{"id":194526,"date":"2020-12-25T12:39:50","date_gmt":"2020-12-25T12:39:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=194526"},"modified":"2020-12-25T12:39:50","modified_gmt":"2020-12-25T12:39:50","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-solenidade-do-natal-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-solenidade-do-natal-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Funchal na Solenidade do Natal do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.NUNO-MISSA-DO-GALO-NA-SE27-1024x727-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-194527 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.NUNO-MISSA-DO-GALO-NA-SE27-1024x727-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"727\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.NUNO-MISSA-DO-GALO-NA-SE27-1024x727-1.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.NUNO-MISSA-DO-GALO-NA-SE27-1024x727-1-366x260.jpg 366w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.NUNO-MISSA-DO-GALO-NA-SE27-1024x727-1-768x545.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.NUNO-MISSA-DO-GALO-NA-SE27-1024x727-1-400x284.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.NUNO-MISSA-DO-GALO-NA-SE27-1024x727-1-980x696.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/D.NUNO-MISSA-DO-GALO-NA-SE27-1024x727-1-480x341.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a>Diz o livro do G\u00e9nesis que, quando Deus come\u00e7ou a obra da cria\u00e7\u00e3o, a terra estava \u201cdeserta e vazia\u201d, sem ordem. Por meio da sua Palavra, Deus come\u00e7ou a criar e a colocar ordem nos diferentes elementos. E, para o fazer, n\u00e3o necessitou de mais nada sen\u00e3o da Palavra: \u201cDeus disse: \u2018haja luz\u2019. E houve luz\u201d (Gn 1,3).<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto do dizer, da Palavra divina. Isso significa que Deus criou do nada tudo quanto existe \u2014 ou seja: Deus n\u00e3o necessitou de uma \u201cmat\u00e9ria prima\u201d, de um qualquer outro princ\u00edpio, mesmo de uma qualquer outra realidade que se lhe opusesse, um \u201cn\u00e3o\u201d que fosse. Bastou-Lhe proferir uma Palavra, expressar-Se. E isso significa, tamb\u00e9m, que a Sua Palavra traz consigo, como necessidade, o efeito daquilo que diz. Deus diz e a realidade acontece. Quando Deus fala, a vida, a hist\u00f3ria, a realidade acontece, muda, entra em movimento. A Sua Palavra \u00e9 a express\u00e3o aut\u00eantica, direta, eficaz, plena do poder, da vontade de Deus: \u00e9 a express\u00e3o do mais \u00edntimo da Sua Vida \u2014 express\u00e3o das Suas \u201centranhas\u201d, diz a Escritura em v\u00e1rios passos.<\/p>\n<p>A Palavra expressa, mostra Deus: d\u00e1-nos conta da Sua inten\u00e7\u00e3o, da Sua vontade, do desejo de viver em comunh\u00e3o com os homens, como ali\u00e1s reconhece o Livro dos Prov\u00e9rbios, referindo-se \u00e0 Sabedoria (um outro nome para a \u201cPalavra\u201d divina): \u201cO Senhor me criou, prim\u00edcias de sua obra, de seus feitos mais antigos. Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princ\u00edpio, antes da origem da terra. [\u2026] Eu estava junto com Ele como mestre-de-obra; eu era o seu encanto todos os dias, todo o tempo brincava na sua presen\u00e7a: brincava na superf\u00edcie da terra, encontrava as minhas del\u00edcias entre os homens\u201d (Prov. 8,22-23.30-31).<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, Deus cuida da sua obra. N\u00e3o a cria para a abandonar. O pr\u00f3prio conceito de \u201ccria\u00e7\u00e3o\u201d traz consigo a afirma\u00e7\u00e3o do cuidado divino n\u00e3o apenas no momento primeiro da realidade mas em cada momento, em cada tempo. N\u00f3s, seres humanos, n\u00e3o estamos s\u00f3s no mundo: Deus acompanha-nos, faz connosco caminho para nos conduzir \u00e0 comunh\u00e3o consigo (DV 2).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 a esta Palavra, original, criadora, eficaz, fundamento de comunh\u00e3o dos seres humanos e de todo o criado com Deus, \u00e9 a ela que se refere S. Jo\u00e3o no Pr\u00f3logo do seu evangelho, como acab\u00e1mos de escutar: \u201cNo princ\u00edpio era o Verbo, e o Verbo era para Deus, e o Verbo era Deus\u201d (Jo 1,1).<\/p>\n<p>\u00c9 pois neste Verbo (Palavra, Sabedoria, Raz\u00e3o, Express\u00e3o, Acontecimento) que encontramos a chave de tudo quanto existe, o segredo de toda a vida, a solu\u00e7\u00e3o de todo o drama humano. \u00c9 este Verbo, esta Palavra, que todos os seres humanos (crentes ou n\u00e3o) procuram conhecer. \u00c9 Ele que se encontra na raiz das investiga\u00e7\u00f5es dos cientistas; \u00e9 Ele o motivo do pensamento dos s\u00e1bios; o porqu\u00ea do agir dos empreendedores e dos trabalhadores. \u00c9 Ele a raz\u00e3o, o motor da exist\u00eancia humana: \u00e9 a felicidade que todos os seres humanos buscam desesperadamente: \u201cNele estava a vida, e a vida era a luz dos homens\u201d (Jo 1,4).<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 de verdade \u201cevangelho\u201d (quer dizer: boa not\u00edcia) aquilo que o Ap\u00f3stolo escreve aos seus leitores: \u201cE o Verbo fez-se carne e habitou entre n\u00f3s\u201d (Jo 1,14).<\/p>\n<p>O centro, o fundamento, o v\u00e9rtice de toda a realidade entrou na hist\u00f3ria, no tempo; a raz\u00e3o de ser de tudo quanto existe j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas uma ideia, um sonho, um desejo: \u00e9 este homem, Jesus de Nazar\u00e9. Ele \u00e9 o Verbo, a Palavra de Deus, que ali se encontra, em carne humana, de modo que todos O possam ver, escutar, tocar: \u201cO que era desde o princ\u00edpio, o que ouvimos, o que vimos com o nossos olhos, o que contempl\u00e1mos e o que as nossas m\u00e3os tocaram acerca do Verbo da vida \u2014 porque a Vida se manifestou; n\u00f3s vimo-La e dela vos damos testemunho, e vos anunciamos esta vida eterna que estava para o Pai e que nos apareceu \u2014 o que vimos e ouvimos vos anunciamos para que estejais tamb\u00e9m em comunh\u00e3o connosco. E a nossa comunh\u00e3o \u00e9 com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. E isto vos escrevemos para que a vossa alegria seja completa\u201d (1Jo 1,1-4) \u2014 escreve o mesmo S. Jo\u00e3o ao come\u00e7ar a sua Primeira Carta.<\/p>\n<p>\u00c9 este acontecimento \u00fanico, impens\u00e1vel, que jamais tinha passado pela mente humana \u2014 \u00e9 este acontecimento de Deus que na sua Palavra se faz homem mortal (mais: que se faz Menino, nascido pobre no meio de animais, num Pres\u00e9pio, para que os mais pobres entre os pobres O pudessem visitar, adorar, reconhecer, alegrar-se com o seu nascimento e viver em comunh\u00e3o com Ele desde o in\u00edcio) \u2014 \u00e9 este acontecimento que hoje celebramos, o centro da hist\u00f3ria e de toda a realidade. \u00c9 neste acontecimento que consiste o Natal. \u00c9 deste acontecimento que surgem, depois, todas as consequ\u00eancias que enchem, desde ent\u00e3o, a celebra\u00e7\u00e3o deste dia: a paz, harmonia, alegria, vida comunicada e partilhada, festa, abund\u00e2ncia, m\u00fasica, luz.<\/p>\n<p>Deus fez-se homem. Fez-se carne. Um como n\u00f3s, mortal, fr\u00e1gil. E, nesse momento, a hist\u00f3ria encontrou o seu centro, encontrou o acontecimento \u00e0 volta do qual tudo gira. A raz\u00e3o de ser de tudo o que existe, o motor que tudo faz mover e acontecer.<\/p>\n<p>\u00c9 por refer\u00eancia a Ele que avaliamos o que est\u00e1 \u00e0 nossa volta e em n\u00f3s. Ele \u00e9 o crit\u00e9rio da nossa exist\u00eancia; o diapas\u00e3o que nos permite distinguir o bem do mal: \u201cO Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo; e o mundo, que foi feito por Ele, n\u00e3o O conheceu\u201d (Jo 1,9-10).<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Que carne \u00e9 esta, a de Jesus? Que viram Maria e Jos\u00e9, os Pastores e os Magos e todos quantos visitaram o Pres\u00e9pio?<\/li>\n<\/ol>\n<p>Viram um rec\u00e9m-nascido, fr\u00e1gil como todos os rec\u00e9m-nascidos; a necessitar de cuidados, de mimos; a pedir que o alimentassem; a abrir os olhos, a boca e as m\u00e3os pedindo que o acolhessem. A carne de Jesus \u00e9 a carne fr\u00e1gil da humanidade, de toda a humanidade. \u00c9 a carne da fragilidade que nos marca como seres passageiros, mortais, limitados.<\/p>\n<p>O Natal \u00e9, por isso, o in\u00edcio da cruz. E esta constitui a consequ\u00eancia da vontade divina de se fazer um com os pobres mais pobres. \u00c9 nesta carne que resplandece a gl\u00f3ria de Deus. \u00c9 nesta fragilidade que Deus vem ao nosso encontro. Como pode Deus nascer num est\u00e1bulo, entre animais, pobremente? Como pode Deus crescer no seio de uma fam\u00edlia de refugiados? Como pode Deus trabalhar numa oficina de oper\u00e1rios? Como pode Deus caminhar de aldeia em aldeia, sem uma pedra onde repousar a\u00a0 cabe\u00e7a? Como pode Deus ser julgado, condenado, levado \u00e0 morte de cruz? Mas \u00e9 nesta carne de Jesus de Nazar\u00e9 que Deus se manifesta e vem ao nosso encontro. Pede que O recebamos, que O acolhamos, que O deixemos entrar em nossa casa, no nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 nesta mesma carne da fragilidade que Ele continua hoje a vir ao nosso encontro, pedindo que O acolhamos: \u201cPorque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na pris\u00e3o, e fostes-me ver\u201d (Mt 25,35-36).<\/p>\n<p>E esta fragilidade, na qual o Senhor se manifesta, estende-se ainda mais. Estende-se \u00e0 fragilidade das Escrituras (palavras e frases \u00e0 espera que O escutemos). Estende-se \u00e0 fragilidade da Igreja (povo de pecadores a caminho da eternidade, convidando a quantos encontra pelas estradas para caminhar ao encontro do Senhor). Estende-se \u00e0 fragilidade dos sacramentos \u2014 e, de um modo particular, \u00e0 Eucaristia: na fragilidade do p\u00e3o e do vinho consagrados est\u00e1 verdadeiramente presente o Menino do Pres\u00e9pio, o Senhor, o Deus feito carne que, deste modo, encarna, assume o corpo eucar\u00edstico, para nos fazer membros do seu corpo.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 Natal. Deus vem ao nosso encontro. Vem, de um modo particular, na Sua Palavra proclamada e na Eucaristia comungada, que a todos nos une e transforma no Seu Corpo.<\/p>\n<p>Verdadeiramente (por entre os c\u00e2nticos, a alegria, a emo\u00e7\u00e3o interior), o Verbo continua hoje a fazer-Se carne. Deixemos que Ele encontre o nosso cora\u00e7\u00e3o e o dilate; que encontre a nossa fragilidade e a transforme; que encontre o nosso pecado e nos converta e purifique.<\/p>\n<p>Que hoje seja Natal: Deus-connosco, vida divina em n\u00f3s e para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Funchal, 25 de dezembro de 2020<\/p>\n<p><em>D. Nuno Br\u00e1s<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":194527,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186,267],"class_list":["post-194526","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194526","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194526"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194526\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/194527"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}