{"id":194620,"date":"2020-12-26T15:59:05","date_gmt":"2020-12-26T15:59:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=194620"},"modified":"2020-12-26T16:03:45","modified_gmt":"2020-12-26T16:03:45","slug":"homilia-do-bispo-de-vila-real-na-missa-do-dia-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-vila-real-na-missa-do-dia-de-natal\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Vila Real na missa do Dia de Natal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-194621 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Presepio-1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Presepio-1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Presepio-1-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Presepio-1-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Presepio-1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Presepio-1.jpg 1022w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>A liturgia deste dia solene apresenta-nos o nascimento de Jesus como o momento em que Deus falou. Jesus \u00e9 o Verbo cuja encarna\u00e7\u00e3o marca toda a hist\u00f3ria: estava no princ\u00edpio com Deus e vir\u00e1 no fim assumir o senhorio de todas as coisas. No acontecimento do Natal Deus falou e de maneira eloquente, atrav\u00e9s do dom do Seu filho ao mundo. Ao tempo das palavras sucedeu o momento em que a Palavra se fez carne.<\/p>\n<p>Nesta celebra\u00e7\u00e3o de Natal importa p\u00f4r-se \u00e0 escuta para tentar compreender o sentido deste dizer divino. Em primeiro lugar, se Deus assumiu a carne humana significa que \u00e9 atrav\u00e9s dela que havemos de encontrar o caminho da salva\u00e7\u00e3o. O Natal \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o da bondade e da dignidade da vida, a demonstra\u00e7\u00e3o de que o cristianismo, desde a sua raiz \u00e9 uma f\u00e9 incarnada. Por isso h\u00e1 de ser vivido mergulhando mais profundamente no mist\u00e9rio da vida, comprometendo-se com o humano, tal como se revela em Cristo e n\u00e3o alienando-se, fugindo ou maldizendo a vida. Nesse sentido \u00e9 muito enriquecedora a contempla\u00e7\u00e3o daquela vida fr\u00e1gil de um rec\u00e9m-nascido deitado numa manjedoura. \u00c9 o \u00edcone da vida humana com a marca da fragilidade e da depend\u00eancia.<\/p>\n<p>A pandemia confrontou-nos com os limites da vida, com a sua fragilidade. Sentimos que precisamos uns dos outros, estamos dependentes dos outros n\u00e3o s\u00f3 quando nascemos, quando adoecemos, mas em tantas outras situa\u00e7\u00f5es. Por isso \u00e9 tamb\u00e9m ocasi\u00e3o para valorizar todos os que se dedicam a cuidar dos mais vulner\u00e1veis, como fizeram Maria e S\u00e3o Jos\u00e9 com o menino. Esta experi\u00eancia dura que estamos a viver desafia a nossa f\u00e9 para que n\u00e3o passe ao lado da vida. Pelo contr\u00e1rio \u00e9 na f\u00e9 em Jesus Cristo, feito homem que havemos de encontrar a esperan\u00e7a, o \u00e2nimo e a fortaleza para continuar a caminhar no meio das adversidades. A f\u00e9 recorda-nos que a partir da encarna\u00e7\u00e3o, o Filho de Deus entrou na aventura humana, aprendeu o que \u00e9 rir e chorar, o que significa o sofrimento e a alegria, o que \u00e9 a solid\u00e3o e o calor da amizade.<\/p>\n<p>O pres\u00e9pio \u00e9 um hino \u00e0 vida, ao que ela tem de mais simples, belo, vulner\u00e1vel e grandioso. Celebrar o Natal \u00e9 celebrar a vida, a vida divina que se faz vida humana e por isso eleva-a a uma dignidade sagrada. Nunca \u00e9 demais pensar nisto porque h\u00e1 sinais preocupantes de eros\u00e3o no reconhecimento deste princ\u00edpio matricial da religi\u00e3o e da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Verbo de Deus, Jesus Cristo, fez-se carne e habitou entre n\u00f3s. No seu rosto resplandecia a gl\u00f3ria de Deus, aquele Deus que at\u00e9 ent\u00e3o era invis\u00edvel aos nossos olhos. Deus mostrou-se, falou pelo rosto do seu Filho, primeiro no rosto infantil de crian\u00e7a e depois no rosto de bondade e miseric\u00f3rdia do profeta da Galileia, no rosto ensanguentado do crucificado e no rosto glorioso do ressuscitado. E Deus continua a falar hoje pelo rosto dos irm\u00e3os. Por detr\u00e1s de uma m\u00e1scara h\u00e1 olhares que indiciam os rostos de solid\u00e3o dos mais idosos, os rostos de ansiedade dos mais jovens e os rostos de preocupa\u00e7\u00e3o e cansa\u00e7o dos mais velhos.<\/p>\n<p>Mas neste dia de Natal, contemplando o rosto do menino Jesus deixemo-nos inundar pela luz, pela for\u00e7a e pela verdade que dele irradiam. A mensagem de esperan\u00e7a que podemos aprender no pres\u00e9pio enche o nosso rosto de uma confian\u00e7a que n\u00e3o \u00e9 vazia ou ilus\u00f3ria porque alicer\u00e7ada na certeza de que Ele nasceu como o Emanuel, o Deus-connosco.<\/p>\n<p>Neste Natal ousemos escutar a Deus que falou e fala, ousemos acolher o Filho que Ele enviou para salvar a humanidade. Para os que capazes desta viv\u00eancia aut\u00eantica e espiritual do Natal, para os que O recebem e acreditam, Deus, segundo o evangelho, \u00abdeu-lhe o poder de se tornarem filhos de Deus\u00bb. No Natal podemos, tamb\u00e9m n\u00f3s, nascer ou renascer de Deus, um nascimento que supera o da carne e do sangue. Um nascimento que estabelece novos la\u00e7os n\u00e3o s\u00f3 com Deus, nosso Pai, mas tamb\u00e9m com todos os outros de quem nos tornamos irm\u00e3os. Ap\u00f3s um per\u00edodo de algum confinamento que em muitos casos pareceu quase uma hiberna\u00e7\u00e3o, a mensagem do Natal \u00e9 um convite a renascermos, a renovarmos<\/p>\n<p>a nossa consci\u00eancia de filhos amados de Deus e a refazer o sonho de uma verdadeira fraternidade humana. Na sua bela e prof\u00e9tica Enc\u00edclica \u2013 Fratelli Tutti \u2013 o Papa Francisco apelou a que n\u00e3o desistamos deste sonho. O Natal em que acolhemos o Filho de Deus que quis ser nosso irm\u00e3o, \u00e9 um sinal de que Deus comunga do nosso sonho de uma humanidade mais fraterna. Mas o Papa alerta para os riscos de alguns retrocessos, para os sinais de ego\u00edsmos de pessoas e povos, para as l\u00f3gicas que encaram o outro como o advers\u00e1rio ou o inimigo. \u00c0 volta do pres\u00e9pio sentimo-nos mais irm\u00e3os e mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>A pandemia lan\u00e7ou uma grande sombra nos nossos cora\u00e7\u00f5es, abalou tantas vidas e projetos, mas veio evidenciar tamb\u00e9m muitas ilus\u00f5es e equ\u00edvocos em que and\u00e1vamos enredados. O Natal vem trazer luz e esperan\u00e7a aos nossos cora\u00e7\u00f5es e iluminar as nossas mentes para olharmos a vida real de outra forma. Deixemos que o esp\u00edrito natal\u00edcio continue a inspirar-nos a encarar a vida como dom e b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus, a perceber melhor que estamos ligados uns aos outros pela perten\u00e7a \u00e0 mesma fam\u00edlia humana que habita a mesma casa comum. Apesar da preval\u00eancia cada vez maior do mundo virtual, n\u00e3o percamos o sabor do real, o valor da rela\u00e7\u00e3o humana e pr\u00f3xima. Empenhemo-nos em valorizar a fam\u00edlia que n\u00e3o pode ficar na uma nostalgia sentimental de uma quadra festiva, mas \u00e9 um projeto a construir em cada casa, a valorizar e respeitar em cada sociedade.<\/p>\n<p>No Natal, Deus falou por seu Filho que assumiu um corpo, mostrou o rosto, revelou a sua paix\u00e3o pela vida. Acolhendo-o na f\u00e9, saibamos escut\u00e1-Lo e renascer como irm\u00e3os que s\u00e3o capazes de construir uma humanidade mais iluminada por esta luz que veio do c\u00e9u habitar na nossa terra.<\/p>\n<p>Vila Real, 25 de dezembro de 2020<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Augusto de Oliveira Azevedo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":4,"featured_media":194621,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[183,267],"class_list":["post-194620","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-vila-real","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194620","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194620"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194620\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/194621"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194620"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194620"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}