{"id":18951,"date":"2006-07-05T11:53:03","date_gmt":"2006-07-05T11:53:03","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/05\/um-lugar-para-a-eucaristia-iii\/"},"modified":"2006-07-05T11:53:03","modified_gmt":"2006-07-05T11:53:03","slug":"um-lugar-para-a-eucaristia-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-lugar-para-a-eucaristia-iii\/","title":{"rendered":"Um lugar para a Eucaristia (III)"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO que aconteceu em terras de antiga cristianiza\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da arte sacra e da disciplina lit\u00fargica, est\u00e1 a verificar-se tamb\u00e9m nos continentes onde o cristianismo \u00e9 mais jovem. Tal \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o assumida pelo Conc\u00edlio Vaticano II a prop\u00f3sito da exig\u00eancia duma s\u00e3 e necess\u00e1ria \u00abincultura\u00e7\u00e3o\u00bb. Nas minhas numerosas viagens pastorais, pude observar por todo o lado a grande vitalidade de que \u00e9 capaz a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica em contacto com as formas, os estilos e as sensibilidades das diversas culturas. Adaptando-se a condi\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis de tempo e espa\u00e7o, a Eucaristia oferece alimento n\u00e3o s\u00f3 aos indiv\u00edduos, mas ainda aos pr\u00f3prios povos, e plasma culturas de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Mas \u00e9 necess\u00e1rio que t\u00e3o importante trabalho de adapta\u00e7\u00e3o seja realizado na consci\u00eancia constante deste mist\u00e9rio inef\u00e1vel, com que cada gera\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada a encontrar-se. O \u00abtesouro\u00bb \u00e9 demasiado grande e precioso para se correr o risco de o empobrecer ou prejudicar com experimenta\u00e7\u00f5es ou pr\u00e1ticas introduzidas sem uma cuidadosa verifica\u00e7\u00e3o pelas competentes autoridades eclesi\u00e1sticas. Al\u00e9m disso, a centralidade do mist\u00e9rio eucar\u00edstico requer que tal verifica\u00e7\u00e3o seja feita em estreita rela\u00e7\u00e3o com a Santa S\u00e9. Como escrevia na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal Ecclesia in Asia, \u00abtal colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial porque a Liturgia Sagrada exprime e celebra a \u00fanica f\u00e9 professada por todos e, sendo heran\u00e7a de toda a Igreja, n\u00e3o pode ser determinada pelas Igreja locais isoladamente da Igreja universal\u00bb. (101)\u201d. (Ecclesia de Eucharistia = EE, 51) Para explicar o conceito de incultura\u00e7\u00e3o (incarna\u00e7\u00e3o numa cultura), diferente de acultura\u00e7\u00e3o, um procedimento, por vezes, manifesto numa esp\u00e9cie de importa\u00e7\u00e3o \/ exporta\u00e7\u00e3o cultural ou sincretismo cultural (ou nem isso, isto \u00e9, de pretensas e falsas express\u00f5es culturais), o Cardeal Poupard, num discurso \u00e0 Assembleia Plen\u00e1ria do Conselho Pontif\u00edcio para a Cultura, em 2002, referia: \u201cO encontro da f\u00e9 e da cultura pode, por vezes, assemelhar-se, sobre certos aspectos, ao de David e Golias, em que, tanto um como outro, se desafiam mutuamente, mas com armas muito diferentes. A particularidade da mensagem crist\u00e3 ultrapassa a especificidade das culturas e a linguagem da Igreja n\u00e3o pode deixar-se encerrar na de uma cultura concreta. O que a Igreja tem miss\u00e3o de transmitir n\u00e3o \u00e9 um livro do passado, mas o Livro da vida, cujo autor \u00e9 sempre vivo e continua a escrever esta \u00fanica palavra de vida nas diversas culturas dos povos. Esta obra do Esp\u00edrito realiza-se mediante a Igreja, semper purificanda, atenta \u00e0 salvaguarda da universalidade da mensagem de Cristo, tornando-a aud\u00edvel a todos os povos de todas as culturas do mundo. Fazendo-o, opera um discernimento salv\u00edfico em favor as culturas, rejeitando tudo o que nelas \u00e9 deficiente em humanidade.\u201d \u201cDe quanto fica dito \u2013 continua Jo\u00e3o Paulo II \u2013 compreende-se a grande responsabilidade que t\u00eam sobretudo os sacerdotes na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, \u00e0 qual presidem in persona Christi, assegurando um testemunho e um servi\u00e7o de comunh\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 comunidade que participa directamente na celebra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e0 Igreja universal, sempre mencionada na Eucaristia. Temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma lit\u00fargica p\u00f3s-conciliar, por um amb\u00edguo sentido de criatividade e adapta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos. Uma certa reac\u00e7\u00e3o contra o \u00abformalismo\u00bb levou alguns, especialmente em determinadas regi\u00f5es, a considerarem n\u00e3o obrigat\u00f3rias as \u00abformas\u00bb escolhidas pela grande tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da Igreja e do seu magist\u00e9rio e a introduzirem inova\u00e7\u00f5es n\u00e3o autorizadas e muitas vezes completamente impr\u00f3prias. Por isso, sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas lit\u00fargicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Constituem uma express\u00e3o concreta da aut\u00eantica eclesialidade da Eucaristia; tal \u00e9 o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca \u00e9 propriedade privada de algu\u00e9m, nem do celebrante, nem da comunidade onde s\u00e3o celebrados os santos mist\u00e9rios. O ap\u00f3stolo Paulo teve de dirigir palavras \u00e0speras \u00e0 comunidade de Corinto pelas falhas graves na sua celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, que tinham dado origem a divis\u00f5es (sk\u00edsmata) e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de fac\u00e7\u00f5es (&#8216;air\u00e9seis) (cf. 1 Cor 11, 17-34). Actualmente tamb\u00e9m deveria ser redescoberta e valorizada a obedi\u00eancia \u00e0s normas lit\u00fargicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas lit\u00fargicas, e a comunidade, que \u00e0s mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor \u00e0 Igreja&#8230;. A ningu\u00e9m \u00e9 permitido aviltar este mist\u00e9rio que est\u00e1 confiado \u00e0s nossas m\u00e3os: \u00e9 demasiado grande para que algu\u00e9m possa permitir-se de trat\u00e1-lo a seu livre arb\u00edtrio, n\u00e3o respeitando o seu car\u00e1cter sagrado nem a sua dimens\u00e3o universal\u201d. (EE, 52)  <i>Secretariado Diocesano de Liturgia do Porto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO que aconteceu em terras de antiga cristianiza\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da arte sacra e da disciplina lit\u00fargica, est\u00e1 a verificar-se tamb\u00e9m nos continentes onde o cristianismo \u00e9 mais jovem. Tal \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o assumida pelo Conc\u00edlio Vaticano II a prop\u00f3sito da exig\u00eancia duma s\u00e3 e necess\u00e1ria \u00abincultura\u00e7\u00e3o\u00bb. 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