{"id":19152,"date":"2006-07-17T11:07:52","date_gmt":"2006-07-17T11:07:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/17\/terra-santa-cristianismo-em-risco\/"},"modified":"2006-07-17T11:07:52","modified_gmt":"2006-07-17T11:07:52","slug":"terra-santa-cristianismo-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/terra-santa-cristianismo-em-risco\/","title":{"rendered":"Terra Santa: Cristianismo em risco"},"content":{"rendered":"<p>Funda\u00e7\u00e3o AIS denuncia situa\u00e7\u00e3o <!--more--> A presen\u00e7a crist\u00e3 na Terra Santa, no ber\u00e7o do cristianismo, est\u00e1 em risco de desaparecer. No espa\u00e7o de 40 anos, a percentagem de crist\u00e3os baixou de 20% para pouco mais de 2 por cento. Actualmente, existem pouco mais de 150 mil crist\u00e3os que t\u00eam de enfrentar quotidianamente discrimina\u00e7\u00f5es no emprego, na escola ou no pr\u00f3prio bairro onde vivem. As raz\u00f5es prendem-se com a religi\u00e3o, com o seu estatuto social e com a origem \u00e9tnica dos crist\u00e3os da Terra Santa, que s\u00e3o na maioria \u00e1rabes palestinianos.  Para muitos a derradeira solu\u00e7\u00e3o \u00e9 imigrar. Um sacerdote palestiniano explicou-nos que o grande surto da imigra\u00e7\u00e3o crist\u00e3 surgiu no in\u00edcio da Segunda Intifada (revolta \u00e1rabe), em Setembro de 2000. Mas os crist\u00e3os que imigraram para pa\u00edses vizinhos acabaram por regressar \u00e0 Terra Santa. \u201cPorque os pa\u00edses \u00e1rabes n\u00e3o os querem receber e porque a vida nesses pa\u00edses, maioritariamente isl\u00e2micos, n\u00e3o \u00e9 confort\u00e1vel para n\u00f3s\u201d, referiu o sacerdote. Os que se estabeleceram em pa\u00edses ocidentais j\u00e1 n\u00e3o pensam no regresso.  Os crist\u00e3os da Terra Santa encontram-se hoje entre o fogo cruzado da luta pol\u00edtica, territorial e econ\u00f3mica entre o Estado de Israel (maioritariamente judaico) e a Autoridade Palestiniana (actualmente de maioria mu\u00e7ulmana) que deseja constituir um Estado independente na Palestina. As comunidades crist\u00e3s s\u00e3o ref\u00e9ns de uma paz, que parece ser imposs\u00edvel de alcan\u00e7ar entre judeus e mu\u00e7ulmanos.  A Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre esteve na Terra Santa para avaliar a dimens\u00e3o da crise que est\u00e1 a atingir as comunidades crist\u00e3s e verificar o que pode ser feito para ajudar estes crist\u00e3os perseguidos e necessitados.  <b>Bel\u00e9m, pris\u00e3o a c\u00e9u aberto<\/b> A cidade ber\u00e7o do cristianismo, onde nasceu Jesus Cristo, est\u00e1 hoje cercada por uma muralha erguida pelas autoridades israelitas. Este enorme muro de bet\u00e3o separa os territ\u00f3rios palestinianos da Cisjord\u00e2nia do Estado israelita que justificou a sua constru\u00e7\u00e3o como uma medida para travar a entrada de terroristas e de armas em Israel.   Constru\u00edda em terrenos de cultivo palestinianos, a muralha que circunda Bel\u00e9m e v\u00e1rias outras cidades palestinianas separou fam\u00edlias e tornou ainda mais dif\u00edceis as desloca\u00e7\u00f5es das pessoas para o emprego, para a escola ou sempre que necessitam ir a um hospital ou a um centro de sa\u00fade no \u201clado de l\u00e1\u201d, em Israel.  No ano passado, por altura do Natal, os sacerdotes, religiosos e leigos das v\u00e1rias denomina\u00e7\u00f5es crist\u00e3s denunciaram esta situa\u00e7\u00e3o ao mundo: \u201cOs crist\u00e3os de Bel\u00e9m est\u00e3o fechados numa pris\u00e3o a c\u00e9u aberto por um muro de 8 metros de altura\u201d. A comunidade crist\u00e3 daquela cidade criticou o encerramento da estrada tradicional que conduzia \u00e0 Bas\u00edlica da Natividade, impondo aos peregrinos uma passagem for\u00e7ada e demorada pelos postos de controlo \u00e0 sa\u00edda da cidade. Estes actos foram considerados pelos representantes crist\u00e3os como \u201cuma forma de barb\u00e1rie moderna para estrangular economicamente uma cidade\u201d e \u201cuma flagrante discrimina\u00e7\u00e3o religiosa\u201d.  O turismo religioso e as peregrina\u00e7\u00f5es aos locais santos \u2013 uma das principais formas de subsist\u00eancia da comunidade crist\u00e3 \u2013 t\u00eam vindo a diminuir, n\u00e3o s\u00f3 devido ao medo de ataques terroristas, como tamb\u00e9m por causa do acesso cada vez mais dif\u00edcil dos turistas e peregrinos aos templos e locais sagrados do cristianismo.  <b>Ter\u00e7os pela paz na Terra Santa<\/b> Em Bel\u00e9m contact\u00e1mos com v\u00e1rias fam\u00edlias crist\u00e3s que lutam por manter abertas as suas lojas de artigos religiosos, que est\u00e3o \u00e0 beira da fal\u00eancia.  A fam\u00edlia Zablah (Ramon, Katie e seus 3 filhos), possui uma pequena oficina de fabrico artesanal de ter\u00e7os em madeira de oliveira. A senhora Katie lamentava a crise que se vive neste tipo de com\u00e9rcio e explicou como dependem da ajuda de familiares e amigos para comprar comida. Apesar de ter visto muitos crist\u00e3os partir, ela e a sua fam\u00edlia desejam permanecer na terra que tem sido o lar dos seus antepassados desde os tempos de Cristo. Ehad Zablah, de 18 anos, dizia-nos: \u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito triste, mas estamos determinados em ficar\u201d.  A f\u00e9 acalenta e d\u00e1 esperan\u00e7a a estas fam\u00edlias. \u201cA minha f\u00e9 inspira-me em tudo o que fa\u00e7o. Sem a minha f\u00e9 estaria perdida. Acredito que Jesus nunca se esquecer\u00e1 de n\u00f3s\u201d, confessava Arlette, de 60 anos, que trabalha com jovens traumatizados numa escola em Bel\u00e9m. A Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre est\u00e1 a apoiar estas fam\u00edlias, promovendo junto dos seus benfeitores em todo o mundo os ros\u00e1rios artesanais. Os ter\u00e7os s\u00e3o tamb\u00e9m um apelo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o pela paz na Terra Santa.  <b>Maghar: Os crist\u00e3os da Galileia pedem solidariedade<\/b> A 10 de Fevereiro deste ano a comunidade crist\u00e3 melquita organizou uma vig\u00edlia de \u201cora\u00e7\u00e3o pela reconcilia\u00e7\u00e3o e perd\u00e3o\u201d em mem\u00f3ria dos motins que ocorreram h\u00e1 um ano naquela cidade.  Maghar \u00e9 uma cidade com 20 mil habitantes, metade dos quais drusos (religi\u00e3o nascida do islamismo mas considerada her\u00e9tica pelos mu\u00e7ulmanos), 22% s\u00e3o crist\u00e3os melquitas e 20% pertence a outras denomina\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmanas. H\u00e1 um ano eclodiu um surto de viol\u00eancia em Maghar, em que grupos de fan\u00e1ticos drusos atacaram durante v\u00e1rios dias o bairro crist\u00e3o, incendiando e pilhando casas e lojas. Morreram sete pessoas e 5 mil crist\u00e3os fugiram para localidades vizinhas. As autoridades demoraram a reagir para proteger a popula\u00e7\u00e3o e foi o N\u00fancio Apost\u00f3lico em Israel que interveio pessoalmente para pedir o restabelecimento da ordem.  <B>Ramallah: Amea\u00e7ados pelo fundamentalismo<\/b> \u201cTodos os mu\u00e7ulmanos querem vir para esta cidade. Pouco a pouco, os crist\u00e3os partem porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver entre os mu\u00e7ulmanos. Alguns fan\u00e1ticos n\u00e3o gostam que existamos\u201d.  Estas palavras s\u00e3o do p\u00e1roco da cidade de Ramallah, centro da Autoridade Palestiniana e do rec\u00e9m-eleito Governo do movimento isl\u00e2mico Hamas. O Padre Nazaih explicou que tem crescido um sentimento anti-crist\u00e3o generalizado nesta cidade onde, anos atr\u00e1s, fundamentalistas mu\u00e7ulmanos se apoderaram \u00e0 for\u00e7a de terrenos pr\u00f3ximos a uma igreja para construir uma mesquita. \u201cVieram com tractores e partiram muros e casas. N\u00e3o percebemos o que se estava a passar. Eles ficaram com tudo\u201d, contou o sacerdote.  O aumento da milit\u00e2ncia entre os mu\u00e7ulmanos provocou um \u00eaxodo massivo nesta cidade que antes da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, em 1948, era inteiramente crist\u00e3.  Outro crist\u00e3o palestiniano confessou-nos, sob anonimato, temer que a situa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os se possa agravar com o novo poder pol\u00edtico na Palestina: \u201cCom o novo Governo, provavelmente a Palestina deixar\u00e1 de receber ajuda da Uni\u00e3o Europeia e dos Estados Unidos e os crist\u00e3os v\u00e3o ser novamente v\u00edtimas de discrimina\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7a\u201d.  <i>Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre<\/I><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Funda\u00e7\u00e3o AIS denuncia situa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[206,215,267,314,316,317,320],"class_list":["post-19152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-familia","tag-fundacao-ais","tag-natal","tag-solidariedade","tag-terco","tag-terra-santa","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19152\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}