{"id":19286,"date":"2006-07-24T10:58:32","date_gmt":"2006-07-24T10:58:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/24\/carta-pastoral-aos-ucranianos-em-portugal\/"},"modified":"2006-07-24T10:58:32","modified_gmt":"2006-07-24T10:58:32","slug":"carta-pastoral-aos-ucranianos-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-pastoral-aos-ucranianos-em-portugal\/","title":{"rendered":"Carta Pastoral aos ucranianos em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem dos Bispos de Kiev e Halytch <!--more--> Amados em Cristo, filhos e filhas da Ucr\u00e2nia, Preparamo-nos para vos visitar, v\u00f3s que viveis e trabalhais em terras portuguesas. Desejar\u00edamos muito encontrarmo-nos com todos e cada um de v\u00f3s. Temos a sincera esperan\u00e7a de que n\u00e3o faltar\u00e3o oportunidades. Como prepara\u00e7\u00e3o para esse encontro, queremos partilhar convosco os seguintes pensamentos.  1. O \u00eaxodo para fora das fronteiras da p\u00e1tria, que leva o nome de \u201cemigra\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno novo na vida da humanidade, particularmente, na do povo ucraniano. Muitos da nossa gente, na viragem do s\u00e9culo XX e ap\u00f3s a Primeira e Segunda Guerras Mundiais foram for\u00e7ados a deixar a sua p\u00e1tria em busca da liberdade ou prosperidade econ\u00f3mica. Surgiram assim as nossas comunidades na Europa Ocidental, na Am\u00e9rica do Norde e do Sul, e at\u00e9 na long\u00ednqua Austr\u00e1lia. Os ucranianos que vivem nesses pa\u00edses, ainda que geograficamente distantes de n\u00f3s, representam uma parcela viva da nossa Igreja que, de maneira nenhuma, esqueceram a sua p\u00e1tria, cultura e l\u00edngua.  2. Em terras portuguesas jamais houve um n\u00famero t\u00e3o grande de emigrantes ucranianos como agora. O \u00eaxodo da nossa gente para Portugal \u00e9 um fen\u00f3meno novo. H\u00e1 cerca de dez anos, partiram preponderantemente homens, os quais, a convite do governo portugu\u00eas, ajudaram na edifica\u00e7\u00e3o urbana e na constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios e estradas. Com o decorrer do tempo, chegaram muitos mais e, entre esses, tamb\u00e9m muitas mulheres, as quais, em grande parte, come\u00e7aram a trabalhar como empregadas dom\u00e9sticas ou na assist\u00eancia a idosos, doentes e crian\u00e7as. N\u00e3o pretendemos descrever em detalhe as circunst\u00e2ncias da vossa vida e a especificidade do vosso trabalho, porque as conheceis melhor que n\u00f3s. Mas, a partir da larga experi\u00eancia de outras col\u00f3nias ucranianas no Exterior, desejamos chamar a aten\u00e7\u00e3o para certos valores e meios, de forma a que a vossa perman\u00eancia em Portugal resulte muito proveitosa para cada um de v\u00f3s e vossas fam\u00edlias. N\u00e3o \u00e9 muito bom viver no estrangeiro, mas, por outro lado, n\u00e3o h\u00e1 que considerar isso como um mal, tanto mais que fostes para Portugal \u2013 Continente e Regi\u00f5es Aut\u00f3nomas &#8211; de livre vontade. \u00c9 necess\u00e1rio, antes de tudo, ser grato \u00e0queles que vos acolheram com forte sentido de hospitalidade e vos proporcionam a possibilidade de melhorar a vossa vida. Trabalhando em Portugal, \u00e9 preciso apreciar outro estilo de vida diferente, aprender uma outra cultura e l\u00edngua, para assimilar as coisas da melhor forma e, posteriormente, ao retornar \u00e0 p\u00e1tria, tirar proveito de tudo para o bem do seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Avaliai a vossa estadia em Portugal n\u00e3o somente como uma oportunidade para prosperar materialmente, mas tamb\u00e9m como uma possibilidade de enriquecimento espiritual, visto ser um pa\u00eds que possui uma cultura muito antiga e de matriz crist\u00e3.  3. A experi\u00eancia das nossas comunidades noutros pa\u00edses demonstra como \u00e9 importante conservar a pr\u00f3pria identidade e jamais deixar de ser igual a si pr\u00f3prio. Se bem que seja f\u00e1cil, ser\u00e1, por\u00e9m, sempre poss\u00edvel se n\u00e3o perderdes o v\u00ednculo com Deus, com a Igreja e com a vossa comunidade. Quem se afasta de Deus e se preocupa somente com a acumula\u00e7\u00e3o de bens materiais, pode at\u00e9 consegui-lo, mas corre o risco de perder a sua alma e, com o passar do tempo, perder a consci\u00eancia da pr\u00f3pria identidade. \u00c9 igualmente importante manter v\u00ednculos com a sua comunidade, procurando comunicar com os seus conterr\u00e2neos, e isso refere-se particularmente \u00e0queles que pretendem permanecer em Portugal por um tempo mais longo. Um exemplo disso v\u00eam-nos dos ucranianos emigrados na Am\u00e9rica do Norte e do Sul, os quais, tendo deixado a p\u00e1tria, procuraram primeiramente construir igrejas e centros culturais, e s\u00f3 ent\u00e3o se decidiram pela constru\u00e7\u00e3o das suas pr\u00f3prias moradias. Apesar de pertencerem \u00e0 quarta e quinta gera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o deixaram de ser filhos da sua Igreja, de conservar a mem\u00f3ria das suas ra\u00edzes e dos valores que lhes foram legados pelos seus av\u00f3s e bisav\u00f3s. Pertencer \u00e0 comunidade significa respeitar uns e outros, desejar o bem ao pr\u00f3ximo e ajudar os necessitados e mais vulner\u00e1veis das migra\u00e7\u00f5es. S\u00e3o factores de ru\u00edna para a comunidade a pretens\u00e3o de exercer poder sobre os outros, a imposi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vis\u00e3o da vida ou inten\u00e7\u00e3o de explorar o pr\u00f3ximo em vista dos seus pr\u00f3prios fins.  4. N\u00f3s, vossos bispos, procuramos garantir-vos a assist\u00eancia espiritual e religiosa. Queremos expressar gratid\u00e3o aos nossos irm\u00e3os, os bispos latinos locais, que d\u00e3o o seu apoio para que sacerdotes \u2013 diocesanos e religiosos &#8211; do nosso rito possam prestar-vos a assist\u00eancia espiritual e para que haja espa\u00e7os adequados para os servi\u00e7os de culto. Isso \u00e9 decisivamente importante para a vossa viv\u00eancia religiosa e conserva\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade pessoal, familiar e forma\u00e7\u00e3o de comunidades de f\u00e9 e caridade. No entanto, viver no seio de uma comunidade particular n\u00e3o significa esconder-se nela. Conservando e desenvolvendo os valiosos dons que levastes convosco para Portugal, ou seja, a f\u00e9 em Deus, a perten\u00e7a \u00e0 Igreja, a participa\u00e7\u00e3o na cultura do nosso povo, n\u00e3o vos envergonheis nunca de partilhar esses dons com o pa\u00eds onde actualmente viveis. \u00c9 poss\u00edvel cumprir isso de diversas maneiras: atrav\u00e9s das multiformes actividades art\u00edsticas, particularmente atrav\u00e9s do canto, da participa\u00e7\u00e3o nos eventos da comunidade local e tamb\u00e9m do pr\u00f3prio exemplo de vida.  5. N\u00e3o podemos deixar de alertar sobre o perigo que pode afectar uma vida no estrangeiro. Mais. Esse perigo pode ser duplo. O primeiro deles consiste no acto de viver num pa\u00eds que n\u00e3o \u00e9 o seu, isto \u00e9, na possibilidade de cair na rede de pessoas desprovidas de moral, de ser cruelmente explorado e privado violentamente de um sal\u00e1rio justo, de morar em condi\u00e7\u00f5es indignas e sub-humanas, entre outros. Outra face do perigo est\u00e1 relacionada com a ru\u00edna das pr\u00f3prias fam\u00edlias, quando, por exemplo, a esposa fica por longo tempo separada do marido, ou quando as crian\u00e7as ficam em casa como \u00f3rf\u00e3os virtuais, devido \u00e0 aus\u00eancia do pai ou da m\u00e3e, sob os cuidados da av\u00f3, sem o ambiente formativo e afectivo normal da fam\u00edlia. O pr\u00f3prio dinheiro &#8211; enviado regularmente pelos trabalhadores aos seus familiares &#8211; pode  tornar-se o ensejo para v\u00e1rios v\u00edcios, para o consumismo, alcoolismo ou narcomania. O primeiro aspecto do perigo \u00e9 vencido de forma mais eficaz com esfor\u00e7os conjuntos, buscando apoio nas pessoas e estruturas da comunidade. Quanto ao segundo aspecto, todo aquele que se distanciou da sua fam\u00edlia deve reflectir seriamente se o dinheiro que ele ganha compensa a perda dos valores familiares. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio ou reunir a fam\u00edlia no Exterior (se se pretende permanecer em Portugal por um longo tempo ou para sempre) ou limitar ao m\u00e1ximo o tempo de perman\u00eancia longe da fam\u00edlia ou, melhor ainda, retornar imediatamente a ela para prevenir males piores.  6. Amados em Cristo! S\u00e3o estes alguns dos pensamentos que desej\u00e1vamos transmitir a cada um de v\u00f3s, antes de nos encontrarmos pessoalmente. Esperamos saber mais dos vossos pr\u00f3prios l\u00e1bios e escutar o vosso cora\u00e7\u00e3o sobre a sorte e integra\u00e7\u00e3o nesse pa\u00eds. Desejamos compartilhar da vossa alegria e tristeza e, na medida do poss\u00edvel, ajudar-vos. Estamos muito gratos aos sacerdotes que aceitaram ir trabalhar para Portugal e vos pregam a Palavra de Deus. Estamos gratos a todos os membros conscientes da comunidade ucraniana, que procuram construir e fortalecer as nossas comunidades. Manifestamos, com a mesma gratid\u00e3o, o nosso agradecimento \u00e0s autoridades governamentais portuguesas que oferecem aos nossos conterr\u00e2neos a oportunidade de melhoria de vida. Como foi dito anteriormente, agradecemos, sobretudo, \u00e0 Igreja em Portugal pela compreens\u00e3o solid\u00e1ria e grande carinho demonstrados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas necessidades e dificuldades encontradas.   Esperamos com toda a convic\u00e7\u00e3o, nos pr\u00f3ximos dias 12 e 13 de Agosto &#8211; momento da grande Peregrina\u00e7\u00e3o Internacional do Migrante e Refugiado a F\u00e1tima \u2013 agradecer juntos a Deus e \u00e0 Sant\u00edssima M\u00e3e de Deus pela protec\u00e7\u00e3o sobre o nosso povo &#8211; na Ucr\u00e2nia e em di\u00e1spora pelo mundo &#8211; assim como todas as gra\u00e7as que dela temos recebido.  A b\u00ean\u00e7\u00e3o do Senhor des\u00e7a sobre v\u00f3s!  <i>+ LIUBOMYR, Arcebispo Maior de Kiev e Halytch + DION\u00cdSIO, Bispo-auxiliar do Arcebispo Maior de Kiev e Halytch<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem dos Bispos de Kiev e Halytch<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[104,154,203,206,207,258],"class_list":["post-19286","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-america","tag-crianca","tag-europa","tag-familia","tag-fatima","tag-migracoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19286\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}