{"id":192856,"date":"2020-12-09T10:18:31","date_gmt":"2020-12-09T10:18:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=192856"},"modified":"2020-12-09T10:18:31","modified_gmt":"2020-12-09T10:18:31","slug":"saber-aprender-a-ler-o-presepio-a-luz-do-cubo-magico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-ler-o-presepio-a-luz-do-cubo-magico\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A ler o pres\u00e9pio \u00e0 luz do Cubo M\u00e1gico"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>\u00abSimples e complexo. Mov\u00edvel e est\u00e1vel. Oculto e exposto.\u00bb<\/em> \u00c9 assim que Ern\u0151 Rubik caracteriza a sua inven\u00e7\u00e3o que todos conhecemos e nos maravilha quando algu\u00e9m o resolve: o Cubo M\u00e1gico. Rubik acredita que as contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o opostos a resolver, mas contrapontos a abra\u00e7ar. Num mundo envolto em certezas incertas, ou ditos por n\u00e3o-ditos, como aquele em que vivemos hoje, este <em>simples e complexo<\/em> brinquedo pode abrir o nosso olhar sobre o modo de lidar com a experi\u00eancia pessoal, social e cultural contradit\u00f3ria que viveremos neste Natal.<\/p>\n<figure id=\"attachment_192857\" aria-describedby=\"caption-attachment-192857\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/serg-antonov-Wx1U2vX1-tc-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-192857\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/serg-antonov-Wx1U2vX1-tc-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/serg-antonov-Wx1U2vX1-tc-unsplash.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/serg-antonov-Wx1U2vX1-tc-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/serg-antonov-Wx1U2vX1-tc-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/serg-antonov-Wx1U2vX1-tc-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/serg-antonov-Wx1U2vX1-tc-unsplash-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/serg-antonov-Wx1U2vX1-tc-unsplash-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/serg-antonov-Wx1U2vX1-tc-unsplash-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-192857\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Serg Antonov em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 um ano, nada levaria a crer na realidade de hoje, e nos sacrif\u00edcios que essa exige \u00e0s fam\u00edlias que todos os anos anseiam pelo Natal para se reunir, rever, rir, e colmatar a saudade de estarmos de novo juntos. Talvez a imagem que t\u00ednhamos da <em>magia<\/em> do Natal assente nas luzes, cores, presentes e abastadas refei\u00e7\u00f5es com a fam\u00edlia toda junta, \u00e9 que n\u00e3o fosse real. Agora, que nos pedem para conter os contactos \u00e9 a oportunidade e o convite \u00e0 verdadeira <em>magia<\/em> do Natal assente na contempla\u00e7\u00e3o de um nascimento oculto aos nossos olhos pelo tempo, mas exposto ao nosso viver pela abertura de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o de Rubik para ter inventado o Cubo M\u00e1gico foi muito simples. Enquanto pensava num problema geom\u00e9trico e no modo de o ilustrar, acabou por encontrar um problema que captou a sua imagina\u00e7\u00e3o e n\u00e3o conseguia deixar de pensar nele. No cora\u00e7\u00e3o da inven\u00e7\u00e3o do Cubo M\u00e1gico est\u00e1 um puzzle.<\/p>\n<p>Os puzzles s\u00e3o treinos \u00e0 mente onde todos os que participam n\u00e3o competem entre si, mas cooperam para chegar ao resultado final. Quando os fazemos, ningu\u00e9m avalia o nosso desempenho, ou se preocupa por estar a resolv\u00ea-lo ou n\u00e3o. Com os puzzles vivemos de um modo particular o momento presente, trabalhando qualidades humanas como a concentra\u00e7\u00e3o, a curiosidade, a divers\u00e3o, e o desejo de descoberta de uma vis\u00e3o com sentido. S\u00e3o qualidades que nos tornam mais humanos e, por isso, criativos. S\u00e3o a estrada para o potencial criativo que existe em cada um de n\u00f3s. Se o Cubo M\u00e1gico \u00e9 um puzzle, mais ainda o nascimento de Jesus.<\/p>\n<p>Conf\u00facio dizia que <em>\u00abo homem que faz uma quest\u00e3o \u00e9 um tolo por um minuto, o homem que n\u00e3o questiona \u00e9 tolo para a vida.\u00bb<\/em> As crian\u00e7as est\u00e3o sempre a colocar quest\u00f5es, mas ao crescermos, imperceptivelmente, perdemos esta capacidade de questionar. Ou seja, a nossa curiosidade sofre a muta\u00e7\u00e3o do \u201cporqu\u00ea?\u201d para o \u201ccomo?\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 esse \u201ccomo?\u201d que nos leva a desenvolver as ferramentas para resolver os problemas, e a curiosidade de todos os dias acaba por assentar em \u201ccomo?\u2019s\u201d e \u201ce se?\u2019s\u201d, mais do que em \u201cporqu\u00ea?\u2019s\u201d. Por\u00e9m, o fruto de toda a curiosidade humana aponta para o desejo de saber e entender. Mas n\u00e3o um saber superficial, antes, profundo. N\u00e3o meramente os factos, mas os relacionamentos e conex\u00f5es que lhes d\u00e3o sentido e significado. Tamb\u00e9m o nascimento de Jesus desperta a nossa curiosidade relacional.<\/p>\n<p>Se a <em>intelig\u00eancia<\/em> \u00e9 fundamental para realizar as conex\u00f5es entre \u201cporqu\u00ea\u2019s\u201d, e a partir delas extrair o sentido e significado dos eventos na nossa hist\u00f3ria, ser\u00e1 a <em>imagina\u00e7\u00e3o<\/em> que nos leva \u00e0 criatividade dos pr\u00f3ximos passos a dar depois de interiorizarmos o sentido e significado descobertos. Intelig\u00eancia e imagina\u00e7\u00e3o parecem associar-se a profissionais do saber humano, mas n\u00e3o \u00e9 verdade. Intelig\u00eancia e imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 o que cada um de n\u00f3s tem dentro de si como <em>amador.<\/em><\/p>\n<p>Sabiam que a palavra amador prov\u00e9m do Latim <em>amatore<\/em>, ou seja, aquele que ama? Para Rubik, fazer o Cubo M\u00e1gico n\u00e3o foi o trabalho de um profissional, mas de um amador. Isto \u00e9, algu\u00e9m que ama na liberdade absoluta, independ\u00eancia e abertura de mente, que um profissional n\u00e3o goza plenamente. Como amadores podemos imergir num estado de curiosidade e descoberta, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o com o resultado final. \u00c9 o gozo do processo que nos motiva a fazer seja o que for.<\/p>\n<p>Todos nascemos com a capacidade para a curiosidade. Uma capacidade que n\u00e3o aceita sempre tudo, mas leva-nos, por sua vez, a saber quando questionar o que os outros podem dar por descontado. Para os curiosos, o modo de ir em frente, sem qualquer direc\u00e7\u00e3o pr\u00e9-determinada, \u00e9 a abertura a uma vis\u00e3o mais ampla das coisas. Mas quando algu\u00e9m cria alguma coisa de novo, a curiosidade \u00e9 insuficiente. Tamb\u00e9m precisa de um impulso interior, uma certa intui\u00e7\u00e3o que o inspira a encontrar a solu\u00e7\u00e3o. Diz Rubik que <em>\u00aba curiosidade \u00e9 a chama que faz a igni\u00e7\u00e3o da criatividade.\u00bb<\/em> Que leitura do pres\u00e9pio podemos aprender com a ess\u00eancia do Cubo M\u00e1gico?<\/p>\n<p>Ao longo do tempo parece que perdemos, gradualmente, uma capacidade especial: a capacidade de ser pequeno. E muitos queixam-se de ter muito para fazer, e de que investir tempo e aten\u00e7\u00e3o em puzzles, imaginar e ser curioso, \u00e9 s\u00f3 para quem n\u00e3o tem a responsabilidade de pagar as contas ao fim do m\u00eas. N\u00e3o vivamos na ilus\u00e3o de pensar assim. O nascimento de Jesus \u00e9 o puzzle da curiosidade relacional que nos ensina a contemplar o imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>S\u00e3o mais as quest\u00f5es que se levantam com o nascimento de Jesus do que as respostas. Deus faz-Se beb\u00e9? Porqu\u00ea? Como? O \u201cpara qu\u00ea\u201d sabemos mediante a vida que Jesus, no Evangelho, nos convida a viver, mas ser\u00e1 preciso mais imagina\u00e7\u00e3o e curiosidade para entender as raz\u00f5es e o modo do Seu nascimento. Ou talvez nunca entendamos, mas sejam o impulso interior a contemplar o Mist\u00e9rio de Amor envolto na simplicidade de um beb\u00e9 numa manjedoura que mudou a hist\u00f3ria do nosso planeta.<\/p>\n<p>Se nos d\u00e9ssemos conta da real grandeza de um Deus que se faz beb\u00e9, dever\u00edamos sentir o mesmo deslumbramento que ver algu\u00e9m resolver o Cubo M\u00e1gico. Encontrar um sentido simples no meio do puzzle da realidade complexa dos nossos dias requer intelig\u00eancia, imagina\u00e7\u00e3o, curiosidade e cora\u00e7\u00e3o. Mas a realidade do pres\u00e9pio parece-me um aut\u00eantico paradoxo de simplicidade e complexidade. Essa suscita o acto de contemplar e deixar-se trabalhar por dentro, acolhendo a mensagem de esperan\u00e7a da vida que nasce em cada parto da criatividade humana. Quem sabe se essa, quando oferece uma novidade ao mundo por amor, n\u00e3o \u00e9, tamb\u00e9m, um fruto do Esp\u00edrito Santo que em n\u00f3s concebe o g\u00e9rmen da verdadeira felicidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-192856","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=192856"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192856\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=192856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=192856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}