{"id":193221,"date":"2020-12-13T09:30:11","date_gmt":"2020-12-13T09:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=193221"},"modified":"2020-12-14T12:02:02","modified_gmt":"2020-12-14T12:02:02","slug":"solidariedade-se-a-caritas-nao-chegar-ninguem-la-chega-diz-nova-presidente-da-direcao-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/solidariedade-se-a-caritas-nao-chegar-ninguem-la-chega-diz-nova-presidente-da-direcao-nacional\/","title":{"rendered":"Solidariedade: \u00abSe a C\u00e1ritas n\u00e3o chegar, ningu\u00e9m l\u00e1 chega\u00bb, diz nova presidente da dire\u00e7\u00e3o nacional"},"content":{"rendered":"<p><em>Rita Valadas tomou posse na \u00faltima quinta-feira para um mandato de tr\u00eas anos como presidente da C\u00e1ritas Portuguesa<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_193370\" aria-describedby=\"caption-attachment-193370\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-193370\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-193370\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Miseric\u00f3rdia de Lisboa<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em entrevista \u00e0 Renascen\u00e7a e Ecclesia, destaca o simbolismo de a escolha ter reca\u00eddo sobre uma mulher e projeta os desafios que se levantam, num cen\u00e1rio marcado pela pandemia, com alertas para quem se aproveita dos mais vulner\u00e1veis para retirar benef\u00edcios pol\u00edticos.<\/p>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Como recebeu este convite do episcopado portugu\u00eas?<\/em><\/p>\n<p>Muito honrada e muito espantada, devo dizer. Nunca foi coisa que me tivesse passado como possibilidade e foi uma grande admira\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tem um passado ligado \u00e0 C\u00e1ritas, forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da Solidariedade\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim. A quest\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 na dignidade ou no lugar, tem a ver com um preconceito meu: apesar de ter estado na C\u00e1ritas entre 2006 e 2011, com o professor Eug\u00e9nio Fonseca, e de saber que a primeira presidente da C\u00e1ritas foi uma mulher, sempre entendi que havia um certo preconceito em ter uma mulher neste lugar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A escolha de uma presidente quer ser um sinal de valoriza\u00e7\u00e3o do papel da mulher na Igreja? Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Ecclesia, D. Jos\u00e9 Traquina, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social destacou o facto de a C\u00e1ritas Portuguesa \u201cter tamb\u00e9m uma figura feminina\u201d na lideran\u00e7a. Parece-lhe que \u00e9 um sinal forte, que \u00e9 aqui deixado?<\/em><\/p>\n<p>Nunca me tinha questionado sobre esse particular, mas passei a confrontar-me com isso quando percebi que eu pr\u00f3pria tinha este preconceito. Na tomada de posse, o senhor D. Jos\u00e9 Ornelas (presidente da CEP) foi claro em rela\u00e7\u00e3o a isto: era importante que a Igreja desse um sinal da presen\u00e7a da mulher, do perfil da mulher para ser m\u00e3e, ter colo, ter um olhar mais cuidador. Acho que foi a palavra cuidado que ressoou mais em mim.<\/p>\n<p>Eu sinto-me, naturalmente, honrada por ser a mulher que representa este olhar. Um junto equil\u00edbrio do g\u00e9nero \u00e9 sempre uma coisa interessante, mas nunca me tinha confrontado com essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse cuidado, ligado ao sentido pr\u00e1tico, pode ser importante para a pr\u00f3pria C\u00e1ritas?<\/em><\/p>\n<p>Curiosamente, se n\u00f3s virmos e analisarmos o pessoal, as pessoas que colaboram com a C\u00e1ritas s\u00e3o muito mais mulheres do que homens. N\u00e3o \u00e9 ao n\u00edvel das dire\u00e7\u00f5es e isso \u00e9 talvez um sinal dos tempos, porque durante muito tempo, \u00e0 volta da Igreja, os homens eram as pessoas que tinham mais disponibilidade ou, supostamente, podiam estar mais afastados do lar por causa dessa miss\u00e3o que as mulheres m\u00e3es tinham na fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Eu encaro isso com muita naturalidade, mas, como digo, acho que \u00e9 um sinal que dignifica muito a Igreja. Acho que muita gente se vai sentir alinhada com esse pensamento. \u00c9 muito bom para mim e espero conseguir confirmar que foi uma boa aposta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com o impacto da pandemia s\u00e3o de prever novos pedidos de apoio, novas formas de pobreza, maior dificuldade no terreno?<\/em><\/p>\n<p>Como em todas as crises. E esta \u00e9 uma crise especial, \u00e9 uma crise que nos obriga a confrontar-nos com um tipo de desastre para o qual n\u00e3o est\u00e1vamos preparados, nos tempos de hoje. Porque a sociedade nacional, mundial, j\u00e1 se confrontou com muitas pandemias, mas para os nossos tempos, ningu\u00e9m estava preparado\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 propriamente a quest\u00e3o da sa\u00fade que provoca todas essas consequ\u00eancias, \u00e9 tudo o que vem ligado \u00e0s quest\u00f5es econ\u00f3micas, aos encerramentos, falta de emprego. Isso sim, traz muitas pessoas para novos pedidos, o que tamb\u00e9m aconteceu em 2008. Nessa crise, a C\u00e1ritas teve um papel muito importante, porque acudiu a uma situa\u00e7\u00e3o que era at\u00edpica: foi uma crise econ\u00f3mica que afetou a classe m\u00e9dia e a classe m\u00e9dia-alta. Agora temos uma crise mais democr\u00e1ticas, mas que ataca particularmente as quest\u00f5es do emprego.<\/p>\n<p>Pessoas que n\u00e3o estavam habituadas a ter de depender de terceiros, para sustentar a fam\u00edlia e garantir o seu dia a dia, v\u00eam a n\u00f3s e v\u00eam com situa\u00e7\u00f5es bastante aflitivas. N\u00e3o s\u00e3o pessoas que estejam habituadas a uma subsidiodepend\u00eancia, a ter de pedir. Isso \u00e9 uma coisa que nos convoca e que \u00e9 an\u00e1loga, nestas duas situa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 a partir de agora que vai surgir, mas quanto mais tempo durar esta situa\u00e7\u00e3o, mais pessoas vai afetar.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A Covid-19 traz desafios espec\u00edficos ao trabalho da C\u00e1ritas, marcado pela proximidade? Com as limita\u00e7\u00f5es impostas pela crise sanit\u00e1ria\u2026<\/em><\/p>\n<p>A C\u00e1ritas, a Igreja em Portugal, \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o mais capilar que existe. N\u00e3o s\u00f3 se apercebe e tem uma no\u00e7\u00e3o muito clara do que est\u00e1 a acontecer nos territ\u00f3rios como tamb\u00e9m tem uma capacidade de intervir e de estar pr\u00f3xima. Agora n\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximo, como \u00e9 da natureza da C\u00e1ritas, mas porque temos uma obriga\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncia, que nos confronta com a quest\u00e3o dos afetos, das rela\u00e7\u00f5es, e nos obriga a esta mais longe do que gostar\u00edamos de estar. Ainda assim, \u00e9 \u00f3bvio que a C\u00e1ritas est\u00e1 pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E receia que, por esse facto, haja muita gente que n\u00e3o tenha acesso a ajuda, por causa desse distanciamento?<\/em><\/p>\n<p>Acho que isso \u00e9 poss\u00edvel, n\u00e3o creio que haja algu\u00e9m que tenha estudado esse assunto, mas se a C\u00e1ritas n\u00e3o chegar, ningu\u00e9m l\u00e1 chega. A aposta \u00e9 tentar olhar para os escondidos, realmente, para aqueles que n\u00e3o sendo naturais deste processo, precisam de ajuda e est\u00e3o escondidos por vergonha ou outras quest\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A C\u00e1ritas tem vindo a deixar uma marca de credibilidade na resposta \u00e0s emerg\u00eancias. \u00c9 uma \u00e1rea priorit\u00e1ria? \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m olhar para fora do pa\u00eds, no atual contexto?<\/em><\/p>\n<p>A C\u00e1ritas tem sempre essas duas dimens\u00f5es. Tem sempre a dimens\u00e3o de aceitar o olhar de fora, para o que se passa c\u00e1 dentro, e olhar para fora. Na rede da C\u00e1ritas Europa e da \u2018Caritas Internationalis\u2019, n\u00f3s temos um olhar alargado, sempre atento, j\u00e1 que, infelizmente, esta n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica crise que existe no mundo, existem muitos outros problemas que se juntam. A C\u00e1ritas tenta equilibrar os seus v\u00e1rios olhares, nas diferentes miss\u00f5es, e faz isso com os seus parceiros na Europa e no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sabemos que a C\u00e1ritas est\u00e1 a trabalhar numa base de dados com informa\u00e7\u00e3o sobre pedidos de apoio no pa\u00eds. \u00c9 importante identificar claramente quais s\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es de necessidade? <\/em><\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um trunfo na a\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se ela est\u00e1 escrita e onde, mas saber se a conhecemos e o que fazemos para resolver.<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es destas, de grande crise, h\u00e1 sempre o risco da sobreposi\u00e7\u00e3o de recursos, que n\u00f3s temos de evitar. Pede-se, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 C\u00e1ritas, mas a todas as pessoas que agem sobre os territ\u00f3rios, que isso n\u00e3o aconte\u00e7a. Ningu\u00e9m consegue resolver nenhuma crise sozinho e os recursos de todos t\u00eam de ser colocados \u00e0 frui\u00e7\u00e3o dos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para uma melhor resposta \u00e9 fundamental o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00e3o. Reconhece alguma falta de coordena\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no terreno no apoio aos mais desfavorecidos? Como melhorar essa intera\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Acabei de tomar posse e ainda que conhe\u00e7a a C\u00e1ritas e nunca me tenha afastado completamente, n\u00e3o me parece que seja \u00fatil, neste momento, falar da especificidade dos programas ou criar alguma confus\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o a isto.<\/p>\n<p>A facilidade com que, em Portugal, se age sobre as situa\u00e7\u00f5es dos vulner\u00e1veis, confundindo e sobrepondo recursos, \u00e9 uma realidade, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de agora. \u00c9 uma realidade permanente, tanto assim que estas quest\u00f5es da informa\u00e7\u00e3o e de como \u00e9 que gerimos os recursos, quem tem acesso, \u00e9 uma realidade que acontece agora como aconteceu quando foram os fogos de 2003, quando o importante era identificar quem \u00e9 que estava em situa\u00e7\u00e3o de grande necessidade. Debatemo-nos sempre com esta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando penso nesta crise, que espero que esteja a encontrar o seu caminho de sa\u00edda, penso sempre que n\u00f3s precisamos de descobrir o que \u00e9 a resili\u00eancia em crise. A resili\u00eancia do pa\u00eds. Nunca sabemos o que vem por a\u00ed, ningu\u00e9m estava \u00e0 espera de que houvesse uma pandemia, ningu\u00e9m estava preparado para isto\u2026 Ainda assim, a n\u00edvel da Prote\u00e7\u00e3o Civil, temos trabalhado as quest\u00f5es das intemp\u00e9ries, das secas, dos fogos, etc., mas n\u00e3o temos agido nem est\u00e1vamos preparados para ter uma crise deste tipo. Mas o futuro \u00e9 isso que nos traz.<\/p>\n<p>O que temos de trabalhar, a partir de agora, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de crise, estamos em emerg\u00eancia, agiremos sobre a emerg\u00eancia com todos os riscos que alguma sobreposi\u00e7\u00e3o pode ter. Mas n\u00f3s temos de pensar, de facto, como \u00e9 que vamos agir no futuro, preparando-nos para uma crise, seja ela qual for.<\/p>\n<p>Estas perguntas que hoje s\u00e3o colocadas s\u00e3o as mesmas que forma nas outras crises: estamos a usar bem? O que \u00e9 que pod\u00edamos fazer melhor?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E h\u00e1 uma sensibilidade muito grande da opini\u00e3o p\u00fablica\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, e faz sentido. Porque h\u00e1 muito quem sofra de um sentimento de injusti\u00e7a, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o, olhando para outros que sente que est\u00e3o em menos dificuldade, mas que s\u00e3o mais beneficiados. Temos de saber enfrentar este tipo de situa\u00e7\u00f5es, para a pr\u00f3xima vez\u2026<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>At\u00e9 porque t\u00eam um potencial muito grande de populismo, tamb\u00e9m, que essas injusti\u00e7as sejam potenciadas por quem quer ganhar capital pol\u00edtico com elas\u2026<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 aqueles que trabalham a favor dos vulner\u00e1veis e com os vulner\u00e1veis, para a resolu\u00e7\u00e3o dos seus problemas, e aqueles que exploram a vulnerabilidade. H\u00e1 sempre quem serve e quem se serve.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_193370\" aria-describedby=\"caption-attachment-193370\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-193370 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/rita-valadas-misericordia-lisboa2.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-193370\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Miseric\u00f3rdia de Lisboa<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Fal\u00e1vamos ainda h\u00e1 pouco das redes em que a Caritas est\u00e1 inserida: a Caritas Europa, a \u2018Caritas Internationalis\u2019, que \u00e9 uma confedera\u00e7\u00e3o presente em mais de uma centena e meia de pa\u00edses. H\u00e1 um momento espec\u00edfico desta crise sanit\u00e1ria da Covid que vai ser muito marcante e pela qual o futuro nos vai julgar, que \u00e9 quest\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o e da forma como as vacinas chegam ou n\u00e3o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais desfavorecidas, c\u00e1 e, sobretudo, no resto do mundo. Esta rede que a C\u00e1ritas tem instalada deveria ser ativada, para que toda a injusti\u00e7a que j\u00e1 existia antes desta crise n\u00e3o seja agravada por um momento que \u00e9 absolutamente decisivo para a superar?<\/em><\/p>\n<p>Seria muito presun\u00e7\u00e3o da minha parte ter essa resposta. Eu acho sempre que quem est\u00e1 mais pr\u00f3ximo deve ser chamado a participar; sempre em qualquer situa\u00e7\u00e3o. Tenho algumas d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o a esta situa\u00e7\u00e3o concreta, porque aquilo de que n\u00f3s estamos a falar &#8211; com toda a minha ignor\u00e2ncia &#8211; isto \u00e9 s\u00f3 pensamento\u2026. se as condi\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o desta vacina para ser aplicada s\u00e3o t\u00e3o rigorosas, eu temo que &#8211; ou nos ensinam como se manuseia e utiliza, ou teremos dificuldade. N\u00f3s temos rede de exist\u00eancia equipamento em muito lado e acho que por exemplo os m\u00e9dicos que pertencem a esta enorme rede do terceiro sector podiam ser chamados a participar. Eu sou respons\u00e1vel pelo plano de conting\u00eancia num lar de idosos e eu n\u00e3o imagino como \u00e9 que vou levar ao centro de sa\u00fade uma parte importante das pessoas que l\u00e1 residem. Se as pessoas dos lares s\u00e3o as primeiras&#8230; mas eu n\u00e3o sei se tenho condi\u00e7\u00f5es para manter a vacina a menos 70 graus.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A pergunta ia nesse sentido: que sejam escutas as preocupa\u00e7\u00f5es de quem est\u00e1 no terreno\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente&#8230; n\u00f3s podemos rentabilizar os recursos, mas temos de perceber como \u00e9 que isso se faz sem erros. Porque incumprir numa coisa destas \u00e9 um erro muito grave, que depois n\u00e3o se pode imputar se n\u00e3o houver um esclarecimento. Mas sim, a rede que n\u00f3s temos estar\u00e1 interessada em que este seja um bem que chega o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Considera real esse receio de que o acesso universal esteja de alguma forma prejudicado? Ali\u00e1s, alguns pa\u00edses j\u00e1 come\u00e7aram a vacina\u00e7\u00e3o e outros h\u00e1 mais pobres que ainda n\u00e3o sabem quando podem contar com a vacina\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu tenho tantas d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o a este tema. Sou uma mulher de f\u00e9, mas em rela\u00e7\u00e3o a isto tenho muitos medos. H\u00e1 coisas que eu me pergunto a mim pr\u00f3pria: as pessoas que tiveram Covid n\u00e3o deveriam ser consideradas numa fase diferente da vacina\u00e7\u00e3o? Porque, se essas pessoas estiverem protegidas, n\u00f3s poder\u00edamos estar j\u00e1 a dar o pr\u00f3ximo passo com as pessoas que n\u00e3o tiveram a infe\u00e7\u00e3o, ou v\u00edrus, e que poderiam ser beneficiadas.<\/p>\n<p>Mas isto \u00e9 um movimento muito dif\u00edcil, porque a prop\u00f3sito de informa\u00e7\u00e3o eu tamb\u00e9m n\u00e3o tenho a certeza se os registos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que t\u00eam Covid est\u00e3o absolutamente f\u00e1ceis de usar, nesta perspetiva. Dizem-me que sim, que a vacina\u00e7\u00e3o em Portugal vai ser universal, mas eu tenho quase a certeza de que, a menos que haja um movimento de doadores que as fa\u00e7a chegar aos pa\u00edses com mais dificuldade, ser\u00e1 dif\u00edcil esse acesso. Mas tem de ser um pacote produto\/aplica\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o n\u00e3o vejo que seja poss\u00edvel. E acho que se deveria estar a trabalhar isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os novos corpos sociais tomaram posse no dia Internacional dos Direitos do Homem. Isso tem uma carga simb\u00f3lica, e \u00e9 tamb\u00e9m de certa forma um desafio, vendo que 70 anos depois \u00e9 um projeto que continua por cumprir na sua totalidade?<\/em><\/p>\n<p>Claro que \u00e9 muito simb\u00f3lico. N\u00e3o posso deixar de me sentir bem por ter acontecido nesse dia. Sinto-me, ali\u00e1s, muito grata em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como a tomada de posse dos \u00f3rg\u00e3os sociais da C\u00e1ritas aconteceu. Foi das coisas mais bonitas que aconteceram ultimamente, para mim. E foi toda cheia destas simbologias. Foi perfeitamente reservada, n\u00e3o estamos em tempo de outra coisa, nem se pretende nenhum tipo de ostenta\u00e7\u00e3o. Mas foi cheia de simbologia e muito cuidada por parte do presidente da Confer\u00eancia Episcopal e do presidente da Pastoral Social.<\/p>\n<p>Agora, que n\u00f3s nos confrontamos com isso, confrontamos. Mas tamb\u00e9m nos confrontamos com estamos, em 2020, ainda a p\u00f4r no topo das nossas obriga\u00e7\u00f5es acabar com a pobreza, acabar com a exclus\u00e3o e todas estas grandes frases plenas de vontade e ambi\u00e7\u00e3o\u2026 e uma grande humildade, por n\u00e3o sermos capazes de ter resolvido o problema.<\/p>\n<figure id=\"attachment_193376\" aria-describedby=\"caption-attachment-193376\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tomada-posse-caritas.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-193376 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tomada-posse-caritas.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tomada-posse-caritas.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tomada-posse-caritas-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tomada-posse-caritas-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tomada-posse-caritas-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tomada-posse-caritas-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tomada-posse-caritas-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tomada-posse-caritas-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/tomada-posse-caritas-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-193376\" class=\"wp-caption-text\">Foto: C\u00e1ritas<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>O Governo criou uma comiss\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o para elaborar, at\u00e9 15 de dezembro, a estrat\u00e9gia nacional de combate \u00e0 pobreza. A C\u00e1ritas espera que se fa\u00e7a a diferen\u00e7a, desta vez?<\/em><\/p>\n<p>A C\u00e1ritas espera. A C\u00e1ritas tamb\u00e9m foi chamada a participar. Houve aqui alguma dificuldade entre datas e n\u00e3o estou informada sobre esse particular, mas eu acredito que as pessoas envolvidas est\u00e3o apostadas em fazer a diferen\u00e7a. Se v\u00e3o ser capazes ou n\u00e3o, n\u00e3o sei.\u00a0 Mas acho que todos os esfor\u00e7os, especialmente se n\u00e3o for investir muito dinheiro em criar uma estrat\u00e9gia, se for uma estrat\u00e9gia que utiliza os recursos j\u00e1 existentes e o conhecimento que existe sobre os diferentes tipos de pobreza &#8211; porque n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 um tipo de pobreza- eu acredito que sim.<\/p>\n<p>Quando comecei a trabalhar, foi exatamente ao abrigo do segundo programa europeu de luta contra a pobreza. Custa-me muito que, em 2020, ainda estejamos a falar disto, e custa-me muito ainda mais que n\u00f3s n\u00e3o saibamos, ou n\u00e3o tenhamos sabido at\u00e9 agora, resolver este problema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rita Valadas tomou posse na \u00faltima quinta-feira para um mandato de tr\u00eas anos como presidente da C\u00e1ritas Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":193370,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-193221","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193221","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=193221"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193221\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/193370"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=193221"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=193221"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=193221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}