{"id":19049,"date":"2006-07-11T10:49:48","date_gmt":"2006-07-11T10:49:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/11\/sao-bento-padroeiro-da-europa\/"},"modified":"2006-07-11T10:49:48","modified_gmt":"2006-07-11T10:49:48","slug":"sao-bento-padroeiro-da-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sao-bento-padroeiro-da-europa\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Bento, Padroeiro da Europa"},"content":{"rendered":"<p>Em 1957, um grupo de na\u00e7\u00f5es europeias ratificava o Tratado de Roma, constitutivo da Comunidade Europeia, que veio dar origem \u00e0 Comunidade Econ\u00f3mica Europeia (CEE). Em 1964, na sagra\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica do Mosteiro de Monte Cassino, destru\u00eddo em 1948, aquando da II Guerra Mundial, o Papa Paulo VI declarou S. Bento como padroeiro da Europa.  Que ter\u00e1, contudo, a ver com a Europa de hoje um santo do s\u00e9culo VI (480-547)? Para o Pe. Geraldo Coelho Dias, beneditino, este santo que escreveu a regra Mon\u00e1stica &#8211; com o seu nome &#8211; deu origem \u00e0 Ordem dos Monges Beneditinos, a \u00fanica na Europa Ocidental anterior ao ano mil e que &#8220;chegou activa e vi\u00e7osa aos tempos modernos&#8221;. Os beneditinos t\u00eam uma traject\u00f3ria hist\u00f3rica que atravessa os tempos e acompanha, &#8220;de forma decisiva, a forma\u00e7\u00e3o da Europa Ocidental e Crist\u00e3&#8221;. \u00c9, sem d\u00favida, atrav\u00e9s &#8220;da ac\u00e7\u00e3o dos monges que S. Bento merece aquele t\u00edtulo de Padroeiro da Europa&#8221;.  Os seguidores de S. Bento foram os obreiros das linhas de rumo daquilo que hoje chamamos Europa Ocidental e Crist\u00e3. Os seus instrumentos de ac\u00e7\u00e3o foram a Cruz do Evangelho &#8211; que pregaram e sob a qual viveram -, o Livro da Cultura &#8211; que conservaram e transmitiram a partir dos seus <i>scriptoria<\/i> e bibliotecas &#8211; e o arado com que arrotearam e lavraram as terras e ensinaram a cultivar. Apesar da vida comunit\u00e1ria no mosteiro, os beneditinos n\u00e3o deixaram de ser ap\u00f3stolos do Cristianismo e foram, de facto, por miss\u00e3o da igreja, os primeiros evangelizadores e mission\u00e1rios da Europa: S. Vilfrido e S. Bento Biscop na Inglaterra; S. Bonif\u00e1cio na Alemanha; S. Vilibrordo nos Pa\u00edses Baixos; S. Pirmino nos Alamanos e S. Ansc\u00e1rio nos Pa\u00edses Escandinavos.  Era esta a vida segundo a Regra de S. Bento, estabelecida no s\u00e9culo VI por Bento de N\u00farsia, o italiano fundador da Ordem dos Beneditinos e canonizado mais tarde. S. Bento prescrevia para os monges uma vida de pobreza, castidade e obedi\u00eancia, sob a orienta\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica de um abade, cuja palavra era lei. Lu\u00eds, o Piedoso, imperador carol\u00edngio entre 814 e 840, encorajou os monges a adoptarem a Regra de S. Bento. A Regra de S. Bento foi formulada quando este era abade de Monte Cassino (no Sul de It\u00e1lia), abadia fundada em 529 e que continua a ser um dos grandes mosteiros do Mundo. Bento foi o seu primeiro abade e foi ele quem estabeleceu o modelo de auto-sufici\u00eancia advogado pelas primitivas regras mon\u00e1sticas &#8211; depend\u00eancia total dos pr\u00f3prios campos e oficinas &#8211; que orientou durante s\u00e9culos os mosteiros da cristandade ocidental. Em todos os antigos mosteiros beneditinos, a vida era totalmente comunit\u00e1ria. A rotina di\u00e1ria centrava-se naquilo a que S. Bento chamava &#8220;trabalho de Deus&#8221; &#8211; demorados of\u00edcios de complexidade crescente. Tudo o resto era secund\u00e1rio. O trabalho manual que a regra estipulava existia n\u00e3o s\u00f3 para fornecer aos frades alimenta\u00e7\u00e3o e vestu\u00e1rio e satisfazer-lhes outras necessidades, como tamb\u00e9m para evitar a sua ociosidade e lhes alimentar a alma mediante a disciplina do corpo. Posteriormente, quando as abadias enriqueceram, sobretudo atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is devotos, os dormit\u00f3rios comunit\u00e1rios foram substitu\u00eddos por celas individuais e foram contratados trabalhadores para cuidarem dos campos, o que permitiu a muitos monges dedicarem-se a outras actividades, nomeadamente o estudo, gra\u00e7as ao qual a Ordem de S. Bento viria a ser t\u00e3o justamente c\u00e9lebre. Nos seus jardins murados, os monges cultivavam ervas medicinais; num dado momento, ocorreu-lhes a ideia de adicionar algumas ervas \u00e0 aguardente, inventando assim o licor beneditino. Pode parecer estranha esta associa\u00e7\u00e3o da vida mon\u00e1stica com o luxo das bebidas alco\u00f3licas, mas o vinho foi sempre uma bebida permitida aos Beneditinos. Ligava bem com as suas refei\u00e7\u00f5es simples, constitu\u00eddas essencialmente por p\u00e3o, ovos, queijo e peixe. Embora a carne fosse proibida nos primeiros s\u00e9culos, posteriormente algumas abadias adicionaram aos alimentos consumidos aves de capoeira e de ca\u00e7a. Hoje, 11 de Julho, \u00e9 dia de S. Bento aquele que Paulo VI chamou &#8220;de mission\u00e1rio da Paz, formador da unidade, mestre da cultura e, principalmente, grande promotor da vida crist\u00e3 e organizador da vida mon\u00e1stica ocidental. N\u00e3o foi sem raz\u00e3o que Pio XII lhe chamou Pai da Europa. Portanto, consultada a Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o dos Ritos declaramos e constitu\u00edmos <i>in perpetuum<\/I>, perante o Deus do C\u00e9u, S. Bento como Padroeiro Principal da Europa, com todas as honras e privil\u00e9gios lit\u00fargicos que pelo Direito competem aos padroeiros principais dos lugares&#8221;.  <i>Luis Filipe Santos \u2013 AE<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1957, um grupo de na\u00e7\u00f5es europeias ratificava o Tratado de Roma, constitutivo da Comunidade Europeia, que veio dar origem \u00e0 Comunidade Econ\u00f3mica Europeia (CEE). Em 1964, na sagra\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica do Mosteiro de Monte Cassino, destru\u00eddo em 1948, aquando da II Guerra Mundial, o Papa Paulo VI declarou S. Bento como padroeiro da Europa. 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