{"id":18926,"date":"2006-07-04T11:59:17","date_gmt":"2006-07-04T11:59:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/07\/04\/trabalhador-boneco-de-producao-nao-2\/"},"modified":"2006-07-04T11:59:17","modified_gmt":"2006-07-04T11:59:17","slug":"trabalhador-boneco-de-producao-nao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/trabalhador-boneco-de-producao-nao-2\/","title":{"rendered":"\u00abTrabalhador. Boneco de produ\u00e7\u00e3o? N\u00e3o.\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Encontro de finaliza\u00e7\u00e3o da campanha nacional da JOC sobre a precariedade e instabilidade do trabalho <!--more--> A Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica ir\u00e1 realizar, como s\u00edmbolo da caminhada feita em conjunto, um Encontro Nacional de Jovens do Meio Oper\u00e1rio, para o pr\u00f3ximo dia 16 de Julho de  2006, na cidade de Braga. Foi escolhido este local pois \u201ceste distrito \u00e9, na actualidade, dos mais atingidos pela realidade da Precariedade e Instabilidade do Trabalho\u201d \u2013 real\u00e7a um comunicado da JOC. Desde o passado m\u00eas de Setembro de 2005, que a JOC portuguesa desenvolve a Campanha Nacional denominada \u201cTrabalhador. Boneco de Produ\u00e7\u00e3o? N\u00e3o.\u201d  sobre a Precariedade e Instabilidade do Trabalho. Tendo como objectivos  gerais despertar e consciencializar mais os jovens para esta realidade,  denunciar e dar a conhecer a realidade vivida e fazer propostas de solu\u00e7\u00e3o. A Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica \u00e9 um movimento de jovens do meio oper\u00e1rio. \u201cProcura formar os jovens, ajudando-os a transformarem-se, adquirirem novos valores, convic\u00e7\u00f5es, atitudes e estilo de vida. O grupo da JOC \u00e9 um espa\u00e7o de encontro e partilha entre os jovens, para que cada jovem descubra, tome consci\u00eancia e transforme a realidade que o envolve. A miss\u00e3o da JOC \u00e9 evangelizadora. O an\u00fancio de Jesus Cristo \u00e9 insepar\u00e1vel do compromisso e luta pela liberta\u00e7\u00e3o e dignidade dos jovens do meio oper\u00e1rio. Procura-se que cada jovem assuma a sua vida de forma livre, consciente e respons\u00e1vel e descubra o seu lugar no mundo e na Igreja e a\u00ed se torne protagonista\u201d \u2013 salienta o documento.  <b>O programa do Encontro<\/b> 10h30 &#8211; Chegada\/Acolhimento ao Campo das Hortas 11h00 &#8211; Marcha pela cidade 12h00 &#8211; Concentra\u00e7\u00e3o no palco da Avenida Central Introdu\u00e7\u00e3o ao Encontro Apresenta\u00e7\u00e3o dos Participantes 13h00 &#8211; Almo\u00e7o partilhado 14h30 &#8211; Teatro d&#8217; &#8220;O Oprimido&#8221; 15h15 &#8211; Actua\u00e7\u00e3o do Cantor de Interven\u00e7\u00e3o Toni da Costa 15h55 &#8211; Actua\u00e7\u00e3o da TUM &#8211; Tuna Universit\u00e1ria do Minho 16h35 &#8211; Encerramento Encena\u00e7\u00e3o\/Ora\u00e7\u00e3o  \u201cNo contacto directo com as realidades laborais de cada diocese, especialmente a partir da proximidade e rela\u00e7\u00e3o com alguns jovens trabalhadores, tomamos conhecimento e confirmamos algumas situa\u00e7\u00f5es concretas de Precariedade e Instabilidade vividas nos locais de trabalho: a sujei\u00e7\u00e3o dos jovens trabalhadores a contratos tempor\u00e1rios, muitos deles com dura\u00e7\u00e3o de um m\u00eas; a press\u00e3o exercida pelas entidades patronais, ou chefes, sobre os jovens, para que n\u00e3o se organizem ou filiem nos sindicatos; a depend\u00eancia dos trabalhadores perante o que a entidade patronal definir, nomeadamente em termos de hor\u00e1rios de trabalho, marca\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias e dias de descanso semanal; o desemprego; o desaproveitamento de jovens com forma\u00e7\u00e3o superior ou espec\u00edfica em determinadas \u00e1reas, pois muitos est\u00e3o a realizar trabalhos que nada t\u00eam a ver com as suas qualifica\u00e7\u00f5es; jovens que n\u00e3o recebem o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional; horas extraordin\u00e1rias que n\u00e3o s\u00e3o pagas e muita falta de informa\u00e7\u00e3o dos jovens sobre os seus direitos como trabalhadores.  As causas identificadas s\u00e3o a procura excessiva do lucro por parte das entidades patronais n\u00e3o tendo o trabalhador como. Os trabalhadores querem ganhar cada vez mais dinheiro para ter mais poder de compra numa sociedade extremamente aliciante e consumista, que deixa para tr\u00e1s quem n\u00e3o tem poder financeiro. A falta de forma\u00e7\u00e3o dos trabalhadores por um lado e dos empres\u00e1rios por outro \u00e9 outra causa. Um trabalhador sem forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 condenado a sujeitar-se ao trabalho que lhe aparece, sem ter muita possibilidade de escolha ou de sonhar com outro emprego que o realize mais. Um empres\u00e1rio sem forma\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o sabe gerir uma empresa, que olha a empresa apenas como um meio de ganhar dinheiro, que investe durante muito tempo os lucros apenas em bens pessoais e n\u00e3o na moderniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 em muitas situa\u00e7\u00f5es uma porta para a fal\u00eancia e consequentemente para o desemprego de muitos trabalhadores. A precariedade resulta tamb\u00e9m da falta de uni\u00e3o e solidariedade entre trabalhadores, devido ao medo de perderem o trabalho e ao clima de inseguran\u00e7a e instabilidade existente no mercado de trabalho. Finalmente, permanece uma grande desadequa\u00e7\u00e3o do sistema educativo e da oferta de forma\u00e7\u00e3o profissional \u00e0s necessidades do mercado de trabalho. Esta realidade da precariedade e instabilidade do trabalho est\u00e1 a ter consequ\u00eancias muito graves na vida das pessoas. Assistimos a uma nova vaga de emigra\u00e7\u00e3o, nota-se acomodamento dos trabalhadores, empobrecimento das rela\u00e7\u00f5es, individualismo, uma grande subjuga\u00e7\u00e3o, dos trabalhadores \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que lhes s\u00e3o oferecidas e um enfraquecimento da ac\u00e7\u00e3o dos sindicatos. Na fam\u00edlia, \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil as pessoas programarem a sua vida; a constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia e o nascimento dos filhos s\u00e3o retardados. O endividamento das fam\u00edlias, a diminui\u00e7\u00e3o do poder de compra e a falta de tempo dos pais para acompanharem os filhos tamb\u00e9m s\u00e3o consequ\u00eancia da precariedade vivida. A n\u00edvel social temos como consequ\u00eancia o aumento da pobreza, da exclus\u00e3o social, da viol\u00eancia, de algumas perturba\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas e mesmo do suic\u00eddio. Ap\u00f3s a an\u00e1lise da realidade, n\u00f3s, os militantes da JOC analisamos e aprofundamos a realidade da vida dos jovens trabalhadores \u00e0 luz do Evangelho de Jesus Cristo, da Doutrina Social da Igreja e dos Direitos do Homem. Procuramos abrir perspectivas de ac\u00e7\u00e3o para a nossa vida militante e contributo na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade nova e de um mundo laboral mais humano. Enquanto militantes crist\u00e3os oper\u00e1rios temos a miss\u00e3o de lutar pelo respeito da dignidade de cada jovem trabalhador. Temos obriga\u00e7\u00e3o de conhecer a realidade que nos rodeia, de a dar conhecer, numa atitude prof\u00e9tica, de den\u00fancia de tudo o que vai contra a dignidade humana e an\u00fancio dos valores de Jesus Cristo. Devemos denunciar que o desemprego \u00e9 sempre um mal, que o trabalho \u00e9 o  meio que cada homem e mulher t\u00eam para adquirir os bens necess\u00e1rios a uma  vida digna e que sem o trabalho o Homem n\u00e3o pode viver dignamente. Numa perspectiva de futuro e numa atitude de esperan\u00e7a, devemos incentivar os outros a acreditarem que \u00e9 poss\u00edvel melhorar a situa\u00e7\u00e3o laboral e evitar o discurso derrotista e pessimista. Temos a miss\u00e3o de formar consci\u00eancias; sensibilizar os jovens para a import\u00e2ncia de estarem informados, serem conhecedores dos seus direitos e deveres, estarem atentos e interventivos. Temos o dever de encarar o trabalho como uma forma de contribuirmos para a sociedade. N\u00e3o olhar o trabalho apenas como um fardo e transmitindo alegria pelo nosso trabalho, por aquilo que fazemos. Devemos estimular o esp\u00edrito associativo das pessoas, a participa\u00e7\u00e3o em Associa\u00e7\u00f5es\/Comiss\u00f5es de Trabalhadores, sindicatos,&#8230; ajudando na luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. O emprego \u00e9 hoje um bem escasso, mas apesar disso os trabalhadores n\u00e3o podem aceitar qualquer coisa, n\u00e3o podem deixar-se humilhar: &#8220;um trabalhador vale mais que todo o ouro do mundo&#8221;  (Cardijn). Devemos defender o princ\u00edpio da solidariedade no trabalho: &#8220;O trabalho para todos&#8221;. Assim, o nosso testemunho de vida tem de ser coerente com  estes princ\u00edpios e com o que acreditamos. S\u00f3 educamos se os outros virem  que vivemos o que dizemos: com coragem, perseveran\u00e7a e convic\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sou coerente quando defendo o direito ao emprego e tenho 2 ou 3 empregos,  quando milhares de pessoas continuam no desemprego; n\u00e3o posso fazer constantemente, e por rotina, horas extraordin\u00e1rias quando isso permitiria criar um novo posto de trabalho; nem posso continuar a frequentar Centros Comerciais e Hipermercados nos feriados e fins-de-semana, quando gosto de estar a descansar, e os trabalhadores nestes locais est\u00e3o a ser  explorados. Devemos persistir em anunciar que o Homem \u00e9 o centro de toda a economia; que o trabalho deve permitir a cada pessoa usufruir de um sal\u00e1rio que lhe permita, a si e \u00e0 sua fam\u00edlia, ter uma vida digna; que o homem e a mulher devem ser valorizados da mesma maneira; que os hor\u00e1rios laborais devem ser concili\u00e1veis com a vida familiar e que todo o trabalho \u00e9 um contributo do Homem para o bem comum. O mercado de trabalho est\u00e1 muito ligado \u00e0 escola. Esta deve estar adaptada \u00e0s necessidades do mesmo para n\u00e3o continuarmos a gerar tristeza e frustra\u00e7\u00e3o nos jovens pela falta de trabalho e de realiza\u00e7\u00e3o profissional. O futuro profissional dos jovens trabalhadores depende de todos n\u00f3s. Temos que criar solidariedade e juntos lutarmos para que os Direitos Humanos  sejam respeitados, e sendo crist\u00e3os tendo em conta a Doutrina Social da  Igreja e o Evangelho\u201d.  <i>A Coordenadora Nacional &#8211; Maria das Neves de Oliveira Jesus<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontro de finaliza\u00e7\u00e3o da campanha nacional da JOC sobre a precariedade e instabilidade do trabalho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[172,189,191,206,211,239,261,314],"class_list":["post-18926","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-braga","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-familia","tag-ferias","tag-joc","tag-missoes","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18926\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}