{"id":19358,"date":"2006-07-26T10:43:06","date_gmt":"2006-07-26T10:43:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/26\/deus-conhece-bem-o-valor-da-nossa-felicidade\/"},"modified":"2006-07-26T10:43:06","modified_gmt":"2006-07-26T10:43:06","slug":"deus-conhece-bem-o-valor-da-nossa-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/deus-conhece-bem-o-valor-da-nossa-felicidade\/","title":{"rendered":"<i>Deus conhece bem o valor da nossa felicidade! <\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Augusto C\u00e9sar, proferida em F\u00e1tima a 23 de Julho <!--more--> \u00abQualidade do pastoreio\u00bb O alento do rebanho, diz o profeta Jeremias, depende, em grande parte, do zelo apost\u00f3lico dos pastores. E, em Israel, os reis e os sacerdotes eram frequentemente designados com esse nome, uma vez que lhes cabia a miss\u00e3o de conduzir o povo, de acordo com o \u00b4plano\u00b4 de Deus ou a Sua \u00b4alian\u00e7a\u00b4. Acontece que, muitas vezes, os mesmos pastores se deixavam influenciar pela moda do tempo, isto \u00e9, por tudo aquilo que acontecia \u00e0 sua volta, e davam pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e0 fidelidade e aos Mandamentos. E o povo acabava por ser v\u00edtima, sendo deportado para a \u00b4di\u00e1spora\u00b4, \u00e0 conta dos pa\u00edses invasores. Depois, Deus compadecia-se dele e suscitava um profeta que garantisse a continuidade da esperan\u00e7a e o regresso ao pa\u00eds. Mas, tudo isto, causava sofrimento e o \u00b4povo do Senhor\u00b4 era humilhado diante da arrog\u00e2ncia dos pag\u00e3os e dos seus falsos deuses.  Ora, talvez n\u00e3o nos demos conta de que o laicismo do nosso tempo age como a moda de ent\u00e3o: vai procurando desacreditar a virtude&#8230; vai confundindo os valores, para que tudo pare\u00e7a igual&#8230; e aos lugares sagrados atribui um ar de romaria que, \u00e0s vezes, mais aconselha a descontrac\u00e7\u00e3o, do que a ora\u00e7\u00e3o e o recolhimento. Ser\u00e1 porque os pastores andam menos atentos ao essencial do Evangelho e da mensagem de Nossa Senhora ou porque os crist\u00e3os (e os peregrinos tamb\u00e9m) se deixam acomodar \u00e0 indiferen\u00e7a espiritual do tempo? Bem sabemos que Nossa Senhora n\u00e3o apareceu aos Pastorinhos, para os entreter ou para lhes dar a satisfa\u00e7\u00e3o de A verem&#8230; mas para que eles e n\u00f3s ouv\u00edssemos os Seus apelos de convers\u00e3o e de repara\u00e7\u00e3o. E este lugar \u00e9 sagrado, porque foi aqui que Nossa Senhora apareceu e falou. Ent\u00e3o, n\u00e3o facilitemos a dissipa\u00e7\u00e3o e o barulho, no ambiente do Santu\u00e1rio, nem consintamos maneiras indecorosas de vestir, que escandalizam os mais pequenos e s\u00e3o um mau exemplo para aqueles que chegam de longe e de outros pa\u00edses. E dos parques do mesmo Santu\u00e1rio, que se destinam ao acolhimento dos peregrinos e colaboram com a devo\u00e7\u00e3o, a liturgia e o recolhimento, n\u00e3o fa\u00e7amos lugares de mero acampamento, como se tudo n\u00e3o passasse dum \u00b4camping\u00b4 p\u00fablico. Resistamos \u00e0 dissipa\u00e7\u00e3o do tempo, \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o da moda e \u00e0 indiferen\u00e7a do laicismo. E digamos a Nossa Senhora, com a alma cheia de f\u00e9 e de confian\u00e7a: M\u00e3e do c\u00e9u, n\u00f3s vimos \u00e0 Vossa presen\u00e7a, para Vos pedir protec\u00e7\u00e3o e b\u00ean\u00e7\u00e3o a favor das nossas fam\u00edlias e o dom da paz para o mundo e, mormente, para o M\u00e9dio Oriente. E, com esse prop\u00f3sito, queremos ser fi\u00e9is \u00e0 Vossa mensagem. &#8211; Realmente, ser peregrino \u00e9 isto, e n\u00e3o outra coisa!  O Ap\u00f3stolo Paulo, na carta aos Ef\u00e9sios, afirma concretamente em que consiste o essencial do Evangelho de Jesus Cristo: amor a Deus e ao pr\u00f3ximo, perd\u00e3o, reconcilia\u00e7\u00e3o e paz. E a mensagem de Nossa Senhora segue o mesmo caminho. Ora, nada disto se consegue com a acomoda\u00e7\u00e3o \u00e0 facilidade ou a um simples \u00b4deixar correr\u00b4. Se assim fosse, os Pastorinhos n\u00e3o teriam trocado as suas brincadeiras habituais, pela reza ass\u00eddua do Ter\u00e7o e pelos sacrif\u00edcios de repara\u00e7\u00e3o e desagravo. E Jesus n\u00e3o teria recomendado aos disc\u00edpulos que escolhessem a via estreita que conduz \u00e0 salva\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a via larga que seduz, mas n\u00e3o d\u00e1 garantias de promessa!  Tamb\u00e9m, o ambiente social que nos rodeia, acusa uma falta acentuada de confian\u00e7a e de reconcilia\u00e7\u00e3o entre as pessoas, com reflexos na fam\u00edlia. E, \u00e0s vezes, os pais andam preocupados com a seguran\u00e7a dos filhos e olham para a escola com exig\u00eancias que ela n\u00e3o sabe ou n\u00e3o consegue satisfazer, mormente quando pretende impor a todos um modelo \u00fanico. Ora, se n\u00e3o formos capazes de valorizar, entre n\u00f3s, o di\u00e1logo, a colabora\u00e7\u00e3o e o perd\u00e3o, dificilmente conseguimos harmonizar a felicidade com a fidelidade. E porqu\u00ea? Porque o relativismo com que nos ensinam a apreciar os comportamentos, e a sede de modernidade despida de valores espirituais e de virtude, n\u00e3o conseguem evitar a ruptura e o desalento. Isto, mesmo, no casamento, na consagra\u00e7\u00e3o e no sacerd\u00f3cio. Com efeito, parece que o dinheiro e o prazer comandam a vida e pretendem, ainda, condicionar o sagrado. Mas nem a cobi\u00e7a nem o hedonismo conseguem manipular o c\u00e9u e Deus Criador. Voltemos, por isso, ao profeta Jeremias, afirmando com a mesma convic\u00e7\u00e3o: &#8220;O Senhor \u00e9 a nossa Justi\u00e7a&#8221;, isto \u00e9, a garantia da esperan\u00e7a que nos atrai at\u00e9 ao futuro e nos leva ao som daquela palavra que tem sabor a c\u00e9u: &#8220;Vinde benditos de Meu Pai, para o Reino que vos est\u00e1 preparado&#8221;! Ora, as apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora fizeram ouvir o mesmo convite pelas quebradas desta Serra e desejam fazer de n\u00f3s peregrinos atentos e ap\u00f3stolos da Sua mensagem. Sejamos generosos!   \u00abO entusiasmo da miss\u00e3o\u00bb Entretanto, ao escutarmos o Evangelho de S\u00e3o Marcos, ficou-nos a sensa\u00e7\u00e3o de ouvir os Ap\u00f3stolos, a contar ao Mestre os \u00eaxitos da sua prega\u00e7\u00e3o: cada um tinha novidades a dizer e todos sentiam grande entusiasmo! Isto, ao jeito do que fazeis com os vossos filhos, quando eles regressam da escola ou de outros afazeres. Uma vez que o conv\u00edvio e a partilha s\u00e3o necess\u00e1rios, geram confian\u00e7a e permitem corrigir alguns excessos.  Por outra parte, as experi\u00eancias mission\u00e1rias dos Ap\u00f3stolos despertavam a esperan\u00e7a nos habitantes das aldeias, espalhadas ao redor do Lago de Tiber\u00edades, e suscitavam o gosto de ver e ouvir o Mestre. E faziam, mesmo, parte da forma\u00e7\u00e3o e do amadurecimento progressivo da f\u00e9. Com efeito, Jesus havia de chegar mais longe, como nos apercebemos por estas palavras: &#8220;como Eu fiz, fazei v\u00f3s tamb\u00e9m&#8221;&#8230; E mais: &#8220;tudo o que o Pai Me deu, Eu vo-lo dou a v\u00f3s&#8221;.  Ora, este jeito progressivo de educar, n\u00e3o passava s\u00f3 pela participa\u00e7\u00e3o activa&#8230; mas pela presen\u00e7a e conviv\u00eancia criativa. Era essencial, para os Ap\u00f3stolos, estar a s\u00f3s com Jesus, ouvir a Sua palavra e sentir o Seu afecto. Como era essencial para Jesus, demorar-se com o Pai, num di\u00e1logo silencioso e cheio de intimidade, quantas vezes, pela noite dentro, ou antes de amanhecer e, sempre, em lugar isolado e distante do bul\u00edcio do mundo. Do mesmo modo, nenhum crist\u00e3o consegue progredir na f\u00e9 e no caminho da virtude, se descuidar a intimidade da ora\u00e7\u00e3o e a escuta da Palavra, dentro e fora da Liturgia. \u00c9 preciso falar a Deus e, muito mais, escut\u00e1-Lo. Por isso, Jesus entrou num barco, juntamente com os Doze, e mandou passar \u00e0 outra margem do Lago. Simplesmente, a multid\u00e3o que O rodeava apercebeu-se do destino e correu a p\u00e9, para o mesmo lugar. J\u00e1 n\u00e3o passava sem o alimento da Sua Palavra: esta era vida e promessa de Vida! E Jesus, encheu-se de compaix\u00e3o, porque via aquela gente como um &#8220;rebanho sem pastor&#8221; \u2013 e continuou a evangelizar&#8230;  Ter\u00e1 sido com o mesmo intuito \u2013 de sil\u00eancio, intimidade e escuta \u2013 que Nossa Senhora atraiu os Pastorinhos at\u00e9 este lugar, que d\u00e1 pelo nome de \u00b4Cova da Iria\u00b4? Foi, com certeza, e n\u00e3o s\u00f3 uma ou duas vezes; mas, de Maio at\u00e9 Outubro, no dia treze, para fazer uma \u00b4escola\u00b4 de forma\u00e7\u00e3o, ao jeito do Seu Filho, com os Ap\u00f3stolos. E quantas coisas lhes ensinou e, atrav\u00e9s delas, tamb\u00e9m a n\u00f3s: o amor a Deus e a necessidade da ora\u00e7\u00e3o&#8230; o desagravo ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria e a devo\u00e7\u00e3o dos primeiros s\u00e1bados&#8230; a solidariedade para com os pecadores e o sentido da repara\u00e7\u00e3o&#8230; a urg\u00eancia da paz pedida com insist\u00eancia e confian\u00e7a&#8230; a reza do Ter\u00e7o, como ora\u00e7\u00e3o predilecta e ao alcance de todos (rezado a s\u00f3s ou em fam\u00edlia)&#8230; O c\u00e9u costuma pedir com insist\u00eancia, porque Deus conhece bem o valor da nossa felicidade! N\u00e3o nos deixemos, pois, distrair dos Seus apelos. E, muito menos, dar aten\u00e7\u00e3o a propostas ilus\u00f3rias que nada t\u00eam a ver com a f\u00e9 crist\u00e3, mas, antes, com truques de com\u00e9rcio e apar\u00eancia de mist\u00e9rio.  Vale a pena lembrar as palavras de Nossa Senhora, aos Pastorinhos, diante da vis\u00e3o do Inferno:  &#8220;Vistes o inferno, para onde v\u00e3o as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devo\u00e7\u00e3o ao Meu lmaculado Cora\u00e7\u00e3o. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-\u00e3o muitas almas e ter\u00e3o paz&#8230; Mas se n\u00e3o deixarem de ofender a Deus&#8230; come\u00e7ar\u00e1 outra guerra pior&#8221;. Tanto a \u00b4vis\u00e3o\u00b4 como estas \u00b4palavras\u00b4, afiguram-se, no parecer de alguns, como traumatizantes para as crian\u00e7as. E n\u00e3o admira, pois a sociedade p\u00f3s-moderna rejeita a cruz e n\u00e3o gosta de conviver com os que sofrem. Deus, por\u00e9m (diz a L\u00facia, no primeiro livro das Mem\u00f3rias), n\u00e3o hesitou em \u00b4mostrar e falar disto\u00b4 \u00e0s tr\u00eas crian\u00e7as, sendo uma de seis anos, apenas! E acrescenta: &#8220;como \u00e9 que a Jacinta, t\u00e3o pequenina, se deixou possuir e compreendeu um tal esp\u00edrito de mortifica\u00e7\u00e3o e penit\u00eancia&#8221;? Decerto, por aquela raz\u00e3o que levou Jesus a rezar ao Pai, em atitude de louvor: &#8220;Eu Te bendigo, \u00f3 Pai, porque revelastes estas coisas aos pequeninos e n\u00e3o aos grandes e poderosos&#8221;! Sim, os pequeninos n\u00e3o p\u00f5em confian\u00e7a nas pr\u00f3prias for\u00e7as e capacidades; cr\u00eaem com a vida. E quem s\u00e3o os pequeninos, afinal? &#8211; As crian\u00e7as, somente? Os pequeninos, \u00e0 luz do Evangelho, s\u00e3o os humildes de cora\u00e7\u00e3o, os pac\u00edficos, os que sofrem pela justi\u00e7a&#8230; isto \u00e9, os que se deixam moldar pelo esp\u00edrito das bem-aventuran\u00e7as.  Vamos, de novo, \u00e0 beira Lago, acompanhar Jesus e os Ap\u00f3stolos, para saber como se passou aquele descanso: por causa da multid\u00e3o que precisava e pedia, o trabalho continuou at\u00e9 ao fim da tarde; mas por causa dos Doze, Jesus quis retirar-se e mostrar como \u00e9 importante dialogar a f\u00e9 e usar os joelhos para falar com Deus. Ora, foi tudo isto, o que Nossa Senhora ensinou e pediu, aqui, em F\u00e1tima. N\u00e3o vamos, pois, comprometer o ambiente de sil\u00eancio deste Santu\u00e1rio. N\u00f3s, os pastores, e v\u00f3s, os crist\u00e3os, devemos empenhar-nos com responsabilidade. Que Nossa Senhora vos aben\u00e7oe e \u00e0s vossas fam\u00edlias!\u00bb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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