{"id":19155,"date":"2006-07-17T11:47:56","date_gmt":"2006-07-17T11:47:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/17\/a-alma-da-cidade\/"},"modified":"2006-07-17T11:47:56","modified_gmt":"2006-07-17T11:47:56","slug":"a-alma-da-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-alma-da-cidade\/","title":{"rendered":"A alma da cidade"},"content":{"rendered":"<p>Nos quinhentos anos da cidade do Funchal   <!--more--> O crist\u00e3o d\u00e1 esperan\u00e7a \u00e0 cidade, quando assume as suas responsabilidades, promove a cultura, a reflex\u00e3o, o estudo, e, com sobriedade, trata dos problemas da cidade e ousa apresentar respostas e estrat\u00e9gias. Esta esperan\u00e7a passa atrav\u00e9s de pessoas que apresentam um pensamento arguto, servem com gratuidade, pessoas carism\u00e1ticas que n\u00e3o enriqueceram na pol\u00edtica, nem tiraram vantagens e, por vezes, n\u00e3o foram compreendidas e pagaram um pre\u00e7o muito alto pelo seu servi\u00e7o digno e consciencioso.    1. Cristo, ao tomar um corpo semelhante ao nosso, fez-se homem, enraizou a sua vida num povo numa cidade e numa hist\u00f3ria de pecado e gra\u00e7a, tornou-se participante da cidadania israelita do seu tempo. Foi judeu entre judeus, amou e chorou sobre a sua cidade. Faz parte da cidadania um enraizamento numa sociedade civil e social de homens, com uma hist\u00f3ria pr\u00f3pria, tradi\u00e7\u00f5es e cultura, e, ao mesmo tempo, com um significado universal de civiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.  O lugar concreto onde se vive a pr\u00f3pria cidadania \u00e9 a cidade, ela torna-se s\u00edmbolo de viver em conjunto e cada um apresenta-se parte dum contexto onde tem as suas origens.  A globaliza\u00e7\u00e3o apresenta possibilidades, inquieta\u00e7\u00f5es e problemas novos, e pede que nos tornemos ao mesmo tempo, cidad\u00e3os da nova cidade e do mundo.   Nem fuga nem evas\u00e3o  2 \u2013 As cidades continuam a aumentar n\u00famero dos seus habitantes, de forma que a popula\u00e7\u00e3o mundial que vive nas cidades, ultrapassa a que est\u00e1 fora delas. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil viver numa grande cidade. Aumentaram os problemas ligados \u00e0 sobre popula\u00e7\u00e3o e \u00e0 falta de servi\u00e7os. O rosto das cidades tornou-se cada vez mais desumano. Um dia passado na cidade onde se trabalha, exige um esfor\u00e7o imenso de pontualidade, corrida para o trabalho, com o espectro das greves. O domingo, para alguns, \u00e9 passado fora da cidade, mas\u2026 quanto tempo fechado num carro, filas para reentrar, quanto nervosismo e tens\u00f5es.  Outro aspecto desumano de algumas cidades \u00e9 o anonimato, o tr\u00e1fico, o caos, os ru\u00eddos, mais aflitivo ainda \u00e9 o n\u00famero de pobres, os sem abrigo, as mulheres de rua, os anci\u00e3os isolados nos apartamentos.  A resposta a estas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 a fuga nem a evas\u00e3o. Nem todas as cidades s\u00e3o desumanas, algumas est\u00e3o constru\u00eddas \u00e0 medida do homem. S\u00e3o lugares de cultura, defende-se o sentido da liberdade e dignidade humana, a solidariedade, as rela\u00e7\u00f5es sociais.  Como humanizar cada vez mais uma cidade, a nossa cidade? Que projectos e estrat\u00e9gias para a tornar \u00e0 medida das necessidades das pessoas, sem excluir ningu\u00e9m?  Cada cidade tem uma fisionomia que foi formando ao longo dos tempos. Ela \u00e9 express\u00e3o de uma consci\u00eancia comunit\u00e1ria que lhe deu beleza pr\u00f3pria, organiza\u00e7\u00e3o, tradi\u00e7\u00f5es e valores. Os monumentos, os edif\u00edcios sacros ou profanos, as pra\u00e7as, as institui\u00e7\u00f5es culturais ou de solidariedade, os museus, exprimem um mundo interior dos seus habitantes e da sua cultura. A cidade renova-se e cresce na medida em que esta consci\u00eancia civil, atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o humana, civil, social e religiosa.  As cidades t\u00eam uma personalidade ditada pela medida dos homens e mulheres que nela vivem, onde se espelha a sua alma.   Dar esperan\u00e7a \u00e0 cidade  3 \u2013 O crist\u00e3o d\u00e1 esperan\u00e7a \u00e0 cidade, quando assume as suas responsabilidades, promove a cultura, a reflex\u00e3o, o estudo, e, com sobriedade, trata dos problemas da cidade e ousa apresentar respostas e estrat\u00e9gias. Esta esperan\u00e7a passa atrav\u00e9s de pessoas que apresentam um pensamento arguto, servem com gratuidade, pessoas carism\u00e1ticas que n\u00e3o enriqueceram na pol\u00edtica, nem tiraram vantagens e, por vezes, n\u00e3o foram compreendidas e pagaram um pre\u00e7o muito alto pelo seu servi\u00e7o digno e consciencioso.  A rela\u00e7\u00e3o entre crist\u00e3os e pol\u00edtica passa por momentos nebulosos. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser fiel ao evangelho nos conte\u00fados e no estilo da ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Um grande pol\u00edtico europeu e homem de f\u00e9, Vittorio Bachelet, afirmou: \u00abquanto mais incertas s\u00e3o as cartas da rota, tanto mais \u00e9 indispens\u00e1vel uma b\u00fassola segura\u00bb.  A defesa dos valores humanos, patrim\u00f3nio de toda a humanidade, coloca em primeiro lugar a centralidade da pessoa humana, o que significa a salvaguarda da dignidade da vida em todos os seus n\u00edveis, e com amor preferencial pelos pobres, os \u00faltimos, os exclu\u00eddos da sociedade. Esta prioridade exige que seja assegurada a dignidade da fam\u00edlia, para que ela opere no campo cultural, pol\u00edtico e espiritual.  Ser crist\u00e3o e construtor da cidade, significa empenhar-se a viver segundo crit\u00e9rios de justi\u00e7a e equidade, o que exige a quem mais tem a n\u00e3o tornar-se prepotente defensor dos pr\u00f3prios privil\u00e9gios e bem estar, mas se disp\u00f5e a construir uma sociedade que reconhece o direito de todos e possibilite condi\u00e7\u00f5es para viverem dignamente. Este esfor\u00e7o \u00e9 um contributo para que reine a justi\u00e7a e a paz. Pelo contr\u00e1rio, quando a \u00eanfase se coloca na defesa dos pr\u00f3prios interesses, na aspira\u00e7\u00e3o materialista de acumular bens, esta cultura nada tem de verdade pol\u00edtica, porque esta, \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, procura e constru\u00e7\u00e3o de uma casa comum, onde transparece a alma de um povo e de uma cidade.   Funchal, 16 de Julho de 2006  <i>\u2020 Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/I><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos quinhentos anos da cidade do Funchal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,186,206,285,314],"class_list":["post-19155","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-funchal","tag-familia","tag-patrimonio","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19155"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19155\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}