{"id":192706,"date":"2020-12-07T12:29:30","date_gmt":"2020-12-07T12:29:30","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=192706"},"modified":"2020-12-07T12:29:30","modified_gmt":"2020-12-07T12:29:30","slug":"a-nossa-humanidade-a-falar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-nossa-humanidade-a-falar\/","title":{"rendered":"A nossa humanidade a falar"},"content":{"rendered":"<p><em>Rui Ferreira, Arquidiocese de Braga<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/achristmascarol2009.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-192707 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/achristmascarol2009-400x230.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/achristmascarol2009-400x230.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/achristmascarol2009-480x276.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/achristmascarol2009.jpg 606w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>\u00a0<\/strong>1 \u2013 A Igreja insiste todos os anos num tempo chamado Advento, que se prop\u00f5e ajudar os crist\u00e3os a preparar a celebra\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus Cristo, ou seja, o Natal. Com este especial tempo come\u00e7amos oficialmente uma prepara\u00e7\u00e3o interior, mas que se revela de forma clarividente nos sinais exteriores. Todo o mundo se transfigura, desde as ruas \u00e0s nossas casas. Luzes, compras, papel de embrulho, m\u00fasicas melodiosas, azevinho, pinheiros, decora\u00e7\u00f5es multicolores&#8230; muitas vezes j\u00e1 em Outubro. Um aut\u00eantico exagero de manifesta\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o faltar\u00e1 algo?<\/p>\n<p>2 &#8211; O Natal \u00e9 a festa mais celebrada em todo o mundo! Oportunidade para as fam\u00edlias se reunirem, \u00e9 o momento prop\u00edcio para os amigos se reencontrarem. Tempo especial de nos lembrarmos das pessoas an\u00f3nimas que, ao nosso lado, passam priva\u00e7\u00f5es. Por tudo isto, o\u00a0Natal\u00a0\u00e9 o tempo preferencial da constru\u00e7\u00e3o da humanidade. O\u00a0Natal\u00a0chega todos os anos como um tempo diferente, qui\u00e7\u00e1 exagerado, mas \u00e9 t\u00e3o nosso! Pese os exageros e at\u00e9 oportunismos, \u00e9 um tempo que nos aproxima inevitavelmente uns dos outros. E que melhor motivo de unidade que as nossas tradi\u00e7\u00f5es\u00a0natal\u00edcias! Os pres\u00e9pios movimentados ou vivos, as iguarias que revestem as nossas mesas, os c\u00e2nticos conservados no fulgor da lareira, a inevit\u00e1vel tend\u00eancia para olharmos por aqueles que a vida tornou mais fr\u00e1geis, tudo isto marca a nossa forma de ser humanos. Dir-se-ia que est\u00e1 deturpado pelo consumismo abrupto e pela necessidade de oferecer presentes. At\u00e9 poder\u00edamos recordar que tem estado cada vez mais esquecido o motivo fundamental desta festa: o nascimento de Jesus. Por\u00e9m, apesar de tudo isto, o\u00a0Natal\u00a0continua a ser o momento em que nos confrontamos com a nossa mais profunda verdade.<\/p>\n<p>3 &#8211; Mais do que qualquer predisposi\u00e7\u00e3o religiosa, o\u00a0Natal\u00a0recorda-nos que estamos para sempre ligados uns aos outros pelo simples motivo de sermos humanos. Como afirma o grande literato ingl\u00eas Charles Dickens, \u201co\u00a0Natal\u00a0\u00e9 um tempo de benevol\u00eancia, perd\u00e3o, generosidade e alegria; a \u00fanica \u00e9poca do ano em que homens e mulheres parecem abrir livremente os seus cora\u00e7\u00f5es\u201d. \u00c9 isso que nos faz doer o cora\u00e7\u00e3o quando algu\u00e9m \u00e0 nossa frente sofre ou passa necessidade. \u00c9 isso que nos ensina a sermos generosos, oferecendo o nosso tempo e energia gratuitamente, apenas pelo consolo de ver outra pessoa mais feliz. Por isso mesmo, este \u00e9 um tempo que nos n\u00e3o permite ser indiferentes \u00e0s imagens que corroem o nosso mais \u00edntimo lugar, e que habitualmente vemos na televis\u00e3o, jornais ou internet. \u00c9 isso que nos conduz ao perd\u00e3o, principalmente daqueles que fazem parte da nossa vida e est\u00e3o distantes, em particular nesta \u00e9poca de prepara\u00e7\u00e3o para o\u00a0Natal. \u00c9 isso mesmo! \u00c9 a nossa humanidade a falar!<\/p>\n<p>4 &#8211; O Natal pode parecer uma mera comemora\u00e7\u00e3o se n\u00e3o soubermos decifrar o seu significado mais profundo. N\u00e3o podemos ficar indiferentes \u00e0 intensidade do grito de Isa\u00edas: &#8220;Oh, se rasg\u00e1sseis os c\u00e9us e desc\u00easseis!&#8221;(Is 63, 19). Sim, Isa\u00edas, Ele desceu e est\u00e1 entre n\u00f3s! Veio e ficou. Aquele que \u00e9 imensamente grande, infinitamente distante da nossa pequenez, decidiu descer ao encontro da &#8216;nossa&#8217; fraqueza. O Rei, monarca de todos os poderes, abandonou o seu pal\u00e1cio e desceu \u00e0 humilde habita\u00e7\u00e3o do seu povo. O rico fez-se pobre; o s\u00e3o, doente e o poderoso fr\u00e1gil. O Natal \u00e9 um grito no meio do deserto, um gesto sublime cuja irrever\u00eancia nos sufoca. Deus veio, fez-se um de n\u00f3s, arriscou aproximar-se.<\/p>\n<p>5 &#8211; Advento significa &#8220;vinda&#8221;, a descida t\u00e3o esperada pelo povo do Senhor. O Senhor dos tempos n\u00e3o ficou indiferente perante a s\u00faplica da humanidade. O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; aqueles que caminhavam convencidos de que a sua vida apenas se dirigia para o termo, encontraram a esperan\u00e7a; aqueles que viviam no desespero da dor j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3s. Os mais c\u00e9ticos n\u00e3o podem deixar de se divorciar da d\u00favida. Deus fez-se homem, estendendo a m\u00e3o \u00e0queles que havia escolhido.<\/p>\n<p>6 &#8211; O Natal \u00e9 isto mesmo: o lugar onde todos nos encontramos, sem distin\u00e7\u00f5es, carregando a espontaneidade da humanidade que nos irmana. Escutemos, pois, a voz profunda que vem da pequenez da gruta. Sejamos humanos. Sejamos aquilo que somos. Na fragilidade do Menino que est\u00e1 a vir encontra-se a verdade. N\u00e3o h\u00e1 mais segredos por revelar. Por que continuamos \u00e0 procura de respostas quando o que profundamente desejamos est\u00e1 t\u00e3o claro e evidente? Reconhe\u00e7amos a infinidade da nossa exist\u00eancia. Abracemos os que est\u00e3o distantes. Levantemos os ca\u00eddos. Procuremos o perd\u00e3o. Partilhemos o que somos e temos. Porque Aquele que tudo era, tudo rejeitou para verdadeiramente ser. Sejamos, pois, autenticamente humanos. E tudo o resto vir\u00e1 a seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Ferreira, Arquidiocese de Braga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":186439,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-192706","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=192706"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192706\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/186439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=192706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=192706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}