{"id":194461,"date":"2020-12-25T02:54:17","date_gmt":"2020-12-25T02:54:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=194461"},"modified":"2020-12-25T02:54:17","modified_gmt":"2020-12-25T02:54:17","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-da-noite-de-natal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-da-noite-de-natal-2\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra na Missa da Noite de Natal"},"content":{"rendered":"<p>Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Bendito seja o sant\u00edssimo natal do Senhor, que faz brilhar de novo a luz da esperan\u00e7a e traz a paz, o alento e o amor a esta terra devastada pelas terr\u00edveis sombras que assolam toda a humanidade.<\/p>\n<p>Este ano o natal pode ficar na nossa hist\u00f3ria pessoal e comunit\u00e1ria como um verdadeiro tempo de gra\u00e7a, apesar das circunst\u00e2ncias t\u00e3o dolorosas em que o vivemos. No meio das trevas a luz pode brilhar de forma mais intensa e pode fazer-se sentir melhor o seu calor.<\/p>\n<p>O natal passou-nos muitas vezes ao lado e celebr\u00e1mo-lo frequentemente a falar de alegria quando est\u00e1vamos alegres, a falar de esperan\u00e7a quando est\u00e1vamos confiantes, a falar de festa com a mesa farta e a fam\u00edlia reunida, a falar de paz quando reinava a amizade, a falar de consola\u00e7\u00e3o quando est\u00e1vamos consolados. Foi, porventura, muitas vezes, um tempo de palavras, uma \u00e9poca de rituais, um repetir de sinais pouco significativos.<\/p>\n<p>Quem tem f\u00e9, sente arrancar-se, hoje, do seu peito orante a s\u00faplica veemente e sincera: \u201cvem, Senhor Jesus!\u201d Quem tem f\u00e9 sente o cora\u00e7\u00e3o a sussurrar, com mais intensidade: \u201choje nasceu o nosso salvador, Jesus Cristo, Senhor\u201d. N\u00e3o \u00e9 que deixemos de precisar dos outros nem de deixar de desejar ver resolvidos os problemas da sa\u00fade p\u00fablica, o sucesso das medidas adoptadas, a efic\u00e1cia das vacinas, a solidariedade de todos neste barco comum em que nos encontramos. Queremos que tudo isso aconte\u00e7a, mas acreditamos que em tudo isso, para al\u00e9m de tudo isso, a f\u00e9 crist\u00e3 mostra-nos a presen\u00e7a discreta, mas amorosa do Deus, que continuamente nos visita por meio de seu Filho Jesus Cristo.<\/p>\n<p>No meio das pequenas luzinhas da caridade que nos anima, da solidariedade que nos abre aos outros, da fraternidade que nos faz sentir irm\u00e3os de todos, do esp\u00edrito de consola\u00e7\u00e3o que nos faz repartir o cora\u00e7\u00e3o, eleva-se de forma eloquente a Luz Maior, a for\u00e7a do amor eterno de Deus, a esperan\u00e7a que n\u00e3o morre, na singeleza do Menino Jesus do Pres\u00e9pio de Bel\u00e9m. Ele n\u00e3o dispensa nada do que somos nem do que fazemos em favor dos outros, mas fortalece-nos, anima-nos, ampara-nos e n\u00e3o permite que desistamos uns dos outros, pois mesmo que isso nos possa acontecer, Ele nunca desistir\u00e1 de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, pedimos a Deus, neste natal, que nos livre dos males presentes que ferem de morte a humanidade, e, ao mesmo tempo, agradecemos-lhe de todo o cora\u00e7\u00e3o pela d\u00e1diva do Seu Filho Jesus, a nossa esperan\u00e7a, a nossa consola\u00e7\u00e3o e a nossa salva\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na situa\u00e7\u00e3o de pandemia que vivemos, tem-se ouvido repetidamente o slogan: estamos todos na mesma barca. E \u00e9 verdade, estamos todos sujeitos \u00e0s mesmas debilidades, pertencemos todos \u00e0 mesma humanidade. Habitu\u00e1mo-nos a estas ideias sobretudo quando vemos que ningu\u00e9m escapa \u00e0s dificuldades ou quando as consequ\u00eancias negativas da fragilidade humana se fazem notar. Trata-se de um sentimento negativo acerca da solidariedade e da nossa comum condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Felizmente, o natal de Jesus Cristo, que celebramos, oferece-nos sobretudo uma perspetiva positiva acerca da nossa condi\u00e7\u00e3o humana e do facto de pertencermos todos \u00e0 mesma fam\u00edlia. Somos chamados a estar uns com os outros, a ser amparo uns dos outros, a sair das crises e cat\u00e1strofes pela m\u00e3o uns dos outros. O natal leva-nos muito para al\u00e9m da solidariedade na desgra\u00e7a, conduz-nos a uma profiss\u00e3o de f\u00e9 na fraternidade que nos une e que faz de n\u00f3s obreiros da alegria universal de viver.<\/p>\n<p>Em Bel\u00e9m, Deus desceu \u00e0 terra e nasceu no meio de n\u00f3s, aproximou-se por meio do Seu Filho, para que todos se possam sentir filhos e irm\u00e3os. O pres\u00e9pio tornou-se o s\u00edmbolo da fraternidade universal: todos podem aproximar-se dele, entrar nele, repousar nele, como os pastores, os reis do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul. Ali todos s\u00e3o irm\u00e3os, \u00e0 volta do Irm\u00e3o cuja fraternidade n\u00e3o conhece as fronteiras da carne ou do sangue, da condi\u00e7\u00e3o rica ou pobre, das etnias ou das latitudes, das culturas ou das tradi\u00e7\u00f5es. Para ouvir o canto dos Anjos e se deixar envolver pela gl\u00f3ria da noite de Bel\u00e9m, para acolher a paz fraterna do pres\u00e9pio basta albergar no cora\u00e7\u00e3o a prerrogativa de ser pessoa de \u201cboa vontade\u201d, basta aceitar ser pessoa \u201camada por Deus\u201d.<\/p>\n<p>A fraternidade universal que nasce no pres\u00e9pio \u00e9 muito mais do que a solidariedade nas desgra\u00e7as, porque \u00e9 caminho para superarmos juntos todos os males que nos afetam e construirmos com as sementes de bem que recebemos uma humanidade melhor e mais feliz.<\/p>\n<p>Estamos, de facto, todos na mesma barca, pois Deus aproximou-se de n\u00f3s, convidou-nos a aproximarmo-nos d\u2019Ele, e fez-nos sentir irm\u00e3os de cora\u00e7\u00e3o em todas as circunst\u00e2ncias da vida.<\/p>\n<p>S. Francisco de Assis, assentou grande parte da sua espiritualidade nesta certeza de que somos todos irm\u00e3os; e o papa Francisco ao oferecer-nos recentemente a Enc\u00edclica <em>Fratelli Tutti<\/em>, sublinhou-o de forma eloquente e atualizada para o nosso tempo. Um e outro, com os olhos postos no pres\u00e9pio, viram na fraternidade universal nascida da presen\u00e7a de Jesus entre n\u00f3s o \u00fanico caminho da humanidade, sendo urgente retirar da\u00ed todas as consequ\u00eancias para a vida pessoal e para a organiza\u00e7\u00e3o das sociedades. Trata-se, afinal, do Evangelho, que pode sempre ser reproposto com linguagens mais acess\u00edveis a cada tempo, mas que se apresenta como a Boa Nova que nada nem ningu\u00e9m pode superar, que tem lugar \u00fanico mesmo no nosso tempo e que sentimos a urg\u00eancia de continuar a anunciar.<\/p>\n<p>Neste natal, acolhamos a fraternidade universal manifestada no pres\u00e9pio de Bel\u00e9m como o nosso caminho pessoal e comunit\u00e1rio de f\u00e9, de esperan\u00e7a e de amor. As pequenas sementes lan\u00e7adas na nossa fam\u00edlia crist\u00e3 possam contribuir para que o esp\u00edrito da paz e da luz de Jesus alarguem em ondas de fraternidade \u00e0 nossa volta e dela contagiem verdadeiramente\u00a0 o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, que neste natal tomemos, de facto, o caminho do pres\u00e9pio, que a\u00ed nos encontremos com Jesus e com todos aqueles de quem nos faz irm\u00e3os. A Sua luz ser\u00e1 mais intensa, a Sua paz dissipar\u00e1 os nossos medos. Todos na mesma barca, sentir-nos-emos solid\u00e1rios nas mesmas dores, mas tamb\u00e9m a partilhar, como irm\u00e3os, os mesmos sonhos de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Coimbra, 24 de dezembro de 2020<\/p>\n<p>Virg\u00edlio do Nascimento Antunes<\/p>\n<p>Bispo de Coimbra<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s! Bendito seja o sant\u00edssimo natal do Senhor, que faz brilhar de novo a luz da esperan\u00e7a e traz a paz, o alento e o amor a esta terra devastada pelas terr\u00edveis sombras que assolam toda a humanidade. 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