{"id":19424,"date":"2006-07-31T10:19:20","date_gmt":"2006-07-31T10:19:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/31\/educar-para-a-cidadania-mundial\/"},"modified":"2006-07-31T10:19:20","modified_gmt":"2006-07-31T10:19:20","slug":"educar-para-a-cidadania-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/educar-para-a-cidadania-mundial\/","title":{"rendered":"Educar para a cidadania mundial"},"content":{"rendered":"<p>D. Teodoro de Faria, Bispo do Funchal <!--more--> 1. A globaliza\u00e7\u00e3o terminou com as dist\u00e2ncias, apagou as fronteiras, abriu o mundo a todos os homens e mulheres. Os fil\u00f3sofos e pol\u00edticos t\u00eam de repensar como conciliar os problemas actuais da mobilidade humana e da cidadania nacional. Hoje, cada homem, sem renegar a sua p\u00e1tria, \u00e9 cidad\u00e3o do mundo.  A doutrina social da Igreja redefine a cidadania. Escreveu o Papa Jo\u00e3o Paulo II para o Dia Mundial da Paz em 2005: \u00abPertencer \u00e0 fam\u00edlia humana, confere a cada pessoa uma esp\u00e9cie de cidadania mundial, tornando-a titular de direitos e de deveres, visto os homens estarem unidos por uma comunidade de origem e de supremo destino. Basta que uma crian\u00e7a seja concebida para se tornar titular de direitos, mere\u00e7a aten\u00e7\u00e3o e cuidados e que algu\u00e9m tenha o dever deles\u00bb.  A condena\u00e7\u00e3o do racismo, a tutela das minorias, a assist\u00eancia aos pr\u00f3fugos e refugiados, a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade internacional no confronto com todas as necessidades n\u00e3o s\u00e3o outra coisa sen\u00e3o aplica\u00e7\u00f5es do princ\u00edpio da cidadania mundial.  Como construir e tornar poss\u00edvel a nossa civiliza\u00e7\u00e3o da conviv\u00eancia humana? O nosso habitat modificou-se, o que era im\u00f3vel dinamizou-se, o que estava separado mistura-se, o que estava fossilizado funde-se.  Mas nem tudo \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil. Ao lado da mundializa\u00e7\u00e3o cresceu a balcaniza\u00e7\u00e3o. Os conflitos s\u00e3o tantos que parece estarmos na idade de ferro da era planet\u00e1ria. Aumentou a possibilidade da morte global com a bomba nuclear e a morte ecol\u00f3gica para todo o planeta.  Temos de cultivar a nossa pr\u00f3pria etnia, o conceito de p\u00e1tria, a nossa religi\u00e3o, a nossa cultura e tradi\u00e7\u00f5es, a nossa cidadania terrestre.   Pessoas, mas n\u00e3o cidad\u00e3os  2 \u2013 A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa distinguiu no Direito romano a cidadania e a pessoa, limitou a cidadania e alugou a personalidade a todos os seres humanos. Desta maneira os direitos das pessoas dizem respeito a todos os seres humanos, enquanto os direitos de cidadania dizem respeito s\u00f3 aos cidad\u00e3os.  Os emigrantes que vivem no nosso pa\u00eds s\u00e3o pessoas mas n\u00e3o s\u00e3o considerados cidad\u00e3os. A Carta dos Direitos Fundamentais da Uni\u00e3o Europeia, proclamada em Nice a 7 de Dezembro de 2000, estabelece a centralidade da pessoa que supera os confins nacionais.  A cidadania planet\u00e1ria obriga os Estados a profundas transforma\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter pol\u00edtico e institucional. Quanto mais cresce a percep\u00e7\u00e3o de vivermos num espa\u00e7o comum global \u2013 a terra \u2013 cresce tamb\u00e9m a percep\u00e7\u00e3o da crise dos estados nacionais e da soberania territorial. O Papa Jo\u00e3o Paulo II indicou que a humanidade hoje \u00abtem necessidade de um grau superior de ordenamento internacional\u00bb.  \u00abA sociedade decente, escreve um douto escritor, A. Margalit \u00e9 aquela que n\u00e3o humilha os seus cidad\u00e3os e n\u00e3o lhes causa vergonha da forma como vestem, do alimento que tomam, das ora\u00e7\u00f5es que rezam, da maneira como fazem as suas festas. Uma sociedade plural n\u00e3o exclui nenhum grupo de pessoas da \u201ccidadania\u201d simb\u00f3lica; acolhe todas as tradi\u00e7\u00f5es culturais e religiosas quando estas n\u00e3o contrastam com a carta dos direitos humanos\u00bb. N\u00e3o \u00e9 preciso guerra de v\u00e9us nas escolas, nem de Kipa na cabe\u00e7a, nem crucifixos no pesco\u00e7o\u2026   A pastoral para a nova cidadania  3 &#8211; O Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes apresentou uma equilibrada actualiza\u00e7\u00e3o sobre o tema da nova cidadania.  Os crist\u00e3os l\u00ea-se no texto, \u00abdevem ser promotores de uma verdadeira e pr\u00f3pria cultura do acolhimento que saiba apreciar os valores autenticamente humanos dos outros, para al\u00e9m de todas as dificuldades que comporta a conviv\u00eancia com quem \u00e9 diverso de n\u00f3s\u00bb. Acolhimento com atitudes concretas, reuni\u00e3o de pais e filhos, habita\u00e7\u00e3o, trabalho, associativismo, promo\u00e7\u00f5es dos direitos civis e v\u00e1rias formas de participa\u00e7\u00e3o dos imigrantes na sociedade de acolhimento. N\u00e3o basta a toler\u00e2ncia, \u00e9 preciso a simpatia, o respeito, e a defesa da identidade cultural dos interlocutores (cfr. Erga migrantes caritas Christi, N\u00ba 30)  O fen\u00f3meno migrat\u00f3rio ao p\u00f4r em contacto pessoas de diversas nacionalidades contribui para tornar vis\u00edvel a autentica fisionomia da Igreja, valoriza o ecumenismo e o di\u00e1logo mission\u00e1rio. Para a Igreja, o pluralismo \u00e9tnico e cultural n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de toler\u00e2ncia mas dimens\u00e3o estrutural. Como as cores do arco-\u00edris, este pluralismo, amplia e enriquece a \u00abAlma da Cidade\u00bb.   Funchal, 30 de Julho de 2006  <i>\u2020 Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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