{"id":194659,"date":"2020-12-27T12:08:59","date_gmt":"2020-12-27T12:08:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=194659"},"modified":"2020-12-27T12:08:59","modified_gmt":"2020-12-27T12:08:59","slug":"homilia-do-bispo-de-beja-no-dia-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-beja-no-dia-de-natal\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Beja no Dia de Natal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Iluminados pela gl\u00f3ria de Cristo<\/strong><\/p>\n<p>1 &#8211; A solenidade do Natal marca, liturgicamente, o in\u00edcio do Novo Testamento. Como sabeis, no Antigo Testamento, o texto b\u00edblico mais rezado e usado \u00e9 o <em>Escuta Israel<\/em>. Escutar \u00e9 fundamental para que haja f\u00e9 e esperan\u00e7a. Escutar cria em n\u00f3s um dinamismo que nos p\u00f5e a caminho. No Novo Testamento, como ensina S\u00e3o Paulo, a f\u00e9 crist\u00e3 nasce tamb\u00e9m de escutar. Mas a\u00ed vemos aparecer, com grande for\u00e7a, o verbo <em>ver<\/em>. Aquele Menino nascido em Bel\u00e9m, contemplado pelos pastores e pelos magos, \u00e9 verdadeiramente Deus feito homem. Quem O escuta, a Deus escuta; quem O v\u00ea, v\u00ea Deus.<\/p>\n<p>Ver Deus? <em>A Deus ningu\u00e9m O viu,<\/em> ouvimos h\u00e1 momentos na leitura do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o. E, no entanto, no quarto Evangelho, ver \u00e9 sin\u00f3nimo de acreditar.<\/p>\n<p>Que significa para n\u00f3s hoje, <em>ver a\u00a0 gl\u00f3ria de Deus<\/em>? Que significou para o povo de Israel, no tempo do profeta Isa\u00edas, esta express\u00e3o fort\u00edssima da primeira leitura <em>as sentinelas veem com seus pr\u00f3prios olhos a Deus que regressa para Si\u00e3o?<\/em> Se \u00e9 verdade que ningu\u00e9m pode <em>ver<\/em> Deus, como \u00e9 que algu\u00e9m p\u00f4de escrever estas palavras?<\/p>\n<p>2 \u2013 Queridos irm\u00e3os: ouvimos no Evangelho proclamado h\u00e1 momentos: <em>O Verbo fez-Se carne e habitou entre n\u00f3s. E n\u00f3s vimos a sua gl\u00f3ria<\/em>. Nestas palavras do pr\u00f3logo do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o se condensa a revela\u00e7\u00e3o da identidade de Jesus. Ele, a palavra do Pai, fez-Se homem e veio ao mundo, para nos salvar das trevas da morte e do pecado, e nos revelar a Sua gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mas o que significa a palavra <em>gl\u00f3ria<\/em>? Que significa hoje para n\u00f3s a <em>vis\u00e3o da gl\u00f3ria<\/em> do Senhor Jesus Cristo? H\u00e1 duas palavras que expressam o significado de <em>gl\u00f3ria<\/em>. A primeira \u00e9 <em>esplendor, beleza<\/em>. A segunda tem a ver com <em>peso,<\/em> import\u00e2ncia, poder. Assim quando dizemos: <em>O Verbo fez-Se carne e habitou entre n\u00f3s. E n\u00f3s vimos a sua gl\u00f3ria<\/em>, proclamamos a experi\u00eancia que temos da import\u00e2ncia, do <em>peso,<\/em> e tamb\u00e9m da maravilhosa beleza que \u00e9 vivermos com Deus feito homem, com Deus que armou a Sua tenda no meio de n\u00f3s. Pela f\u00e9, n\u00f3s vemos a Sua gl\u00f3ria, a gl\u00f3ria do Filho, cheio de Gra\u00e7a e de\u00a0 Verdade. Pela f\u00e9, n\u00f3s reconhecemos que Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 a Palavra do Pai, o Filho de Deus, por meio do Qual criou o Universo, e a Quem constituiu Herdeiro de todas as coisas. Como afirmou de Si mesmo, n\u00f3s acreditamos que Ele \u00e9 a Luz do mundo, Ele \u00e9 o Caminho, a Verdade e a Vida. Deixemo-nos seduzir por Ele, pelo esplendor da sua beleza. A f\u00e9 em Jesus tem a ver com o deslumbramento, com o entusiasmo. Deixemo-nos tamb\u00e9m subjugar pelo seu peso, pela sua import\u00e2ncia, pois <em>todo o poder Lhe foi dado no C\u00e9u e na terra, e o nosso aux\u00edlio vem do Senhor. S\u00f3 do Senhor.<\/em><\/p>\n<p>3 &#8211; Ouv\u00edamos na segunda leitura, da carta aos Hebreus, que <em>Jesus \u00e9 o resplendor da gl\u00f3ria do Pai e a imagem da Sua subst\u00e2ncia<\/em>. A revela\u00e7\u00e3o essencial do Novo Testamento \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o entre a gl\u00f3ria de Deus e a pessoa de Jesus. Aquele Menino nascido em Bel\u00e9m, numa gruta, por n\u00e3o ter lugar na estalagem, aquele Pregador tantas vezes desprezado por dizer a Verdade, Aquele Homem que morre crucificado no Calv\u00e1rio carregando com os pecados do mundo, \u00e9 o mesmo que alguns disc\u00edpulos viram glorioso no monte Tabor e contemplaram ressuscitado e subindo ao C\u00e9u cheio de gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u2019Ele se manifestou para n\u00f3s a gl\u00f3ria do Pai, a Sua ess\u00eancia e a Sua maneira de agir. Quem O v\u00ea, v\u00ea o Pai, quem acredita n\u2019Ele \u00e9 no Pai que acredita. Quem O segue, porque n\u2019Ele v\u00ea o Bom Pastor, \u00e9 ao Pai que est\u00e1 seguindo. E quem O ama, \u00e9 ao pr\u00f3prio Pai que est\u00e1 amando, porque os dois s\u00e3o um s\u00f3. N\u00f3s contemplamos a sua gl\u00f3ria sobretudo quando O vemos levantado na cruz, sofrendo inocente e morrendo por n\u00f3s pecadores. \u00c9 d\u2019Ele, a Quem nos unimos pela Profiss\u00e3o de F\u00e9 no Batismo, que recebemos a honra e a gl\u00f3ria de sermos<em> ra\u00e7a eleita, na\u00e7\u00e3o santa, participantes do Seu Sacerd\u00f3cio Real e povo de Sua particular propriedade.<\/em><\/p>\n<p>A consci\u00eancia da gl\u00f3ria de Cristo, que nos \u00e9 revelada pelo Esp\u00edrito Santo, cria em n\u00f3s crist\u00e3os o sentimento da <em>dignidade e da honra <\/em>pr\u00f3prias da nossa condi\u00e7\u00e3o de filhos adotivos de Deus. Somos crist\u00e3os, fomos libertados da escravid\u00e3o do pecado, para sermos o <em>louvor da Sua gl\u00f3ria, o louvor da gl\u00f3ria do Senhor. <\/em><\/p>\n<p>4 \u2013 A ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3, este virmos \u00e0 presen\u00e7a de Deus, deve provocar em n\u00f3s a admira\u00e7\u00e3o, o entusiasmo e a gratid\u00e3o pr\u00f3prios de quem, embora se reconhe\u00e7a indigno, tem a certeza de ser amado pelo Senhor, por se relacionar com a Sua Santidade e a Sua Gl\u00f3ria. E se \u00e9 aut\u00eantica a nossa ora\u00e7\u00e3o, ela dar\u00e1 forma a todos os nossos comportamentos. Aquele <em>Amen<\/em> com que se conclui, na Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, a oferta de toda a honra e toda a gl\u00f3ria e o oferecimento de n\u00f3s mesmos ao Pai, por Cristo, com Cristo e em Cristo, na unidade do Esp\u00edrito Santo, devemos traduzi-lo no nosso agir, no fazermos a vontade de Deus, em cada dia. Quem \u00e9 crist\u00e3o, n\u00e3o faz a sua vontade mas a vontade de Deus; e porque espera ser glorificado com Cristo, une-se a Ele e n\u00e3o busca a pr\u00f3pria gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Vivamos, queridos irm\u00e3os, iluminados pela gl\u00f3ria de Cristo que nos dignifica. A mentalidade desta sociedade materialista torna-nos muito sens\u00edveis \u00e0 quantidade e \u00e0 qualidade dos bens que consumimos, e muito menos \u00e0 qualidade dos relacionamentos que temos uns com os outros, com as coisas e com Deus. Parece que cada um defende a sua dignidade lutando contra os outros que v\u00ea, tantas vezes, mais como inimigos do que como irm\u00e3os. E como os bens materiais se compram com dinheiro e o dinheiro se ganha trabalhando, muitos renunciam, caladamente, a relacionar-se com Deus. Para Jesus, que nos revela o Pai e nos d\u00e1 a conhecer a n\u00f3s pr\u00f3prios a nossa identidade, continua a <em>n\u00e3o haver lugar na hospedaria. <\/em><\/p>\n<p>5 &#8211; Contemplemos, queridos irm\u00e3os, Jesus nascido no pres\u00e9pio, por nosso amor, pedindo-nos lugar para habitar connosco, para fazer chegar at\u00e9 n\u00f3s a Sua salva\u00e7\u00e3o. Na medida em que O recebemos, juntamos o nosso pequeno espa\u00e7o aos muitos espa\u00e7os que, por toda a terra, os crist\u00e3os Lhe oferecem. E com os olhos iluminados pela f\u00e9, vejamos para al\u00e9m do que se pode ver naturalmente. Contemplemo-l\u2019O presente em cada irm\u00e3o, tamb\u00e9m e sobretudo naqueles cujos sofrimentos nos incomodam. Como diremos daqui a momentos, no pref\u00e1cio da Missa, Ele nos conceda<em> que contemplando a Deus vis\u00edvel aos nossos olhos, sejamos arrebatados no amor do que \u00e9 invis\u00edvel<\/em>.<\/p>\n<p><em>Sejamos arrebatados no amor do que \u00e9 invis\u00edvel. <\/em><\/p>\n<p><em>No amor do que \u00e9 invis\u00edvel, <\/em>mas que, pela f\u00e9, pela esperan\u00e7a e pela caridade, se vai tornando vis\u00edvel para os olhos daqueles que acreditam.<\/p>\n<p>S\u00e9 de Beja, 25 de dezembro de 2020<\/p>\n<p><em>D. Jo\u00e3o Marcos, bispo de Beja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":193903,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171,267],"class_list":["post-194659","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194659"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194659\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/193903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}