{"id":190080,"date":"2020-11-10T11:21:08","date_gmt":"2020-11-10T11:21:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=190080"},"modified":"2020-11-16T16:15:49","modified_gmt":"2020-11-16T16:15:49","slug":"lusofonias-abrir-mundos-ao-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-abrir-mundos-ao-mundo\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Abrir mundos ao mundo"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/fratelli-tutti-missoes.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-190084\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/fratelli-tutti-missoes.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/fratelli-tutti-missoes.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/fratelli-tutti-missoes-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/fratelli-tutti-missoes-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/fratelli-tutti-missoes-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/fratelli-tutti-missoes-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/fratelli-tutti-missoes-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/fratelli-tutti-missoes-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Papa Francisco, na \u2018Fratelli Tutti\u2019, defende que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel \u2018experimentar o valor de viver sem rostos concretos a quem amar\u2019 (FT 87).\u00a0 O mundo tem de se abrir mais, melhorando os \u00edndices de hospitalidade. Diz ainda que \u2018 a estatura duma vida humana \u00e9 medida pelo amor, que constitui o crit\u00e9rio para a decis\u00e3o definitiva sobre o valor ou a inutilidade duma vida humana\u2019 (FT 92).<\/p>\n<p>\u00c9 urgente partir em direc\u00e7\u00e3o \u00e0s periferias, algumas delas bem pr\u00f3ximas de n\u00f3s, mesmo nas nossas fam\u00edlias de sangue. H\u00e1 que dar aten\u00e7\u00e3o a sinais preocupantes de racismo, \u2018um v\u00edrus que muda facilmente e, em vez de desaparecer, dissimula-se, mas est\u00e1 sempre \u00e1 espreita\u2019 (FT 97). Tamb\u00e9m merecem redobrada aten\u00e7\u00e3o os \u2018exilados ocultos\u2019, como \u00e9 o caso de pessoas portadoras de alguma defici\u00eancia e certas pessoas idosas que n\u00e3o contam para sociedades assentes na competitividade, no sucesso e no lucro.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode formatar todas as pessoas por igual, pois tal destr\u00f3i a riqueza e a singularidade de cada pessoa e de cada povo\u2019 (FT 100). O futuro da humanidade tem muitas cores, capitalizando a riqueza da diversidade. H\u00e1 que superar um mundo de s\u00f3cios para se construir um mundo de irm\u00e3os pr\u00f3ximos, olhando para a par\u00e1bola do bom samaritano: \u2018livre de todas as etiquetas e estruturas, foi capaz de interromper a sua viagem, mudar os seus programas, estar dispon\u00edvel para se abrir \u00e0 surpresa do homem ferido que precisava dele\u2019 (FT 101).<\/p>\n<p>\u2018igualdade e liberdade\u2019 s\u00e3o valores importantes, mas sem a \u2018fraternidade\u2019 pouco ou nada de interessante acrescentam \u00e0 humanidade: \u2018para se caminhar rumo \u00e0 amizade social e \u00e0 fraternidade universal, h\u00e1 que fazer um reconhecimento basilar e essencial: dar-se conta de quanto vale um ser humano, de quanto vale uma pessoa, sempre e em qualquer circunst\u00e2ncia\u2019 (FT 106).<\/p>\n<p>Um crescimento genu\u00edno e integral \u00e9 condi\u00e7\u00e3o exigida para se promover o bem moral. A solidariedade come\u00e7a nas fam\u00edlias que \u2018constituem o primeiro lugar onde se vivem e transmitem os valores do amor e da fraternidade, da conviv\u00eancia e da partilha, da aten\u00e7\u00e3o e do cuidado pelo outro. S\u00e3o tamb\u00e9m o espa\u00e7o privilegiado para a transmiss\u00e3o da F\u00e9\u2019 (FT 114). A arte do cuidar tem de estar sempre presente, como express\u00e3o m\u00e1xima da solidariedade: \u2018o servi\u00e7o \u00e9, em grande parte, cuidar da fragilidade\u2019 (FT 115).<\/p>\n<p>H\u00e1 que lutar contra \u2018todas as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, a terra e a casa, a nega\u00e7\u00e3o dos direitos sociais e laborais\u2019 (FT 116). E, claro, h\u00e1 que apostar numa ecologia integral que obriga a \u2018cuidar da casa comum\u2019 (FT 117).<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da propriedade tamb\u00e9m \u00e9 aprofundada. Diz a Doutrina Social da Igreja que a propriedade privada est\u00e1 sempre submetida \u00e0 destina\u00e7\u00e3o universal dos bens (cf. FT 123) e as sociedades devem \u2018garantir que cada pessoa viva com dignidade e disponha de adequadas oportunidades para o seu desenvolvimento integral\u2019 (FT 118).<\/p>\n<p>O desenvolvimento deve ser sustent\u00e1vel e sustentado. Tem de \u2018assegurar os direitos humanos pessoais e sociais, econ\u00f3micos e pol\u00edticos, incluindo os direitos das na\u00e7\u00f5es e dos povos\u2019 (FT 122).<\/p>\n<p>As Rela\u00e7\u00f5es Internacionais t\u00eam de mudar a sua forma de compreender o interc\u00e2mbio entre pa\u00edses: \u2018se toda a pessoa possui uma dignidade inalien\u00e1vel, se todo o ser humano \u00e9 meu irm\u00e3o ou minha irm\u00e3 e se, na realidade, o mundo pertence a todos, n\u00e3o importa se algu\u00e9m nasceu aqui ou vive fora dos confins do seu pr\u00f3prio pa\u00eds\u2019 (FT 125). Pede-se aos pa\u00edses mais ricos e desenvolvidos que n\u00e3o esmaguem os mais pobres, mas os ajudem a viver com padr\u00f5es de dignidade, assegurando \u2018o direito fundamental dos povos \u00e0 subsist\u00eancia e crescimento\u2019 (FT 126).<\/p>\n<p>O Papa Francisco conclui este cap\u00edtulo terceiro com esperan\u00e7a num futuro melhor: \u2018\u00e9 poss\u00edvel desejar um planeta que garanta terra, tecto e trabalho para todos. Este \u00e9 o verdadeiro caminho da paz, e n\u00e3o a estrat\u00e9gia insensata e m\u00edope de semear medo e desconfian\u00e7a perante amea\u00e7as externas. Com efeito, a paz real e duradoura \u00e9 poss\u00edvel s\u00f3 a partir de uma \u00e9tica global de solidariedade e coopera\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o de um futuro modelado pela interdepend\u00eancia e a corresponsabilidade na fam\u00edlia humana inteira\u2019 (TF 127).<\/p>\n<p>E muito mais diz este \u00faltimo documento do Papa Francisco. De \u2018um cora\u00e7\u00e3o aberto ao mundo inteiro\u2019 chegaremos \u00e0 reflex\u00e3o sobre \u2018a melhor pol\u00edtica\u2019.\u00a0 H\u00e1 que ultrapassar falsas convic\u00e7\u00f5es que nos apresentam o migrante como um usurpador que nada oferece, os pobres como perigosos ou in\u00fateis e os poderosos como generosos e benfeitores (cf. FT 141). L\u00e1 iremos\u2026<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-190080-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias-abrirnundos-26-10-2020.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias-abrirnundos-26-10-2020.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lusofonias-abrirnundos-26-10-2020.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-190080","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=190080"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190080\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=190080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=190080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=190080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}