{"id":19064,"date":"2006-07-11T13:27:37","date_gmt":"2006-07-11T13:27:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/11\/musicalmente-porque-a-musica-penetra-mais-fundo-na-alma-humana\/"},"modified":"2006-07-11T13:27:37","modified_gmt":"2006-07-11T13:27:37","slug":"musicalmente-porque-a-musica-penetra-mais-fundo-na-alma-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/musicalmente-porque-a-musica-penetra-mais-fundo-na-alma-humana\/","title":{"rendered":"Musicalmente: porque a M\u00fasica penetra mais fundo na alma humana"},"content":{"rendered":"<p>A cultura grega, matriz da identidade cultural europeia ocidental, usava a M\u00fasica como um dos pilares estruturantes do seu sistema educativo, para al\u00e9m da gin\u00e1stica. Mas t\u00eam origem muito anterior aos Pitag\u00f3ricos as pr\u00e1ticas musicais que ainda hoje se observam sem excep\u00e7\u00e3o em todos os povos do planeta. Seja nas liturgias das principais religi\u00f5es &#8211; que criaram todas elas uma linguagem musical pr\u00f3pria \u2013 nos ritos de passagem, nos momentos de lazer ou de celebra\u00e7\u00e3o, na publicidade e no marketing, em civiliza\u00e7\u00f5es distantes no tempo ou no espa\u00e7o, em sociedades ricas ou do terceiro mundo, a M\u00fasica est\u00e1 sempre presente. Porqu\u00ea? Pergunta Plat\u00e3o no 3.\u00ba livro da sua Rep\u00fablica. A resposta \u00e9 clara e imediata: porque esta penetra mais fundo na alma humana. Mas o som e a M\u00fasica n\u00e3o s\u00e3o somente op\u00e7\u00f5es das sociedades, s\u00e3o tamb\u00e9m uma escolha biol\u00f3gica. Talvez porque vivemos numa civiliza\u00e7\u00e3o das imagens e dos olhares, escapa-nos que na evolu\u00e7\u00e3o dos corpos que somos e habitamos o som tem primazia \u00e0s imagens. Repare-se que os olhos t\u00eam pequenas portadas que lhes permitem descansar enquanto os ouvidos est\u00e3o sempre abertos. O nosso Programador deixou que esta fun\u00e7\u00e3o do olhar pudesse ser interrompida temporalmente enquanto os sons est\u00e3o permanentemente a ser processados. Ouvimos a dormir o que ouvimos acordados. E se atendermos ao facto do nosso sistema auditivo estar completamente acabado ao 4.\u00ba m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o enquanto um rec\u00e9m-nascido ainda distingue somente contornos e contrastes, percebemos o quanto os sons importam ao ser humano. Mas se a audi\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro sentido acabado, tudo indica que ser\u00e1 igualmente o \u00faltimo que o ser humano processa. J\u00e1 num estado terminal, o corpo n\u00e3o reage ao tacto ou \u00e0 vis\u00e3o, mas ainda se processa som no seu c\u00e9rebro. De resto, quem j\u00e1 experimentou uma anestesia geral sabe que o \u00faltimo sentido a perder \u00e9 a audi\u00e7\u00e3o, e o primeiro a recuperar \u00e9 igualmente a audi\u00e7\u00e3o. \u00c9 pois anterior \u00e0 consci\u00eancia este lugar que os sons ocupam nas nossas vidas. E os sons quando pensados e organizados elevam-se a uma outra dimens\u00e3o, a da M\u00fasica. Que nos embala e irrita, que nos vende autom\u00f3veis e anuncia amigos do outro lado dos telem\u00f3veis, que compramos em rodinhas brilhantes ou bilhetes de sala, mas que definitivamente nos acompanha em todas as circunst\u00e2ncias pessoais e profissionais ao longo de toda a nossa vida. E se saber M\u00fasica nada tem que ver com o conhecimento de uma qualquer nota\u00e7\u00e3o, fazer M\u00fasica tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de tocar um instrumento musical. S\u00e3o muito mais os m\u00fasicos que n\u00e3o tocam instrumentos e n\u00e3o sabem ler uma pauta dos que os outros. Porque a M\u00fasica n\u00e3o \u00e9 feita essencialmente de sons, mas de ideias. Por isso nos importa partilhar a M\u00fasica como uma dimens\u00e3o que interpreta, transfigura e nos apresenta o mundo em que vivemos e n\u00f3s pr\u00f3prios, e n\u00e3o somente como um caixote de discos ou partituras, que tamb\u00e9m \u00e9. A can\u00e7\u00e3o de embalar que a m\u00e3e ternamente canta para o beb\u00e9 aninhando-o no seu colo e olhando-o nos olhos \u00e9 M\u00fasica de um n\u00edvel t\u00e3o elevado quanto a mais complexa sinfonia de Mahler.  A t\u00e9nue pulsa\u00e7\u00e3o que um dedo de um idoso acamado teima em fazer no len\u00e7ol enquanto \u00e0 sua beira se canta uma m\u00fasica do seu tempo da juventude pode ter um n\u00edvel performativo superior \u00e0 t\u00e9cnica que o aluno de piano faz numa audi\u00e7\u00e3o do seu conservat\u00f3rio. E quando um recluso irrompe em l\u00e1grimas por ter acabado de cantar junto \u00e0 porta da sua cela algumas \u00e1rias de Mozart, fruiu certamente os sentimentos que o D. Giovanni evoca num n\u00edvel t\u00e3o intenso quanto o p\u00fablico de S\u00e3o Carlos depois de uma produ\u00e7\u00e3o de luxo. E aqueles para quem as palavras n\u00e3o existem, ou porque o seu corpo os impede de verbalizar, ou porque a sua mente as n\u00e3o admite, t\u00eam nas estruturas r\u00edtmicas e mel\u00f3dicas uma porta com o mundo e com os outros. Porque ser\u00e1 que o gago quanto canta perde a gaguez? O som transporta as palavras para um outro dom\u00ednio bem mais complexo e poderoso. E porque ouvimos os nossos av\u00f3s dizerem que quem canta reza duas vezes? Porque os sons vindo de mais de dentro tamb\u00e9m voam para mais alto. E porque diz o povo que quem canta seus males espanta? Porque a M\u00fasica penetra mais fundo na alma humana.  <i>Paulo Lameiro<\/i> http:\/\/samp.pt\/content\/view\/158\/ Novas Primaveras: Programa de M\u00fasica Teatro e Dan\u00e7a para idosos http:\/\/samp.pt\/content\/view\/155\/2\/ \u00d3pera na Pris\u00e3o: Programa de Musicoterapia em contexto prisional http:\/\/samp.pt\/content\/view\/14\/32\/ Ber\u00e7o das Artes: Plano de estudos para fam\u00edlias com beb\u00e9s http:\/\/www.concertosparabebes.com Concertos para Beb\u00e9s: Programa de frui\u00e7\u00e3o musical para beb\u00e9s http:\/\/samp.pt\/content\/view\/16\/34\/ Musicoterapia: programas de sensibiliza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o da Escola de Artes SAMP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cultura grega, matriz da identidade cultural europeia ocidental, usava a M\u00fasica como um dos pilares estruturantes do seu sistema educativo, para al\u00e9m da gin\u00e1stica. 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