{"id":194561,"date":"2020-12-25T20:29:17","date_gmt":"2020-12-25T20:29:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=194561"},"modified":"2020-12-25T20:29:17","modified_gmt":"2020-12-25T20:29:17","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-do-dia-do-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-do-dia-do-natal\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa na Missa do Dia do Natal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"txt-noticia-detalhe-texto\">\n<p><strong>A eterna li\u00e7\u00e3o do Natal<\/strong><\/p>\n<p><u><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/900_20122574912405.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-194562\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/900_20122574912405-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/900_20122574912405-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/900_20122574912405-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/900_20122574912405-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/900_20122574912405.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>De novo em Natal, para um Natal sempre novo<\/u>. Assim podemos dizer e assim deve ser, hoje tamb\u00e9m. Hoje, quando as condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias nos obrigam a grandes cuidados e nos restringem as habituais conviv\u00eancias. Hoje, quando tantas fam\u00edlias se preocupam com algum membro atingido pela pandemia e tantos profissionais da sa\u00fade se desdobram no tratamento de doentes. Hoje, quando os respons\u00e1veis dos v\u00e1rios setores se mant\u00e9m vigilantes e ativos para que a vida de todos se mantenha segura e sustent\u00e1vel. Hoje, quando ainda h\u00e1 tanto a fazer para que a ningu\u00e9m falte abrigo, alimenta\u00e7\u00e3o e trabalho. Hoje, quando os nossos idosos n\u00e3o podem receber as visitas dos seus e tantos cuidadores se desvelam para n\u00e3o lhes faltar o conforto. Hoje, quando por esse mundo al\u00e9m e aqu\u00e9m se multiplicam refugiados e emigrantes for\u00e7ados, que t\u00eam ineg\u00e1vel direito a ser acolhidos e respeitados em qualquer lugar onde cheguem. N\u00e3o consta que S\u00e3o Jos\u00e9 tenha encontrado dificuldades de maior, quando se refugiou no Egito, com o Menino e Sua M\u00e3e.<br \/>\nHoje, da parte de Deus, \u00e9 seguramente Natal. Da nossa parte h\u00e1 de s\u00ea-lo tamb\u00e9m, no que a cada um lhe caiba e no que a todos compete. Da parte de Deus, como em Bel\u00e9m de Jud\u00e1 h\u00e1 dois mil\u00e9nios, aconteceu com tal for\u00e7a pr\u00f3pria que acabou por se repercutir na cultura e na sensibilidade humanas, com ineg\u00e1vel persuas\u00e3o e at\u00e9 para al\u00e9m da confessionalidade estrita.<br \/>\nMesmo quando n\u00e3o o celebram liturgicamente, mesmo quando as circunst\u00e2ncias parecem contradiz\u00ea-lo, mesmo quando n\u00e3o o nomeiam expressamente, homens e mulheres do mundo inteiro, crian\u00e7as, adultos ou idosos, esperam o \u201cNatal\u201d, buscam-lhe os sinais e adivinham-lhe a necessidade, ainda como esperan\u00e7a. Desejam que \u201cseja Natal todos os dias\u201d, aspiram \u00e0 paz que anuncia, descontentam-se por n\u00e3o ser assim, finalmente e j\u00e1.<br \/>\nO Natal de Cristo tornou-se li\u00e7\u00e3o universal e este dia \u00e9 o seu exame para todos. &#8211; Como nos classificaremos este ano, depois das dificuldades enfrentadas, pessoal, social e at\u00e9 eclesialmente falando? Positiva \u00e9 certamente a nota relativa \u00e0 vontade de responder \u00e0s incid\u00eancias da pandemia, por entidades p\u00fablicas e particulares. Vontade de responder que foi geral e muitas vezes abnegada, aumentando o esfor\u00e7o e superando lacunas, tamb\u00e9m por parte de par\u00f3quias e institui\u00e7\u00f5es religiosas. Mas \u00e9 essa boa vontade, solid\u00e1ria, competente e criativa, que permitir\u00e1 aumentar ainda mais a classifica\u00e7\u00e3o geral das provas natal\u00edcias de ano para ano.<\/p>\n<p><u>Se a li\u00e7\u00e3o do Natal se tornou t\u00e3o forte e duradoura, tal se deve essencialmente ao facto de ser divina, surpreendentemente divina<\/u>. As li\u00e7\u00f5es que a humanidade pretende dar-se s\u00f3 por si, valem o que valem, por vezes muito, mas sempre de menos. Nunca conseguem ir al\u00e9m do humano, demasiadamente humano, mesmo que se destinem a todos, ou a todos se queiram impor.<br \/>\nNas sucessivas formas culturais e civilizacionais, marcam-se in\u00edcios, apogeus e decl\u00ednios. Nunca se volta exatamente ao ponto de partida, porque algo se acumulou entretanto, como experi\u00eancia convivida e alguma inova\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada. Mas nunca basta e somam-se interrup\u00e7\u00f5es e atrasos. Por vezes apresentam-se como \u201cprogressos civilizacionais\u201d aut\u00eanticos retrocessos humanit\u00e1rios, como no que diz respeito \u00e0 integralidade da vida humana, quando deixa de ser legalmente protegida em todo o seu devir e n\u00e3o se usam os recursos que o progresso cient\u00edfico nos oferece para o fazer, de forma positiva e generalizada, at\u00e9 ao termo natural de cada um.<br \/>\nA li\u00e7\u00e3o do Natal \u00e9 divina, porque ningu\u00e9m o imaginava do modo como realmente foi. Desde que a humanidade ganhou consci\u00eancia de si, manifestou vontade em ter alguma ci\u00eancia da divindade, plural ou singular. Mas dificilmente saiu de si pr\u00f3pria, transpondo-se para o al\u00e9m, agigantando a sua pequenez, procurando seguran\u00e7a algures. Dos primeiros tra\u00e7os que deixou, nas paredes de grutas ou constru\u00e7\u00f5es pr\u00e9-hist\u00f3ricas, aos grandes edif\u00edcios dos primeiros e \u00faltimos imp\u00e9rios, ressalta sempre e sobretudo a proje\u00e7\u00e3o humana al\u00e9m de si \u2013 hesitante, situada e finalmente imposs\u00edvel.<\/p>\n<p><u>Mas \u00abo Verbo fez-se carne e habitou entre n\u00f3s. E n\u00f3s vimos a sua gl\u00f3ria\u2026\u00bb.<\/u>\u00a0Neste magn\u00edfico hino das origens crist\u00e3s, est\u00e1 a li\u00e7\u00e3o do Natal plenamente enunciada, colocando-nos a aten\u00e7\u00e3o, a contempla\u00e7\u00e3o e a devo\u00e7\u00e3o no exclusivo ponto onde devem estar, isto \u00e9, na irredut\u00edvel iniciativa divina.<br \/>\nN\u00e3o seremos n\u00f3s a dizer Deus, \u00e9 Deus que unicamente se diz. Podemos concluir que razoavelmente \u00e9 assim e sem alternativa capaz. Mas a iniciativa foi sua e em pleno contraste com qualquer constru\u00e7\u00e3o humana, por mais intelectual e bem propositada que fosse.<br \/>\nDeus verbaliza-se, diz-se naquele Menino \u00fanico onde cabem todas as idades, ligando a fragilidade da carne \u00e0 realidade absoluta d\u2019Aquele que a assume e ressuscita. N\u00e3o deixar\u00e1 de ser \u201ccarne\u201d, sentindo e sofrendo, do pres\u00e9pio \u00e0 cruz, mas sanando-a pela constante liga\u00e7\u00e3o a Deus Pai, no Esp\u00edrito que compartilham e nos inclui tamb\u00e9m.<br \/>\nEsta autorrevela\u00e7\u00e3o de Deus, dito em Jesus, seu Verbo incarnado, aconteceu ali, naquele tempo e lugar. Mas, exatamente por ser divina, irrompe por todo o espa\u00e7o e tempo, preenchendo toda a \u201ccarne\u201d da humanidade que sente e que sofre, que ri e que chora, que oferece ou implora.<br \/>\nDeixemo-nos surpreender pela constante e inesgot\u00e1vel li\u00e7\u00e3o do Natal. Este \u00e9 o pres\u00e9pio a que devemos acorrer como os pastores, gente pobre e dispon\u00edvel; ou depois os magos, gente desinstalada e \u00e0 procura. Com todas as figura\u00e7\u00f5es que o seu dia-a-dia nos trouxer, a\u00ed mesmo e s\u00f3 a\u00ed \u201cveremos a sua gl\u00f3ria\u201d.<br \/>\nSanto Ireneu, no segundo s\u00e9culo crist\u00e3o, escreveu que \u00aba gl\u00f3ria de Deus \u00e9 o homem vivo e a vida do homem \u00e9 a vis\u00e3o de Deus\u00bb. Felic\u00edssima s\u00edntese e arco perfeito, de Deus para o homem e do homem para Deus, como no Natal se admira e contempla. Na humanidade renascida do Verbo incarnado est\u00e1 a gl\u00f3ria de Deus, a plena manifesta\u00e7\u00e3o do seu poder, que \u00e9 o seu amor criador.<br \/>\nN\u00e3o o perdendo nunca, da vista e do cora\u00e7\u00e3o, viveremos tamb\u00e9m e plenamente. Com o salmista cantaremos: \u00abEm V\u00f3s Senhor est\u00e1 a fonte da vida. Na vossa luz veremos a luz\u00bb (<em>Sl<\/em>\u00a036, 10)!<\/p>\n<p>S\u00e9 de Lisboa, 25 de dezembro de 2020<\/p>\n<p><em>D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":194562,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[343,267],"class_list":["post-194561","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-lisboa","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194561","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194561"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194561\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/194562"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}