{"id":191147,"date":"2020-11-22T09:31:32","date_gmt":"2020-11-22T09:31:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=191147"},"modified":"2020-11-20T09:55:06","modified_gmt":"2020-11-20T09:55:06","slug":"empresas-nao-estao-do-lado-do-problema-estao-do-lado-da-solucao-rita-sacramento-monteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/empresas-nao-estao-do-lado-do-problema-estao-do-lado-da-solucao-rita-sacramento-monteiro\/","title":{"rendered":"\u00abEmpresas n\u00e3o est\u00e3o do lado do problema, est\u00e3o do lado da solu\u00e7\u00e3o\u00bb &#8211; Rita Sacramento Monteiro"},"content":{"rendered":"<p>Durante tr\u00eas dias, jovens de 120 pa\u00edses reuniram-se online para o encontro mundial \u2018A Economia de Francisco\u2019. Jovens economistas, empres\u00e1rios e empres\u00e1rias, professores, pr\u00e9mios Nobel responderam ao convite do Papa para projetar uma nova economia, que \u201cfaz viver e n\u00e3o mata\u201d, uma economia inclusiva, que pensa nas pessoas e na \u2018\u2019casa comum\u2019.<!--more--><\/p>\n<p>Rita Sacramento Monteiro, do grupo da \u2018Economia de Francisco &#8211; Portugal\u2019, fala sobre a experi\u00eancia de meses na prepara\u00e7\u00e3o do evento e aponto ao futuro, com \u201cuma rede que continua a trabalhar o tema, a fazer ponte com outras organiza\u00e7\u00f5es e a lan\u00e7ar pistas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Gra\u00e7a Franco (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><strong> <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-19-at-17.12.45.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-191119 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-19-at-17.12.45.jpeg\" alt=\"\" width=\"1679\" height=\"1119\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-19-at-17.12.45.jpeg 1679w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-19-at-17.12.45-390x260.jpeg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-19-at-17.12.45-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-19-at-17.12.45-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-19-at-17.12.45-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-19-at-17.12.45-1080x720.jpeg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-19-at-17.12.45-1280x853.jpeg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-19-at-17.12.45-980x653.jpeg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WhatsApp-Image-2020-11-19-at-17.12.45-480x320.jpeg 480w\" sizes=\"(max-width: 1679px) 100vw, 1679px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><em>Este encontro come\u00e7ou a ser pensado como um evento internacional de tr\u00eas dias, um grande evento, na Igreja Cat\u00f3lica estamos acostumados a fazer grandes eventos, mas a pandemia obrigou a uma transforma\u00e7\u00e3o e faz com que isto seja hoje algo mais. \u00c9 hoje um movimento global, profissionais, investigadores, empreendedores, estudantes. Esta \u2018Economia de Francisco\u2019 \u00e9 uma proposta do Papa que mobilizou jovens de 120 pa\u00edses, incluindo jovens portugueses, entre os quais a Rita. Como \u00e9 que se recebe este desafio do Papa para que sejam os mais novos a promover um compromisso global por uma economia mais humana e um futuro mais sustent\u00e1vel?<\/em><\/p>\n<p>Recebi este convite com muito entusiasmo e o que senti quando ouvi falar pela primeira vez da \u2018Economia de Francisco\u2019 foi que estava perante uma novidade, algo que trazia oxig\u00e9nio, que trazia um horizonte mais largo, que trazia esperan\u00e7a e que contrastava com alguns discursos habituais ou viciados ou pouco estimulantes ou at\u00e9 j\u00e1 t\u00e3o complicados que n\u00e3o sabemos bem como entrar neles e como contribuir. Foi isso que senti quando ouvi falar pela primeira vez da \u2018Economia de Francisco\u2019. Acho que todos aqueles que se sentiram atra\u00eddos por este evento, sentiram-se atra\u00eddos por que t\u00eam vontade de fazer parte desta transforma\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estudou na Universidade Cat\u00f3lica, h\u00e1 quatro anos que \u00e9 a respons\u00e1vel m\u00e1xima dos projetos de voluntariado e responsabilidade social de uma grande empresa portuguesa. Este \u00e9 encontro que mistura gera\u00e7\u00f5es, ou seja, para jovens e de jovens, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de tutoria dos mais velhos, dos que j\u00e1 s\u00e3o premio Nobel e tamb\u00e9m d\u00e3o o seu contributo. A Rita estava ligada tamb\u00e9m a outro movimento que \u00e9 o \u2018iMissio\u2019, no fundo, um grande movimento que visa mudar atrav\u00e9s da digitaliza\u00e7\u00e3o a sociedade e da evangeliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da sociedade. \u00c9 bom participarem todos digitalmente os 120 pa\u00edses com aquela maratona de 24h00, a entrarem todos sequencialmente?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9 incr\u00edvel conseguirmos participar todos digitalmente e ter-se conseguido que este evento se organizasse e nos prepar\u00e1ssemos digitalmente. A pandemia por um lado refor\u00e7ou a urg\u00eancia de olharmos para estes temas, de olharmos para uma economia que tem de ser necessariamente mais humana, que tem que colocar outras perguntas para serem poss\u00edveis outros caminhos e a pandemia tamb\u00e9m acentuou alguns temas que j\u00e1 estavam como que identificados, tornou-os mais prementes.<\/p>\n<p>O contexto, ainda que dif\u00edcil, porque a pandemia trouxe muitas dificuldades, estamos agora a viver uma crise social, continuaremos em fase de emerg\u00eancia social durante muito tempo, mas trouxe uma grande oportunidade. E essa oportunidade j\u00e1 vinha de tr\u00e1s, do discurso que todos ouv\u00edamos falar que o mundo precisava de mudar, o discurso das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Com o desafio do Papa a t\u00f3nica vem ser posta exatamente \u201cisto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma crise ambiental\u201d, \u201cisto n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um tema destes ou daqueles ou dos economistas ou dos ambientalistas ou dos ativistas\u201d. Isto \u00e9 um tema de todos, \u00e9 sobretudo uma crise socio ambiental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No futuro, o que \u00e9 que prev\u00ea que possa decorrer de algumas destas aldeias globais que foram formadas para trabalhar v\u00e1rios temas? Qual \u00e9 que foi o tema que escolheu e sobretudo houve dois temas que me geraram alguma perplexidade, \u2018economia \u00e9 mulher\u2019 e \u2018lucro e voca\u00e7\u00e3o\u2019. Quer explorar estes temas?<\/em><\/p>\n<p>Eu escolhi o tema \u2018Trabalho e cuidado\u2019 e fiz parte desta aldeia que esteve a olhar por um lado o sagrado que \u00e9 o trabalho e a import\u00e2ncia do trabalho para a dignidade humana. Depois tamb\u00e9m a olhar para todos os temas cr\u00edticos desde o desemprego, \u00e0s novas tecnologias, \u00e0s novas formas de trabalhar. E, essencialmente, o que mais me atraiu neste tema foi o olharmos para o cuidar como exerc\u00edcio que devemos fazer quando pensamos no trabalho, como \u00e9 que se cuida atrav\u00e9s do nosso trabalho e depois todas as profiss\u00f5es ligadas ao cuidar e que, ali\u00e1s, na pandemia tornaram-se criticas as profiss\u00f5es do cuidado. De repente deu-se um olhar aos cuidadores formais que se calhar n\u00e3o se dava tanta aten\u00e7\u00e3o antes e percebemos que eles s\u00e3o essenciais.<\/p>\n<p>Estes dois temas &#8211; \u2018economia \u00e9 mulher\u2019 e \u2018lucro e voca\u00e7\u00e3o\u2019 \u2013 e o que \u00e9 que podemos esperar do futuro tamb\u00e9m n\u00e3o sei bem o que \u00e9 que vamos encontrar nestes tr\u00eas dias do evento, estou muito entusiasmada e curiosa, mas acho que \u00e9 sobretudo o marco de uma caminho e o princ\u00edpio de muita coisa.<\/p>\n<p>Conseguimos uma rede internacional de colabora\u00e7\u00e3o de jovens que, se calhar j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o jovens ou v\u00e3o passar a barra dos 35, ou at\u00e9 s\u00e3o mais jovens do que \u00e9 dito da faixa et\u00e1ria para a \u2018Economia de Francisco\u2019. Ganhou-se uma rede de colabora\u00e7\u00e3o, de pistas, ganhou-se canal para chegarem a Portugal, por exemplo, textos e trabalhos que est\u00e3o a ser feitos noutras frentes e conv\u00e9m que cheguem c\u00e1 para pensarmos neles.<\/p>\n<p>Depois em termos de futuro, para Portugal, e por isso constitu\u00edmos este grupo da \u2018Economia de Francisco &#8211; Portugal\u2019, porque sentimos que isto n\u00e3o pode parar aqui. J\u00e1 h\u00e1 muitos organismos, felizmente, em Portugal, muitas redes, a Rede Cuidar da Casa Comum, tantos movimentos que est\u00e3o a trabalhar nestas frentes. N\u00f3s n\u00e3o queremos ser mais um, no sentido de criar entropia, ou de grandes formalismos, mas queremos ser uma rede que continua a trabalhar o tema, a fazer ponte com outras organiza\u00e7\u00f5es e a lan\u00e7ar pistas.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Sobre o impacto da pandemia, uma das quest\u00f5es tem a ver com as mudan\u00e7as no campo laboral. Estamos agora confrontados com uma massifica\u00e7\u00e3o do teletrabalho, mas n\u00e3o s\u00f3, o olhar sobre o que o trabalho representa na vida de cada um tamb\u00e9m vai mudar muito depois do impacto desta pandemia. Isso foi algo que preocupou nos \u00faltimos meses de reflex\u00e3o este grupo?<\/em><\/p>\n<p>Sim, muito, falou-se muito desta adapta\u00e7\u00e3o ao digital porque de repente as pessoas foram para casa, muitas, as que puderam continuar a trabalhar, e depois muitas viram os seus empregos postos em causa e perderam os seus empregos e, por isso, est\u00e3o a atravessar uma fase dif\u00edcil.<\/p>\n<p>O que a \u2018Economia de Francisco\u2019 traz, quando as pessoas perguntam se ai sair daqui um modelo, respostas, eu acho que traz perguntas. E traz perguntas novas.<\/p>\n<p>E para este tema do trabalho precisamos de ter mais tempo e mais espa\u00e7o, em Portugal e tamb\u00e9m internacionalmente, para pensar com calma e colocar as perguntas certas. \u00c0s vezes, o discurso est\u00e1 muito extremado, entre trabalhadores e empregadores, uns contra os outros, uns que querem poder despedir com mais flexibilidade, os outros que querem condi\u00e7\u00f5es mais dignas e que, \u00e0s vezes, a t\u00f3nica \u00e9 vista de um lado s\u00f3 exig\u00eancias.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es, e este \u00e9 a grande novidade de pensarmos uma economia \u00e0 luz de um santo que viveu h\u00e1 800 anos, \u00e9 ir \u00e0 raiz dos temas, como S\u00e3o Francisco fazia, como este Papa tem proposto, e procurar as perguntas certas. O trabalho \u00e9 essencial para a dignidade humana, n\u00e3o \u00e9 o nosso absoluto, como tamb\u00e9m se est\u00e1 a viver nalgumas dimens\u00f5es, alguns de n\u00f3s absolutizaram o trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>V\u00ea-se nas novas gera\u00e7\u00f5es que h\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o particular \u00e0 vida familiar e n\u00e3o quererem sacrificar a sua vida pessoal e familiar ao trabalho e \u00e0 carreira e \u00e0 ideia de que o trabalho est\u00e1 acima de tudo\u2026<\/em><\/p>\n<p>E ainda assim, n\u00e3o querendo sacrificar, as pessoas veem-se em posi\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis porque depois cada um tem de descobrir onde \u00e9 que tra\u00e7a o limite. Hoje o sucesso individual e profissional a press\u00e3o \u00e9 tanta, estamos t\u00e3o sensibilizados, ouvimos tanto falar sobre isto, que depois vivemos com esta press\u00e3o e com esta expetativa.<\/p>\n<p>A t\u00f3nica tem de ser muita mais no sucesso coletivo, a excel\u00eancia coletiva e n\u00e3o nesta press\u00e3o para um sucesso individual que depois me leva a n\u00e3o ter hor\u00e1rios para nada, a andar sempre dividido, a viver em tens\u00e3o com a minha fam\u00edlia, com as outras dimens\u00f5es da minha pr\u00f3pria vida. Sem d\u00favida que esse \u00e9 um tema.<\/p>\n<p>Em Portugal, e j\u00e1 disse isto noutros f\u00f3runs, se pergunt\u00e1ssemos aos portugueses como \u00e9 que se sentem em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho as pessoas diriam que se sentem desgastadas, cansadas e divididas. E h\u00e1 uma investigadora que nos acompanhou neste percurso da \u2018Economia de Francisco\u2019 que \u00e9 defensora de uma nova organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. A Jennifer Nedelsky que fala de part-time para todos e 30 horas no m\u00e1ximo de trabalho e 22 horas para cuidar.<\/p>\n<p>Com esta proposta desafiadora e questiona a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o da sociedade, o que vem colocar \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o na press\u00e3o insustent\u00e1vel que est\u00e1 sobre as fam\u00edlias, no facto de os decisores, muitas vezes, n\u00e3o estarem sensibilizados para o que \u00e9 que \u00e9 isto do cuidar das fam\u00edlias at\u00e9 porque muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o eles que diretamente cuidam ou nunca fizeram voluntariado na vida. Falamos nisto muitas vezes nos nossos f\u00f3runs de discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c0 aten\u00e7\u00e3o do Governo\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, precisamos de decisores que estejam mais atentos a esta dimens\u00e3o do cuidar por que s\u00f3 assim podem tomar melhores decis\u00f5es e estar atentos a estas din\u00e2micas de equil\u00edbrio e de uma vida mais feliz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Voc\u00eas s\u00e3o capazes, t\u00e3o prec\u00e1rios como est\u00e3o, de dizer ao patr\u00e3o: \u201cDesculpe l\u00e1 mas s\u00e3o horas de eu ir embora?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que somos, e, sobretudo, antes at\u00e9 de dizermos ao patr\u00e3o cada um de n\u00f3s tem de olhar para a forma como gere o seu trabalho, e organiza o seu dia. Temos todos grandes ambi\u00e7\u00f5es, \u00e9 assim uma gera\u00e7\u00e3o com muita ambi\u00e7\u00e3o, muito desejo de entregar, de ter sucesso, e que vai percebendo que isso do ter sucesso depois n\u00e3o \u00e9 necessariamente o que traz a felicidade, de repente as outras dimens\u00f5es esta todas desequilibradas.<\/p>\n<p>Se calhar, estou a falar de um grupo de pessoas privilegiadas que pode dizer esse \u201cn\u00e3o\u201d ao patr\u00e3o. Se pensarmos em todas essas pessoas que n\u00e3o podem dizer que n\u00e3o ao patr\u00e3o, que t\u00eam mais do que um trabalho e acumulam trabalho apar poder pagar as contas, a quest\u00e3o \u00e9 completamente diferente e temos que ir a quem s\u00e3o esses patr\u00f5es e lembr\u00e1-los da import\u00e2ncia do papel que lhes foi confiado de cuidar daquelas pessoas, t\u00eam impacto na vida daquelas pessoas e na vida das fam\u00edlias daquelas pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uns anos o Ant\u00f3nio Pinto Leite, quando esteve em frente da ACEGE \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Empres\u00e1rios e Gestores, promoveu um encontro cujo tema era \u2018o amor como um crit\u00e9rio de gest\u00e3o\u2019. Isto foi uma antecipa\u00e7\u00e3o deste movimento?<\/em><\/p>\n<p>Foi, foi, esse \u00e9 um dos muitos sinais que houve no passado, nos \u00faltimos anos, que antecipam um evento como este. E que \u00e9 pessoas que surgem de repente com uma linguagem muito simples e que o amor atualmente, a palavra \u201camor\u201d, padece de alguma banaliza\u00e7\u00e3o, pobre palavra amor\u2026 Mas se a dignificarmos e olharmos com olhos de ver, como tem o Papa tentado fazer, percebemos que afinal o Ant\u00f3nio Pinto Leite n\u00e3o estava e n\u00e3o era uma frase po\u00e9tica. Era uma frase prof\u00e9tica, porque o avan\u00e7ar da economia e da tecnologia de certa maneira desumanizou-nos em muitas frentes, e hoje temos acesso a muitas coisas, a imensa informa\u00e7\u00e3o, hoje conseguimos pensar temas e ter acesso a realidades de outros pa\u00edses, mas, em muitas dimens\u00f5es, estamos mais pobres, estamos mais empobrecidos.<\/p>\n<p>Lembro a Madre Teresa de Calcut\u00e1, que dizia que a pobreza que a assustava n\u00e3o era a material, era a dos pa\u00edses ditos desenvolvidos, esta pobreza de rela\u00e7\u00f5es afetivas, de pensamentos cr\u00edtico, de um olhar ao outro. Esta frase do \u201camor como crit\u00e9rio de gest\u00e3o\u201d \u00e9 sem d\u00favida a base para a reflex\u00e3o da economia de Francisco que \u00e9 olharmos para a economia, que diz das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, das rela\u00e7\u00f5es com os bens, olharmos para a ecologia integral, que diz das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas e todos os seres vivos que h\u00e1 na terra e olharmos para isto tudo em conjunto, pensarmos isto em conjunto. De facto, a express\u00e3o \u2018casa comum\u2019 \u00e9 a que melhor fala disto tudo e \u00e9 muito simples para dizer, nos somos pessoas na terra a fazer um caminho, vivemos numa casa que \u00e9 comum, percebemos que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e at\u00e9 um v\u00edrus no atinge a todos, s\u00f3 vamos conseguir fazer melhor e estarmos todos mais felizes trabalhando em conjunto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta vis\u00e3o centrada no amor e no cuidado vai parecer muito ut\u00f3pica. No vosso trabalho h\u00e1 projetos, h\u00e1 modelos implementados com estes crit\u00e9rios que d\u00e3o dinheiro, que d\u00e3o lucro?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1. Ou seja, temos tido acesso a muitas pr\u00e1ticas internacionais, at\u00e9 em Portugal, empresas assumidamente crist\u00e3s ou independentemente da religi\u00e3o, ou sem assumirem uma confiss\u00e3o religiosa, que inclu\u00edram preocupa\u00e7\u00f5es do cuidado com o ambiente, com as pessoas, com a forma como se contrata, como se paga, como se produz e que est\u00e3o a dar lucro, grandes multinacionais.<\/p>\n<p>Muitos poder\u00e3o dizer e estar ainda c\u00e9ticos que ainda \u00e9 tudo fogo de vista, que \u00e9 um marketing verde, n\u00e3o o creio. E acho que h\u00e1 um olhar tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao setor privado que \u00e9, \u00e0s vezes, incompleto e injusto at\u00e9. O setor privado tem feito muito tamb\u00e9m pela transforma\u00e7\u00e3o do mundo, possibilitou o apoio a tantos projetos, d\u00e1 empregos.<\/p>\n<p>As empresas n\u00e3o est\u00e3o do lado do problema, est\u00e3o do lado da solu\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muitas empresas que est\u00e3o a incorporar estas preocupa\u00e7\u00f5es de cuidado e que s\u00e3o empresas sustent\u00e1veis, rent\u00e1veis e a dar lucro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando se come\u00e7ou a estudar a felicidade como um crit\u00e9rio de gest\u00e3o, provava-se estatisticamente que 28% do volume de neg\u00f3cios podia aumentar por trabalhador no caso de ele se sentir feliz na empresa e isto levava a que triplicasse o valor para o acionista, no caso de as empresas conseguirem motivar os trabalhadores, a vestirem a camisola da empresa. Estes n\u00fameros foram investigados para convencer os empres\u00e1rios que podiam ganhar se os trabalhadores estivessem felizes, e era do seu pr\u00f3prio interesse que o trabalhador sentisse bem-estar na empresa. Acha que vamos dar o passo em frente, ou seja, para al\u00e9m de os convencer, sensibilizar que independentemente de ganharem mais ou n\u00e3o com isso o valor da felicidade do trabalhador \u00e9 um valor em si para a sociedade?<\/em><\/p>\n<p>Eu espero que sim, porque \u00e9 isso que \u00e9 preciso. De outra maneira o que acontece \u00e9 que esta tend\u00eancia no mundo empresarial para construir o caso de neg\u00f3cio e apresentar \u00e0s administra\u00e7\u00f5es, e depois as l\u00f3gicas s\u00e3o sempre, qual \u00e9 o retorno, qual \u00e9 o retorno econ\u00f3mico, quais s\u00e3o estes n\u00fameros. E, ent\u00e3o, podemos dizer: ao menos estes administradores e estes gestores passaram a ocupar-se mais da felicidade dos seus colaboradores, \u00f3timo. De repente essa ocupa\u00e7\u00e3o leva a que criam muitas medidas para melhorar a sua felicidade no trabalho mas continuam a exigir que eles estejam a 10, 12, 14 horas e lhes colocam uma press\u00e3o inimagin\u00e1vel; nas mulheres, por exemplo, que usufruem das licen\u00e7as, ou os pais que usufruem das licen\u00e7as de parentalidade, que depois se sentem divididos, que sentem que voltam \u00e0 empresa e que isso n\u00e3o \u00e9 bem visto, \u00e9 quase como que uma interrup\u00e7\u00e3o, estamos a dever, estamos a dever \u00e0 empresa\u2026 Se for por esse caminho \u00e9 um caminho perigoso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante tr\u00eas dias, jovens de 120 pa\u00edses reuniram-se online para o encontro mundial \u2018A Economia de Francisco\u2019. Jovens economistas, empres\u00e1rios e empres\u00e1rias, professores, pr\u00e9mios Nobel responderam ao convite do Papa para projetar uma nova economia, que \u201cfaz viver e n\u00e3o mata\u201d, uma economia inclusiva, que pensa nas pessoas e na \u2018\u2019casa comum\u2019.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":191119,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[414,191],"class_list":["post-191147","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-ecologia","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=191147"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191147\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/191119"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=191147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=191147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=191147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}