{"id":190573,"date":"2020-11-16T09:00:07","date_gmt":"2020-11-16T09:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=190573"},"modified":"2020-11-14T11:33:58","modified_gmt":"2020-11-14T11:33:58","slug":"lusofonias-politica-com-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-politica-com-amor\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Pol\u00edtica com amor"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias.Politicacomamor-16-11-2020a.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-190579\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias.Politicacomamor-16-11-2020a.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias.Politicacomamor-16-11-2020a.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias.Politicacomamor-16-11-2020a-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias.Politicacomamor-16-11-2020a-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias.Politicacomamor-16-11-2020a-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias.Politicacomamor-16-11-2020a-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias.Politicacomamor-16-11-2020a-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias.Politicacomamor-16-11-2020a-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u2018Um cora\u00e7\u00e3o aberto ao mundo\u2019 \u00e9 tema do IV Cap\u00edtulo da \u2018Fratelli Tutti\u2019. Ao p\u00f4r limites \u00e0s fronteiras que o mundo ergueu, o Papa \u00e9 claro: \u2018os nossos esfor\u00e7os a favor das pessoas migrantes que chegam podem resumir-se em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar\u2019 (FT 129). Devemos oferecer aos migrantes a possibilidade dum novo desenvolvimento (cf. FT 134) pois, \u2018se forem ajudados a integrar-se, eles s\u00e3o uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, uma riqueza e um novo dom que convida a sociedade a crescer\u2019 (FT 135).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso fazer um interc\u00e2mbio fecundo entre pa\u00edses, pois a ajuda m\u00fatua a todos beneficia e faz aumentar a convic\u00e7\u00e3o de que, \u2018ou nos salvamos todos ou n\u00e3o se salva ningu\u00e9m\u2019 (FT 137) porque tudo est\u00e1 interligado. No acolhimento, urge cultivar a gratuitidade fraterna evitando com\u00e9rcios calculistas e sem humanidade. N\u00e3o se podem catalogar os imigrantes como usurpadores que nada oferecem. Muitas vezes se pensa que \u2018os pobres s\u00e3o perigosos ou in\u00fateis e os poderosos s\u00e3o generosos benfeitores\u2019 (FT 141). Quanto mais acolhedora e aberta for uma sociedade, mais se geram culturas saud\u00e1veis assentes em valores universais. E o Papa Francisco deixa bem claro que \u2018hoje nenhum Estado nacional isolado \u00e9 capaz de garantir o bem comum da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o\u2019 (FT 153).<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria uma pol\u00edtica melhor, \u2018colocada ao servi\u00e7o do verdadeiro bem comum\u2019 (FT 154). As op\u00e7\u00f5es por pol\u00edticas populistas e liberais est\u00e3o a ser negativas para a vida das pessoas pois, \u2018em ambos os casos, \u00e9 palp\u00e1vel a dificuldade de pensar num mundo aberto onde haja lugar para todos, que inclua os mais fr\u00e1geis e respeite as diferentes culturas\u2019 (FT 155).<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 a grande oferta que um governo pode fazer aos seus cidad\u00e3os, pois assegura a todos uma vida digna e comprometida com a constru\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>O mercado n\u00e3o resolve todos os problemas e a especula\u00e7\u00e3o financeira continua a fazer estragos. Lembra o Papa: \u2018a fragilidade dos sistemas mundiais perante a pandemia evidenciou que nem tudo se resolve com a liberdade do mercado (\u2026). Devemos voltar a p\u00f4r a dignidade humana no centro e sobre este pilar devem ser constru\u00eddas as estruturas sociais alternativas de que precisamos\u2019 (FT 168).<\/p>\n<p>Francisco lan\u00e7a um alerta: \u2018o s\u00e9c.XXI assiste a uma perda de poder dos Estados nacionais, sobretudo porque a dimens\u00e3o econ\u00f3mico-financeira, de caracter transnacional, tende a prevalecer sobre a pol\u00edtica\u2019 (FT 172). Para evitar este risco, h\u00e1 que reformar a ONU para que \u2019seja poss\u00edvel uma real concretiza\u00e7\u00e3o do conceito de fam\u00edlia das na\u00e7\u00f5es\u2019 (FT 173). A fraternidade universal e a paz social exigem uma boa pol\u00edtica que n\u00e3o esteja submetida \u2018\u00e0 economia nem aos ditames nem ao paradigma eficientista da tecnocracia\u2019 (FT 177).<\/p>\n<p>O combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o tem de ser sem tr\u00e9guas. E s\u00f3 h\u00e1 grandeza pol\u00edtica \u2018quando se trabalha com base em grandes princ\u00edpios e pensando no bem comum a longo prazo\u2019 (FT 178). A caridade social \u00e9 a alma de uma saud\u00e1vel ordem social e pol\u00edtica, na busca do bem comum: \u2018a caridade est\u00e1 no centro de toda a vida social sadia e aberta\u2019 (FT 184). Os pol\u00edticos devem ajudar quem \u00e9 pobre, mas tamb\u00e9m \u2018modificar as condi\u00e7\u00f5es sociais que provocam o seu sofrimento (\u2026), criando um emprego, exercendo uma forma sublime de caridade que enobrece a sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u2019 (FT 187). T\u00eam de cuidar dos mais fr\u00e1geis, daqueles que s\u00e3o v\u00edtimas das viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos.<\/p>\n<p>\u2018Ainda estamos longe duma globaliza\u00e7\u00e3o dos direitos humanos mais essenciais\u2019 (FT 189). O papa condena a fome criminosa, as toneladas de alimentos que se estragam e o tr\u00e1fico de pessoas, uma \u2018vergonha para a humanidade que a pol\u00edtica internacional n\u00e3o deveria tolerar\u2019 (FT 189).<\/p>\n<p>A intoler\u00e2ncia fundamentalista tamb\u00e9m \u00e9 visada pelo Papa Francisco, pois danifica as rela\u00e7\u00f5es entre pessoas, grupos e povos e n\u00e3o permite a escuta de vozes diferentes. Pede o Papa: \u2018N\u00e3o nos resignemos a viver fechados num fragmento da realidade\u2019 (FT 191). Aos fundamentalismos unem-se o \u00f3dio e o medo.<\/p>\n<p>A Pol\u00edtica \u00e9 uma arte de amar, potenciando \u2018as reservas de bem que, apesar de tudo, existem no cora\u00e7\u00e3o do povo\u2019 (FT 196). Os pol\u00edticos devem deixar-se vencer pela ternura provocada pelos pobres e fr\u00e1geis do nosso mundo. N\u00e3o devemos olhar aos resultados palp\u00e1veis, mas \u00e0 fecundidade da interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: \u2018se consigo ajudar uma s\u00f3 pessoa a viver melhor, isso j\u00e1 justifica o dom da minha vida\u2019 (FT 195).<\/p>\n<p>No ar, ficam muitas perguntas, algumas delas dolorosas: \u2018em que fiz progredir o povo? Quanta paz social semeei?\u2019 (FT 197). O Papa avan\u00e7a a reflex\u00e3o ao propor o di\u00e1logo rumo \u00e0 amizade social.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-190573-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias-politicaamor-16-11-2020.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias-politicaamor-16-11-2020.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias-politicaamor-16-11-2020.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-190573","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=190573"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190573\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=190573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=190573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=190573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}