem insistido muito que a vacina chegue para todos, independentemente dos seus recursos econ\u00f3micos. E, nesta mensagem para o Dia Mundial da Paz, volta a reafirmar essa necessidade. Ali\u00e1s, al\u00e9m de ser uma quest\u00e3o de justi\u00e7a de direitos humanos &#8211; no fundo est\u00e1 em causa o direito \u00e0 vida, a prote\u00e7\u00e3o contra uma doen\u00e7a que pode ser mortal \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o um pouco racional porque uma pandemia s\u00f3 se combate na sua globalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pode haver uma esp\u00e9cie de solidariedade de interesses? <\/em><\/p>\n<p>De alguma maneira, sim: enquanto n\u00e3o desaparecer no mundo inteiro, h\u00e1 sempre o risco de se reativar a pandemia. Sobretudo no mundo atual, em que as fronteiras est\u00e3o cada vez mais dilu\u00eddas, tamb\u00e9m aqui n\u00f3s vemos que estamos todos no mesmo barco e que ningu\u00e9m se salva sozinho. N\u00e3o adianta que s\u00f3 determinadas pessoas se vacinem sozinhas.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o tem a ver com o bem comum, na perspetiva de que a pessoa, ao vacinar-se, n\u00e3o se\u00a0 est\u00e1 a proteger s\u00f3 a si pr\u00f3pria, est\u00e1 a proteger todas as pessoas \u00e0 sua volta, est\u00e1 a proteger a comunidade. Ent\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de altru\u00edsmo, esta a da vacina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Admite que haja uma solidariedade maior por parte dos mais ricos em favor dos mais pobres, como defende o Papa?<\/em><\/p>\n<p>Sim, porque se estiver dependente dos recursos dos pa\u00edses pobres eles poder\u00e3o n\u00e3o ter acesso \u00e0 vacina. Portanto, deve haver formas de financiar a aquisi\u00e7\u00e3o de vacinas por parte de pa\u00edses que n\u00e3o o possam fazer sozinhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A vacina\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses pobres, dos mais fr\u00e1geis &#8211; e pelo processo de vacina\u00e7\u00e3o em curso &#8211; parece que v\u00e3o ficar com os excedentes, com os restos. Teme que \u00e9 isso que aconte\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei o que vai suceder, mas tamb\u00e9m ouvi dizer que h\u00e1 uma alian\u00e7a para as vacinas, que, segundo as suas inten\u00e7\u00f5es, n\u00e3o deveriam ser os pobres os \u00faltimos a ser vacinados. Portanto, devia haver um certo equil\u00edbrio entre a popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 vacinada nos pa\u00edses mais ricos e a popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 vacinada nos pa\u00edses mais pobres. Sinceramente n\u00e3o sei como \u00e9 que o sistema funcionar\u00e1, mas a l\u00f3gica deve ser essa, de que n\u00e3o haja discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por falar em direitos&#8230;. N\u00e3o podemos esquecer o direito dos migrantes! E isso remete-nos para o que se passou no \u00faltimo m\u00eas de Mar\u00e7o nas instala\u00e7\u00f5es do SEF do aeroporto de Lisboa em que morreu \u00e0s m\u00e3os dos inspetores um cidad\u00e3o ucraniano.<\/em><\/p>\n<p><em>Como se explica que uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o grave s\u00f3 tenha ganho relev\u00e2ncia quase 9 meses depois de ter sucedido? A pandemia n\u00e3o explica tudo!<\/em><\/p>\n<p>Pois n\u00e3o sei. Impressionou-me o facto de, quando houve uma outra viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos nos Estados Unidos, que envolvia tamb\u00e9m uma atua\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia policial e de racismo, a rea\u00e7\u00e3o em todo o mundo foi imediata e tamb\u00e9m c\u00e1 em Portugal. Por contraste, aqui a rea\u00e7\u00e3o perante esta viola\u00e7\u00e3o igualmente grave foi muito t\u00e9nue. Compreendo que, num primeiro momento, as pessoas n\u00e3o soubessem exatamente o que se tinha passado e que aguardassem uma informa\u00e7\u00e3o segura sobre o que realmente se passou, mas foi de facto muito tempo, porque j\u00e1 havia ind\u00edcios seguros de que poderia haver aqui uma viola\u00e7\u00e3o grave dos direitos humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_194925\" aria-describedby=\"caption-attachment-194925\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-194925\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto2.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-194925\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia Ecclesia\/PR, Pedro Vaz Patto, presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>As consequ\u00eancias pol\u00edticas do que aconteceu foram fr\u00e1geis na sua opini\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos encarar esta quest\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista da estrat\u00e9gia pol\u00edtica, se o ministro se deve ou n\u00e3o demitir. Temos de refletir sobre como \u00e9 que, numa for\u00e7a policial, isto pode acontecer. Isto est\u00e1 para al\u00e9m at\u00e9 de um determinado ministro, de uma determinada personalidade pol\u00edtica. E quest\u00e3o pode-se encarar do ponto de vista do imediato, mas isto \u00e9 mais fundo, porque todo o cidad\u00e3o tem de ter confian\u00e7a na policia. A pol\u00edcia existe para defender os cidad\u00e3os, para defender os direitos humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pode ser necess\u00e1ria uma fus\u00e3o de policias ou uma revis\u00e3o de processo de atua\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sinceramente, eu n\u00e3o estudei essa quest\u00e3o, n\u00e3o estou a par para dizer se uma situa\u00e7\u00e3o como esta \u00e9 sistem\u00e1tica. Eu n\u00e3o tenho elementos que me permitam dizer isso. Isto tamb\u00e9m sucede noutras pol\u00edcias em Portugal. Nos tribunais sei tamb\u00e9m de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia policial da parte de v\u00e1rias pol\u00edcias sem que isso signifique que haja uma atua\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. Tamb\u00e9m vimos ainda recentemente da parte de um agente da PSP uma atitude louv\u00e1vel, heroica de defesa de uma v\u00edtima. E portanto, n\u00e3o podemos, a partir deste caso, generalizar e considerar que s\u00e3o todos os agentes do servi\u00e7o de estrangeiros e fronteiras respons\u00e1veis ou que em todos eles h\u00e1 o perigo de uma situa\u00e7\u00e3o como esta se poder verificar. N\u00e3o queria associar uma coisa \u00e0 outra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Eutan\u00e1sia<\/strong><\/p>\n<p><em>O Papa afirma que \u201co leme da dignidade da pessoa humana e a \u00abb\u00fassola\u00bb dos princ\u00edpios sociais fundamentais podem permitir-nos navegar com um rumo seguro e comum.<\/em><\/p>\n<p><em>A defesa da dignidade da pessoa humana, em Portugal, est\u00e1 marcada pelo processo legislativo em curso sobre a despenaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia. Qual deveria ser a decis\u00e3o do Presidente da Rep\u00fablica?<\/em><\/p>\n<p>O Presidente da Rep\u00fablica pode enviar a lei para o tribunal constitucional. H\u00e1 um princ\u00edpio que encabe\u00e7a o cat\u00e1logo dos direitos fundamentais que \u00e9 o princ\u00edpio da inviolabilidade da vida humana. Portanto, \u00e9 o primeiro artigo do cap\u00edtulo relativo aos direitos fundamentais. E quando se diz que \u00e9 inviol\u00e1vel n\u00e3o se estabelecem aqui exce\u00e7\u00f5es. E \u00e9 inviol\u00e1vel mesmo com o consentimento do titular da vida. Depois, h\u00e1 o veto pol\u00edtico que n\u00e3o impede que numa segunda vota\u00e7\u00e3o a lei seja aprovada. Ao contr\u00e1rio do que sucederia se a lei fosse declarada inconstitucional pelo tribunal Constitucional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas defenderia o veto de imediato ou o recurso ao Tribunal?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que se justificaria o recurso ao Tribunal Constitucional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tendo tudo isto de ser decidido com as elei\u00e7\u00f5es presid\u00eancias num horizonte muito pr\u00f3ximo, isso pode condicionar a participa\u00e7\u00e3o do Presidente da Rep\u00fablica neste processo?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei. Eu acho que n\u00e3o deveria ser assim, porque isto est\u00e1 para al\u00e9m da quest\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o pode ser um c\u00e1lculo pol\u00edtico. \u00c9 evidente que uma decis\u00e3o como esta n\u00e3o agrada a todos. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que divide a sociedade portuguesa, mas os pol\u00edticos tem de tomar decis\u00f5es como estas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos num processo legislativo quase no final, mas ainda assim a campanha das presidenciais deveria debater em profundidade este assunto? <\/em><\/p>\n<p>Sinceramente, eu acho que a sede pr\u00f3pria para debater este assunto deveria ter sido nas elei\u00e7\u00f5es legislativas, porque em \u00faltima an\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 o Presidente da Rep\u00fablica quem decide esta quest\u00e3o, s\u00e3o os deputados. E a\u00ed sim, pode-se criticar os partidos que agora votam esta lei e n\u00e3o discutiram esta quest\u00e3o na campanha para as elei\u00e7\u00f5es legislativas. Os dois maiores partidos n\u00e3o tomaram posi\u00e7\u00e3o, e isso at\u00e9 um motivo que justificaria um referendo. N\u00e3o me parece que uma quest\u00e3o t\u00e3o importante se possa fazer sem que tenha sido discutida no \u00e2mbito da campanha eleitoral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Perigos dos populismos<\/strong><\/p>\n<p><em>O Papa sugere \u201ca cultura do cuidado para erradicar a cultura da indiferen\u00e7a\u201d. Mas a cultura da indiferen\u00e7a \u00e9 abalada sobretudo pela cultura dos populismos. \u00c9 um problema que amea\u00e7a as democracias?<\/em><\/p>\n<p>O Papa Francisco, nesta mensagem, fala da cultura do cuidado e explica o que \u00e9 esta cultura do cuidado. Tem um sentido de solicitude, apoio, acolhimento. \u00c9 algo que n\u00f3s habitualmente associamos mais ao \u00e2mbito familiar, pessoal, ao \u00e2mbito da sa\u00fade. H\u00e1 pouco fal\u00e1vamos da eutan\u00e1sia por contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 eutan\u00e1sia temos os cuidados paliativos. A linha da mensagem \u00e9 que esta atitude de cuidar deve alargar-se a todo o \u00e2mbito da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E essa tamb\u00e9m \u00e9 a proposta da nota da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz na nota que publica a prop\u00f3sito da mensagem?<\/em><\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o habitualmente costuma publicar uma nota em que real\u00e7a alguns aspetos da mensagem do Papa e aqueles que nos parecem significativos tamb\u00e9m para a nossa atualidade portuguesa. E, portanto, os perigos dos populismos ou nacionalismo numa perspetiva de exalta\u00e7\u00e3o dos valores nacionais n\u00e3o pela positiva mas pela negativa, isto \u00e9, pela hostilidade ao outro ou ao estrangeiro, isso vai contra a cultura do cuidado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em Portugal v\u00ea sinais de riscos desse populismo?<\/em><\/p>\n<p>Durante bastante tempo &#8211; e eu estive at\u00e9 em reuni\u00f5es com representantes de comiss\u00e3o justi\u00e7a e paz de outros pa\u00edses em que este fen\u00f3meno existia, quer na europa ocidental, quer na europa de leste &#8211; dizia com orgulho que em Portugal isto n\u00e3o sucedia. Hoje em dia n\u00e3o posso dizer isso.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco referimos uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, de um homic\u00eddio de um cidad\u00e3o estrangeiro&#8230; Enfim, n\u00e3o podemos dizer que h\u00e1 aqui uma motiva\u00e7\u00e3o racista e xen\u00f3foba, mas o que \u00e9 certo \u00e9 que era um estrangeiro. E isto de facto contraria aquela vis\u00e3o tradicional que n\u00f3s t\u00ednhamos e continuamos a dizer que somos um povo pacifico e acolhedor. \u00c9 bom que isso continue a ser assim, e nem sempre \u00e9 assim. \u00c1s vezes tamb\u00e9m \u00e9 um pouco uma apar\u00eancia. Quer dizer: h\u00e1 certas coisas que as pessoas n\u00e3o dizem publicamente mas s\u00e3o capazes de confessar ao vizinho. N\u00e3o dizem alto aquilo que pensam baixo. E \u00e0s vezes pode vir ao de cima este fen\u00f3meno como sucede em rela\u00e7\u00e3o a minorias \u00e9tnicas, como os ciganos. Eu n\u00e3o vou dizer que este acolhimento para com o diferente, o estrangeiro, em rela\u00e7\u00e3o aos ciganos em Portugal, tamb\u00e9m n\u00e3o se verifica, embora seja um fen\u00f3meno que n\u00e3o tem vindo ao de cima muitas vezes. Seria bom que isso n\u00e3o viesse a suceder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas no panorama pol\u00edtico, a subida de correntes populistas, nomeadamente em sondagens, surpreende-o?<\/em><\/p>\n<p>Surpreende-me! Eu estava habituado, no confronto com outros pa\u00edses, a apresentar Portugal como uma situa\u00e7\u00e3o modelar quase, nesse aspeto surpreende. Mas no fundo, tamb\u00e9m n\u00e3o podemos dizer que somos imunes \u00e1quilo que sucede nos outros pa\u00edses. E tamb\u00e9m n\u00e3o somos assim t\u00e3o diferentes como isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_194924\" aria-describedby=\"caption-attachment-194924\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-194924\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto3-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto3-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Pedro-Vaz-Patto3.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-194924\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia Ecclesia\/PR, Pedro Vaz Patto, presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A cultura do cuidado<\/strong><\/p>\n<p><em>O Papa sugere tamb\u00e9m, na mensagem, a necessidade de promover a \u201cgram\u00e1tica\u201d do cuidado: \u201ca promo\u00e7\u00e3o da dignidade de toda a pessoa humana, a solidariedade com os pobres e indefesos, a solicitude pelo bem comum e a salvaguarda da cria\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 uma proposta contr\u00e1ria ao rumo da hist\u00f3ria? A pandemia recentrou o mundo nesta gram\u00e1tica do cuidado sugerida pelo Papa?<\/em><\/p>\n<p>O Papa usa a imagem da b\u00fassola. Estes s\u00e3o quatro princ\u00edpios da Doutrina Social da Igreja: a dignidade da pessoa humana, o bem comum, a solidariedade e o cuidado com a cria\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os princ\u00edpios que o Papa indica como orienta\u00e7\u00e3o para um novo rumo da globaliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os alicerces da Doutrina Social da Igreja, que valem como princ\u00edpios de direito natural e podem ser partilhados por pessoas de v\u00e1ria convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A pandemia veio por em evid\u00eancia a import\u00e2ncia destes princ\u00edpios: vemos como se aplaude o facto de um idoso com mais de 90 anos ser vacinado. E leio isto no sentido de que a vida desta pessoa tem um valor que n\u00e3o esmorece, n\u00e3o perde valor pelo facto de estar na \u00faltima fase da vida (o que tamb\u00e9m ter a ver com a eutan\u00e1sia). A vida \u00e9 sempre preciosa. Por isso mesmo, devemos aceitar consequ\u00eancias negativas que vieram das estrat\u00e9gias seguidas para combater a pandemia. N\u00e3o vou dizer se tudo foi correto ou n\u00e3o, mas que o valor da vida seja superior ao valor da economia, \u00e9 importante que a pandemia nos tenha lembrado isso. E a import\u00e2ncia do bem comum: novamente aquela imagem: estamos todos no mesmo barco, ningu\u00e9m se salva sozinho&#8230;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa fala-nos tamb\u00e9m sobre \u201cComo seria corajosa a decis\u00e3o de criar \u00abum \u201cFundo mundial\u201d com o dinheiro que se gasta em armas e outras despesas militares, para poder eliminar a fome e contribuir para o desenvolvimento dos pa\u00edses mais pobres\u00bb! \u2013 Esta \u00e9 uma utopia, ou algo com que se pode continuar a sonhar?<\/em><\/p>\n<p>O Papa volta a falar nesta proposta, que lan\u00e7ou na enc\u00edclica \u2018Fratelli Tutti\u2019.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas propostas que, quando foram lan\u00e7adas eram utopias e, passado algum tempo, verificamos que eram prof\u00e9ticas, porque apontavam um caminho novo, o mais correto.<\/p>\n<p>Se formos ver o que se poderia poupar com a diminui\u00e7\u00e3o de despesas em armamento, e o Papa fala em particular do armamento nuclear tamb\u00e9m pelos perigos que envolve, isso seria mais do que suficiente para combater a fome.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, a corrida aos armamentos estava associada a uma divis\u00e3o do mundo em blocos, que j\u00e1 n\u00e3o existe. Mas seria de esperar que as transforma\u00e7\u00f5es que aconteceram nesse \u00e2mbito (a queda do Muro de Berlim, etc) se viessem a traduzir numa diminui\u00e7\u00e3o das despesas com armamento. E n\u00e3o \u00e9 isso que se tem verificado. H\u00e1 aqui um aspeto de alguma irracionalidade que leva a que estas despesas n\u00e3o se justifiquem por uma estrat\u00e9gia de leg\u00edtima defesa, porque v\u00e3o al\u00e9m do que seria necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O drama de Cabo Delgado<\/p>\n<p><em>Nos \u00faltimos anos a regi\u00e3o de Cabo Delgado, no norte de Mo\u00e7ambique tem sido fustigada pelo terrorismo. Com a comunidade internacional praticamente anestesiada, em cerca de 3 anos j\u00e1 se registaram mais de 2 mil mortes e cerca de meio milh\u00e3o de refugiados. <\/em><\/p>\n<p><em>Era de esperar uma interven\u00e7\u00e3o da Europa mais determinada? <\/em><\/p>\n<p>Da Europa e da comunidade em geral.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz publicou uma nota sobre este drama, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 de agora, embora nos \u00faltimos tempos se tenha acentuado, fazendo uma reflex\u00e3o sobre qual a import\u00e2ncia que damos ao que se passa em \u00c1frica. Quando h\u00e1 um atentado terrorista na Europa a rea\u00e7\u00e3o de indigna\u00e7\u00e3o \u00e9 muito maior do que a que estamos a assistir em rela\u00e7\u00e3o a Cabo Delgado, com consequ\u00eancias muito mais graves do que se tem verificado com o terrorismo na Europa (o que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o se justifiquem as a\u00e7\u00f5es de indigna\u00e7\u00e3o quando h\u00e1 atentados terroristas na Europa). Em Mo\u00e7ambique, \u00e9 uma multiplica\u00e7\u00e3o do que se verifica na Europa. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pela dist\u00e2ncias f\u00edsica. H\u00e1 pouco falava do que se passou nos Estados Unidos e teve uma repercuss\u00e3o mundial. E \u00e9 bom que isso sueda, que as pessoas vivam como se sucedesse \u00e0 sua porta o que se passa noutros pa\u00edses. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que se est\u00e1 a verificar neste caso. Agora estamos a come\u00e7ar a reagir e ainda abem que assim \u00e9. Mas isto tem de chegar aos respons\u00e1veis pol\u00edticos.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A Presid\u00eancia portuguesa da Uni\u00e3o Europeia \u2013 face \u00e0 liga\u00e7\u00e3o do nosso pa\u00eds a Mo\u00e7ambique \u2013 poder\u00e1 dar mais visibilidade ao problema e por conseguinte ser mais determinante na procura de solu\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Isso \u00e9 providencial. Pode ser de facto uma oportunidade porque os deputados portugueses no Parlamento Europeu, de todos os partidos, t\u00eam demonstrado uma sensibilidade por esta quest\u00e3o que n\u00e3o existe noutros pa\u00edses, especialmente pelos la\u00e7os culturais e hist\u00f3ricos que temos com Mo\u00e7ambique. Mas, mesmo que n\u00e3o fosse um pa\u00eds de l\u00edngua portuguesa, a situa\u00e7\u00e3o seria grave. Em \u00c1frica h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que se verificam noutros pa\u00edses que n\u00e3o s\u00e3o de l\u00edngua portuguesa e justificam uma maior aten\u00e7\u00e3o da comunidade internacional. Por exemplo, algumas epidemias que s\u00e3o mais mort\u00edferas do que a da Covid, embora n\u00e3o tenham a dimens\u00e3o mundial que tem a do coronav\u00edrus, mas tem consequ\u00eancias muito graves, \u00e0s vezes at\u00e9 desconhecidas dos europeus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que espera para o ano de 2021? O Papa manifesta ainda o desejo de que \u201co ano de 2021 fa\u00e7a a humanidade progredir no caminho da fraternidade, da justi\u00e7a e da paz entre as pessoas, as comunidades, os povos e os Estados\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Devemos procurar sempre recolher das trag\u00e9dias o que da\u00ed possa surgir de positivo. Pode ser uma li\u00e7\u00e3o, apesar de todas as consequ\u00eancia negativas&#8230; Da\u00ed podemos retirar alguma coisa de positivo. Deve ser isso o que o Papa pretende: nesta situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita para todos, que isto sirva para refletirmos sobre vulnerabilidade do ser humano, a sua fragilidade, a import\u00e2ncia do cuidado. E o que tem sucedido deve levar-nos a valorizar as profiss\u00f5es ligadas ao cuidado, a sa\u00fade, a assist\u00eancia aos idosos, etc. Esta pode ser uma das li\u00e7\u00f5es a tirar, porque nem sempre s\u00e3o valorizadas estas profiss\u00f5es, em detrimento doutras, mais rent\u00e1veis. O valor da vida humana tamb\u00e9m deveria estar mais em relevo. E depois a oportunidade que existe de reconstruir a sociedade e a economia sobre novas bases que sejam mais justas e mais respeitadoras do ambiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Vaz Patto, presidente da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, comenta a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz, refere-se \u00e0s etapas finais da legisla\u00e7\u00e3o sobre a eutan\u00e1sia, a correntes populistas em Portugal, \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o em curso e ao drama em Cabo Delgado<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":194924,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[134],"class_list":["post-194927","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-cnjp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194927\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/194924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}