{"id":191767,"date":"2020-11-25T11:05:09","date_gmt":"2020-11-25T11:05:09","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=191767"},"modified":"2020-11-25T11:05:09","modified_gmt":"2020-11-25T11:05:09","slug":"saber-aprender-a-higienizar-a-vida-com-profundidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-higienizar-a-vida-com-profundidade\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A higienizar a vida com profundidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Os desafios n\u00e3o continuam apenas com o aumento do n\u00famero de novos casos de coronav\u00edrus. H\u00e1, agora, a perspectiva aberta pelas diversas vacinas de come\u00e7armos a sair desta pandemia, mas a sua distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. E, falta ainda come\u00e7arem a desenvolverem-se os tratamentos para aqueles que contraiem o v\u00edrus. Mas se todos os desafios fossem biol\u00f3gicos! H\u00e1 ainda os sociais e, sobretudo, os espirituais. Sairemos desta pandemia com uma vida espiritual mais profunda?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/thinking-outside-640px.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-191768 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/thinking-outside-640px-400x225.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/thinking-outside-640px-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/thinking-outside-640px-480x270.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/thinking-outside-640px.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>Um dos maiores motivos de indigna\u00e7\u00e3o e inconformismo que me t\u00eam chegado por amigos \u00e9 o da rela\u00e7\u00e3o entre a higieniza\u00e7\u00e3o (limpeza das m\u00e3os) e a purifica\u00e7\u00e3o (limpeza da alma), sobretudo na experi\u00eancia que se faz na Sagrada Comunh\u00e3o. H\u00e1 quem coloque em quest\u00e3o se as pessoas acreditam na presen\u00e7a real de Deus na Eucaristia pelo excesso de preocupa\u00e7\u00e3o que v\u00eam na Igreja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 higieniza\u00e7\u00e3o. Felizmente, as duas coisas n\u00e3o s\u00e3o contr\u00e1rias, mas complementam-se.<\/p>\n<p>Quando estava na missa e pensava nesta \u2014 aparente \u2014 contradi\u00e7\u00e3o, ao higienizar as m\u00e3os, antes de receber Jesus presenta na H\u00f3stia Consagrada, pensei como este gesto dignifica o sacramento e, questionei, se antes da pandemia j\u00e1 o dev\u00edamos fazer. O higienizar das m\u00e3os pode ser um gesto de purifica\u00e7\u00e3o como faz, por exemplo, o sacerdote antes da consagra\u00e7\u00e3o ao lavar as m\u00e3os. Por isso, ao contr\u00e1rio do que as pessoas possam pensar, o cuidado que a Igreja tem com a higieniza\u00e7\u00e3o em geral, al\u00e9m de ir ao encontro das normas definidas pela DGS, tornando-se num testemunho social e cultural, revela, inesperadamente, uma oportunidade de aprofundamento espiritual. Ter as m\u00e3os limpas para tocar o Senhor, receb\u00ea-Lo e deixar que Ele me transforme a partir de dentro parece ter sentido e significado. O que pode estar por detr\u00e1s da ideia de que higienizar \u00e9 n\u00e3o acreditar na presen\u00e7a de Deus na comunh\u00e3o por ser outra coisa, e mais s\u00e9ria: uma ideia errada da ac\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Uma das vis\u00f5es da ac\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 a de este ser intervencionista. Isto \u00e9, a de Deus como Algu\u00e9m que interv\u00e9m directamente nos processos deste mundo. At\u00e9 hoje, n\u00e3o vi qualquer sinal disso que n\u00e3o fosse em Jesus. O que vemos nos milagres n\u00e3o s\u00e3o coisas fant\u00e1sticas que n\u00e3o conseguimos explicar cientificamente, mas experi\u00eancias que desafiam, profundamente, a nossa vis\u00e3o do mundo. O milagre da Sagrada Comunh\u00e3o est\u00e1 mais na transforma\u00e7\u00e3o da vida interior, de onde tudo parte e para onde tudo se dirige, do que numa ac\u00e7\u00e3o intervencionista no sentido f\u00edsico e biol\u00f3gico do termo. Mas quer isto dizer que a <em>transubstancia\u00e7\u00e3o<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma realidade f\u00edsica?<\/p>\n<p>A Consagra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, na minha experi\u00eancia como cientista e crente, vai muito, mas muito para al\u00e9m de uma quest\u00e3o de realidade f\u00edsica, tocando antes o \u00e2mago da realidade em si mesma. Isto \u00e9, reconhecendo que a Realidade \u00e9 uma eterna supresa, Jesus presente na Eucaristia toca TODA a Realidade, com as suas m\u00faltiplas e insond\u00e1veis manifesta\u00e7\u00f5es, rela\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o um aspecto particular da mesma. Ou seja, a grandeza da Eucaristia est\u00e1 no facto de ser um Mist\u00e9rio maior que o tamanho do Universo (conhecido e desconhecido), e estar t\u00e3o pr\u00f3ximo de cada um de n\u00f3s que at\u00e9 o podemos comer.<\/p>\n<p>A vida interior, onde a Eucaristia mais exerce a sua ac\u00e7\u00e3o, fica em perigo quando damos corpo a ideias contrastantes como a higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os e a higieniza\u00e7\u00e3o da alma. Pois, significa que nos desligamos da quest\u00e3o fundamental que vivemos no tempo presente \u2014 <em>\u00abSenhor, o que me queres dizer com tudo isto?\u00bb<\/em><\/p>\n<p>Se metade da minha cara se tapa, mais terei de falar com a metade que os outros v\u00eaem.<\/p>\n<p>Se me sinto sufocado com a m\u00e1scara, posso oferecer esse sofrimento pela convers\u00e3o dos pecadores.<\/p>\n<p>Se tenho medo da proximidade dos outros pelo risco de ser contagiado, posso lembrar-me de que a dist\u00e2ncia \u00e9 um simples dar espa\u00e7o para que o outro se sinta seguro e amado.<\/p>\n<p>Se acredito, realmente, que Jesus est\u00e1 presente na Eucaristia, n\u00e3o \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja com a higieniza\u00e7\u00e3o que me leva a colocar essa presen\u00e7a em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou abra\u00e7amos a oportunidade que a pandemia nos d\u00e1 de ter uma vida plena e profunda, que n\u00e3o se deixa esmorecer com os detalhes, mas usa-os como passos no caminho de santifica\u00e7\u00e3o pessoal e colectiva, ou estamos a perder o nosso tempo de vida espiritual.<\/p>\n<p>A ac\u00e7\u00e3o de Deus ocorre nos processos, n\u00e3o nos meios, ou fins. Como cientista, o maior desafio n\u00e3o est\u00e1 em produzir artigos para aumentar as m\u00e9tricas pelas quais sou avaliado, mas em manter puro o desejo de saber e a curiosidade em rela\u00e7\u00e3o a tudo o que existe no mundo. Os processos s\u00e3o o que realmente gera din\u00e2mica neste mundo. Resultam do cruzamento de in\u00fameras hist\u00f3rias, e ningu\u00e9m sabe por onde tudo come\u00e7ou, e para onde tudo se dirige. \u00c9 um jogo infinito como infinito \u00e9 Aquele que o criou. Deus interv\u00e9m a partir do interior dos processos. Da\u00ed que n\u00e3o seja muitas vezes evidente o seu agir, uma vez que o n\u00e3o-intervencionismo implica a discri\u00e7\u00e3o, o sil\u00eancio, o respeito pelo espa\u00e7o e a serenidade sem tempo.<\/p>\n<p>Eu compreendo que n\u00e3o vivemos num tempo f\u00e1cil. Parece que tudo desmorona \u00e0 nossa volta. At\u00e9 os rituais a que est\u00e1vamos habituado parecem ser postos em causa. Mas o que dev\u00edamos por em causa \u00e9 a vida antes da pandemia. O que a pandemia mostrou \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1vamos preparados, ou suficientemente desapegados da vida anterior, para acolher a vontade de Deus no momento presente.<\/p>\n<p>N\u00e3o baixemos os bra\u00e7os. Aproveitemos esta oportunidade para trabalhar em n\u00f3s a profundidade espiritual. Pe\u00e7amos a Deus a luz para entender o essencial de cada aspecto da nossa vida. Seja na doen\u00e7a, na preven\u00e7\u00e3o, na dist\u00e2ncia, ou higieniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u00abFizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso cora\u00e7\u00e3o anda inquieto enquanto n\u00e3o descansar em ti.\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 o que dizia Santo Agostinho, e \u00e9 o que podemos dizer, hoje, em cada momento de ora\u00e7\u00e3o. A inquietude pode ser o sinal de que algo em mim tem de mudar. A inquietude tira-me do conformismo de uma vida sem dificuldades. Talvez o repouso em Deus se encontre nos mais pequenos e conscientes gestos de amor. Nem que seja com o higienizar das m\u00e3os antes de O receber.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-191767","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=191767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191767\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=191767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=191767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=191767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}