{"id":19013,"date":"2006-07-08T12:14:47","date_gmt":"2006-07-08T12:14:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/08\/a-crianca-e-a-familia-nao-estao-na-agenda-politica-em-portugal\/"},"modified":"2006-07-08T12:14:47","modified_gmt":"2006-07-08T12:14:47","slug":"a-crianca-e-a-familia-nao-estao-na-agenda-politica-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-crianca-e-a-familia-nao-estao-na-agenda-politica-em-portugal\/","title":{"rendered":"A crian\u00e7a e a fam\u00edlia n\u00e3o est\u00e3o na agenda pol\u00edtica em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista a Daniel Sampaio, psiquiatra, escritor <!--more--> Nasceu em Lisboa, em 1946. M\u00e9dico, especialista de Psiquiatria, coordena no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o N\u00facleo de Estudos do Suic\u00eddio, destinado ao atendimento de jovens em risco de suic\u00eddio. O seu trabalho tem sido caracterizado por uma especial aten\u00e7\u00e3o aos problemas da adolesc\u00eancia, tendo conduzido muitas sess\u00f5es de trabalho com professores, pais e alunos das escolas b\u00e1sicas e secund\u00e1rias.  Foi um dos introdutores, em Portugal, da Terapia Familiar, a partir da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar (fundada em 1979). Desde 2005 que est\u00e1 \u00e0 frente de uma comiss\u00e3o t\u00e9cnica nomeada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o para avaliar os projectos de educa\u00e7\u00e3o sexual existentes nas escolas.  Autor de v\u00e1rios livros, entre os quais se destacam &#8220;Inventem-se Novos Pais&#8221; (1994), &#8220;Voltei \u00e0 Escola&#8221; (1996) e, mais recentemente, &#8220;\u00c1rvore sem voz&#8221; (2004), n\u00e3o se considera um escritor. Os seus livros t\u00eam como ponto de partida as experi\u00eancias que viveu em mais de trinta anos de profiss\u00e3o. E que vive ainda! A pr\u00f3xima obra est\u00e1 pronta e ser\u00e1 lan\u00e7ada em Outubro.  Nesta grande entrevista ao \u201cSolidariedade\u201d, \u00f3rg\u00e3o oficial da CNIS, Daniel Sampaio, fala do d\u00e9fice de autoridade dos pais em rela\u00e7\u00e3o aos filhos e na necessidade de se incluir as tem\u00e1ticas da fam\u00edlia e da crian\u00e7a na agenda pol\u00edtica portuguesa, entre muitos outros temas.   <i>SOLIDARIEDADE &#8211; Est\u00e1 a liderar, desde 2005, uma comiss\u00e3o de diagn\u00f3stico para a introdu\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Sexual nas escolas. Qual \u00e9 o balan\u00e7o que faz, neste momento, da introdu\u00e7\u00e3o da disciplina, tendo em conta que na altura mostrou-se desfavor\u00e1vel h\u00e1 inser\u00e7\u00e3o dessa mat\u00e9ria como uma disciplina isolada?  DANIEL SAMPAIO &#8211;<\/i> A lei da educa\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 de 1984, tem 22 anos e, portanto, h\u00e1 escolas que t\u00eam muito boas pr\u00e1ticas, que t\u00eam um trabalho muito bom com os alunos, com os professores, com os pais, com o centro de sa\u00fade e t\u00eam j\u00e1 experi\u00eancia de trabalho de alguns anos. Por outro lado h\u00e1 escolas que est\u00e3o a come\u00e7ar a iniciar esse trabalho, est\u00e3o a come\u00e7ar a estruturar programas e h\u00e1 outras onde h\u00e1 muito pouco. O que n\u00f3s estamos agora a fazer \u00e9 uma proposta que permite a introdu\u00e7\u00e3o do tema Educa\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade at\u00e9 ao nono ano, que come\u00e7a j\u00e1 no primeiro ciclo. Tem car\u00e1cter obrigat\u00f3rio e, dependendo de cada escola, pode ser inclu\u00edda nas disciplinas de \u00c1rea Projecto, ou na op\u00e7\u00e3o Escola, ou no Estudo Acompanhado ou na Op\u00e7\u00e3o C\u00edvica, que s\u00e3o \u00e1reas n\u00e3o disciplinares, que os alunos t\u00eam que frequentar, mas que n\u00e3o t\u00eam um conte\u00fado muito concreto. N\u00f3s propomos que a Educa\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade seja inclu\u00edda nessas \u00e1reas curriculares n\u00e3o disciplinares, em que os alunos possam fazer trabalhos de pesquisa, sejam orientados pelos professores e que possam ir adquirindo conhecimentos. O nosso modelo \u00e9 um modelo transversal, ou seja, aproveita o que \u00e9 dado nas disciplinas e, ao mesmo tempo, tem essa inclus\u00e3o nessas \u00e1reas que j\u00e1 defini.   <i>SOLIDARIEDADE &#8211; Qual ser\u00e1 o papel dos pais? Tendo em aten\u00e7\u00e3o que existem diferentes culturas e religi\u00f5es que encaram as quest\u00f5es da sexualidade de forma muito diversa\u2026  DANIEL SAMPAIO &#8211;<\/i> A heterogeneidade n\u00e3o faz mal nenhum. Os alunos precisam de informa\u00e7\u00e3o, mas essa informa\u00e7\u00e3o tem que ser comentada por eles, t\u00eam que ter s\u00edtios pr\u00f3prios, para quando tiverem d\u00favidas poderem esclarec\u00ea-las. A escola tem cada vez mais alunos de diversas etnias, com culturas diferentes, com religi\u00f5es diferentes, mas eles recebem a informa\u00e7\u00e3o. T\u00eam \u00e9 que ter adultos para falar sobre isso. Por exemplo, a Internet tem tudo ao dispor, \u00e9 preciso \u00e9 que os alunos reflictam sobre isso. A escola tem um papel complementar da fam\u00edlia, ela vai acrescentar aquilo que a fam\u00edlia n\u00e3o deu. Se, por exemplo, a fam\u00edlia deu uma perspectiva contra as rela\u00e7\u00f5es sexuais antes do casamento, a escola tem que mostrar que, para uma grande maioria das pessoas, neste momento, isso \u00e9 normal, ou seja, dar uma informa\u00e7\u00e3o complementar \u00e0 da fam\u00edlia. \u00c9 preciso que a fam\u00edlia participe neste processo, sobretudo com os jovens com menos de 16 anos. N\u00e3o se devem tratar estes temas sem que os pais saibam que eles est\u00e3o a ser tratados na escola. \u00c9 preciso prud\u00eancia, justamente devido \u00e0s diferentes sensibilidades.   <i>SOLIDARIEDADE &#8211; Actualmente, nota-se uma diminui\u00e7\u00e3o da autoridade dos pais sobre os filhos. Fala-se na chamada gera\u00e7\u00e3o \u201ccanguru\u201d, com o prolongamento da adolesc\u00eancia e da depend\u00eancia dos filhos em rela\u00e7\u00e3o aos pais. Em que medida esse aspecto influencia as rela\u00e7\u00f5es familiares?  DANIEL SAMPAIO &#8211;<\/i> Esse \u00e9 um tema muito importante, porque h\u00e1 claramente em muitas fam\u00edlias um d\u00e9fice de autoridade dos pais. Mas temos que ser prudentes quando falamos nisto, porque h\u00e1 logo um conjunto de pessoas a dizer que \u00e9 preciso bater nos filhos, que os pais t\u00eam que ser autorit\u00e1rios, t\u00eam que os proibir, os professores t\u00eam que ser mais severos. \u00c9 muito perigoso pensar assim. O autoritarismo n\u00e3o funciona. As crian\u00e7as, os jovens, principalmente, t\u00eam uma consci\u00eancia muito grande dos seus problemas, dos seus direitos, conquistaram esses direitos e j\u00e1 n\u00e3o aceitam ser espancados ou humilhados como acontecia no princ\u00edpio do s\u00e9culo XX. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel voltar atr\u00e1s. Mas \u00e9 preciso dar autoridade aos pais e essa autoridade constr\u00f3i-se na rela\u00e7\u00e3o e na inf\u00e2ncia. N\u00e3o \u00e9 na adolesc\u00eancia. As fam\u00edlias devem instituir rotinas, criar regras. A\u00ed a crian\u00e7a come\u00e7a a reconhecer a autoridade dos pais, sobretudo se isso \u00e9 feito com amor. A crian\u00e7a interioriza essas regras e a autoridade constr\u00f3i-se na rela\u00e7\u00e3o. Depois, quando chega \u00e0 adolesc\u00eancia, se os pais acompanharem este movimento, j\u00e1 t\u00eam alguma autoridade. Os pais n\u00e3o devem dizer que sim a tudo aos filhos adolescentes, devem ter muito cuidado com as horas de entrada e de sa\u00edda em casa, com os dinheiros, com a Internet, com o \u00e1lcool, com as drogas. Desde muito cedo na adolesc\u00eancia, entre os 12 e os 13 anos, devem exprimir os seus pontos de vista.   <i>SOLIDARIEDADE &#8211; Os pais n\u00e3o devem, portanto, assumir o papel de companheiros dos filhos?  DANIEL SAMPAIO &#8211;<\/i> Exactamente. Devem compreender, devem conhecer os amigos dos filhos, devem saber o que \u00e9 que os jovens pensam. H\u00e1 um autor brasileiro que diz que os pais devem adolescer, no sentido de compreender um bocadinho os adolescentes, mas t\u00eam que continuar adultos no sentido de, por exemplo, dizer, \u00abeu n\u00e3o concordo que tu comeces a tua vida sexual aos 14 anos, \u00e9 muito cedo\u00bb; \u00abeu sou contra a que tu v\u00e1s a uma discoteca com 14 ou 15 anos e estejas at\u00e9 \u00e0s seis da manh\u00e3 a beber \u00e1lcool\u00bb. N\u00e3o quer dizer que os filhos n\u00e3o possam desobedecer, porque muitas vezes desobedecem, isso \u00e9 normal. Mas t\u00eam que saber exactamente o que \u00e9 que os pais pensam.   <i>SOLIDARIEDADE \u2013 Pode considerar-se que a gera\u00e7\u00e3o actual \u00e9 mais rebelde, atendendo ao aumento da viol\u00eancia e da indisciplina nos jovens?  DANIEL SAMPAIO &#8211;<\/i> N\u00e3o, considero que n\u00e3o. O que acontece \u00e9 que essas coisas s\u00e3o muito mais mediatizadas do que eram antigamente, aparecem muito mais nos jornais e na televis\u00e3o. H\u00e1, claramente, uma excessiva proximidade de gera\u00e7\u00f5es, um tema que tem sido objecto de investiga\u00e7\u00f5es. Em muitas fam\u00edlias, os filhos perderam a no\u00e7\u00e3o de que devem respeitar os pais, manter a hierarquia familiar. Isso \u00e9 uma consequ\u00eancia de uma proximidade excessiva que houve a partir dos anos 80 entre as gera\u00e7\u00f5es. S\u00e3o os \u201cpais camaradas\u201d. Come\u00e7ou nos anos 60, mas \u00e9 sobretudo a partir dos anos 80 que mais se divulgou. S\u00e3o uns pais muito permissivos, demasiado tolerantes, que acham que n\u00e3o se deve traumatizar as crian\u00e7as, que n\u00e3o se deve dizer n\u00e3o.   <i>SOLIDARIEDADE &#8211; Talvez uma consequ\u00eancia de d\u00e9cadas de depress\u00e3o psicol\u00f3gica, com o Estado Novo?  DANIEL SAMPAIO &#8211;<\/i> \u00c9 sempre assim. Os movimentos de ideias s\u00e3o consequ\u00eancias a movimentos anteriores. At\u00e9 aos anos 50, as crian\u00e7as n\u00e3o tinham direitos nenhuns, quando n\u00e3o tinham pais eram metidas em reformat\u00f3rios e quando estavam em casa, eram postas a dormir, a comer e ningu\u00e9m se preocupava em falar com elas. A partir dos anos 50 come\u00e7ou a perceber-se que um beb\u00e9 sente coisas, que uma crian\u00e7a emite opini\u00f5es, que um adolescente tamb\u00e9m pensa. Ent\u00e3o, come\u00e7aram a surgir movimentos no sentido dos direitos das crian\u00e7as: contra os maus-tratos, contra o abuso sexual. Depois seguiu-se um per\u00edodo de excesso. Deu-se demasiada import\u00e2ncia e enfraqueceu-se a autoridade dos pais. No final do s\u00e9culo XX, come\u00e7ou-se a reflectir sobre isso. Mas, refor\u00e7o, \u00e9 perigoso. J\u00e1 h\u00e1 muitas pessoas a defender que \u00e9 preciso voltar-se \u00e0 dimens\u00e3o autorit\u00e1ria, na qual n\u00e3o acredito.   <i>SOLIDARIEDADE &#8211; No caso dos jovens institucionalizados, surgem situa\u00e7\u00f5es muito dram\u00e1ticas. Por exemplo, o caso recente dos menores acusados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do assassinato de um travesti no Porto. O que \u00e9 que pode passar pela cabe\u00e7a desses menores para cometer um acto de tamanha viol\u00eancia?  DANIEL SAMPAIO &#8211;<\/i> O que acontece \u00e9 que essas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o trabalham com as fam\u00edlias. \u00c9 preciso trabalhar com as fam\u00edlias para evitar a institucionaliza\u00e7\u00e3o. Muitas fam\u00edlias t\u00eam muitos problemas, mas quem \u00e9 que as ajudou a alterar o seu caminho? Portanto, o caminho mais f\u00e1cil \u00e9 retirar a crian\u00e7a aos pais e met\u00ea-la numa institui\u00e7\u00e3o. Depois, a crian\u00e7a j\u00e1 est\u00e1 institucionalizada e continua-se a n\u00e3o trabalhar com a fam\u00edlia e a crian\u00e7a vai ficando na institui\u00e7\u00e3o.   SOLIDARIEDADE &#8211; E as institui\u00e7\u00f5es, nomeadamente, as IPSS, est\u00e3o capacitadas para receber essas crian\u00e7as?  DANIEL SAMPAIO &#8211; Essas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam muitas car\u00eancias, nomeadamente os Centros Educativos. \u00c9 uma problem\u00e1tica mundial, mas nuns s\u00edtios est\u00e1 melhor resolvida do que noutros. Normalmente esses centros s\u00e3o locais com m\u00e1s instala\u00e7\u00f5es, com poucos t\u00e9cnicos. \u00c9 necess\u00e1rio fazer um grande investimento. \u00c9 preciso ter professores muito treinados, psic\u00f3logos, assistentes sociais muito competentes. Mas isso custa caro. As pessoas ficam entregues a monitores, que at\u00e9 podem ter uma grande dedica\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o t\u00eam especializa\u00e7\u00e3o para desempenhar certas fun\u00e7\u00f5es.   <i>SOLIDARIEDADE &#8211; Bem ou mal t\u00eam sido as IPSS a assumir esse papel, por falta de respostas do Estado\u2026  DANIEL SAMPAIO &#8211;<\/i> Em Portugal existem cerca de dez mil crian\u00e7as em institui\u00e7\u00f5es e cinco mil em fam\u00edlias de acolhimento. Temos 15 mil crian\u00e7as e \u00e9 imposs\u00edvel que o Estado tenha recursos para tudo. O que \u00e9 preciso \u00e9 haver supervis\u00e3o. Essas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam que ter vigil\u00e2ncia e os t\u00e9cnicos que l\u00e1 trabalham t\u00eam que reportar o que l\u00e1 se passa e as dificuldades que t\u00eam. Tem que haver um acompanhamento dessas institui\u00e7\u00f5es. Nos pa\u00edses evolu\u00eddos do norte da Europa essas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o permanentemente vigiadas. O Estado tem um papel de vigil\u00e2ncia, de verifica\u00e7\u00e3o.   <i>SOLIDARIEDADE &#8211; Outro caso \u00e9 o da Casa do Gaiato. Pode considerar-se que o modelo tradicional adoptado por estas institui\u00e7\u00f5es, o de assumir as crian\u00e7as como filhos, est\u00e1 ultrapassado e tem que ser alterado?  DANIEL SAMPAIO &#8211;<\/i> \u00c9 preciso ter muito cuidado com a cr\u00edtica que se faz \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, porque a verdade \u00e9 que \u00e9 muito dif\u00edcil estar com essas crian\u00e7as ou jovens. N\u00e3o devemos logo condenar as pessoas que assumem esse papel. Mas \u00e9 evidente que devemos reflectir sobre as quest\u00f5es de que j\u00e1 falamos. A autoridade, hoje em dia, n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de ser constru\u00edda com castigos f\u00edsicos, j\u00e1 ningu\u00e9m aceita isso. \u00c9 preciso ajudar essas pessoas a desenvolver trabalho com as crian\u00e7as e adolescentes de modo a construir uma autoridade saud\u00e1vel. H\u00e1 in\u00fameras coisas como, por exemplo, trabalho em grupo, teatro, express\u00e3o pl\u00e1stica, jogos. H\u00e1 uma s\u00e9rie de t\u00e9cnicas interactivas que permitem que essas quest\u00f5es sejam trabalhadas. Costuma acusar-se frequentemente as Comiss\u00f5es de Protec\u00e7\u00e3o de Crian\u00e7as e Jovens, mas \u00e9 preciso perceber que essas pessoas s\u00e3o volunt\u00e1rias, trabalham em part-time e n\u00e3o t\u00eam apoios. S\u00e3o cidad\u00e3os de boa vontade, como eu costumo dizer. Um professor, um m\u00e9dico, um autarca vai para a Comiss\u00e3o de Protec\u00e7\u00e3o de Crian\u00e7as e Jovens, mas depois, reporta a quem? Escreve um relat\u00f3rio, mas depois quem \u00e9 que o ajuda no dia-a-dia com essa crian\u00e7a? \u00c9 um problema de pol\u00edtica. O que acontece \u00e9 que a crian\u00e7a e a fam\u00edlia n\u00e3o est\u00e3o na agenda pol\u00edtica em Portugal. J\u00e1 est\u00e3o em muitos pa\u00edses, mas aqui ainda n\u00e3o.   <i>SOLIDARIEDADE &#8211; No passado dia 10 de Junho foi distinguido pelo Presidente da Rep\u00fablica, Cavaco Silva, com a Ordem do Infante D. Henrique. N\u00e3o teria sido mais gratificante receb\u00ea-la das m\u00e3os do anterior Presidente da Rep\u00fablica, seu irm\u00e3o?  DANIEL SAMPAIO &#8211;<\/i> O meu irm\u00e3o (Jorge Sampaio) nunca faria isso nem eu aceitaria uma condecora\u00e7\u00e3o das m\u00e3os dele. Ambos temos uma vida intensa, dez anos mais intensa a dele que a minha, mas temos isso muito bem definido. Ele poderia pensar que eu merecia a condecora\u00e7\u00e3o, mas nunca o faria nem eu aceitaria.   <i>Texto: Milene C\u00e2mara e V.M. Pinto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista a Daniel Sampaio, psiquiatra, escritor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[122,133,154,187,193,203,206,261,314],"class_list":["post-19013","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-brasil","tag-cnis","tag-crianca","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-missoes","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19013","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19013"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19013\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}