{"id":193,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/no-tempo-do-desassossego\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"no-tempo-do-desassossego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/no-tempo-do-desassossego\/","title":{"rendered":"No tempo do desassossego"},"content":{"rendered":"<p>Curtas, m\u00e9dias e longas s\u00e3o as ondas que propagam os nossos olhares e sons pelo planeta, dele fazendo uma pequena aldeia. Se formos \u00e0s vagas do mar encontraremos vari\u00e1veis semelhantes. Mas todos distinguimos o suave bater das ondas na praia, das grandes ondula\u00e7\u00f5es que fendem rochas e afundam transatl\u00e2nticos. E h\u00e1 as vagas de fundo que praticamente n\u00e3o se v\u00eaem. De pouco interessariam estes considerandos se n\u00e3o fossem a imagem perfeita do que se passa no movimento das nossas vidas. Andamos como que embalados pelas ondas de cada momento. Por a\u00ed cirandamos, numa esp\u00e9cie de ang\u00fastia a que n\u00e3o podemos fugir: todos os dramas da esquina e do outro lado do planeta nos atingem o afecto e invadem os terrenos da nossa privacidade e at\u00e9 da nossa intimidade. Como que perdemos o direito de estar alheios ao alarido que nos circunda. Uma imensa cascata informativa nos sufoca. Os potenci\u00f3metros da excita\u00e7\u00e3o andam no m\u00e1ximo. A certa altura nem sabemos se nos devemos revoltar, protestar, sair \u00e0 rua, ou apenas manifestar a nossa solidariedade com a fam\u00edlia sem teto, a crian\u00e7a violentada, o velho esquecido, o fr\u00e1gil injusti\u00e7ado. Tudo acontece na onda da not\u00edcia quente que hoje nos alerta e amanh\u00e3 nos troca as voltas com um novo evento, nova trag\u00e9dia, outro espect\u00e1culo ou um qualquer festival. O pobre cidad\u00e3o, indefeso, tem o cora\u00e7\u00e3o hipotecado aos factos, aos discursos do poder e da oposi\u00e7\u00e3o, aos assomos de raiva ou \u00e0s desgra\u00e7as ressentidas. E tudo isto nos chega em forma de novela gerando um completo desassossego. \u00c9 \u00f3bvio que tal como existem leis sobre porte de armas, devem existir regras sobre o tiroteio de informa\u00e7\u00f5es desabridas que diariamente caiem sobre as nossas cabe\u00e7as. Mas nunca \u00e9 demais lembrar que somos n\u00f3s que damos guarida aos pistoleiros ou, se preferirmos, aos encantadores de serpentes. A nossa vida j\u00e1 anda \u00e0s ondas antes de entrar na onda. \u00c9 bom distinguir o cronos, o tempo como o medimos na inquietude das ondas, do kairos, o tempo marcado pelo registo de Jesus, do Reino, que n\u00e3o vai atr\u00e1s do primeiro profeta da esquina. Sem o menor desprezo pelo nosso tempo, importa urdi-lo com outros tempos \u2013 e porque n\u00e3o o tempo de Deus? \u2013 para lermos, integrarmos e projectarmos cada acontecimento. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Curtas, m\u00e9dias e longas s\u00e3o as ondas que propagam os nossos olhares e sons pelo planeta, dele fazendo uma pequena aldeia. Se formos \u00e0s vagas do mar encontraremos vari\u00e1veis semelhantes. Mas todos distinguimos o suave bater das ondas na praia, das grandes ondula\u00e7\u00f5es que fendem rochas e afundam transatl\u00e2nticos. 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