{"id":194435,"date":"2020-12-24T19:41:55","date_gmt":"2020-12-24T19:41:55","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=194435"},"modified":"2020-12-24T19:41:55","modified_gmt":"2020-12-24T19:41:55","slug":"homilia-do-papa-francisco-na-noite-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-papa-francisco-na-noite-de-natal\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco na Noite de Natal"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><em>Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div>\n<figure id=\"attachment_194431\" aria-describedby=\"caption-attachment-194431\" style=\"width: 378px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Papa-Francisco-Natal-2020.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-194431\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Papa-Francisco-Natal-2020-378x260.jpg\" alt=\"\" width=\"378\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Papa-Francisco-Natal-2020-378x260.jpg 378w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Papa-Francisco-Natal-2020-1024x705.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Papa-Francisco-Natal-2020-768x528.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Papa-Francisco-Natal-2020-1080x743.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Papa-Francisco-Natal-2020-1280x881.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Papa-Francisco-Natal-2020-980x674.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Papa-Francisco-Natal-2020-480x330.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Papa-Francisco-Natal-2020.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 378px) 100vw, 378px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-194431\" class=\"wp-caption-text\">epa08902986 Pope Francis kisses a figurine of baby Jesus during a Christmas Eve mass to mark the nativity of Jesus Christ, at St Peter&#8217;s basilica in the Vatican, 24 December 2020. EPA\/VINCENZO PINTO \/ POOL<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nesta noite, cumpre-se a grande profecia de Isa\u00edas: \u00abUm menino nasceu para n\u00f3s, um filho nos foi dado\u00bb (<i>Is <\/i>9, 5).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><i>Um filho nos foi dado<\/i>. Com frequ\u00eancia se ouve dizer que a maior alegria da vida \u00e9 o nascimento duma crian\u00e7a. \u00c9 algo de extraordin\u00e1rio, que muda tudo, desencadeia energias inesperadas e faz ultrapassar fadigas, inc\u00f3modos e noites sem dormir, porque traz uma felicidade indescrit\u00edvel na posse da qual nada \u00e9 demasiado pesado. Assim \u00e9 o Natal: o nascimento de Jesus \u00e9 a novidade que nos permite renascer dentro, cada ano, encontrando n\u2019Ele for\u00e7a para enfrentar todas as prova\u00e7\u00f5es. Sim, porque Jesus nasce para n\u00f3s: para mim, para ti, para cada um. A preposi\u00e7\u00e3o \u00ab<i>para<\/i>\u00bb reaparece v\u00e1rias vezes nesta noite santa: \u00abum menino nasceu <i>para n\u00f3s<\/i>\u00bb, profetizou Isa\u00edas; \u00abhoje nasceu <i>para n\u00f3s <\/i>o Salvador\u00bb, repetimos no Salmo Responsorial; Jesus \u00abentregou-Se <i>por n\u00f3s<\/i>\u00bb (<i>Tit <\/i>2, 14), proclamou S\u00e3o Paulo; e, no Evangelho, o anjo anunciou \u00abhoje nasceu <i>para v\u00f3s <\/i>um Salvador\u00bb (<i>Lc <\/i>2, 11). Para mim, para n\u00f3s.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Mas, esta locu\u00e7\u00e3o \u00ab<i>para n\u00f3s<\/i>\u00bb que nos quer dizer? Que o Filho de Deus, o Bendito por natureza, vem fazer-nos filhos benditos por gra\u00e7a. Sim, Deus vem ao mundo como filho para nos tornar filhos de Deus. Que dom maravilhoso! Hoje Deus deixa-nos maravilhados, ao dizer a cada um de n\u00f3s: \u00abTu \u00e9s uma maravilha\u00bb. Irm\u00e3, irm\u00e3o, n\u00e3o desanimes! Est\u00e1s tentado a sentir-te como um erro? Deus diz-te: \u00abN\u00e3o \u00e9 verdade! \u00c9s <i>meu <\/i>filho\u00bb. Tens a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o estar \u00e0 altura, temor de ser inapto, medo de n\u00e3o sair do <i>t\u00fanel <\/i>da prova\u00e7\u00e3o? Deus diz-te: \u00abCoragem! Estou contigo\u00bb. N\u00e3o to diz com palavras, mas fazendo-Se filho como tu e por ti, para te lembrar o ponto de partida de cada renascimento teu: reconhecer-te filho de Deus, filha de Deus. Este \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o indestrut\u00edvel da nossa esperan\u00e7a, o n\u00facleo incandescente que sustenta a exist\u00eancia: por baixo das nossas qualidades e defeitos, mais forte do que as feridas e fracassos do passado, os temores e ansiedades face ao futuro, est\u00e1 esta verdade: somos filhos amados. E o amor de Deus por n\u00f3s n\u00e3o depende nem depender\u00e1 jamais de n\u00f3s: \u00e9 <i>amor gratuito<\/i>, pura gra\u00e7a. Esta noite \u00abmanifestou-se \u2013 disse-nos S\u00e3o Paulo \u2013 a gra\u00e7a de Deus\u00bb (<i>Tit <\/i>2, 11). Nada \u00e9 mais precioso!<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><i>Um filho nos foi dado<\/i>. O Pai n\u00e3o nos deu uma coisa qualquer, mas o pr\u00f3prio Filho unig\u00e9nito, que \u00e9 toda a sua alegria. Todavia, ao considerarmos a ingratid\u00e3o do homem para com Deus e a injusti\u00e7a feita a tantos dos nossos irm\u00e3os, surge uma d\u00favida: o Senhor ter\u00e1 feito bem em dar-nos tanto? E far\u00e1 bem em confiar ainda em n\u00f3s? N\u00e3o estar\u00e1 Ele a sobrestimar-nos? Sim, sobrestima-nos; e f\u00e1-lo porque nos ama a pre\u00e7o da sua vida. N\u00e3o consegue deixar de nos amar. \u00c9 feito assim, t\u00e3o diferente de n\u00f3s. Sempre nos ama, e com uma amizade maior de quanta possamos ter a n\u00f3s mesmos. \u00c9 o seu segredo para entrar no nosso cora\u00e7\u00e3o. Deus sabe que a \u00fanica maneira de nos salvar, de nos curar por dentro, \u00e9 amar-nos. Sabe que s\u00f3 melhoramos acolhendo o seu <i>amor incans\u00e1vel<\/i>, que n\u00e3o muda, mas muda-nos a n\u00f3s. S\u00f3 o amor de Jesus transforma a vida, cura as feridas mais profundas, livra do c\u00edrculo vicioso insatisfa\u00e7\u00e3o, irrita\u00e7\u00e3o e lamento.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><i>Um filho nos foi dado<\/i>. Na pobre manjedoura dum l\u00fagubre est\u00e1bulo, est\u00e1 precisamente o Filho de Deus. E aqui levanta-se outra quest\u00e3o: porque veio Ele \u00e0 luz durante a noite, sem um alojamento digno, na pobreza e enjeitado, quando merecia nascer como o maior rei no mais lindo dos pal\u00e1cios? Porqu\u00ea? Para nos fazer compreender at\u00e9 onde chega o seu amor pela nossa condi\u00e7\u00e3o humana: at\u00e9 tocar com o seu <i>amor concreto <\/i>a nossa pior mis\u00e9ria. O Filho de Deus nasceu descartado para nos dizer que todo o descartado \u00e9 filho de Deus. Veio ao mundo como vem ao mundo uma crian\u00e7a d\u00e9bil e fr\u00e1gil, para podermos acolher com ternura as nossas fraquezas. E para nos fazer descobrir uma coisa importante: como em Bel\u00e9m, tamb\u00e9m connosco Deus gosta de fazer grandes coisas atrav\u00e9s das nossas pobrezas. Colocou toda a nossa salva\u00e7\u00e3o na manjedoura dum est\u00e1bulo, sem temer as nossas pobrezas. Deixemos que a sua miseric\u00f3rdia transforme as nossas mis\u00e9rias!<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Eis o que quer dizer um filho nasceu <i>para n\u00f3s<\/i>. Mas h\u00e1 ainda um \u00ab<i>para<\/i>\u00bb que o anjo disse aos pastores: \u00abIsto servir\u00e1 de sinal <i>para <\/i>v\u00f3s: encontrareis um menino (&#8230;) deitado numa manjedoura\u00bb (<i>Lc <\/i>2, 12). Este sinal \u2013 o Menino na manjedoura \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m para n\u00f3s, para nos orientar na vida. Em Bel\u00e9m, que significa \u00abcasa do p\u00e3o\u00bb, Deus est\u00e1 numa manjedoura, como se nos quisesse lembrar que, para viver, precisamos d\u2019Ele como de p\u00e3o para a boca. Precisamos de nos deixar permear pelo seu amor <i>gratuito, incans\u00e1vel, concreto<\/i>. Mas quantas vezes, famintos de divertimento, sucesso e mundanidade, nutrimos a vida com alimentos que n\u00e3o saciam e deixam o vazio dentro! Disto mesmo Se lamentava o Senhor, pela boca do profeta Isa\u00edas: enquanto o boi e o jumento conhecem a sua manjedoura, n\u00f3s, seu povo, n\u00e3o O conhecemos a Ele, fonte da nossa vida (cf. <i>Is <\/i>1, 2-3). \u00c9 verdade: insaci\u00e1veis de ter, atiramo-nos para muitas <i>manjedouras v\u00e3s<\/i>, esquecendo-nos da manjedoura de Bel\u00e9m. Esta manjedoura, pobre de tudo mas rica de amor, ensina que o alimento da vida \u00e9 deixar-se amar por Deus e amar os outros. D\u00e1-nos o exemplo Jesus: Ele, o Verbo de Deus, \u00e9 infante; n\u00e3o fala, mas oferece a vida. N\u00f3s, ao contr\u00e1rio, falamos muito, mas frequentemente somos <i>analfabetos em bondade<\/i>.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><i>Um filho nos foi dado<\/i>. Quem tem uma crian\u00e7a pequena, sabe quanto amor e paci\u00eancia s\u00e3o necess\u00e1rios. \u00c9 preciso aliment\u00e1-la, cuidar dela, limp\u00e1-la, ocupar-se da sua fragilidade e das suas necessidades, muitas vezes dif\u00edceis de compreender. Um filho faz-nos sentir amados, mas ensina tamb\u00e9m a amar. Deus nasceu menino para nos impelir a cuidar dos outros. Os seus ternos gemidos fazem-nos compreender como tantos dos nossos caprichos s\u00e3o in\u00fateis. O seu amor desarmado e desarmante lembra-nos que o tempo de que dispomos n\u00e3o serve para nos lamentarmos, mas para consolar as l\u00e1grimas de quem sofre. Deus vem habitar perto de n\u00f3s, pobre e necessitado, para nos dizer que, servindo aos pobres, am\u00e1-Lo-emos a Ele. Desde aquela noite, como escreveu uma poetisa, \u00aba resid\u00eancia de Deus \u00e9 pr\u00f3xima da minha. O mobili\u00e1rio \u00e9 o amor\u00bb (E. DICKINSON, <i>Poems<\/i>, XVII).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><i>Um filho nos foi dado<\/i>. Sois V\u00f3s, Jesus, o Filho que me torna filho. Amais-me como sou, n\u00e3o como eu me sonho. Abra\u00e7ando-Vos, Menino da manjedoura, reabra\u00e7o a minha vida. Acolhendo-Vos, P\u00e3o de vida, tamb\u00e9m eu quero dar a minha vida. V\u00f3s que me salvais, ensinai-me a servir. V\u00f3s que n\u00e3o me deixais sozinho, ajudai-me a consolar os vossos irm\u00e3os, porque, a partir desta noite, s\u00e3o todos meus irm\u00e3os.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":194431,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[267],"class_list":["post-194435","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194435"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194435\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/194431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}