{"id":194837,"date":"2020-12-30T11:23:03","date_gmt":"2020-12-30T11:23:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=194837"},"modified":"2020-12-30T11:23:03","modified_gmt":"2020-12-30T11:23:03","slug":"saber-aprender-o-que-representa-o-s","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-o-que-representa-o-s\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; O que representa o S."},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Quando era crian\u00e7a, o S representava o s\u00edmbolo do Super-Homem, um mundo de her\u00f3is, fantasia e repleto de imagina\u00e7\u00e3o. Quando entrei na Universidade em Engenharia Mec\u00e2nica, o S passou a representar a entropia de um sistema. Hoje, ao aproximarmo-nos do final do ano mais at\u00edpico que alguma vez vivi e, talvez, a maior parte de n\u00f3s, o S representa um <em>Sim<\/em>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_194839\" aria-describedby=\"caption-attachment-194839\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/S-ecclesia.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194839\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/S-ecclesia.jpeg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/S-ecclesia.jpeg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/S-ecclesia-400x225.jpeg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/S-ecclesia-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/S-ecclesia-768x432.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/S-ecclesia-1080x608.jpeg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/S-ecclesia-980x551.jpeg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/S-ecclesia-480x270.jpeg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-194839\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Jason Dent em unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando era mi\u00fado, muita coisa girava em torno da minha vontade. Quando estava na Universidade, comecei a perceber que existe, tamb\u00e9m, a vontade dos outros. Mas nesta fase mais adulta da vida, entendo que a \u00fanica vontade sobre a qual vale a pena assentar os \u201cSim\u201ds da vida com real valor \u00e9 a Vontade de Deus. \u00c9 sobre esse prisma que o \u201cS\u201d pode assumir significados que me ajudam a reflectir sobre o ano da pandemia que muitos desejam esquecer, mas cuja mem\u00f3ria das li\u00e7\u00f5es que nos trouxe parece-me importante guardar na mente e no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Seria totalmente impens\u00e1vel no final de 2019 imaginar o que viver\u00edamos em 2020. No dia 30 de dezembro de 2019, j\u00e1 sab\u00edamos da exist\u00eancia de uma pandemia, mas est\u00e1vamos longe de imaginar que essa alteraria o curso da nossa hist\u00f3ria. Quantos sonhos foram adiados, projectos alterados ou abdicados, modos de ser e estar que se alteraram, e quando a relacionalidade faz parte do n\u00facleo central do viver humano, vimos a necessidade do distanciamento f\u00edsico como um dos maiores desafios \u00e0 cultura social. Em 2020, a humanidade teve de se re-inventar e ao pensar no Sim a Deus que podemos dar com a nossa vida, vieram-me \u00e0 mem\u00f3ria tr\u00eas S\u2019s.<\/p>\n<p>De facto, o S representa a entropia de um sistema que na linguagem mais acess\u00edvel \u00e0 compreens\u00e3o humana se traduz no seu estado de desordem. Quanto maior o caos de um sistema, maior a desordem, e maior \u00e9 a sua entropia. Por isso, como \u00e9 poss\u00edvel que haja sequer ordem? Pode surgir ordem a partir do caos? Sim.<\/p>\n<p>\u00c0 ordem a partir do caos que gera vida, o f\u00edsico <a href=\"http:\/\/amicimaras.com\/piero\">Piero Pasolini<\/a> chamava de <em>Sintropia<\/em>. \u00c9 como se houvesse um lado da vida que contradiz a desordem que dela faz parte. Este ano sentimos um aumento da desordem a v\u00e1rios n\u00edveis (pol\u00edtico, social, ambiental, etc.), mas sobretudo ao n\u00edvel da vida das nossas fam\u00edlias com toda a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 nova situa\u00e7\u00e3o. Mas quanta vida n\u00e3o surgiu da\u00ed. Quantos actos de amor para levar p\u00e3o a quem n\u00e3o o podia comprar, ou um computador a quem precisava para continuar a aprender, e quantos encontros feitos remotamente que, se fossem presencialmente, estariam muito limitados pela dif\u00edcil conson\u00e2ncia de disponibilidades.<\/p>\n<p><em>Primeiro S: Sintropia.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Uma outra experi\u00eancia que adveio da fase de confinamento foi a diminui\u00e7\u00e3o de alguns ritmos. Antes and\u00e1vamos de carro de um lado para o outro, sempre sem tempo, a atender isto e aquilo, este e aquele, dando uma din\u00e2mica \u00e0 nossa vida que entrava no eixo da Grande Acelera\u00e7\u00e3o que o mundo tem sentido com a actividade humana desde os anos de 1950.<\/p>\n<p>O confinamento fez com que o carro ficasse a maior parte do tempo na garagem ou exterior, mas parado. Os ritmos em algumas frentes desaceleraram, e quando sa\u00edmos do confinamento senti uma necessidade inexplic\u00e1vel de conduzir mais lentamente, criando, interiormente, a ades\u00e3o a um <em>Slow Drive Movement<\/em> \u2014 Movimento da Condu\u00e7\u00e3o Lenta. E de cada vez que come\u00e7ava a acelerar, lembrava-me da ades\u00e3o, travava, e o resultado era uma maior calma a falar, a reagir, dedicando mais tempo ao que realmente tem valor. <em>Slow<\/em> \u00e9 a palavra em ingl\u00eas para o que poderia ser um segundo S, mas em portugu\u00eas, o segundo S, atrav\u00e9s da lentid\u00e3o, revelou-se como <em>Solenidade.<\/em><\/p>\n<p>Fazer as coisas com mais calma, e bem, porque desejamos saborear cada momento que temos, por estarmos vivos, por superarmos cada dificuldade quando tantos sofrem com esta pandemia, tornava cada instante um momento <em>solene<\/em> de gratid\u00e3o a Deus e \u00e0 Sua vontade no presente.<\/p>\n<p><em>Segundo S: Solenidade.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Por fim, penso que durante o per\u00edodo de confinamento, muitos sentiram que o som das nossas cidades se alterou quando deixaram de circular carros como antes. Experiment\u00e1mos o <em>sil\u00eancio.<\/em><\/p>\n<p>A az\u00e1fama da vida, e a enganadora sensa\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o que as redes sociais nos podem dar, haviam retirado, gradualmente, e sem nos darmos muito conta disso, os espa\u00e7os de sil\u00eancio. Apesar de ser por meio da dor de uma pandemia, na nossa vida, o sil\u00eancio voltou a encontrar um espa\u00e7o. Mas nem todos se deram bem com isso.<\/p>\n<p>De facto, o sil\u00eancio revela-nos a nossa maior ou menor capacidade de estarmos junto com os nossos pensamentos em <em>solitude.<\/em> O sil\u00eancio \u00e9 uma pr\u00e1tica de escuta do nosso interior e muitos receiam esse encontro dentro de si por poderem n\u00e3o gostar do que ir\u00e3o encontrar. Talvez mais vazio do que pensavam. Talvez mais confuso do que gostariam. Talvez mais cheio do que devia estar.<\/p>\n<p><em>Terceiro S: Sil\u00eancio<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Ao reflectir sobre o ano de 2020, muitos poder\u00e3o centrar a sua aten\u00e7\u00e3o em outros S\u2019s como o Stress, e a Satura\u00e7\u00e3o, por n\u00e3o concordarem com todas as precau\u00e7\u00f5es que estamos a tomar. Mas todos reconhecemos a import\u00e2ncia da <em>sa\u00fade<\/em>, da <em>seguran\u00e7a<\/em> para os pr\u00f3ximos tempos, e da <em>simplicidade<\/em> para nos mantermos atentos \u00e0 vontade de Deus e ao que Ele nos quer dizer.<\/p>\n<p>Chegar\u00e1 o tempo de <em>sair<\/em> e <em>saudar<\/em> com os abra\u00e7os e beijos que <em>saciam<\/em> a <em>saudade<\/em> do encontro f\u00edsico, <em>sentido<\/em> e <em>sincero<\/em>. Nesse <em>sentido<\/em>, conv\u00e9m lembrar da import\u00e2ncia de tornar mais flex\u00edveis e adapt\u00e1veis os nossos prop\u00f3sitos para o Novo Ano de 2021. Por vezes, queremos tanto uma coisa que esquecemos sempre a mais essencial: querer o que Deus quer. Pois, na Sua vontade encontramos <em>sempre<\/em>, o sentido e <em>significado<\/em> da esperan\u00e7a que nos move a dar o pr\u00f3ximo passo com <em>sabedoria.<\/em> Aquele passo ritmado pela melodia em <em>Sim<\/em> Maior escrita em clave de <em>Sol<\/em> de Deus que nos ilumina por dentro, de modo a que a nossa vida seja cada vez mais plena e profunda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-194837","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194837"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194837\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}