{"id":194657,"date":"2020-12-25T00:02:47","date_gmt":"2020-12-25T00:02:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=194657"},"modified":"2020-12-27T12:04:09","modified_gmt":"2020-12-27T12:04:09","slug":"homilia-do-bispo-de-beja-na-missa-da-noite-do-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-beja-na-missa-da-noite-do-natal\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Beja na Missa da Noite do Natal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Manifestou-se a Gra\u00e7a de Jesus Cristo<\/strong><\/p>\n<p>1<em> \u2013 <\/em>\u00c9 noite de Natal.<\/p>\n<p>Por miseric\u00f3rdia de Deus celebramos, nesta data, o acontecimento central da Hist\u00f3ria da Humanidade: o Nascimento, no mundo, de Deus feito homem. A partir desse facto ocorrido h\u00e1 dois mil anos em Bel\u00e9m da Judeia, o Filho de Deus vive entre n\u00f3s, caminha connosco como Bom Pastor que nos conduz para a casa do Pai.<\/p>\n<p>Come\u00e7\u00e1mos a Liturgia da Palavra desta Celebra\u00e7\u00e3o escutando estas palavras da profecia de Isa\u00edas:<em> O povo que andava nas trevas viu uma grande luz<\/em>. Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s: n\u00f3s somos esse povo que andava nas trevas. Hoje mesmo, para chegarmos aqui, caminh\u00e1mos na escurid\u00e3o da noite. Mas as trevas de que fala a palavra de Deus n\u00e3o s\u00e3o certamente a escurid\u00e3o f\u00edsica que o sol todos os dias vence ao nascer. Quais s\u00e3o as trevas nas quais temos caminhado com ang\u00fastia? O medo do cont\u00e1gio da pandemia, os dist\u00farbios sociais, a fome e as outras consequ\u00eancias negativas desta situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil que atravessamos?\u00a0 Certamente. Mas todas essas situa\u00e7\u00f5es se podem resumir no medo que temos de morrer.<\/p>\n<p>Mais \u00e0 frente, o profeta tenta descrever a alegria imensa que essa luz provoca no cora\u00e7\u00e3o daqueles que andavam nas trevas.<em> Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam em vossa presen\u00e7a como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos<\/em>. E continua falando da destrui\u00e7\u00e3o de um jugo que pesava sobre o povo e do fim vitorioso de uma guerra. Mas a causa dessa alegria incontida \u00e9, surpreendentemente, o nascimento de um menino da descend\u00eancia de David.<\/p>\n<p>Esse menino foi, naquele tempo long\u00ednquo, sinal de esperan\u00e7a para o povo de Israel. Mas era figura prof\u00e9tica e imagem de Cristo nosso Senhor, nascido em Bel\u00e9m h\u00e1 dois mil anos e nascido hoje em nossos cora\u00e7\u00f5es. Alegremo-nos, portanto, irm\u00e3os e irm\u00e3s, pois esta palavra do Senhor se cumpre em n\u00f3s, aqui e agora. Cristo vem libertar-nos da escravid\u00e3o do pecado, que \u00e9 o aguilh\u00e3o da morte, vem libertar-nos do medo de morrer que \u00e9 fruto do pecado. A grande luz que Ele faz brilhar para n\u00f3s \u00e9 o Kerigma, \u00e9 o an\u00fancio da Sua vit\u00f3ria sobre a morte, e as consequ\u00eancias dessa luz naqueles que a recebem com f\u00e9: a alegria aut\u00eantica, a verdadeira sa\u00fade do corpo e do Esp\u00edrito, a Vida e a Paz interior, a Vida Crist\u00e3 recebida e cultivada por tantos milh\u00f5es de fi\u00e9is, ou seja, a Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2 \u2013 O aparecimento desta luz \u00e9 apresentado por S\u00e3o Paulo, na segunda leitura, como a manifesta\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a de Deus, fonte de salva\u00e7\u00e3o para todos os homens. E S\u00e3o Jo\u00e3o escreve no pr\u00f3logo do seu Evangelho: <em>se a lei foi dada por meio de Mois\u00e9s, a gra\u00e7a e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. <\/em>Celebrar o nascimento de Jesus \u00e9 dar espa\u00e7o, em nossas vidas, \u00e1 vida nova da gra\u00e7a, \u00e9 deixarmos de viver escravos do cumprimento da Lei para vivermos, como filhos adotivos de Deus, a vida do Esp\u00edrito, a vida da Gra\u00e7a e da Verdade, a Vida de Jesus, Filho de Deus. \u00c9 deixarmos de viver no \u00a0pecado, \u00e9 renunciarmos \u00e0 impiedade e aos desejos mundanos, \u00e0 vida segundo a carne, para vivermos a justi\u00e7a nova do Evangelho traduzida na temperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos bens materiais, na caridade fraterna e na piedade para com Deus. \u00c9 deixarmos de viver um tempo sem horizontes para esperarmos ativamente a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, vivermos o tempo presente limitado pela morte, ou viv\u00ea-lo na esperan\u00e7a da Vida Eterna!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3 \u2013 Eu n\u00e3o duvido, caros irm\u00e3os, de que isto \u00e9 j\u00e1 sabido por v\u00f3s. Mas a pergunta que em v\u00f3s se levanta e permanece, \u00e9 esta: como passar da vida segundo a carne para esta vida nova segundo o Esp\u00edrito de Jesus? que temos de fazer para isso acontecer realmente, em cada um de n\u00f3s?<\/p>\n<p>Se reparamos bem, as leituras que escut\u00e1mos d\u00e3o-nos a resposta. <em>Assim o far\u00e1 o <strong>Senhor do Universo<\/strong><\/em>. Com estas palavras solenes terminava a primeira leitura. E, na segunda, S\u00e3o Paulo anuncia <em>o <strong>nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo<\/strong>, que se entregou por n\u00f3s, para nos resgatar de toda iniquidade e preparar para Si mesmo um povo purificado, zeloso das boas obras.<\/em><\/p>\n<p>Que tens de fazer? V\u00ea, antes de mais, o que o Senhor fez por n\u00f3s.<\/p>\n<p>Manifestou-se a <strong>gra\u00e7a<\/strong> de nosso Senhor Jesus Cristo! A nossa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 dom gratuito da miseric\u00f3rdia do Senhor que se recebe acreditando n\u2019Ele. Quem escuta, na prega\u00e7\u00e3o, o an\u00fancio de Jesus Cristo, come\u00e7a a receber o Esp\u00edrito Santo que faz crescer Cristo em n\u00f3s a ponto de podermos dizer como S\u00e3o Paulo escreveu: <em>J\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, \u00e9 Cristo que vive em mim. <\/em>Que vive e atua em mim.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os: s\u00e3o verdadeiras as palavras de Jesus: <em>quem acredita em mim far\u00e1 tamb\u00e9m as obras que Eu fa\u00e7o, e far\u00e1 obras maiores do que estas, porque vou para o Pai. <\/em>A resposta \u00e0 tua pergunta: <em>que hei-de fazer para que Cristo nas\u00e7a em mim<\/em>? \u00e9 a Virgem Maria quem ta pode dar. Ela escutou o an\u00fancio do Anjo, e ficou gr\u00e1vida por obra do Esp\u00edrito Santo. Durante nove meses alimentou aquele Menino que dentro dela crescia. E, chegado o tempo, deu-O \u00e0 luz. Continuou como m\u00e3e a cuidar d\u2019Ele e tornou-se sua disc\u00edpula e imitadora. Na Igreja, irm\u00e3os e irm\u00e3s, existe o catecumenado no qual se realiza o Batismo e toda a Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3. Aqueles que percorrem esse caminho de Inicia\u00e7\u00e3o veem, com os olhos da f\u00e9, Cristo a formar-se neles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4 \u2013 Na mensagem de Natal convidei-vos a celebrar, neste ano, esta solenidade, de olhos postos em S\u00e3o Jos\u00e9. Ele aparece-nos discretamente no Evangelho que ouvimos, viajando de Nazar\u00e9, onde morava, para Bel\u00e9m, a fim de se recensear com Maria sua esposa, em obedi\u00eancia ao Imperador de Roma. E, quando Jesus nasceu, os pastores a quem os anjos anunciaram a boa noticia foram a Bel\u00e9m, encontraram Maria, Jos\u00e9 e o Menino, deitado na manjedoura. Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s: dispunhamo-nos a caminhar ao encontro de Cristo, dispunhamo-nos a servi-l\u2019O e a ador\u00e1-l\u2019O para, como S\u00e3o Jos\u00e9, O podermos apresentar ao mundo, nascido em n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9 noite de Natal, car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Louvemos o Senhor e demos-Lhe gra\u00e7as por nos amar assim. Pe\u00e7amos-Lhe a gra\u00e7a de O vermos nascer, crescer e trabalhar em n\u00f3s. Que Ele nos conceda reconhec\u00ea-l\u2019O nos irm\u00e3os pobres e aflitos, naqueles que esta pandemia tanto assusta, em tantas e tantas pessoas que n\u00e3o se sentem amadas por ningu\u00e9m. Que Ele disponha de cada um de n\u00f3s para sermos prolongamentos da Sua Encarna\u00e7\u00e3o neste tempo e nestas circunst\u00e2ncias que s\u00e3o as nossas.<\/p>\n<p><em>D. Jo\u00e3o Marcos, bispo de Beja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":193905,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[267],"class_list":["post-194657","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194657"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194657\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/193905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}