{"id":1923,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/batatas-tens-tu-nos-olhos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"batatas-tens-tu-nos-olhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/batatas-tens-tu-nos-olhos\/","title":{"rendered":"Batatas, tens tu nos olhos!"},"content":{"rendered":"<p>Por ocasi\u00e3o do dia nacional das migra\u00e7\u00f5es <!--more--> Conta-se, em jeito de anedota, na regi\u00e3o de Sesimbra, usando mesmo a linguagem t\u00edpica: Num inverno mais rigoroso em que o mar estava feio e n\u00e3o tinha havido peixe nem para comer, um pescador foi ao campo (freguesia vizinha) pedir qualquer coisa para matar a fome. Abeirou-se de um campon\u00eas e pediu-lhe umas batatas e umas couves. Este deu-lhas, pois o ano at\u00e9 tinha sido frutuoso. No inverno seguinte inverteram-se os pap\u00e9is. Ao agricultor queimaram-se, com a geada, as coisas do campo. Ent\u00e3o, abeirou-se do pexito (nome dado ao natural da vila e, normalmente, pescador) pedindo-lhe uns peixes para matar a fome, invocando-lhe o favor anteriormente atendido. Para lhe avivar a mem\u00f3ria recordou-lhe as batatas dadas, ao que o pescador ripostou: \u2018Batatas, s\u00f4ce, tens tu nos olhos\u2019! Para significar que o favor j\u00e1 tinha esquecido&#8230; De facto, ao vermos certos epis\u00f3dios da nossa vida nacional podemos rever-nos na observa\u00e7\u00e3o do pexito ao campon\u00eas: . Quando os inc\u00eandios chamuscam os intervenientes que deveriam apag\u00e1-los; . Quando se ouve reclamar por mais ajuda \u00e0s v\u00edtimas dos fogos florestais, se n\u00e3o foram dadas condi\u00e7\u00f5es de evitar a trag\u00e9dia; . Quando se explora a natureza \u2013 tanto florestal como marinha \u2013 n\u00e3o salvaguardando os recursos; . Quando vemos crescer a desigualdade entre sectores econ\u00f3micos (empregadores e oper\u00e1rios), descurando a proveni\u00eancia das fortunas; . Quando se compensa a pregui\u00e7a \u2013 mesmo ao n\u00edvel eclesial \u2013 em desfavor de alguma inova\u00e7\u00e3o pastoral; . Quando vemos a promo\u00e7\u00e3o de projectos pessoais (nessa \u00edndole salvadora desgra\u00e7adista) eivados de protagonismo neo-renovador; . Quando sentimos crescer a sensa\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds est\u00e1 a salvo de um certo pessimismo \u2013 econ\u00f3mico, social ou pol\u00edtico \u2013 sem que se vejam resultados de verdade&#8230; Ent\u00e3o temos de dizer: batatas, tens tu nos olhos! Urge, por isso, proclamar a cultura da verdade, sem medo de ofender pela den\u00fancia, num profetismo construtor da solidadariedade entre pessoas, grupos, povos ou na\u00e7\u00f5es. Com efeito, os crist\u00e3os \u2013 particularmente por ocasi\u00e3o do \u2018dia das migra\u00e7\u00f5es\u2019 \u2013 t\u00eam de abrir os olhos, a mente e o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade daqueles que nos procuram na expectativa de uma vida mais digna e humana. J\u00e1 n\u00e3o somos um pa\u00eds s\u00f3 de emigrantes, mas de imigrantes em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es. Ser\u00e1 que os temos sabido receber, apoiar ou enquadrar? N\u00e3o bastam boas (ou pias) inten\u00e7\u00f5es, importa dar o passo, abrindo os olhos a quantos querem colaborar e dar o seu contributo. Assim estejamos prontos de olhar atento, alma aberta e esp\u00edrito receptivo aos outros!  A. S\u00edlvio Couto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por ocasi\u00e3o do dia nacional das migra\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[168,232,258],"class_list":["post-1923","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-da-guarda","tag-incendios","tag-migracoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1923"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1923\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}