{"id":19360,"date":"2006-07-26T11:05:06","date_gmt":"2006-07-26T11:05:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/26\/o-processo-de-jesus-passou-pelo-rivoli\/"},"modified":"2006-07-26T11:05:06","modified_gmt":"2006-07-26T11:05:06","slug":"o-processo-de-jesus-passou-pelo-rivoli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-processo-de-jesus-passou-pelo-rivoli\/","title":{"rendered":"\u00abO Processo de Jesus\u00bb passou pelo Rivoli"},"content":{"rendered":"<p>Uma obra apolog\u00e9tica, temporalmente marcada <!--more--> Numa organiza\u00e7\u00e3o da Par\u00f3quia do sant\u00edssima Sacramento, no Porto, com encena\u00e7\u00e3o de J\u00falio Couto e a interpreta\u00e7\u00e3o de autores amadores, e com a ac\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do p\u00e1roco, Padre Jos\u00e9 Soares Jorge, foi (re)apresentada no Rivoli a obra de Diego Fabri O Processo de Jesus, ao longo de tr\u00eas sess\u00f5es, cuja receita se destina \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma casa de apoio social daquela par\u00f3quia, designada \u201cCasa de Santa Marta\u201d. Na primeira apresenta\u00e7\u00e3o fizeram acto de presen\u00e7a os Bispos do Porto e de Lamego, o Bispo Auxiliar do Porto D. Ant\u00f3nio Taipa, os vig\u00e1rios gerais da diocese, o director do Centro de Cultura Cat\u00f3lica, entre outras personalidades. Para muitos foi a recorda\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios antigos em torno da primeira representa\u00e7\u00e3o desta pe\u00e7a no Porto, pelo ent\u00e3o Teatro Nacional D. Maria II, onde pontificaram nomes como Palmira Bastos e Raul de Carvalho. O car\u00e1cter in\u00e9dito da constru\u00e7\u00e3o e encena\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a, com interven\u00e7\u00f5es de actores surgidos do meio do p\u00fablico, perante um p\u00fablico pouco habituado a progressismos teatrais, foi mais evidente ent\u00e3o do que hoje, quando o teatro j\u00e1 se concebe com maiores liberdades de encena\u00e7\u00e3o. 1. O Processo de Jesus, de Diego Fabri, \u00e9 uma obra datada da d\u00e9cada de 50 do s\u00e9culo XX. \u00c9 pois uma obra (como quase todas, poucas s\u00e3o as intemporais) marcada pelo tempo em que foi escrita. Reflecte as inquieta\u00e7\u00f5es e as viv\u00eancias da sua \u00e9poca e do espa\u00e7o f\u00edsico e cultural em que foi escrita. O per\u00edodo do p\u00f3s-guerra, em It\u00e1lia como na Europa, que sa\u00edra j\u00e1 h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada do per\u00edodo fascista, n\u00e3o apagara completamente a pol\u00e9mica em torno dos judeus e do juda\u00edsmo, debates emergente das teses absurdas de Hitler que conduziram aos campos de extermina\u00e7\u00e3o. Numa It\u00e1lia de ra\u00edzes crist\u00e3s e cat\u00f3licas, a quest\u00e3o do relacionamento entre as concep\u00e7\u00f5es crist\u00e3s e as concep\u00e7\u00f5es judaicas, o questionamento da rela\u00e7\u00e3o de Cristo com os judeus e dos judeus com Cristo que era judeu, herdeiro da Promessa, nascido do povo da Alian\u00e7a, e com o cristianismo, tinha que ser assumido, tamb\u00e9m na literatura, o tema sempre recorrente ao longo da hist\u00f3ria: quais as raz\u00f5es hist\u00f3ricas e s\u00f3cio-culturais e pol\u00edticas que levaram \u00e0 condena\u00e7\u00e3o de Jesus, pessoa que reconhecidamente tinha merecido a admira\u00e7\u00e3o das multid\u00f5es e que \u201cpassara fazendo o bem\u201d. Ressalve-se: as raz\u00f5es hist\u00f3ricas, humanas, jur\u00eddicas, porque as raz\u00f5es teol\u00f3gicas, salv\u00edficas, escatol\u00f3gicas, j\u00e1 desde a primeira prega\u00e7\u00e3o de Pedro tinham ficado esclarecidas: esse Jesus que v\u00f3s condenastes Deus o ressuscitou dos mortos, e n\u00f3s somos testemunhas de tudo isso (Actos do Ap\u00f3stolos, cap. 2.\u00ba). Note-se que quem isto afirma \u00e9 judeu como Jesus, era seu parente e recebeu a miss\u00e3o de confirmar na f\u00e9 os seus irm\u00e3os. Esta \u00e9 a dimens\u00e3o essencial, a teol\u00f3gica, do processo de Jesus, que n\u00e3o \u00e9 a mais vis\u00edvel na pe\u00e7a. Por\u00e9m, como temos a inveterada tenta\u00e7\u00e3o de reduzir tudo \u00e0 simples explica\u00e7\u00e3o racional dos factos e \u00e0 sua visibilidade imediata (em vez de procurarmos as suas ra\u00edzes profundas e o seu sentido mais pleno), sempre queremos encontrar explica\u00e7\u00f5es \u201cracionais\u201d para os dados hist\u00f3ricos. Ora muitas vezes as explica\u00e7\u00f5es racionais s\u00e3o as mais irracionais. 2. O Processo de Jesus, de Diego Fabri (1911-1980), dramaturgo que os cr\u00edticos de influ\u00eancia marxista apelidavam de escritor burgu\u00eas (contrapondo-lhe o seu contempor\u00e2neo mais jovem Dario Fo, esse sim escritor \u201cpopular\u201d,\u201dprogressista\u201d, autor de um teatro desmistificador das for\u00e7as sociais), tornou-se uma das suas obras mais famosas e mais representadas, e que deu mesmo origem ao menos a um filme, o do espanhol Jos\u00e9 Lu\u00eds S\u00e1enz de. Heredia, que  transp\u00f4s para obra f\u00edlmica O Processo a Jesus.  Trata-se de uma drama constru\u00eddo ao estilo das novidades teatrais da \u00e9poca, qui\u00e7\u00e1 influenciado pelas teses de B. Brecht sobre a fun\u00e7\u00e3o social e cultural do teatro que propugnavam um teatro com interven\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, um teatro participativo, \u201cdesconstru\u00eddo\u201d, de espa\u00e7os m\u00f3veis e intermut\u00e1veis (como ali\u00e1s fizera j\u00e1 Gil Vicente, quatro s\u00e9culos antes, como bem nota A. J. Saraiva). Drama dividido em dois quadros, cuja liga\u00e7\u00e3o \u00e9 transmitida ao p\u00fablico pelas pr\u00f3prias personagens da obra. Estreou-se em 2 de Mar\u00e7o de 1955 no Piccolo Teatro de Mil\u00e3o. O enredo da pe\u00e7a parte do projecto de um grupo familiar judaico que se re\u00fane em sess\u00f5es repetidas para tentar encontrar a verdadeira raz\u00e3o pela qual Jesus foi condenado \u00e0 crucifica\u00e7\u00e3o, esse rito condenat\u00f3rio e castigador da tradi\u00e7\u00e3o romana, b\u00e1rbaro e cruel, que n\u00e3o tinha tradi\u00e7\u00e3o nas condena\u00e7\u00f5es ou castigos judaicos (entre os judeus, como agora ainda entre algumas tradi\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmanas, o castigo hom\u00f3logo era o apedrejamento, igualmente cruel e b\u00e1rbaro \u2013 quiseram apedrejar a mulher ad\u00faltera, como apedrejaram o primeiro di\u00e1cono da Igreja de Cristo, Est\u00eav\u00e3o, este por \u201cblasf\u00e9mia\u201d. Cf. 7, 34 e sg). N\u00e3o \u00e9 um projecto novo nem literariamente original. J\u00e1 o universal escritor russo Dostoievsky, seu contempor\u00e2neo (1821 \u2013 1881), autor de obras como Crime e Castigo, ou Os Possessos  ou Os Irm\u00e3os Karamazov, o escritor das profundezas da alma humana, da busca dos sentido da vida e da religiosidade imanente, fala de um c\u00e9lebre processo que teria tido lugar na Inglaterra no final do s\u00e9culo XVIII, e que consisti, segundo parece, numa reprodu\u00e7\u00e3o do julgamento a que foi submetido Jesus Cristo, realizado por homens de leis (advogados e ju\u00edzes) daquela \u00e9poca. Esses ju\u00edzes voltaram a condenar Cristo. Pode perguntar-se se foi um processo real, ou apenas uma fic\u00e7\u00e3o teatral. No entanto, j\u00e1 no s\u00e9culo XX, um grupo de ju\u00edzes anglo-sax\u00f5es p\u00f4s em pr\u00e1tica a mesma ideia e para dar maior realismo ao acontecimento e \u00e0 ac\u00e7\u00e3o suposta, realizaram o julgamento em Jerusal\u00e9m, nos mesmos locais onde os factos originais ter\u00e3o acontecido. Nesta ocasi\u00e3o verificou-se a absolvi\u00e7\u00e3o de Jesus. Parece que se conservam as actas deste julgamento, e que Diego Fabri se ter\u00e1 servido delas para trabalhar e organizar o seu O Processo de Jesus. 3. Est\u00e1 claro que a pe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um tratado de exegese b\u00edblica ou hist\u00f3ria, nem mito menos um tratado de teologia salv\u00edfica. Verifica-se no entanto que procura recolher e mesmo responder aos argumentos desenvolvidos pela cr\u00edtica positivista: que os milagres foram sugest\u00f5es, que os disc\u00edpulos foram levados pela sedu\u00e7\u00e3o pessoal ou projectos de ambi\u00e7\u00e3o, ou pelas expectativas da restaura\u00e7\u00e3o do reino de Israel. Surgem no entanto alguns dos dramas humanos mais profundos narrados no Evangelho: desde o mist\u00e9rio do nascimento, as d\u00favidas de Jos\u00e9, a presen\u00e7a de Jesus no templo, o chamamento, as d\u00favidas e a trai\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos e o drama interior por eles vivido, particularmente os de Pedro e de Judas, a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, a convers\u00e3o da mulher pecadora (por certo duvidosamente considerada como Maria, irm\u00e3 de L\u00e1zaro), a cura do cego, a ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro, as motiva\u00e7\u00f5es \u00edntimas de cada um, a atrac\u00e7\u00e3o do amor que transporta montanhas e determina as vidas&#8230; A primeira parte inscreve-se pois numa tentativa de interpreta\u00e7\u00e3o dos dados evang\u00e9licos, e n\u00e3o traz novidade nem dram\u00e1tica nem tem\u00e1tica.  <b>Transposi\u00e7\u00e3o para o presente<\/b> Mais interessante \u00e9 a segunda parte: porque aqui o autor, recorrendo \u00e0 interven\u00e7\u00e3o de personagens colocadas na plateia, produz um questionamento atrav\u00e9s da presen\u00e7a de v\u00e1rias figuras sociais: um padre (inicialmente disfar\u00e7ado), um jornalista, um fil\u00f3sofo, a mulher ou amante do fil\u00f3sofo. Os argumentos esgrimidos podem resumir-se assim: se a doutrina pregada por Jesus possui tanta grandeza e tanta for\u00e7a, por que raz\u00e3o os crist\u00e3os n\u00e3o transformam o mundo? Eis a antiga quest\u00e3o, que continua actual. Tudo se conclui na interven\u00e7\u00e3o da velha que limpa o teatro, cuja tese se pode tam,b\u00e9m resumir assim: eu n\u00e3o entendi nada do que estiveram a discutir; s\u00f3 sei que c\u00e1 dentro do cora\u00e7\u00e3o esta f\u00e9 ou presen\u00e7a de Jesus me d\u00e1 consola\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a&#8230; E beija as m\u00e3os de Maria. Outro dos dramas propostos \u00e9 o drama interior dos pr\u00f3prios ju\u00edzes: afinal o acusador tamb\u00e9m est\u00e1 marcado pela contradi\u00e7\u00e3o entre a sua tradi\u00e7\u00e3o e uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0s palavras de Cristo. No fundo a atitude acusat\u00f3ria que desempenha \u00e9 um reflexo da sua vida&#8230; Todos os acusadores profissionais s\u00e3o espelhos de si pr\u00f3prios. O final \u00e9 uma absolvi\u00e7\u00e3o pressentida. A encena\u00e7\u00e3o e a ac\u00e7\u00e3o dos actores reflecte o que ela foi na sua inten\u00e7\u00e3o e na sua g\u00e9nese: um trabalho generoso, volunt\u00e1rio, dedicado, e feito com garbo e entusiasmo. H\u00e1 personagens mais salientes, tanto pela ac\u00e7\u00e3o como pela representa\u00e7\u00e3o: o presidente do tribunal (Ernesto Campos), o acusador (&#8230;..), Judas \u2013 e haveria que interpretar a sali\u00eancia dada na pe\u00e7a ao papel de Judas (&#8230;.); o papel final da senhora da limpeza (&#8230;) acaba por ser determinante, pelo seu tom intimista e de sentimentalidade simples. Por isso uma das acusa\u00e7\u00f5es ou lamentos que incidem sobre esta pe\u00e7a e o seu car\u00e1cter apolog\u00e9tico \u00e9 o de assentar a sua tese nos aspectos pessoais e nas viv\u00eancias sentimentais, mais que nos fundamentos l\u00f3gicos, filos\u00f3ficos ou teol\u00f3gicos do cristianismo, muito menos nos aspectos b\u00edblicos ou salv\u00edficos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma obra apolog\u00e9tica, temporalmente marcada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[176,187,203],"class_list":["post-19360","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-lamego","tag-diocese-do-porto","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19360"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19360\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}