{"id":19077,"date":"2006-07-12T10:51:36","date_gmt":"2006-07-12T10:51:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/12\/o-valor-de-uma-pessoa-nao-depende-dos-outros\/"},"modified":"2006-07-12T10:51:36","modified_gmt":"2006-07-12T10:51:36","slug":"o-valor-de-uma-pessoa-nao-depende-dos-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-valor-de-uma-pessoa-nao-depende-dos-outros\/","title":{"rendered":"O valor de uma pessoa n\u00e3o depende dos outros"},"content":{"rendered":"<p>A te\u00f3loga alem\u00e3 Jutta Burggraf recorda que o valor de cada pessoa n\u00e3o depende da aceita\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o dos outros. Explica-o no seu novo livro \u201cLiberdade vivida com a for\u00e7a da F\u00e9\u201d editado em Madrid pela Rialp. Jutta Burgraf \u00e9 professora de teologia dogm\u00e1tica na Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra e tem escrito sobre o feminismo, ecumenismo e Santa Teresa d\u2019\u00c1vila.  <i>&#8211; O seu livro intitula-se \u201cLiberdade vivida\u201d. H\u00e1 liberdades n\u00e3o vividas? Jutta Burggraf &#8211;<\/i> Todos n\u00f3s, homens, nascemos \u00fanicos, mas, \u00e0s vezes, limitamo-nos a ser apenas c\u00f3pias. Nessas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o correspondemos ao chamamento pessoal e \u00fanico que recebemos ao entrar no mundo. \u00abS\u00ea tu mesmo. S\u00ea como Deus te sonhou desde sempre\u00bb. Cada homem pode oferecer muitas surpresas, ter pensamentos novos, solu\u00e7\u00f5es originais, actua\u00e7\u00f5es \u00fanicas. \u00c9 capaz de viver a sua pr\u00f3pria vida e de ser fonte de inspira\u00e7\u00e3o e apoio para os outros. Se uma pessoa n\u00e3o utiliza as suas pernas para caminhar, consideramo-la estranha ou provavelmente doente; mas se n\u00e3o usa o seu entendimento para pensar, nem a vontade para decidir, quase n\u00e3o damos conta do estado perigoso em que se encontra, porque estamos habituados a n\u00e3o viver \u00e0 altura das nossas melhores possibilidades; com frequ\u00eancia, n\u00e3o utilizamos a capacidade mais rica e profunda que temos, a nossa liberdade. Com efeito, ningu\u00e9m deve converter-se num aut\u00f3mato, sem rosto nem originalidade. \u00c0s vezes conv\u00e9m recordar o olhar da crian\u00e7a para nos abrirmos \u00e0 pr\u00f3pria novidade e a cada pessoa e, assim, descobrir o desafio que encerra cada situa\u00e7\u00e3o. O mundo ser\u00e1 o que n\u00f3s fizermos dele ou, pelo menos, a nossa vida ser\u00e1 o que fizermos dela.  <i>&#8211; Quando alude ao mundo \u00absubtilmente tiranizante\u00bb em que nos coube viver, a que se refere concretamente? J B &#8211;<\/i> Nas nossas sociedades h\u00e1 \u00abcorrentes douradas\u00bb. Reina a tirania das massas e dos costumes. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil descobrir uma poderosa corrente colectivista que tende a despojar-nos do mais rec\u00f4ndito do nosso ser, com a finalidade de igualar e massificar os homens, sen\u00e3o todos, pelo menos os que pertencem a determinado partido, a uma associa\u00e7\u00e3o concreta, a uma comunidade, a um site ou a um clube de golfe. Est\u00e1 na moda cantar em un\u00edssono, vestir-se com a mesma roupa, recorrer aos mesmos argumentos pr\u00e9-fabricados, com as mesmas palavras, o mesmo olhar e, inclusive, o mesmo sorriso. H\u00e1 pessoas que nem se d\u00e3o conta das correntes a que est\u00e3o amarrados. Acomodam-se ao esp\u00edrito que lhes parece \u00f3bvio. Mas o que elas sentem, pensam ou dizem n\u00e3o \u00e9 coisa sua; s\u00e3o os sentimentos, pensamentos e frases feitas que foram publicadas em milhares de jornais e revistas, na r\u00e1dio, na televis\u00e3o e na Internet. Se algu\u00e9m come\u00e7a a pensar e a actuar por conta pr\u00f3pria e mant\u00e9m uma opini\u00e3o divergente da geralmente aceite pelo \u00absistema\u00bb \u2013 que se voltou a fechar e n\u00e3o admite nada que seja inc\u00f3modo \u2013 \u00e9 simplesmente rejeitada. No entanto, somos livres, apesar das circunst\u00e2ncias adversas que nos podem rodear e influenciar. E n\u00e3o s\u00f3 temos o direito, mas tamb\u00e9m o dever de exercer a nossa liberdade. Precisamente hoje, \u00e9 mais necess\u00e1rio do que nunca tomar consci\u00eancia da grande riqueza da nossa vida e procurar caminhos para chegar a ser \u00abmais\u00bb homens e n\u00e3o pessoas desanimadas, assustadas e tristes.  <i>&#8211; Como se aprende a ser livre? Qual \u00e9 o primeiro passo? JB &#8211;<\/i> Ao crescer, o homem descobre, gradualmente, que tem um espa\u00e7o interior, no qual est\u00e1, de algum modo, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio. Percebe que, essencialmente, n\u00e3o depende nem dos pais, nem dos professores, nem do col\u00e9gio; n\u00e3o depende dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, nem t\u00e3o pouco da opini\u00e3o p\u00fablica. Experimenta um espa\u00e7o no qual est\u00e1 a s\u00f3s consigo pr\u00f3prio, em que \u00e9 livre. Descobre o seu mundo interior, a sua intimidade. A pr\u00f3pria intimidade \u00e9 o que s\u00f3 a pessoa conhece, \u00e9 o \u00absantu\u00e1rio\u00bb do humano. Posso entrar dentro de mim e a\u00ed ningu\u00e9m me pode enredar. Quando \u00abestou comigo\u00bb, facilmente percebo qu\u00e3o desnecess\u00e1rio e, inclusive, rid\u00edculo \u00e9 procurar a confirma\u00e7\u00e3o e o aplauso dos outros. O valor de uma pessoa n\u00e3o depende dos outros. N\u00e3o depende dos aplausos ou gestos de confirma\u00e7\u00e3o que possa receber ou n\u00e3o. Somos mais do que o que vivemos no exterior. H\u00e1 um espa\u00e7o em n\u00f3s ao qual os outros n\u00e3o t\u00eam acesso. \u00c9 a nossa \u00abp\u00e1tria interior\u00bb, um espa\u00e7o de sil\u00eancio e quietude. Enquanto n\u00e3o o descobrirmos, viveremos de um modo superficial e confuso, procurando consolo onde o n\u00e3o h\u00e1 \u2013 no mundo exterior. O homem \u00e9 livre quando mora na sua pr\u00f3pria casa. Infelizmente, h\u00e1 muitas pessoas que n\u00e3o \u00abest\u00e3o consigo\u00bb mas sempre com os outros. N\u00e3o sabem descansar em si mesmas.  <i>&#8211; Afirma no seu livro que obedecer a Deus \u00e9 fonte de liberdade. O que pretende dizer com isso? JB &#8211;<\/i> O pr\u00f3prio Deus, a fonte de toda a vida, quer habitar cada vez mais profundamente em n\u00f3s. A partir do nosso n\u00facleo mais \u00edntimo, quer dar-nos a vida em abund\u00e2ncia de uma forma ou de outra; cada homem est\u00e1 chamado a reviver o drama experimentado por Santo Agostinho. \u00abTu estavas dentro de mim e eu fora. E eu procurava-Te fora de mim\u00bb. Deus pede-nos um m\u00ednimo de abertura, de disponibilidade e de acolhimento para a Sua gra\u00e7a \u00abSe escutardes hoje a Sua voz, n\u00e3o endure\u00e7ais os vossos cora\u00e7\u00f5es\u00bb. Para encontrar Deus dentro de n\u00f3s, \u00e9 preciso, misteriosamente, \u00ababrir-Lhe as portas\u00bb da nossa casa. Por outras palavras, neste espa\u00e7o \u00edntimo do sil\u00eancio e da quietude que h\u00e1 em mim, onde ningu\u00e9m pode entrar sen\u00e3o eu, n\u00e3o quero estar s\u00f3. Convido Deus para entrar, a estar comigo e a conduzir a minha vida. Ent\u00e3o a minha autodetermina\u00e7\u00e3o consiste em fazer o que Ele me disser. Quando Deus habita em mim eu gosto de \u00abestar comigo\u00bb e \u00abentrar na pr\u00f3pria casa\u00bb. Nunca estarei s\u00f3, mas acompanhado e protegido por Quem mais me ama. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que eu mesmo resolva os pequenos e grandes problemas de cada dia. A vida crist\u00e3 \u00e9 uma vida estritamente dialogante. Obedi\u00eancia quer dizer, na sua origem, que Cristo nos governa, \u00e9 Ele o timoneiro da nossa barca. N\u00e3o se sobrep\u00f5e \u00e0s nossas ac\u00e7\u00f5es; est\u00e1 no pr\u00f3prio n\u00facleo da liberdade. \u00c9 o que nos diz o Evangelista \u00abVede que o reino de Deus se encontra dentro de v\u00f3s\u00bb (Lucas 17, 20)  www.opusdei.pt\/art.php?p=17682<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A te\u00f3loga alem\u00e3 Jutta Burggraf recorda que o valor de cada pessoa n\u00e3o depende da aceita\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o dos outros. Explica-o no seu novo livro \u201cLiberdade vivida com a for\u00e7a da F\u00e9\u201d editado em Madrid pela Rialp. Jutta Burgraf \u00e9 professora de teologia dogm\u00e1tica na Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra e tem escrito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[154,192,312],"class_list":["post-19077","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-crianca","tag-ecumenismo","tag-snec"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19077"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19077\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}