{"id":19216,"date":"2006-07-19T15:34:07","date_gmt":"2006-07-19T15:34:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/19\/um-lugar-para-a-eucaristia-v\/"},"modified":"2006-07-19T15:34:07","modified_gmt":"2006-07-19T15:34:07","slug":"um-lugar-para-a-eucaristia-v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-lugar-para-a-eucaristia-v\/","title":{"rendered":"Um lugar para a Eucaristia (V)"},"content":{"rendered":"<p>A import\u00e2ncia e o lugar da arte <!--more--> Socorremo-nos de reflex\u00f5es do Cardeal Ratzinger (agora Papa Bento XVI), publicadas em \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o ao esp\u00edrito da Liturgia\u201d, das edi\u00e7\u00f5es Paulinas (2001), com uma ou outra adapta\u00e7\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o. Situamo-nos no cap\u00edtulo primeiro da terceira parte, dedicada \u00e0 Liturgia e Arte. Embora, centrado na quest\u00e3o das imagens, importa salientar que estas se reflectem, na arquitectura, escultura, pintura e m\u00fasica (que \u00e9 especialmente tratada no cap\u00edtulo II) e noutras artes. O t\u00edtulo faz lembrar a publica\u00e7\u00e3o de Guardini, de 1918, v\u00e1rias vezes reeditada e que constitui, ainda hoje, um verdadeiro cl\u00e1ssico da Teologia Lit\u00fargica. Passado quase um s\u00e9culo voltamos a uma reflex\u00e3o essencial sobre \u201ca Liturgia como centro inspirador da Igreja e da vida crist\u00e3 na sua beleza, riqueza oculta e grandeza que transcende o tempo\u201d.  \u201cA isen\u00e7\u00e3o de imagens n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a Incarna\u00e7\u00e3o de Deus. Deus entrou no mundo dos nossos sentidos, a fim de se tornar transparente em rela\u00e7\u00e3o a ele. As imagens do belo, que tornam vis\u00edvel o mist\u00e9rio de Deus invis\u00edvel, fazem parte do culto crist\u00e3o. \u00c9 certo que no vaiv\u00e9m dos tempos sempre haver\u00e1 tamb\u00e9m alturas de relativa escassez de imagens. Contudo, elas nunca podem desaparecer por completo. A iconoclasia n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o crist\u00e3. A arte sacra encontra os seus conte\u00fados nas imagens da Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, come\u00e7ando com a Cria\u00e7\u00e3o e continuando pelo primeiro at\u00e9 ao oitavo dia \u2013 o dia da ressurrei\u00e7\u00e3o e o dia do regresso, em que a linha da hist\u00f3ria se consome no c\u00edrculo. A ela pertencem sobretudo as imagens da Hist\u00f3ria B\u00edblica, mas tamb\u00e9m a Hist\u00f3ria dos Santos, como um desenrolar da Hist\u00f3ria de Jesus Cristo, como o retorno da fertilidade do gr\u00e3o de trigo ao longo da hist\u00f3ria\u2026 As imagens da Hist\u00f3ria de Deus com os homens n\u00e3o demonstram apenas uma sucess\u00e3o de acontecimentos passados, mas revelam a unidade interior dos actos de Deus. Remetem para o sacramento \u2013 sobretudo o Baptismo e a Eucaristia \u2013 ao qual se encontram intimamente ligadas, sendo assim uma refer\u00eancia para o futuro; s\u00e3o interiormente coerentes com os ritos celebrativos\u2026 O centro da imagem de Cristo \u00e9 o mist\u00e9rio Pascha: Cristo \u00e9 representado como o crucificado, o ressuscitado, o que h\u00e1-de vir, como rei ainda oculto. Todas as imagens de Cristo devem incluir esses tr\u00eas aspectos do mist\u00e9rio de Cristo; por outras palavras, devem ser imagens da P\u00e1scoa. \u00c9 evidente que pode haver v\u00e1rias acentua\u00e7\u00f5es: a imagem pode real\u00e7ar a cruz ou a paix\u00e3o e nela a afli\u00e7\u00e3o dos nossos dias, como pode fazer ressaltar a ressurrei\u00e7\u00e3o ou retorno. Uma imagem da cruz que n\u00e3o fa\u00e7a transluzir a P\u00e1scoa \u00e9 t\u00e3o falhada como uma imagem da P\u00e1scoa que se tenha esquecido das chagas como presen\u00e7a do tormento\u2026 As imagens de Cristo e dos Santos n\u00e3o s\u00e3o fotografias. A sua natureza \u00e9 conduzir para l\u00e1 do que apenas se consegue ver ao n\u00edvel material, despertando os sentidos interiores e educando um novo olhar, capaz de distinguir o invis\u00edvel dentro do vis\u00edvel. A sacralidade da imagem\u2026 deve ser fruto de uma contempla\u00e7\u00e3o interior, de um encontro da F\u00e9 com a nova realidade do ressuscitado que gera o olhar interior e leva \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, ao encontro com o Senhor\u2026 A Igreja do Ocidente n\u00e3o precisa de negar o caminho espec\u00edfico que tem percorrido desde meados do s\u00e9culo XIII. Contudo deve chegar a compreender o essencial do s\u00e9timo Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico, o segundo de Niceia, que formulou o significado fundamental do lugar da imagem dentro da Igreja\u2026 Por\u00e9m, deveria considerar como normativas as linhas fundamentais da Teologia das imagens na Igreja. \u00c9 certo que n\u00e3o pode haver normas fixas; tanto as experi\u00eancias religiosas como as intui\u00e7\u00f5es novas devem encontrar o seu lugar dentro da Igreja\u2026 Na Arte sacra n\u00e3o pode haver apenas o \u201c\u00e0 vontade\u201d: formas de arte que desmentem o Logos\u2026 prendendo o Homem \u00e0s apar\u00eancias sensoriais, n\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis com o significado da imagem na Igreja. Na subjectividade isolada n\u00e3o pode crescer nenhuma Arte sacra\u2026 A Arte sacra encontra-se sob o imperativo da segunda carta aos Cor\u00edntios: \u00abOlhando o Senhor como num espelho, somos transformados de gl\u00f3ria em gl\u00f3ria, nessa mesma imagem, pela ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito do Senhor\u00bb (3, 18). O que significa isso tudo na pr\u00e1tica? A Arte n\u00e3o pode ser \u00abproduzida\u00bb, como se tratasse de uma encomenda&#8230; Ela \u00e9 sempre um dom. N\u00e3o se pode conceber a inspira\u00e7\u00e3o, ela deve ser recebida \u2013 gratuitamente\u2026 Pressup\u00f5e, sobretudo, o dom do olhar novo. Por isso, dever\u00edamos fazer o maior esfor\u00e7o poss\u00edvel para alcan\u00e7ar uma F\u00e9 que fosse contemplativa. Onde exista, a arte encontrar\u00e1 tamb\u00e9m a express\u00e3o certa\u201d. <i>Secretarido Diocesano de Liturgia do Porto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A import\u00e2ncia e o lugar da arte<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[119,120,187,246,275],"class_list":["post-19216","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-arte-sacra","tag-bento-xvi","tag-diocese-do-porto","tag-liturgia","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19216"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19216\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}