{"id":192807,"date":"2020-12-08T16:33:51","date_gmt":"2020-12-08T16:33:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=192807"},"modified":"2020-12-08T16:33:51","modified_gmt":"2020-12-08T16:33:51","slug":"o-menino-foi-passear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-menino-foi-passear\/","title":{"rendered":"O Menino foi passear?"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Carlos Aquino, Diocese do Algarve<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Olhando o tempo que, por gra\u00e7a, nos \u00e9 dado viver; olhando como quem escava, com a paci\u00eancia e a resili\u00eancia dos semeadores, imersos ainda neste grave e perturbador flagelo da Pandemia que assola todo o mundo, lutando com esse inimigo invis\u00edvel chamado Covid-19 e numa profunda crise sanit\u00e1ria nunca antes vivida; tempo de profundas transforma\u00e7\u00f5es humanas e sociais, pol\u00edticas e econ\u00f3micas, sobressaltados pelo medo e pela desconfian\u00e7a, fr\u00e1geis e vazios, numa penit\u00eancia imposta e arrebatadora onde se semeia a aus\u00eancia de rostos, de afetos e de sorrisos, muitos dos nossos contempor\u00e2neos talvez se perguntem na proximidade do Natal, angustiosamente: o Menino foi passear?<\/p>\n<p>E \u00e9 em Advento que estamos. Advento que marca a nossa condi\u00e7\u00e3o no mundo. Sempre seremos criaturas \u00e0 espera, habitados mas incompletos. Reflorescendo e vulner\u00e1veis, em visita\u00e7\u00e3o e s\u00f3s. Mas este \u00e9 o tempo para uma piedosa e alegre expetativa. Tempo para refundarmos a casa, cuidarmos do cora\u00e7\u00e3o, nos adentrarmos no mist\u00e9rio espantoso da Vida. Buscadores e cultivadores de uma profunda e fecunda intimidade espiritual que nos abra ao desejo das alturas, d\u2019Aquele que rasga os C\u00e9us e desce \u00e0 nossa vida como um Filho, um Menino, o Emanuel, Deus connosco e para n\u00f3s. Tempo para aprendermos a amar os bens do C\u00e9u. Mas ainda acreditamos no C\u00e9u? Ainda tem sentido esperar por Ele? O que \u00e9 o C\u00e9u na nossa vida t\u00e3o mergulhada no materialismo e no relativismo? N\u00e3o precisaremos de uma piedade que nos fa\u00e7a mergulhar no amor das coisas divinas? Na certeza que Deus vem? \u00c9 vizinho e pr\u00f3ximo e em Cristo est\u00e1 sempre presente connosco e para n\u00f3s?<\/p>\n<p>\u00c9 agora, neste tempo que Deus nos fala. Assim o celebramos na Liturgia da Igreja, trazendo ao tempo da celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 onde levamos as nossas vidas inquietas, inseguras e fr\u00e1geis toda a Hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, prolongando-a em P\u00e1scoa nas nossas pr\u00f3prias vidas, convidando-nos a escrever um futuro aberto \u00e0 Esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 neste Tempo, que vamos rezando como, na verdade, acreditamos: Que com vontade firme nos saibamos preparar pela pr\u00e1tica das boas obras para ir ao encontro de Cristo. Que obras deseja nosso cora\u00e7\u00e3o? Que obras, efetivamente, realizamos? Este Tempo \u00e9 Tempo de Cristo. N\u00e3o estamos s\u00f3s. Sabemos a fonte e o sentido da vida e da Hist\u00f3ria, do mundo e do Tempo. Precisamos da fortaleza da f\u00e9, da fecundidade do amor para destruirmos as noites e os obst\u00e1culos que nos impedem a vida e a felicidade. Mas conhecemos a Crian\u00e7a do Natal?<\/p>\n<p>Pedimos que os cuidados deste mundo n\u00e3o sejam obst\u00e1culo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo. Onde repousamos o cora\u00e7\u00e3o? Que inquieta\u00e7\u00f5es pululam nossa consci\u00eancia? Este \u00e9 o Tempo do Esp\u00edrito Santo, que nos unge no amor e na luz para aprendermos a saber ler os sinais dos tempos, a n\u00e3o negar a realidade das coisas, a n\u00e3o nos apoiarmos nas falsas seguran\u00e7as e certezas, a n\u00e3o confinarmos as buscas e a verdade, a sermos possuidores de um esp\u00edrito vigilante seguindo sempre os ensinamentos do Salvador, caminhando ao seu encontro com as l\u00e2mpadas da f\u00e9 acesas.<\/p>\n<p>Para que aconte\u00e7a Natal e seja renovador o nosso Advento desejamos saber celebrar com renovada alegria as solenidades da nossa salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s que j\u00e1 conhecemos a encarna\u00e7\u00e3o de Cristo, pela sua paix\u00e3o e morte na cruz queremos viver para alcan\u00e7ar a gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o. A Encarna\u00e7\u00e3o e a P\u00e1scoa s\u00e3o vindas de Deus \u00e0 nossa vida que a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia torna particularmente presente no Sacramento. Que novidade manifesta a nossa vida?<\/p>\n<p>Sabemos: o Menino n\u00e3o foi passear! Ele vem como Senhor! Cada dia. Em cada Tempo. Ele vem destruir todos os senhorios que n\u00e3o nos deixam ser plenamente livres e felizes. Vem trazer luz \u00e0s nossas trevas, trazer o divino \u00e0 nossa humanidade ferida e cansada.<\/p>\n<p>Neste Natal, precisamos saber olhar a Crian\u00e7a, olhar como quem escava, com a paci\u00eancia e a resili\u00eancia dos semeadores. Precisamos ler o presente para saber escrever o futuro, acolhendo a visita do Menino, que em cada Natal vem trazer sempre Deus \u00e0s nossas vidas. Precisamos de Deus, porque somos de Deus. E precisamos neste Tempo saber esperar como a M\u00e3e, a Mulher, a feliz porque acreditando, deixou o Senhor habitar a sua casa, a casa do seu cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 neste Tempo e neste mundo que o Senhor est\u00e1. N\u00e3o sentes o seu olhar e a sua m\u00e3o, convidando-te a passear com Ele?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Carlos Aquino, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":172155,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-192807","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192807","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=192807"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192807\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/172155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=192807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=192807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}